segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

QUEM AMA CORRIGE


Cristianismo. www.ofielcatolico.com.br. QUEM AMA CORRIGE. COMO DEVE O CRISTÃO católico proceder diante de um familiar, um amigo ou mesmo algum colega de estudos ou do trabalho que erra, que está em pecado ou, melhor seria dizer, um que persista no erro, imaginando que acerta (já que errar todos nós erramos, pecar todos pecamos). Corrigir os erros alheios pode ser muito difícil. Exige coragem, boa vontade, paciência (...) e principalmente verdadeiro amor fraterno, que é a autêntica caridade cristã. Como diz o querido padre Francisco Faus (1931-  ) em um de seus admiráveis livros (Tornar a Vida Amável, Cultor & Cleofas) "corrigir um amigo – com amor e ânimo de ajudar – é uma das melhores maneiras de compreendê-lo". Antes de entrar na análise da questão, entretanto, importa contextualizá-la. Vivemos hoje o pleno apogeu da temível ditadura do relativismo, contra a qual tanto nos advertia o papa Bento XVI (1927-  ) e que já foi também condenada por Francisco como "a pobreza espiritual dos nossos dias". Vivendo num mundo em que tudo é relativo e tudo se questiona, por todos, o tempo todo, fica muito difícil dizer a um irmão: "Cuidado, não vá cair em tal erro", porque o mundo grita intermitentemente aos nossos ouvidos que absolutamente tudo é relativo e que ninguém possui autoridade para dizer o que é certo e o que é errado. Mais além, nossa geração é extremamente orgulhosa e pendente para o pecado da soberba. Nossos pais e avós aceitavam com mansidão a reprimenda dos pais, mestres e superiores hierárquicos, diferente de nós. Eu mesmo não podia reclamar dos meus professores do ensino fundamental ou médio para meus pais (a não ser que se tratasse de algum problema realmente grave), porque, se o fizesse, ganharia apenas uma nova reprimenda. Meu dever era respeitar sempre, e me esforçar ao máximo para aprender e me aperfeiçoar, e não criticar aquele (a) cuja função é justamente me ensinar e disciplinar. Hoje, se um professor adverte uma criança ou adolescente em sala de aula, terá que responder aos pais, que via de regra já têm como premissa que o aluno, em tudo, está certo, e o professor errado (como aconteceu no caso do professor processado em juízo por ter proibido um aluno de usar o celular durante sua aula). Temos assim, por um lado, que em nossos tempos é muito difícil corrigir alguém, mesmo quando o erro é flagrante. Por outro, que é muito importante saber corrigir. Ninguém gosta de ser repreendido, em especial se a reprimenda for feita publicamente. Ninguém gosta de se sentir desrespeitado e, a não ser que você mesmo seja perfeito, como poderia apontar o dedo para as falhas do seu próximo? Com que autoridade o faria? Mesmo assim, é um erro comum pensar que, pelo fato de Nosso Senhor ter nos exortado a "não julgar", isto seria motivo para a omissão, isto é, deixar cada um cuidar da própria vida, sem se importar com o bem do próximo ou com a defesa do bem, da verdade, da justiça. Aliás, as passagens em que o Cristo ensina a "não julgar" estão entre as mais desvirtuadas das Sagradas Escrituras, que também nos mostram claramente como nosso Salvador (e antes d'Ele os profetas, até São João Batista, e depois d'Ele os santos Apóstolos), apontava com clareza todo erro, onde quer que o encontrasse. Assim é que as Epístolas vão insistentemente nos orientar neste sentido: Exortamos-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos. (1Tessalonicenses 5,14) Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. (Gálatas 6,1). Acautelai-vos! Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. (Lucas 17,3-4) Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão (Gálatas 6,1). Especial atenção requer a exortação de S. Judas Apóstolo, por muito precisa: "Procurai convencer os hesitantes (compadecei-vos deles); procurai salvá-los, arrebatando-os do fogo (do Inferno); dos outros, tende misericórdia (sede compassivos), mas com temor, detestando até as vestes contaminadas pela carne" (Judas 22-23). O resumo de tudo em 4 pontos bem claros. Nosso dever é: 1) proclamar a Verdade do Evangelho; 2) procurar salvar a todos 3); ter misericórdia dos que vagam sem direção, perdidos no erro, sendo compassivos para com eles; 4) mas nada disso exime de manter o temor de Deus, e nem nos desobriga de detestar radicalmente o pecado. Em resumo, devemos ser "imitadores de Deus", amando os pecadores e odiando o pecado. Muitos confundem as duas coisas: uns são caridosos em excesso, entendendo equivocadamente que, por amarmos os pecadores, deveríamos tolerar também o pecado. Alguns vão tão fundo nesta compreensão espúria que caem no erro ainda mais grave de concluir que até o chafurdar no pecado seria "graça de Deus"(...). Outros, seguindo no sentido contrário e igualmente equivocado, por muito odiar o pecado, confundem-no com o próprio pecador, e assim terminam por trocar o Caminho de Cristo por um caminho de ódio e intolerância. Esquecem-se que a Caridade é como que uma das pernas do caminhar do cristão, sendo a outra perna a própria Verdade: se uma das duas falhar, o andar torna-se manco, e em alguns casos o progresso vai se tornar finalmente impossível. Não basta só a Caridade sem a Verdade. Também os hipócritas e os desonestos são capazes de amar. Já o conhecimento da Verdade, sem a Caridade, será estéril. Assim como os "bonzinhos" e "politicamente corretos" de plantão dos nossos tempos entendem que seria mais próprio do bom católico "compreender" e concentrar todos os nossos esforços apenas e tão somente em perdoar, relevar e "não julgar"; considerando sempre exclusivamente o lado bom da pessoa, outros comportam-se como fariseus, assentados em seus tronos de hipocrisia e apontando seus dedos duros para todos os lados, como se tivessem já, eles próprios, atingido a perfeição cristã. A solução para o problema está no caminho reto, que não se desvia nem para a direita e nem para a esquerda (Provérbios 4,11,27). Nosso Modelo máximo e perfeito, evidente, é o Cristo, e Ele resumiu tudo ao dizer: Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e corrige-o a sós. Se ele te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. (Mateus 18,15) Está tudo dito aí, numa única frase: • Deve o cristão repreender o seu irmão, que caiu ou está em pecado; • Deve corrigi-lo com caridade e misericórdia, a sós, sem a pretensão de humilhá-lo ou fazer-se superior a ele; • "Se ele te der ouvidos (...)": é preciso compreender que aquele irmão pode simplesmente não querer ouvir, não considerar a correção, comportar-se com orgulho e persistir no erro. Nesse caso, não cabe querer forçá-lo e sim, simplesmente, deixá-lo seguir seu próprio caminho, pois quem o julgará é Deus, e não nós, que somos também imperfeitos. Jesus, depois de censurar a pessoa que só enxerga o cisco no olho do irmão, fala mais uma vez do dever de corrigir: "Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar o cisco do olho de teu irmão" (Mateus 7,5); • "(...) terás ganho o teu irmão". O objetivo do que corrige não é impor-se, disputar, mostrar que tem razão ou qualquer outra coisa desse tipo, mas sim o bem do outro. É ganhar a sua alma para Cristo e para a vida eterna. Como vemos, o mesmo Cristo que nos ama e perdoa, sempre de novo e de novo, com infinita Misericórdia (louvado seja, por isto, Nosso Senhor!), manda-nos corrigir, exatamente porque quer sempre o nosso bem. Porque nos ama, não hesita em alertar, em corrigir, em repreender, ainda que isso doa, como fez tantas vezes com seus Apóstolos (cf. Mateus 16,23 e 20,25-26), seus amigos mais caros. Nunca é demais lembrar que identificar e acusar os erros é coisa diferente de julgar. Se eu testemunhasse um assassinato, estupro ou tortura, e dissesse que tudo isso é erro, pecado e crime, estaria "julgando"? Não, por certo. Estaria, isto sim, fazendo uso do discernimento racional mais elementar para identificar um comportamento condenável, e nestes casos extremos seria uma obrigação moral denunciar. Julgar tem mais a ver com condenar pessoas do que os atos cometidos por pessoas. Quem não é capaz de alertar um irmão que se está a perder é o egoísta indiferente, que só pensa em si e prefere não se meter com os problemas alheios, repetindo o mantra maldito dos que não conhecem a caridade: "Cada um com os seus problemas"... E, quando o outro se complica de vez, naufragando em meio a mil dores e dificuldades, amortece a própria consciência repetindo para sim mesmo que não teve culpa, afinal, "cada um (...)". Quem não corrige é porque não ama o suficiente, ou não sabe amar; são os frouxos, os covardes, os "mornos" de quem nos fala o Cristo (Apocalipse 3,15-16). Acham que ser bom é aceitar tudo, porque corrigir pode magoar, provocar alguma dor, algum constrangimento (...) "Passa por cima" de tudo e tudo tolera. Nunca adverte nem corrige, por medo de magoar ou da reação do outro. É a atitude típica dos sentimentais e covardes, e contra estes disse o Espírito Santo no Livro dos Provérbios: "Melhor é a correção manifesta do que uma amizade falsa" (Provérbios 27,5). É muito fácil cair na tentação de olhar só as qualidades, dizer sempre somente as coisas boas, os acertos e as virtudes de um parente, um amigo, um colega, um irmão de fé, e fingir que as falhas não existem. Uma falsa tolerância que mais prejudica do que ajuda. Os tolerantes de araque, que são moles de espírito, acham que corrigir alguém vai "traumatizar" ou "tirar a liberdade" do outro, e assim vão todos ficando igualmente moles. Isto é uma grande tragédia dos nossos tempos. Lembro-me bem da primeira reunião que tive com Felipe Marques, um valoroso jovem que desempenha um belo papel em nosso apostolado. Num momento da conversa, perguntei a ele: "O que você acha de ser repreendido? Como reage quando alguém aponta alguma falha em alguma coisa que você fez? O que acharia de ter os seus textos corrigidos, ou mesmo parte deles reescritos?"; ao que ele prontamente, olhando nos meus olhos, com verdade e numa atitude de cavalheiro, respondeu: "É o que eu espero! Eu quero ser corrigido porque quero aprender, e tenho muito que aprender". Naquele momento entendi que estava diante de um verdadeiro fiel católico, um guerreiro de Cristo, um jovem cruzado verdadeiramente disposto a fazer a diferença nesta Igreja combalida. E eu respondi: "Muito bem. Somos homens! Não tenha medo em também me corrigir, quando eu cometer alguma falha". Já se foram alguns anos desta conversa, e de lá para cá a verdade é que temos aprendido um com o outro, sem falsos orgulhos nem vaidades, mas com o amor fraterno que deve existir entre os membros do Corpo de Cristo. Lembremos, por fim, que para corrigir, antes é preciso dar exemplo, e é preciso cultivar um sincero afeto pela pessoa, além de saber perdoá-la no mais íntimo da alma, conscientes de que nós também erramos. É preciso que a motivação e a razão da correção seja sempre o querer o bem do próximo, como quem estende a mão para ajudar. Pense que não é obstáculo para corrigir com eficácia o fato de sentir dificuldade em fazê-lo. Quase sempre custa falar de um defeito diretamente com o interessado; é natural que soframos com o receio de que – ainda que falemos com carinho – o outro não entenda e possa se melindrar. Rezemos, então, antes de falar, pedindo a Luz e a Fortaleza do Espírito Santo. Coragem! O mundo só terá a ganhar se nós, cristãos, nos corrigirmos fraternalmente, uns aos outros. Lembre-se: por mais difícil que seja, isto é melhor –, infinitamente melhor –, do que calar-se na presença daquela pessoa, para depois criticá-la pelas costas. Referindo-se aos comodistas, que preferem calar do que corrigir quando é preciso, disse S. Josemaria Escrivá (1902-1975):  Talvez poupem desgostos nesta vida, mas põem em risco a Felicidade eterna – a própria e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados. (Forja, n. 577). Nós, Igreja, precisamos de homens e mulheres de verdade, guerreiros da fé valorosos e destemidos, que saibam respeitar, sim e sempre, mas igualmente saibam se posicionar e proclamar quem são, em que creem, pelo que lutam. Rogai por nós, São Miguel, São Jorge, São Sebastião, Santa Joana d'Arc (1412-1431)! www.ofielcatolico.com.br. Abraço. Davi

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

EXISTE ALGUMA RAZÃO EM VIVER?


Espiritualidade. www.oshobrasil.com.br. EXISTE ALGUMA RAZÃO EM VIVER?  Texto de Osho (1931-1990). Tradução de Issa Maluf. Osho. Existe alguma razão em viver? O homem tem sido conduzido por todas as tradições de uma maneira esquizofrênica. Isso foi útil para dividir o homem em todas as dimensões possíveis, e criar um conflito entre essas divisões. Desta maneira o homem se torna fraco, inseguro, medroso, pronto para submeter-se, render-se; pronto para ser escravizado pelos sacerdotes, pelos políticos, por qualquer pessoa. Essa questão também surge a partir de uma mente esquizofrênica. Será um pouco difícil para você entender porque você pode nunca ter pensado que a divisão entre fins e meios é a estratégia básica da criação de divisões no homem. Viver tem algum significado, alguma razão, algum valor? A questão é: Existe algum objetivo a ser alcançado na vida, vivendo? Existe um lugar aonde você chegará algum dia através da vida? Viver é um meio e a meta, a realização, e em algum lugar distante, é o fim. E esse fim irá torná-lo significativo. Se não existe fim, então certamente a vida é sem sentido; um Deus é necessário para fazer sua vida significativa. Primeiro cria-se a divisão entre fins e meios. Que divide sua mente. Sua mente está sempre perguntando: Por que? Para que? E qualquer coisa que não tenha resposta para a questão, "Para que?" Lentamente, lentamente se torna sem valor para você. É por isso que o amor se tornou sem valor. Qual é a razão existente no amor? Para onde isso levará você? Qual será a realização disso? Você alcançará alguma utopia, algum paraíso? Claro, não há razão no amor dessa maneira. É sem razão. Qual é a razão da beleza? Você vê um pôr do sol você fica estonteado, é tão lindo, mas qualquer idiota consegue perguntar: "Qual é o significado disso?" e, você ficará sem nenhuma resposta. Se não tem nenhum significado então porque desnecessariamente você está comentando sobre a beleza? Uma bela flor, ou uma bela pintura, ou uma bela música, uma bela poesia, elas não têm nenhuma razão. Elas não estão argumentando para provar algo, nem são meios para chegar a qualquer fim. E viver consiste só em coisas que são sem razão. Deixe-me repetir isso: viver consiste só em coisas que são absolutamente sem razão, as quais não tem nenhum significado, significado no sentido de que não tem nenhuma finalidade, que não leva você a lugar algum, que você não obtém nada através disso. Em outras palavras, a vida é significativa em si mesma. Os meios e os fins estão juntos, não separados. E essa é a estratégia de todos os que tem cobiçado o poder, ao longo dos séculos: que meios são meios e fins são fins. Meios são úteis porque eles o levam para um fim. Se eles não o levam para um fim, eles são sem sentido. Dessa forma, eles destruíram tudo o que realmente é significativo. E eles impuseram coisas para você que são absolutamente insignificantes. Dinheiro tem uma razão. Uma carreira política tem uma razão. Ser religioso tem uma razão, por que esse é o meio para se chegar ao céu, a Deus. Negócios tem uma razão porque imediatamente você vê o resultado final. Negócio tornou-se importante, política tornou-se importante, religião tornou-se importante; poesia, música, dança, amor, simpatia, beleza, verdade, todas desapareceram da sua vida. Uma simples estratégia, que destruiu tudo aquilo que faz de você digno, que dá êxtase para o seu ser. Mas a mente esquizofrênica perguntará, "Qual é a razão do êxtase?" Pessoas tem me perguntado, centenas de pessoas, "Para que serve a meditação? O que eu ganharei com isso? Primeiro, é muito difícil alcançar e mesmo se conseguirmos alcançar, qual vai ser o resultado final?" É muito difícil explicar para essas pessoas que a meditação é um fim em si mesma. Não existe um final além disso. Qualquer coisa que tenha um final além dela mesma é só para a mente medíocre. E qualquer coisa na qual tenha um fim em si mesma é para as verdadeiras pessoas inteligentes. Mas você verá pessoas medíocres se tornando presidente de um país, primeiro ministro de um país; se tornando o homem mais rico do país, se tornando papa, se tornando um líder religioso. Mas essas são todas pessoas medíocres; sua única qualificação é a sua mediocridade. Eles são de terceira categoria e basicamente são esquizofrênicos. Eles dividiram suas vidas em duas partes: fins e meios. Minha abordagem é totalmente diferente: Fazer de vocês um único todo. Eu quero que vocês vivam apenas pela graça de viver. Os poetas têm definido a arte como para sua própria graça, não existe nada além disso: arte pela graça da arte. Não apelará pela mente medíocre absolutamente porque ele não conta as coisas em termos de dinheiro, posição, poder. Sua poesia fará de você o primeiro ministro de um país? Daí seria significativo. Mas na verdade sua poesia pode fazer de você apenas um mendigo, porque quem vai comprar sua poesia? Eu conheço muitos gênios que estão vivendo como mendigos pela simples razão de que eles não aceitaram viver mediocremente, e eles não se permitiram tornar esquizofrênicos. Eles estão vivendo de maneira clara, eles têm um júbilo que político nenhum irá jamais ter, eles tem uma certa radiância que bilionário nenhum irá conquistar. Eles tem um certo ritmo em seus corações no qual essas pessoas chamadas religiosas não tem ideia. Mas, até onde o exterior deles é julgado, eles tem sido reduzidos pela sociedade a viver como mendigos. Eu gostaria que vocês se lembrassem de um grande, talvez o maior, pintor holandês; Vicent van Gogh. Seu pai queria que ele se tornasse um ministro religioso, viver uma vida de respeito confortável, conveniente e não apenas nesse mundo, no outro mundo depois de morrer também. Mas Vicente van Gogh (1853-1890) queria ser pintor. O pai dele disse, "Você está maluco!" Ele disse, "Pode ser. Para mim, você é o maluco. Eu não vejo nenhum significado em se tornar ministro porque tudo que eu iria dizer não seria nada além de mentiras. Eu não conheço Deus. Eu não sei nem se existe céu ou inferno. Eu não sei nem se existe vida após a morte ou não. Eu estaria continuamente contando mentiras. Claro, isso é respeitável, mas esse tipo de respeito não é para mim; Eu não estarei feliz com isso. Será uma tortura para minha alma." Seu pai o expulsou de casa. Ele começou a pintar e ele é o primeiro pintor moderno. Você pode traçar uma linha em Vicente van Gogh; antes dele a pintura era ordinária. Até mesmo os maiores pintores, como Michelangelo (1475-1564), são de menor importância comparados com Vicente van Gogh, porque o que eles estavam pintando era ordinário. A pintura deles era mercadoria. Michelangelo pintou para igrejas sua vida toda; pintando muros e tetos de igrejas. Ele quebrou a coluna pintando o teto de uma igreja, porque para pintar um teto você tem que deitar num andaime alto enquanto você pinta. É uma posição muito desconfortável e por dias seguidos, meses seguidos (...). Mas ele estava ganhando dinheiro, e estava ganhando respeito. Ele estava pintando anjos, Cristo, Deus criando o mundo. A pintura mais famosa dele é Deus criando o mundo. Vicente van Gogh começou em uma dimensão totalmente nova. Ele não vendeu uma simples pintura em toda sua vida. Agora, quem dirá que as pinturas dele tinham alguma razão? Nem uma simples pessoa poderia ver que havia qualquer coisa em suas pinturas. Seu irmão mais jovem costumava mandar dinheiro para ele; suficiente para ele não morrer de fome, apenas o suficiente para sete dias, comida para toda semana porque se ele desse de uma vez o suficiente para um mês inteiro ele iria gastar dentro de dois ou três dias, e os outros dias eles passaria fome. Toda semana ele mandava dinheiro para ele. E o que Vicente van Gogh estava fazendo era, por quatro dias ele comia, e por três dias, entre os quatro dias, ele guardava dinheiro para suas tintas e telas. É algo totalmente diferente de Michelangelo, que ganhou dinheiro suficiente, que se tornou um homem rico. Ele vendeu todas as suas pinturas. Elas foram feitas para serem vendidas, era negócio. Claro, ele era um grande pintor, então mesmo pintando para serem vendidas eram lindas. Mas se ele tivesse tido a profundidade de um Vicente van Gogh, ele teria enriquecido o mundo todo. Três dias passando fome, e van Gogh comprava as tintas e telas. Seu irmão mais novo ouviu dizer que nenhuma de suas pinturas tinham sido vendidas, ele deu dinheiro a um homem, um amigo dele, não conhecido por Vicente van Gogh, e disse a ele para ir lá e comprar pelo menos uma das pinturas: "Isso daria a ele alguma satisfação. O pobre homem está morrendo; ele pinta durante todo o dia, passa fome para poder pintar mas ninguém compra suas pinturas ninguém vê nada nelas." Porque para ver algo nas pinturas de Vicent van Gogh você precisa o olho de um pintor do calibre de van Gogh; menos que isso não é possível. As pinturas dele parecerão estranhas para você. As árvores dele são pintadas tão altas que vão além das estrelas; as estrelas são deixadas para trás. Agora, você achará esse homem maluco (...) árvores indo mais alto do que as estrelas? Você já viu essas árvores em algum lugar? Quando perguntaram a Vicent van Gogh, "Suas árvores sempre vão além das estrelas? ele disse, "Sim porque eu entendo as árvores. Eu sempre senti que as árvores tem a ambição sobre a terra de alcançar as estrelas. Caso contrário, por quê? Tocar as estrelas, sentir as estrelas, ir além das estrelas - isso é o desejo da terra. A terra se esforça, mas não pode realizar seu desejo. Eu posso fazer isso. As árvores entenderão minhas pinturas, e eu não me importo com vocês, se vocês entendem ou não. "Agora, esse tipo de pintura você não consegue vender. O homem que seu irmão mandou veio. Van Gogh estava muito feliz: pelo menos alguém tinha vindo comprar. Mas logo sua felicidade tornou-se frustração porque o homem olhou ao redor, pegou uma pintura e deu o dinheiro. Vicent van Gogh disse, "Mas, você entendeu a pintura? Você pegou tão descuidado, você nem olhou; Eu tenho centenas de pinturas. Você nem mesmo preocupou-se em olhar a sua volta; você simplesmente pegou uma que estava acidentalmente a sua frente. Eu suspeito que você foi mandado pelo meu irmão. Coloque a pintura de volta, e pegue seu dinheiro de volta. Eu não venderei a pintura para um homem que não tem olhos para pintura. E diga ao meu irmão para nunca mais fazer tal coisa novamente." O homem ficou intrigado. Como é que ele conseguiu descobrir isso? Ele disse, "Você não me conhece, como você descobriu?" Ele disse, "É tão simples. Eu sei que meu irmão quer que eu me sinta valorizado. Ele deve ter manipulado você - e esse dinheiro pertence a ele porque eu posso ver que você é tão cego quanto ao valor das pinturas. E eu não sou do tipo que vende pinturas para pessoas cegas; Eu não posso explorar um homem cego e vender uma pintura. O que ele fará com isso? E diga ao meu irmão que ele também não entende pinturas, de outra forma ele não mandaria você." Quando o irmão ficou sabendo, ele veio se desculpar. Ele disse, "Em vez de dar a você um pouco de consolo, eu o feri. Eu jamais farei tal coisa de novo." Em sua vida inteira, van Gogh só deu pinturas para amigos: para o hotel onde ele costumava comer quatro vezes por semana ele presenteou com uma pintura, ou para uma prostituta que lhe disse certa vez que ele não era um homem bonito. Para ser absolutamente sincero, ele era feio. Nenhuma mulher sequer se apaixonou por ele, era impossível. E essa prostituta por compaixão, e às vezes as prostitutas tem mais compaixão do que as suas chamadas senhoras, elas entendem mais sobre homens só por compaixão ela disse, "Eu gosto muito de você." Ele nunca havia escutado isso. Amor era uma coisa tão distante. Até mesmo um gostar (...) Ele disse, "Sério, você gosta de mim? O que você gosta em mim?" Agora, a mulher estava perdida. Ela disse, "Eu gosto das suas orelhas. Suas orelhas são lindas." E você ficará surpreso que van Gogh foi para casa, cortou a orelha com uma navalha, empacotou-a lindamente, foi até a prostituta e deu sua orelha à ela. E o sangue estava escorrendo (...). Ela disse, "O que você fez?" Ele disse, "Ninguém jamais gostou de qualquer coisa em mim. E eu sou um homem pobre, como eu posso agradecer você? Você gosta da minha orelha; Eu presenteei você com ela. Se você tivesse gostado dos meus olhos, eu teria lhe dado meus olhos. Se você tivesse gostado de mim, eu teria lhe dado minha vida." A prostituta não pode acreditar. Mas pela primeira vez, van Gogh estava feliz, sorrindo; alguém gostou pelo menos de uma parte dele. E a mulher só tinha feito uma brincadeira caso contrário, quem se importaria com suas orelhas? Se as pessoas gostam de algo, elas gostam dos seus olhos, seu nariz, seus lábios você não irá ouvir dois amantes dizendo que gostam das orelhas um do outro. Somente nas antigas escrituras Hindu sobre sexologia: o Kamasutra de Vatsyayana (...). Este é o único livro que eu fui capaz de encontrar que pode estar conectado com esse incidente cinco mil anos depois com Vicent van Gogh, porque só o Vatsyana diz, "Pouquíssimas pessoas sabem que os lóbulos das orelhas são tremendamente sexuais e sensitivos pontos no corpo. E os amantes deveriam brincar com os lóbulos dos ouvidos um do outro" e isso é um fato, embora desconhecido. Se você começar a brincar com os lóbulos das orelhas do seu amante, ela ou ele pode achar que você é um pouco louco - o que você está fazendo? Porque as pessoas se tornaram aficionadas em certas ideias: beijar tudo bem (...) Mas existem tribos onde ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; eles esfregam os narizes, e isso é considerado o mais amável gesto. Certamente é mais higiênico, muito mais medicamente suportável do que o beijo francês. As pessoas que esfregam os narizes acham as pessoas que se beijam a moda francesa sujas, simplesmente sujo. Mas essa prostituta talvez fosse ciente (...) porque prostitutas se tornam consciente de muitas coisas que a mulher e o homem ordinário não se tornam, porque elas estão sempre em contato com tantas pessoas. Talvez ela soubesse que as orelhas tem um significado sexual. Elas certamente tem. Vatsayana é um dos maiores especialista. Freud (1856-1939) e Havelock Ellis (1859-1939) e outros sexólogos são só pigmeus ante Vatsayana. E quando ele diz algo, ele quer mesmo dizer. Van Gogh viveu sua vida inteira na pobreza. Ele morreu pintando. Antes de morrer ele enlouqueceu, porque por um ano continuamente ele ficou pintando o sol: centenas de pintura, mas nada chegou ao ponto que ele queria. Mas o dia todo em pé no lugar mais quente da França, em Arles, com o sol na cabeça - porque sem a experiência como você pode pintar? Ele pintou sua última pintura, mas ele enlouqueceu. O calor, a fome (...) mas ele era imensamente feliz; e mesmo na sua loucura ele pintou. E essas pinturas que ele fez no hospício agora valem milhões. Ele se suicidou pela simples razão de que ele já tinha pintado tudo que ele queria pintar. Agora a pintura já estava acabada; ele havia chegado ao final. Não havia nada mais a se fazer. Agora continuar vivendo era só ocupar espaço, o lugar de alguém; isso era feio para ele. Por isso ele escreveu uma carta para seu irmão: "Meu trabalho está terminado. Eu vivi intensamente da maneira que eu escolhi viver. Eu pintei o que eu quis pintar. Minha última pintura eu terminei hoje, e agora eu estou pulando dessa vida para dentro do desconhecido, o que quer que isso seja, porque essa vida não mais contém qualquer coisa para mim." Você considerará esse homem um gênio? Você considerará esse homem inteligente, sábio? Não, ordinariamente você pensará que ele é simplesmente maluco. Mas eu não diria isso. Sua vida e suas pinturas não eram duas coisas: pintar era sua vida, essa era a vida dele. Então, para o mundo todo isso parece suicídio - não para mim. Para mim isso simplesmente parece um fim natural. A pintura está completa. A vida está cumprida. Não havia outro objetivo; se ele recebe o Prêmio Nobel, se qualquer pessoa aprecia suas pinturas (...) Na sua vida ninguém apreciou seu trabalho. Na sua vida nenhuma galeria de arte aceitou suas pinturas, mesmo de graça. Depois dele morrer, lentamente, lentamente, por causa do sacrifício dele, pintar mudou todo o sabor. Não teria havido Pablo Picasso (1881-1973) sem Vicent van Gogh. Todos os pintores que vieram depois de Vicent van Gogh são gratos a ele, incalculavelmente, porque esse homem mudou toda a direção. Lentamente, lentamente, com a mudança da direção, suas pinturas foram descobertas. Uma grande procura foi feita. As pessoas jogaram suas pinturas em suas casas vazias, ou em seus porões, achando que elas eram inúteis. Eles correram para seus porões, descobrindo as pinturas dele, limpando-as. Até mesmo pinturas falsificadas chegaram ao mercado como autênticas de van Gogh. Agora há somente duzentas pinturas; ele deve ter pintado milhares. Mas qualquer galeria de arte que tem um Vicent van Gogh se sente orgulhosa, porque ele derramou toda sua vida em suas pinturas. Elas não foram pintadas por cores, mas por sangue, por coração; seu coração bate nelas. Não pergunte a esse tipo de homem, "Existe alguma razão em pintar?" Ela está lá nas suas pinturas, e você está perguntando, "Existe alguma razão em pintar?" Se você não pode ver o significado, você é responsável por isso. Quanto mais alto uma coisa se eleva, menos pessoas irão reconhecê-la. Quando algo atinge o ponto mais alto, é muito difícil encontrar até mesmo poucas pessoas que reconheçam. No ponto Omega final, só a própria pessoa sabe o que aconteceu com ele; ele não consegue encontrar nem mesmo um segundo homem. Por isso que um Buda tem que declarar-se por si mesmo que ele é iluminado. Ninguém mais pode reconhecer isso. porque para reconhecer, você terá que provar isso. Caso contrário, como você reconhece? Nenhum reconhecimento é possível porque o ponto é tão alto. Mas, o que significa um estado búdico? O que significa se tornar iluminado? Qual é a razão? Se você pergunta sobre a razão, não há nenhuma. Ela em si mesma é suficiente. Não precisa nada mais para tornar-se significante. É isso que eu quero dizer quando eu digo que as coisas realmente importantes na vida não são divididas em fins e meios. Não existe divisão entre fins e meios. Fins são os meios, meios são os fins, talvez dois lados da mesma moeda inseparavelmente juntas; na verdade elas são uma unidade, uma totalidade. Você me pergunta, "Existe alguma razão na vida, em viver?" Eu estou com medo de dizer que não existe nenhuma razão na vida, você pensará que isso significa que você deve cometer suicídio, porque se não há razão em viver, então o que mais fazer? - cometa suicídio! Eu não estou dizendo suicide-se, porque cometer suicídio também não há razão. Vivendo: viva, e viva totalmente. Morrendo: morra, e morra totalmente. E nessa totalidade você encontrará significado. Eu estou consideravelmente não usando a palavra "sentido", e usando a palavra significado porque "sentido" é contaminada. A palavra sentido sempre quer dizer algo mais. Você deve ter escutado, você deve ter lido em sua infância, muitas estórias (...). Por que eles escrevem para crianças? Talvez os escritores não saibam, mas isso é parte do mesmo tipo de exploração da humanidade. As estórias são assim: há um homem cuja vida depende de um papagaio. Se você matar o papagaio, o homem morrerá, mas você não pode matar o homem diretamente. Você pode atirar, e nada acontecerá. Você pode atacá-lo com sua espada e a espada passará pelo seu pescoço, mas o pescoço permanecerá ainda junto ao corpo, intacto. Você não pode matar o homem, primeiro você tem que descobrir onde sua vida está. Então nessas estórias a vida sempre está em outro lugar. E quando você descobre você só mata o papagaio e onde quer que o homem esteja, ele morrerá imediatamente. Até mesmo quando eu era criança, eu costumava perguntar para meu professor "Esse tipo de estória é muito estúpida porque eu não vejo ninguém cuja vida depende de um papagaio ou um cachorro ou qualquer outra coisa, como uma árvore." Era a primeira vez que eu escutava essa estória, esse tipo de estória; então eu me deparei com muitas outras. Eles escreviam especialmente para crianças. O homem que estava me ensinando era muito bacana e um senhor respeitável. Eu perguntei para ele, "Você pode me contar onde está sua vida? Porque eu gostaria de tentar (...)" Ele disse: "O que você quer dizer?" Eu disse, "Eu gostaria de matar o pássaro do qual sua vida depende." Você é uma homem inteligente, sábio, respeitável. Você deve ter colocado sua vida em algum outro lugar, assim ninguém pode matá-lo. É este o significado dessa estória - que as pessoas sábias mantém suas vidas em outro lugar, assim você não consegue matá-los, assim ninguém consegue matá-los. E é impossível descobrir onde eles guardaram suas vidas a menos que eles contêm o segredo, ninguém pode descobrir. E esse mundo é tão grande, e há tantas pessoas e tantos animais, e tantos pássaros, e tantos homens árvore (...) ninguém sabe onde aquele homem colocou sua vida. "Você é um homem sábio, respeitável você deve ter mantido em algum lugar; você pode contar só para mim. Eu não matarei o pássaro completamente; só darei a ele alguns puxões e beliscões, e ver o que acontece com você. "Ele disse, "Você é um garoto estranho. Eu tenho ensinado essa estória a minha vida inteira, e você quer me dar puxões e beliscões. Isso é só uma estória." Mas eu disse, "Qual é o significado da estória? Por que você continua ensinando essa estória e esse tipo de coisa para as crianças?" Ele não pode responder. Eu perguntei para meu pai, "Qual será o significado dessa estória? Por que essas coisas devem ser ensinadas, que são absolutamente absurdas?" Ele disse, "Se seu professor não é capaz de responder, como posso eu responder? Eu não sei. Ele é muito mais educado, inteligente e sábio do que eu. Vá perturbá-lo, ao invés de perturbar a mim." Mas agora eu sei qual é o significado daquela estória e porque elas continuam sendo ensinadas para as crianças. Elas entram nos seus inconscientes e elas começam a pensar que a vida está sempre em outro lugar no céu, em Deus, sempre em outro lugar - não está em você. Você é vazio, apenas uma concha vazia. Você não tem sentido na sua vida aqui e agora. Aqui você é só um meio, uma escada. Se você subir a escada, talvez algum dia você encontrará sua vida, seu Deus, seu objetivo, seu significado, qualquer que seja o nome que você dê a isso. Mas eu lhe digo que você é o sentido o significado, e a própria vida está intrinsecamente completa. A vida não precisa de nada a ser adicionado. Tudo que essa vida precisa é que você viva-a totalmente. Se você só vive parcialmente, então você não sentirá a emoção de estar vivo. É como qualquer mecanismo quando apenas uma parte está funcionando (...) Por exemplo, em um relógio: se só o ponteiro dos segundos funcionar, mas nem o ponteiro das horas e dos minutos se moverem, só o ponteiro dos segundos continuar se movendo de que servirá? Haverá movimento, uma parte estará funcionando, mas a menos que todas as partes funcionem e trabalhem em harmonia, ele não poderá funcionar. E essa é a situação: todo mundo está vivendo parcialmente, uma pequena parte. Então, você faz barulho, mas você não consegue criar som algum. Você mexe suas mãos e pernas, mas nenhuma dança acontece. A dança, a música, o significado entra em harmonia com todas as funções da existência imediatamente, em acordo. Daí você não perguntará tal questão como: Existe alguma razão em viver? você saberá. A vida em si mesma é a razão. Não existe outra razão. Mas não foi permitido a você ser um com o todo. Você foi dividido, cortado em várias partes. Algumas partes foram completamente fechadas tão fechadas que você nem sabe que pertencem a você. Muito de você foi jogado no porão. Muitos de você foi tão condenado que embora você saiba que exista, você não ousa aceitar que isso faz parte de você; você continua negando; você continua reprimindo. Você conhece apenas um fragmento muito pequeno de você, o que eles chamam de consciente, o qual é um produto da sociedade, não um coisa natural, o qual a sociedade cria dentro de você para controlá-lo internamente. A polícia está do lado de fora, os tribunais estão do lado de fora controlando você. E o consciente está do lado de dentro, que é de longe o mais poderoso. É por isso que até mesmo nos tribunais, primeiro eles lhe dão a bíblia. Você faz um juramento sobre a bíblia porque o tribunal também sabe que se você é um cristão, colocando sua mão sobre a bíblia e dizendo, "Eu juro dizer somente a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade," seu consciente forçará você a falar a verdade, porque agora você jurou em nome de Deus, e tocou a bíblia. Se você falar uma mentira você será jogado no inferno. Antes, no máximo, se você fosse pego você seria jogado dentro da prisão por alguns meses, alguns anos. Mas agora você será jogado para dentro do inferno pela eternidade. Até mesmo o tribunal aceita que a bíblia é mais poderosa, que o Gita é mais poderoso, que o Koran é mais poderoso do que o tribunal, do que os militares, do que o exército. O consciente é uma das piores invenções da humanidade. E desde o primeiro dia em que a criança nasce nós começamos a criar um consciente nela; uma pequena parte que continua condenando qualquer coisa que a sociedade não quer em você, e continua apreciando qualquer coisa que a sociedade quer em você. Você não é mais um todo. Você não é mais um todo. O consciente passa continuamente a forçá-lo, de modo que você tem que sempre olhar para fora, Deus está assistindo. Todos os atos, todos os pensamentos, Deus está assistindo, tenha cuidado! Mesmo em pensamento não é permitido liberdade: Deus está assistindo. Que tipo de Fulano espiador é esse Deus? Em todos os banheiros 'Ele' está olhando através do buraco da fechadura; Ele não lhe deixa sossegado - até mesmo no seu banheiro? Existem tribos no mundo onde mesmo em seus sonhos se você faz algo errado, de manhã você tem que ir até a pessoa (...). Por exemplo, você insultou alguém no seu sonho de manhã você tem que ir até a pessoa e pedir perdão; "Perdoe-me, noite passada eu o insultei em meu sonho; Eu sinto muito." Até os sonhos são controlados pela sociedade. Você não é permitido até mesmo em sonho ser você mesmo. Eles continuam falando sobre livre iniciativa. Isso é tudo tolice porque desde o começo eles colocam as bases em todas as crianças para a não livre iniciativa. Eles querem controlar seus pensamentos. Eles querem controlar seus sonhos. Eles querem controlar tudo em você. É através de um dispositivo muito inteligente, o consciente. Isso o atormenta. Continua lhe dizendo, "Isso não é certo, não faça isso; você sofrerá." Continua forçando você: "Faça isso, é a coisa certa a se fazer; você será recompensado por isso." Esse consciente nunca permitirá você ser um todo, não permitirá você viver como se não existisse nada proibido, como se não existisse limites, como se você fosse deixado totalmente independente para ser o que quer que você possa ser. Aí sim a vida tem um significado, aí viver tem um significado, não no sentido de que isso o conduziu para fins, mas no sentido de que o conduziu para a vida em si mesma. Então, o que quer que você faça, nesse fazer está a sua recompensa. Por exemplo, eu estou aqui falando para vocês. Eu gosto disso. Por trinta e cinco anos eu tenho estado continuamente falando sem nenhum propósito. Com todo esse falatório eu poderia ter me tornado um presidente, um primeiro ministro; não teria problema algum. Com tanto falatório eu poderia ter feito qualquer coisa. O que eu ganhei? Mas eu não estou aqui para ganhar nada, em primeiro lugar. Eu gosto. Essa é minha pintura, essa era minha música, essa era minha poesia. Só nesses momentos quando eu estou falando e eu sinto a comunhão acontecendo, nesses momentos quando eu vejo os seus olhos flamejando, quando eu vejo que vocês alcançaram o ponto (...) isso me dá uma tremenda alegria que eu não consigo pensar em nada que possa ser adicionada a isso. Ação, qualquer ação feita totalmente, com cada fibra do seu ser (...). Por exemplo, se você amarrar minhas mãos eu não consigo falar, embora não exista nenhuma relação entre mãos e fala. Eu já tentei. Um dia, eu disse a um amigo que estava comigo, "Amarre as minhas mãos (...)" Ele disse, "O que?" Eu disse, "Apenas amarre-as, e então faça uma pergunta." Ele disse, "Eu sempre tive medo de você, você é louco. E agora se alguém ver que eu amarrei suas mãos (...) e agora eu estou fazendo uma pergunta e você está respondendo, o que eles irão pensar?" Eu disse, "Esqueça tudo isso. Feche a porta e faça o que eu digo." Ele fez, porque ele tinha que fazer caso contrário eu teria mandado ele embora. Eu disse, "Sendo meu convidado, você não pode fazer essa simples coisa para mim? Então não me atrapalhe, caia fora." Então ele amarrou minhas mãos em dois pilares, e ele fez uma pergunta. Eu tentei de todas as maneiras possíveis, mas minhas mãos estavam atadas; Eu não consegui dizer qualquer coisa para ele. Eu simplesmente disse, "Por favor desamarre minhas mãos." Ele disse, "Eu não consigo entender o porquê de tudo isso." Eu disse, "É simples, eu estava tentando ver se eu poderia falar sem as minhas mãos. Eu não consigo." O que dizer sobre as mãos (...) se eu colocar essa perna para o outro lado, e a outra perna sobre essa que é o jeito que eu sento no meu quarto quanto eu não estou falando (...) Se eu colocar sobre a outra perna, daí algo vai mal, eu não me sinto em casa. Então, o jeito que eu me sento, o jeito como eu movo minhas mãos, é um envolvimento total. Não é apenas falar com uma parte de mim; tudo em mim está envolvido nisso. E só então você pode encontrar o valor intrínseco de cada ato. Caso contrário você tem que viver uma vida de tensão, estendida entre aqui e ali, esse e aquele objetivo distante. Os pseudos (falsos) religiosos dizem, "Claro, essa vida é só um meio você não pode se envolver totalmente; é só uma prova pela qual você tem que passar. Não é algo valioso, é só um degrau. O real está lá, bem distante." E assim sempre permanece distante. Onde quer que você esteja, o que é real está sempre distante. Então onde quer que você esteja, você estará perdendo a vida. Eu não tenho um objetivo. Quando eu estava na universidade eu costumava ir para uma caminhada de manhã, à noite, a qualquer hora (...) De manhã e de noite absolutamente, mas se tivesse outro tempo disponível, eu iria também para uma caminhada, porque o lugar, as árvores, as ruas eram tão lindas, e cobertas com árvores tão grandes de ambos os lados que até mesmo no alto verão havia sombras nas ruas. Um dos meus professores que gostava muito de mim costumava me assistir: que alguns dias eu ia por uma rua, e outros dias eu ia por outra rua. Havia um pentágono em frente ao portão da universidade, cinco ruas indo para cinco direções, e ele vivia muito perto de lá; na última instalação perto do portão. Ele me perguntou, "Às vezes você vai por essa rua, as vezes por aquela rua. Para onde você vai?" Eu disse, "Eu não vou a lugar algum. eu simplesmente vou caminhar." Se você está indo para algum lugar então certamente você continuará indo pela mesma rua; mas eu não estava indo a lugar algum, isso era só parte da minha excentricidade. Eu ia para o pentágono e eu costumava ficar lá de pé parado por alguns instantes. Isso deixava-o mais intrigado: como eu decidia? O que eu fazia ficando lá de pé? Eu costumava decidir dependendo para onde o vento estivesse soprando. Para onde quer que o vento estivesse soprando era para lá que eu iria; esse era o meu destino. "Então às vezes," ele dizia, "Você vai pela mesma rua por uma semana continuamente; às vezes você vai só um dia, e no dia seguinte você muda. O que você faz lá? E como você decide?" E eu disse a ele, "É muito simples. Eu fico lá de pé e eu sinto' qual rua me chama, para onde o vento está soprando. Eu vou com o vento. E é lindo ir com o vento. Trotando, correndo, o que quer que eu queira fazer. E o vento está lá, fresco, disponível. Então, é assim que eu decido." A vida não é ir para algum lugar. É apenas um ir para uma caminhada matinal'. Escolha para onde quer que todo seu ser esteja fluindo, para onde o vento esteja soprando. Vá por esse caminho o mais longe que ele puder lhe levar, e nunca espere encontrar qualquer coisa. Por isso que eu nunca fui surpreendido, porque eu nunca estive esperando nada. Então a questão não é o que me surpreende: tudo é uma surpresa. E não existe desapontamento: tudo é contentamento. Se for assim, bom; se não for assim, melhor ainda. Uma vez entendido que viver momento a momento é tudo o que significa religião, então você entenderá o porquê de eu dizer em abandonar essa ideia de Deus, céu e inferno, e toda essa baboseira. Só precisa abandonar isso completamente por causa disso, estando carregado com tantos conceitos você está sendo impedido de viver momento a momento. Viva a vida numa unidade orgânica. Nenhum ato deveria ser parcial, você deveria estar inteiramente envolvido nisso. Uma estória Zen. Um rei muito curioso, querendo saber sobre o que essas pessoas fazem em um mosteiro, perguntou, "Quem era o Mestre mais famoso?" Descobrindo que o Mestre mais famoso daqueles tempos era Nan-in, ele foi ao mosteiro dele. Quando ele entrou no mosteiro ele encontrou um lenhador. Ele o perguntou, "O mosteiro é grande, onde eu encontro Mestre Nan-in?" O homem fechou os olhos e pensou por alguns instantes, e ele disse, "Agora você não conseguirá encontrá-lo." O rei disse, "Por que eu não conseguirei encontrá-lo agora? Você sabe que eu sou o imperador?" Ele disse, "Isso é irrelevante. Quem quer que você seja, isso é problema seu, mas eu lhe garanto que você não conseguirá encontrá-lo agora." "Ele saiu?" perguntou o rei. "Não, ele está ai," respondeu o lenhador. O rei disse, "Mas ele está trabalhando, está em alguma cerimônia, ou em isolamento? Qual é o problema? O homem disse, "Ele está agora cortando lenha na sua frente. E quando eu estou cortando lenha, eu sou só um lenhador. Agora, onde está Mestre Nan-in? Eu sou só um lenhador. Você terá que esperar." O imperador pensou, "Esse homem é maluco, simplesmente maluco. Mestre Nan-in cortando lenha? Ele foi em frente, e deixou o lenhador para trás. Nan-in continuou cortando madeira. O inverno estava chegando, e precisava-se estocar lenha. O imperador poderia esperar, mas o inverno não esperaria. O imperador esperou por uma hora, duas horas - e então pela porta dos fundos veio Mestre Nan-in, em seu traje de Mestre. O rei olhou para ele. E ele se parecia com o lenhador, mas o rei curvou-se. Mestre sentou-se, e perguntou, "Por que você dificultou tanto a sua vinda até aqui?" O rei disse, "Tem muitas coisas, mas deixarei as perguntas para depois. Primeiro eu quero saber: você é o mesmo homem que estava cortando lenha?" Ele disse, "Agora eu sou Mestre Nan-in. Eu não sou o mesmo homem; tudo se transformou. Agora eu estou aqui sentado como Mestre Nan-in. E você pergunte como um discípulo, com humildade, receptividade. Sim, um homem muito, muito parecido comigo estava cortando lenha, mas aquele era o lenhador. O nome dele também é Nan-in." O rei ficou tão intrigado que foi embora sem perguntar o que ele tinha vindo perguntar. Quando ele voltou para a corte, seus assessores perguntaram o que tinha acontecido. Ele disse, "O que aconteceu é melhor ser esquecido. Esse Mestre Nan-in parece ser absolutamente insano! Ele estava cortando lenha e disse, ‘Eu sou o lenhador e Mestre Nan-in não está disponível no momento.’ Então o mesmo homem veio em trajes de Mestre e eu o perguntei, e ele disse, ‘Um homem parecido estava cortando lenha, mas ele era o lenhador. Eu sou o Mestre.” Um dos homens da corte disse, "Você perdeu o ponto do que ele estava tentando lhe dizer - que quando ele corta lenha ele está totalmente envolvido nisso. Nada é deixado que possa ser parte de Mestre Nan-in; nada é deixado, ele é apenas um lenhador." E na linguagem Zen, que é difícil de se traduzir, ele não dizia exatamente que "Eu sou um lenhador", ele dizia, "Agora a lenha está sendo cortada não um lenhador, porque não há nem mesmo espaço para o lenhador." É simplesmente lenha sendo cortada, e ele está tão envolvido nisso, que é só lenha sendo cortada: o corte da lenha está acontecendo. E quando ele vem como Mestre, claro, é em uma qualidade diferente. As mesmas partes estão agora em diferente acordo. Assim, em cada ação você é uma pessoa diferente, se você envolve-se totalmente nisso. Buda costumava dizer, "É como a chama de uma vela que parece ser a mesma, mas nunca é a mesma nem sequer por dois momentos consecutivos. A chama está continuamente se tornando fumaça, e nova chama está surgindo. A velha chama está indo, a nova chama está chegando. A vela que você acendeu a noite não é a mesma vela que você assoprará pela manhã. Esta não é a mesma chama que havia começado; aquela já se foi, ninguém sabe para onde. É apenas a semelhança da chama que lhe deu a ilusão de que esta é a mesma chama." O mesmo acontece com o seu ser. É uma chama. É um fogo. A cada momento o seu ser está mudando, e se você se envolver totalmente em qualquer ação você verá como a mudança acontece em você - cada momento um novo ser, e um novo mundo, e uma nova experiência. Tudo de repente se torna tão cheio de novidade que você nunca vê a mesma coisa duas vezes. Então, naturalmente, a vida se torna um mistério contínuo, uma surpresa contínua. Em cada passo um novo mundo se abre, de tremendo significado, de um êxtase incrível. E quando a morte chega, a morte também não é vista com algo separado da vida. É parte da vida, não um fim da vida. É exatamente como os outros acontecimentos: o amor aconteceu, o nascimento aconteceu. Você era uma criança, e então sua infância desapareceu; você se tornou jovem, e então sua juventude desapareceu; você se tornou velho, e então a velhice desapareceu - quantas coisa já aconteceram! Por que você não permite que a morte também aconteça assim como os outros incidentes? E, na verdade, a pessoa que viveu a vida momento a momento, vive a morte também, e descobre que todos os momentos da vida podem ser postos de um lado e que o momento da morte pode ser posto do outro lado, e ainda assim pesa mais. Em todos os sentidos pesa mais porque é a vida toda condensada; e algo a mais é adicionado à ela, o qual nunca foi disponível a você. Uma nova porta se abre, com toda a vida condensada: uma nova dimensão se abre. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

OS ANALECTOS - LIVRO V


Confucionismo. www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO V. Texto de Confúcio (551-479). 1. O Mestre disse de Kung-yeh Ch’ang que ele era uma boa escolha para marido, pois, embora estivesse preso, não havia feito nada errado. E lhe deu sua filha em casamento. 2. O Mestre disse de Nan-jung que, quando o Caminho prevaleceu no reino, este não foi posto de lado e, quando o Caminho caiu em desgraça, ele ficou longe da humilhação e da punição. E lhe deu a filha do seu irmão mais velho em casamento. 3. O comentário do Mestre sobre Tzu-chien foi “Que cavalheiro! Onde ele teria adquirido as suas qualidades, se não houvesse cavalheiros no reino de Lu?”. 4. Tzu-kung perguntou: “O que acha de mim?”. O Mestre disse: “Você é um navio”. “Que tipo de navio?” “Um navio sacrificial”. 5. Alguém disse: “Yung é benevolente, mas não fala muito bem”. O Mestre disse: “Qual a necessidade de ele falar bem? Um homem rápido nas respostas frequentemente provocará o ódio dos outros. Não posso dizer se Yung é benevolente ou não, mas qual a necessidade de ele falar bem?”. 6. O Mestre aconselhou Ch’i-tiao K’ai a assumir um cargo oficial. Ch’i-tia o K’ai disse: “Acho que ainda não estou pronto”. O Mestre ficou satisfeito. 7. O Mestre disse: “Se o Caminho não pudesse prevalecer e eu fosse lançado ao mar em uma jangada, aquele que me seguiria seria Yu, sem dúvida alguma”. Tzu-lu, ao ouvir isso, transbordou de alegria. O Mestre disse: “Yu tem mais amor à coragem do que eu, mas lhe falta juízo”. 8. Meng Wu Po perguntou se Tzu-lu era benevolente. O Mestre disse: “Não posso dizer”. Meng Wu Po repetiu a pergunta. O Mestre disse: “A Yu pode ser dada a responsabilidade de coordenar as tropas de um reino de mil carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a Ch’iu?” O Mestre disse: “A Ch’iu pode ser dada a responsabilidade de administrar uma cidade de mil casas ou uma família nobre de cem carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a Ch’ih?” O Mestre disse: “Quando Ch’ih coloca a sua faixa e toma lugar na corte, a ele pode ser dada a responsabilidade de conversar com os convidados, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. 9. O Mestre disse a Tzu-kung: “Quem é o melhor homem, você ou Hui?”. “Como eu ousaria me comparar a Hui? Quando lhe é dita uma coisa, ele compreende cem coisas. Quando me é dita uma coisa, eu entendo apenas duas.” O Mestre disse: “De fato, você não é tão bom quanto ele. Nenhum de nós dois é tão bom quanto ele.” 10. Tsai Yü estava na cama durante o dia. O Mestre disse: “Um pedaço de madeira podre não pode ser esculpido, tampouco pode uma parede de esterco seco ser aplainada. Em se tratando de Yü, de que adianta condena-lo?”. O Mestre acrescentou: “Eu costumava ouvir as palavras de um homem e confiar que ele agiria de acordo. Agora, tendo ouvido as palavras de um homem, parto para observar suas ações. Foi por causa de Yü que mudei quanto a isso.” 11. O Mestre disse: “Nunca conheci alguém que fosse verdadeiramente constante”. Alguém perguntou: “E quanto a Shen Ch’eng?”. O Mestre disse: “Ch’eng é cheio de desejos. Como pode ser constante?12. Tzu-kung disse: “Do mesmo modo que não quero que os outros mandem em mim, também não quero mandar nos outros”. O Mestre disse: “Ssu, isso ainda está bem acima de você”. 13. Tzu-kung disse: “Pode-se ouvir sobre as realizações do Mestre, mas não se pode ouvir suas opiniões sobre a natureza humana e o Caminho para o Céu”. 14. A única coisa que Tzu-lu temia era que, antes que pudesse colocar em prática algo que aprendera, lhe ensinassem outra coisa diferente. 15. Tzu-kung perguntou: “Por que K’ung Wen Tzu foi chamado de wen?”. O Mestre disse: “Ele era rápido e ávido por aprender: não teve vergonha de buscar o conselho daqueles que lhe eram inferiores em posição. É por isso que ele é chamado wen”. 16. O Mestre disse sobre Tzu-ch’an que sob quatro aspectos ele tinha as maneiras de um cavalheiro: era respeitoso no modo como se comportava; era reverente no serviço ao seu senhor; ao tratar com as pessoas comuns, ele era generoso e, ao empregar os serviços destas, era justo. 17. O Mestre disse: “Yen P’ing-chung era um excelente amigo: mesmo quando conhecia seus amigos há muito tempo, ele os tratava com reverência”. 18. O Mestre disse: “Ao fazer uma casa para sua grande tartaruga, Wen-chung mandou esculpir os capitéis dos pilares na forma de montanhas e pintar os caibros do telhado com desenhos de plantas aquáticas. O que se deve pensar sobre a inteligência dele?19. Tzu-chang perguntou: “Ling Yin Tzu-wen não demonstrou júbilo algum quando por três vezes foi feito primeiro-ministro. Tampouco demonstrou desgosto quando por três vezes foi removido do cargo. Ele sempre dizia ao seu sucessor o que havia feito durante seu mandato. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem que dá o melhor de si”. “E pode ele ser chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de benevolente?” “Quando o senhor de Ch’i foi assassinado por Ts’ui Tzu, Ch’en Wen Tzu, que possuía dez grupos de quatro cavalos cada, abandonou-os e deixou o reino. Ao chegar em outro reino, ele disse: ‘Os oficiais aqui não são melhores do que o nosso ministro Ts’ui Tzu’e partiu de novo. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem puro”. “Pode ele ser chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de benevolente?” 20. Chi Wen Tzu sempre pensava três vezes antes de agir. Quando o Mestre ficou sabendo disso, comentou: “Duas vezes é suficiente”. 21. O Mestre disse: “Ning Wu Tzu era inteligente enquanto o Caminho prevalecia no reino, mas foi estúpido quando não prevaleceu. Outros podem igualar sua inteligência, mas não podem igualar sua estupidez”. 22. Quando estava em Ch’en, o Mestre disse: “Vamos para casa. Vamos para casa. Em casa, nossos jovens rapazes são furiosamente ambiciosos e têm grandes talentos, mas não sabem usá-los”. 23. O Mestre disse: “Po Yi e Shu Ch’i nunca lembravam de velhas rixas. Por essa razão, muito raramente provocavam ressentimentos”. 24. O Mestre disse: “Quem disse que Wei-sheng era correto? Uma vez, quando um pedinte lhe mendigou vinagre, ele foi e pediu-o para um vizinho”. 25. O Mestre disse: “Palavras ardilosas, rosto adulador e absoluta subserviência: essas coisas Tso-ch’iu considerava vergonhosas. Eu também as considero vergonhosas. Ser amigável com alguém enquanto escondemos nossa hostilidade: também isso Tso-ch’iu considerava vergonhoso. Eu também considero vergonhoso”. 26. Yen Yüan e Chi-lu estavam presentes. O Mestre disse: “Sugiro que cada um de vocês me conte os seus desejos mais fortes”. Tzu-lu disse: “Eu desejaria partilhar minha carruagem e cavalos, roupas e peles com meus amigos sem me arrepender, mesmo que eles ficassem gastos”. Yen Yüan disse: “Eu desejaria nunca me vangloriar da minha própria bondade e nunca impor tarefas pesadas aos outros”. Tzu-lu disse: “Eu gostaria de ouvir quais os seus desejos secretos, Mestre”. O Mestre disse: “Trazer paz aos velhos, ter confiança nos meus amigos e dar afeto aos jovens”. 27. O Mestre disse: “Acho que devo abandonar as esperanças. Ainda estou para conhecer o homem que, ao ver os próprios erros, seja capaz de se criticar internamente”. 28. O Mestre disse: “Em um vilarejo de dez casas, sempre haverá aqueles que são meus iguais quanto a fazer o melhor que podem pelos outros e quanto a ser fiéis às próprias palavras, mas dificilmente terão tanta vontade de aprender quanto eu tenho”. www.rl.art.br. Abraço. Davi

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

KISLÊV


Judaísmo. www.morasha.com.br. KISLÊV. A gema correspondente ao mês de Kislêv, o nono mês, é a ametista, chamada “achlamá”, em hebraico. Achlamá vem da raiz etimológica hebraica “chalam”, que significa “saúde” (física e mental) e “cura” [vide Isaías 32:16]. Aliás, no mês de Kislêv – não por acaso –, lemos nas porções da Torá nove dos dez sonhos lá mencionados (Jacob, Labão, José, Faraó, os ministros, etc.). A palavra “sonho” - em hebraico “chalom” - provém da mesma raiz etimológica já mencionada. Tudo isso nos permite concluir que Kislêv também é um mês propício para a concretização dos sonhos. Encontramos na Torá que antes de Yaacov deitar e sonhar sobre a famosa escada que atingia o céu, ele protegeu a sua cabeça (Gênese 28:11). A cabeça é a parte mais sensível do corpo, e a maior preocupação do homem é mantê-la saudável. Falando em nível do povo, também precisamos cuidar da nossa dor de cabeça. Com relação à cabeça, a literatura talmúdica [Beit Hamidrash IV, Tossfot Menachot 37a] nos relata um interessante julgamento realizado na época do Rei Salomão. Um pai de família faleceu, deixando sua herança para sete filhos. Um deles possuía duas cabeças e achava que a herança deveria ser dividida em oito partes, cabendo-lhe duas porções. Os irmãos discordavam, achando que a herança deveria ser dividida em sete partes iguais. O problema foi levado aos sábios, chegando até a Corte Suprema (Sanhedrin), que não soube como julgá-lo, recorrendo à ajuda do sábio rei Salomão. O rei aceitou o caso, pedindo que todos comparecessem ao seu palácio na manhã seguinte. À noite, o rei Salomão foi ao Templo rezar, quando lembrou ao Todo-Poderoso que ele não havia pedido nenhuma honra nem riqueza, apenas sabedoria. Como era de se esperar, este caso atraiu muitos curiosos. Pela manhã, o rei Salomão, inspirado pela sabedoria Divina, mandou trazer água fervente para despejar em uma das cabeças deste ser estranho, dizendo o seguinte: “Se as duas cabeças gritarem de dor, é apenas uma pessoa; se uma gritar e a outra não, são duas pessoas diferentes”. E assim foi feito. A água foi jogada em uma cabeça e logo as duas cabeças começaram a gritar de dor. Neste momento, o rei Salomão proclamou o veredito que era uma só pessoa e a herança deveria ser dividida em sete partes. Mais uma vez, esta decisão salomônica foi aclamada por todos. Sem desconsiderar o conteúdo literal desta história, alguns também a interpretam de maneira figurativa. Após o reinado de Salomão, ocorreu a famosa cisão entre os Reinos de Israel e Judá. Já nos últimos anos de vida do rei Salomão havia discórdia entre as Tribos de Judá e Efraim. A situação chegou a tal ponto, que alguns temiam uma divisão categórica, gerando dois povos com duas cabeças. O rei, preocupado com esta desavença que poderia levar a uma divisão concreta do povo, resolve testar se as divergências são apenas superficiais ou profundas (dois povos com duas cabeças). E a melhor forma de saber isso é ver se ambos sentem dor e aflição pelas mesmas mágoas - a mesma dor pela água fervente. Hoje, muito se comenta sobre as divergências dentro do povo judeu. Fala-se em ortodoxos e ultra ortodoxos de um lado e liberais e ultraliberais do outro. Também na Terra Santa existem profundas diferenças entre a direita e a esquerda e os extremos de ambos os lados. Alguns, precipitados, falam de uma ruptura definitiva. Outros nos assediam falando repetidamente em divisão do povo de Israel. Muitos temem ver dois povos com duas cabeças. O julgamento salomônico relatado acima nos permite checar se esta dor de cabeça são apenas divergências superficiais ou se estamos à beira de um, cisma perigoso. A realidade nos mostra que todas as correntes do judaísmo sentem uma profunda dor quando somos afligidos por sofrimentos materiais ou espirituais. Todos os irmãos choram e gritam quando veem as cenas chocantes dos últimos atentados terroristas em Israel. Assim também, na esfera espiritual, as águas ferventes da assimilação causam dor a todos nós, inclusive aos familiares atingidos. A água fervente do rei Salomão corresponde hoje à praga que mais nos atinge: a assimilação, que nos dá tanta dor de cabeça. As estatísticas apresentam dados alarmantes: o número de judeus está diminuindo e a população judaica está envelhecendo. Algumas comunidades totalmente seculares apresentam uma taxa de 72% de assimilação. Outras, mais felizes, possuem um mínimo de 53%. A continuar desta forma, em quinze anos a população judaica diminuirá drasticamente. Todos esses números nos deixam perplexos e preocupados, com uma enorme enxaqueca. Este fenômeno é a água fervente que fere as nossas famílias. Este fogo estranho consome os melhores jovens dos nossos efetivos. O salmista as chama de “águas traiçoeiras que atingem a nossa alma” (Salmos 124:5). Quem não sente mais dor por este fenômeno está realmente se excluindo da comunidade, já que não sente mais o fervor do líquido que queima. Todavia, como mencionado anteriormente, todos nós, sem exceção, sentimos uma profunda dor quando tais fatos ocorrem ou chegam aos nossos ouvidos. Sem dúvida nenhuma, as divergências entre os vários segmentos do povo de Israel são apenas superficiais. As diferenças não estão enraizadas profundamente, já que todos sentimos a mesma dor pelas adversidades que recaem sobre nós. Afinal, cada judeu possui dentro de si a chama eterna, a faísca Divina. Todo e qualquer judeu, sem exceção, desde o mais justo ao mais perverso, do mais erudito ao mais ignorante, fala em sua prece matinal “Ó, meu D’us, a alma que me deste é pura”. Esta faísca Divina é o denominador comum que assegura sermos um só povo. Temos que nos concentrar naquilo que nos une, naquilo que temos em comum, e não enfatizar constantemente as diferenças que nos separam. E a dor de cabeça? Como combatê-la? Água fervente tem que ser esfriada com água fria e pura. O Tanach, bem como os sábios do Talmud, compara a Torá com a água pura e límpida, líquido vital para a sobrevivência do homem. Assim, também, a Torá e seus ensinamentos são imprescindíveis para a sobrevivência do povo judeu. O antídoto para as águas ferventes e assimiladoras é espalhar o máximo possível os ensinamentos da Torá – a fonte das águas saudáveis. Principalmente na nossa época, quando a procura é grande e existe uma ânsia manifesta da alma judaica pela sua Fonte – D’us. Como diz o salmista: “Minha alma tem sede de Ti, minha carne anseia por Ti” (63:2). Do mesmo modo que a escuridão não se dissipa com uma vassoura, mas com a luz, também as águas quentes devem ser substituídas pela água límpida e pura da Torá e das Mitsvot. Citando o profeta Isaías: “Todos que têm sede procurem água” (Isaías 55:1).
Apesar das divergências aparentes, o veredito salomônico é bem claro: somos apenas um povo, ligados somente a um D’us. A saga do povo judeu demonstra que ele não é regido pelas leis da natureza nem é sujeito às estatísticas pelo fato de ele ter a habilidade inerente de apagar as águas ferventes estando ligado à fonte milenar, que é o judaísmo. Neste mês de Kislêv, propício para a saúde e cura, vamos tratar de diminuir a nossa dor de cabeça e demonstrar que somos um povo com apenas uma cabeça. O tefilin que colocamos na cabeça é feito de quatro pergaminhos colocados em quatro compartimentos separados. O tefilin da mão, por sua vez, tem apenas um pergaminho com um compartimento. Analogamente, existem diferenças filosóficas e ideológicas entre nós, porém, na ação - e principalmente nas boas ações - somos um povo unido e amalgamado. E já que o mês é propício para sonhos, que essa união possa apressar o sonho da Redenção, conforme diz o Salmista: “Quando o Senhor retornar os cativos de Sion nós seremos como sonhadores” (126:1). www.morasha.com.br. Abraço. Davi


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O DESÂNIMO DE ARJUNA


Bhagavad Gita. A Mensagem do Mestre. AUM (1) Capítulo Um. O DESÂNIMO DE ARJUNA. Neste capítulo se descreve o combate entre o BEM e o MAL, que provém do complemento da UNIDADE, tanto no Homem como na Natureza. O Homem, representado por Arjuna, acha-se rodeado de Ilusões que pertencem à sua natureza inferior, mortal, e deve vencê-las; porém, como se acostumou a identificar-se com elas, falta-lhe o necessário ânimo

1. Disse Dhritarashtra (2), rei dos Kurus, falando com o fiel Sanjaya: Conta-me, ó Sanjaya, os feitos dos meus guerreiros e os do exército dos Pandavas, quando se reuniram para se combaterem no sagrado campo dos Kurus.
(1) Em nome de Deus! Palavra Sagrada entre os hindus, alusiva à Trindade Divina -Vishnu, Shiva e Brahma. Sendo KRISHNA considerado a oitava encarnação de Vishnu. (2) Representante da Vida material - forças cegas.

2. Pôs-se a relatar Sanjaya: Quando o teu filho Duryodhana (1), o comandante supremo dos teus exércitos, ó rei, avistou as falanges dos Pandavas (2), preparadas para o combate, se aproximou do seu Drona, o filho de Bharadvaja, e disse:
(1) Dificilmente vencível; obstinação. (2) Os Kurus representam as forças inferiores da alma humana - nossos defeitos; os Pandavas (ou filhos de Panda), as forças superiores - nossas virtudes.

3. Vê, ó Mestre, as poderosas multidões dos filhos de Pandu, que constam de vastas fileiras de guerreiros experientes e audaciosos, comandadas pelo valente e sábio filho de Drupada, teu discípulo

4. Vê como é grande o número daqueles combatentes fortes que ali estão em seus carros de guerra e com seus arcos e flechas. Há, entre eles, heróis iguais a Bhima (3) e Arjuna (4).
(3) Bhima - terrível, é a vontade espiritual. (4) Arjuna é o homem em seu desenvolvimento.

5.Lá estão: Virata, Yuyudhana, Drupada, Dhristaketu, Chekitana, o rei dos Kasis, Purujit, Kuntiboja, Saivya.

6. Ali estão: o audaz Yudhamanyo, o forte uttamauja, o filho de Subhadra e todos os filhos de Drupada (1).
(1) Os heróis mencionados aqui e nos seguintes versículos representam forças intelectuais, inclinações, faculdades, paixões, artes e ciência. Os "carros" são os corpos pelos quais essas forças se manifestam no homem. As forças inferiores são servidoras do egoísmo e do instinto cego, ao passo que as superiores agem em harmonia com a Vontade Divina.

7. Porém, igualmente do nosso lado, sob o meu comando, encontras os melhores generais e heróis do nosso povo.

8. Aqui estás tu mesmo, e conosco se Vê Bhishma, Karna, Kripa, Asvatthaman, Vikarna, Somadatti.

9. Todos estes e muitos outros guerreiros fortes, valentes e experimentados, trazendo as suas armas favoritas, prontos estão para combater por nossa causa e, com entusiasmo, arriscarão a vida por mim.

10. Porém, ó Mestre, hei de confessar-te que este nosso exército, se bem que muito valente e comandado por Brishma (2), na minha opinião não tem o número e a força suficientes, enquanto em nossa frente está o inimigo, comandado por Bhima, em posição ameaçadora, e muito mais forte.
(2) Bhishma - terror, é o egoísmo. O exército dos Kurus, isto é, as forças inferiores (nossos defeitos), têm por chefes o Egoismo e a obstinação; o exército pandava (nossas virtudes), é as forças espirituais superiores, obedecem à vontade Divina.

11. Ordena, pois, aos capitães do meu exército que todos ocupem os seus lugares e que se preparem para auxiliar e defender o nosso comandante Bhishma.

12. Soprou então Bhishma, o velho chefe dos kurus, em sua grande corneta e o seu toqu soou como o rugido do leão, excitando a coragem e o ânimo de seus guerreiros.

13. E, em resposta, imediatamente se ouviu o som tumultuoso de inumeráveis outras cornetas e conchas, címbalos, tambores e trombetas, nas falanges dos Kurus.

14. Igualmente deram sinal bélico KRISHNA, a encarnação de Deus, e Arjuna, filho de Pandu, que estavam em seu magnífico carro de guerra, ornado com ouro e pedras preciosas, e puxado por cavalos brancos (1). E responderam os instrumentos dos Pandavas em som repetido e desafiador, como o som de trovão violento. (1) Branco é o símbolo da pureza; cavalo, o símbolo da força e da obediência.

15. A corneta que tocava KRISHNA, o dominador dos sentidos, fora feita de osso de gigante. O nome da corneta de Arjuna era Devadatta (dom de Deus).

16. O forte Bhima tocava a corneta com o nome de Paundra (o Povo). Yudishtira, filho de Kunti, a "Vitória"; Nakula e Sahadeva tocavam a "Harmonia" e a "Glória".

17. Ouvia-se o toque dos famosos guerreiros Kasya, Sikhandin, Dharishtadymna, Virata, Sattyaki;

18. E de Drupada e seu povo, e dos filhos valentes de Subhadra.

19. E vibrou o ar, como quando se prepara uma horrível tempestade, e a superfície da Terra vibrou no mesmo ritmo. E o povo de Dhritarashtra estremeceu aterrorizado.

20. Então Arjuna, em cuja cimeira figurava um macaco (1), vendo que os Kurus estavam já em ordem de batalha, e que as flechas começavam a voar pelos ares, tomou na mão o seu arco e disse a KRISHNA, que estava com ele no carro:
(1) Tomado como símbolo da audácia e engenho.

21. Faze parar, Ó Imutável, o nosso carro no meio do espaço entre estes dois exércitos opostos.

22. Quero ver de perto os que aqui estão reunidos com o desejo de nos matarem, e com os quais devo travar sangrento combate.

23. Deixa-me ver os meus inimigos, os partidários insensatos do malicioso e vingativo filho de Dhitarashtra.

24. Quando Arjuna assim falou, KRISHNA fez parar o carro no meio do espaço entre os dois exércitos contrários (2).
(2) Antaskarana, a "ponte" ou o "caminho" entre a terrena e a divina parte da mente.

25. Ali, em frente de Bhishma, Dronn e dos outros principais da Terra, disse KRISHNA a Arjuna: Vê, ó filho de Prithi, a família dos Kurus ali reunida!

26. E viu Arjuna que, divididos em dois partidos bélicos, ali estavam seus parentes: pais e filhos, irmãos, cunhados, avós e netos, tios e sobrinhos, sogros e genros.

27. Notou também que mestres, benfeitores, amigos e camaradas ali estavam, preparados para se combaterem reciprocamente (1).
(1) Também as forças "inimigas" são nossos amigos e mestres, pois por meio delas é que alcançamos a experiência: elas são os degraus pelos quais o homem sobe até ao conhecimento perfeito de si mesmo.

28. E quando Arjuna viu isso, entristeceu-se no seu nobre coração e, cheio de aflição e dó, proferiu estas palavras:

29. Oh Senhor, vendo eu as fases e os vultos dos parentes que querem lutar uns contra os outros, sinto exaustos de forças os meus membros e sem sangue o meu coração.

30. As minhas pernas tremem, os meus braços não me obedecem; a minha face está em agonia; a febre queima-me a pele; os pensamentos se confundem no meu cérebro; todo o meu corpo está em convulsões de horror; o arco cai das minhas mãos.

31. Maus sinais vejo nos ares, e estranhas vozes ouço falar ao redor de mim; estou todo confuso e indeciso. Não vejo nada de bom em matar em guerra os meus parentes e meus companheiros.

32. Não desejo a glória de vencedor, ó KRISHNA! Não aspiro nem ao reino nem aos prazeres, nem ao domínio; para que me serve o domínio, a riqueza ou a vida mesma?

33. Todas estas coisas me parecem muito vãs e sem agrado, enquanto que aqueles para quem tudo isso seria desejável desprezam a própria vida!

34. Tutores, pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, primos, cunhados, mestres e companheiros vejo perante mim: não quero matá-los, embora eles tenham sede do meu sangue.

35. Não quero matá-los, embora com isso obtivesse o reino dos três mundos, quanto mais pelo governo de um pedaço de Terra!

36. Se eu matar os meus consanguíneos, os filhos de Dhritarashtra, que felicidade ou gozo poderia me alegrar? Se nós os derrotarmos, o remorso seria o nosso companheiro contínuo.

37. Penso que devemos abster-nos de matarmos os nossos parentes e consanguíneos: porque, como poderemos ser felizes, se exterminamos a nossa própria raça?

38. Não podemos desculpar-nos dizendo que eles são tão depravados e sedentos de sangue, que não vêm mal algum em derramarem o sangue de seus parentes e amigos.

39. Tal argumento não nos justifica, porque nós sabemos melhor que a matança dos parentes é grande pecado e horror.

40. Tem nos sido ensinado que, com o extermínio de uma geração, se destrói a virtude, e com a destruição da virtude e da religião de um povo, apoderam-se de toda a raça, o vício e a impiedade.

41. Onde reina a impiedade, corrompem-se também as mulheres nobres, e onde a mulher está corrompida, desparece a pureza do sangue.

42. A adulteração do sangue é precursora do esquecimento dos ritos devidos aos antepassados, e estes (se as doutrinas do povo são verdadeiras) (1), sendo privados dos sacrifícios de que se sustentam, caem das alturas celestes.
(1) A tradição, que prescrevia o respeito à família, aos parentes, aos instrutores, aos ritos, à instituição e a deveres das castas, sem o que a alma cairia em condições piores, antes e depois da morte.

43. A consequência de tal corrupção é o aniquilamento dos destruidores da raça e dos direitos eternos da família.

44. Os homens que destroem a religião da família vão para o inferno. Assim nos ensinam os nossos livros sagrados.

45. Ai de mim! Ai de nós, que estamos preparando para cometer o horrível crime de matar os próprios parentes e consanguíneos pela bagatela de obter o domínio pelo desejo do poder!

46. Eu preferiria entregar o meu peito descoberto às armas dos Kurus, e deixá-los beber o sangue do meu coração. Eu preferiria esperar a sua chegada, desarmado, e receber deles o golpe mortal, sem me defender. De certo, isto seria melhor para mim do que cometer esse horrível crime! Ai de mim! Ai de nós todos!


47. Assim clamando, sentou-se Arjuna no banco do carro e deixou cair o arco e as flechas da sua mão, todo entregue à aflição e ao desespero que lhe consumiam o coração. Livro Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. Abraço. Davi


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A TRANQUILIDADE ATRAVÉS DA RECORDAÇÃO DE DEUS.


Islamismo. www.mesquitadobras.org.br. Por Ayatullah Makarim Shirazi. Tradução de Ali Sivonaldo. A TRANQUILIDADE ATRAVÉS DA RECORDAÇÃO DE DEUS. Os estados de ansiedade e insegurança, sempre foram, e sempre serão as maiores fontes de tribulação na vida da humanidade, e o resultado desses traços na vida individual e social de uma pessoa são completamente observáveis. O estado de tranquilidade sempre foi um dos pedidos, e uma característica muito importante para a sociedade humana, a pessoa tem de bater em todas as portas até que ela seja capaz de encontrar essa característica tão importante. Se as lutas e os esforços da humanidade ao longo do tempo, fossem em busca dessa tranquilidade que eles têm procurado tudo isso poderia encher um grande livro! Há alguns estudiosos que afirmam que, "No início de um surto (de uma doença), alguns tinham uma doença contagiosa - de cada dez pessoas que tiveram esta doença e acabou morrendo devido a ela, observou-se que a maioria delas realmente morreu devido ao medo e ao desconforto que sentiam. Assim, na realidade, apenas um pequeno número dessas pessoas morreram devido à doença!”. Na verdade, os dois estados, o de tranquilidade e de apreensão, desempenharam um papel muito importante na saúde e na doença dessas pessoas e de toda a sociedade. E para o sucesso ou o fracasso do indivíduo não há uma única coisa que possa arrefecer este estado dentro da pessoa e é por esta razão que, até hoje, inúmeros livros foram escritos, cujo tema principal é sobre o medo e as formas de combatê-lo e a maneira de adquirir tranquilidade para o coração! A história da humanidade está cheia de cenas tristes em que, para alcançar a tranquilidade, as pessoas têm executado todos os tipos de coisas, elas adquiriram vários vícios (para ajudar a lidar com a sua tristeza). No entanto, o Alcorão, em uma curta, mas significativa frase, mostra-nos o caminho mais correto e mais próximo para isso, e nos fala: "Saiba que, através da recordação de Deus, os vossos corações e mentes serão colocados em repouso e tranquilidade". Para que esta realidade alcorânica fique clara, por favor, preste atenção á seguinte explicação: As oito causas de preocupação e da ansiedade. 1° Às vezes, a angústia e a ansiedade estão relacionadas a um futuro obscuro e incerto que está à frente de uma pessoa e que se manifesta a ela. A possibilidade de não alcançar suas bênçãos deixa a pessoa cair nas garras do inimigo, com a fraqueza, doença, incapacidade para o trabalho, o desespero e a necessidade (nos outros assuntos) e tudo isso resultará em uma pessoa que está sendo submetida a dificuldades. No entanto a fé, na verdade e em Deus o Todo poderoso, o altíssimo, o Misericordioso e Compassivo, que tomou para si, ser suficiente para Seus servos, é capaz de remover todas as formas de preocupação e ansiedade, e conceder uma tranquilidade para a pessoa, já que, em fase de eventos futuros a pessoa será impotente, porém Deus tem o poder, habilidade e Misericórdia para ajudar-nos. 2° Às vezes o passado sombrio da pessoa o torna um indivíduo preocupado com o que está dentro de si mesmo e isso irá causar-lhe angústia. Mostrando pesar sobre os pecados que foi cometido no passado, sentindo remorso de um passado de incapacidades e deslizamentos, o que causaria a uma pessoa muita preocupação. No entanto, através de Deus o Indulgente para com todos. O único que aceita o arrependimento e é misericordioso, a pessoa teria tranqüilidade. Na realidade, estes traços de Deus transmitiriam os pensamentos para que a pessoa, leve o seu recurso de culpabilidade para Ele, pedindo-lhe perdão por seus atos do passado e tentando reparar o que executou anteriormente uma vez que Ele é o Indulgente, o Único que fará aceitar e reparar seus erros. 3° As fraquezas e incapacidades da pessoa em fase de ocorrências naturais e, por muitas vezes, mesmo em fase das multidões e dos inimigos - tanto internos como externos torna a pessoa irritada e insegura de tal forma que ela venha a questionar a si mesma: "O que eu sou capaz de fazer na arena da guerra contra todos estes adversários poderosos? Ou em face de outros desafios e lutas, o que posso fazer?” No entanto, quando a pessoa se lembra de Deus e começa a confiar em Seu poder e misericórdia, o poder que é o maior de todos os poderes, de tal forma que não há uma única coisa que tenha potencial para enfrentá-lo, então o seu coração enche-se da facilidade e a pessoa diz para si mesmo: "Sim, eu não estou sozinho. Estou sob a sombra da Misericórdia e da Assistência de Deus - a fonte inesgotável de energia.” 4º Às vezes, a fonte de tristeza e insegurança, que causam as dores de uma pessoa é o seu sentido de uma vida inútil e uma sensação de insignificância nos objetivos que ela tem para si mesma. No entanto, a pessoa que tem a verdadeira fé em Deus e aceita percorrer o caminho da perfeição de sua vida como sendo o seu maior objetivo e sabe que todo o programa e todos os eventos que ocorrem em sua vida são orientados por este caminho de perfeição, não sente que sua vida não vale nada, nem que ela é uma pessoa sem objetivos na vida, e nem se sente como um andarilho incerto e cheio de angústia. 5° Outro motivo para tristeza e insegurança é que, às vezes, para que uma pessoa chegue a um objetivo, ela pode encontrar grandes dificuldades, e ela não vê uma única pessoa que a incentive e a valorize com seus problemas e dificuldades. Este sentimento de ingratidão que lhe causa grande estresse irá levá-la a afundar em um estado de angústia e insegurança. No entanto, quando ela percebe que outras pessoas estão conscientes de sua luta e esforço e dão valor ao seu trabalho e estão prontas para recompensá-la pelos seus esforços, não haverá qualquer espaço para a tristeza ou insegurança. 6.º Ter maus pensamentos sobre os outros é outra razão que leva à insegurança e o sofrimento, e esta é uma das coisas que um grande número de pessoas vê em sua vida. No entanto, como é possível para nós, negar o foco, da nossa atenção sobre Deus e Sua graça que nunca termina, se o seu mandamento para nós é dar manutenção aos bons pensamentos e boas suposições de outras pessoas. Essa é a responsabilidade de cada pessoa que alega possuir verdadeira fé, isso não iria remover este estado de tristeza e apreensão que está dentro de uma pessoa e levá-la a ter tranquilidade e segurança em sua vida? 7° A adoração deste mundo transitório é um sentimento de paixão como o ouro do mundo material, o que estamos vivendo é uma das maiores razões pelas quais uma pessoa não enfrentará as dificuldades e inseguranças em sua vida. Este ponto é evidente a tal extremo que, por vezes, se uma pessoa não é capaz de encontrar uma determinada cor de roupa ou uma cor de sapatos, ou alguma outra peça de roupa que ela está procurando no mercado ou milhares de outros itens que ela pode usar em sua vida diária, os pensamentos dessa pessoa que adora este mundo temporário podem se tornar tão extasiados que ela irá passar horas, dias ou mesmo semanas em um estado de insegurança e ansiedade. No entanto, a verdadeira fé em Deus e o foco constante sobre a liberdade espiritual que um verdadeiro crente possui não faz que esteja constantemente arrebatado na austeridade e devoção a Deus, sendo assim não está vinculado ou preso pelas garras do ouro que acompanham o mundo material. Isso põe fim a todos esses sentimentos de insegurança e ansiedade. Quando a alma de uma pessoa chega a esse nível de expansão espiritual, é exatamente como Ali (as) disse: "Certamente o mundo tem tanto valor para mim como a folha de uma árvore que está sendo mastigada na boca de um gafanhoto.” Como é possível ter dor ou medo, em relação ao mundo material ou achar que vai perdê-lo? Isso pode afetar a alma de uma pessoa e provocar uma sensação de tristeza e insegurança em seu coração e em seus pensamentos? 8° Outro fator importante que leva à tristeza e à insegurança, é o medo da morte que é algo que sempre causa problemas às pessoas. A morte não é algo que só é possível a uma pessoa quando ela fica mais velha, mas sim, é algo que pode atacar pessoas de qualquer idade, especialmente nos momentos de doença, guerras, insegurança no país e outras coisas como tais, assim, este sentimento de insegurança e sofrimento é uma característica geral e deve ser visto por todos os povos. No entanto, qualquer pessoa está sob a sombra da verdadeira fé em Deus, então, neste momento, ela irá considerar a morte como apenas uma ponte para um mundo mais largo, mais espaçoso, e um mundo espiritual mais elevado, e passar pela fase da "morte" será apenas como passar por corredores de uma cela de prisão rumo à sociedade livre e aberta. Neste ponto, não haveria sentido para a dor e ansiedade. Pelo contrário, tal morte vem quando se cumpriu o caminho e as responsabilidades da pessoa, então, neste momento, a morte é algo que é desejado e esperado. Naturalmente, temos de afirmar que os motivos da tristeza e ansiedade não estão limitados a apenas estas questões. Pelo contrário, estamos aptos a listar muitas razões para que as pessoas sintam esta dor e estresse em suas vidas, mas temos de aceitar o fato que a maioria das causas desta tristeza e ansiedade está relacionada a um dos oito motivos listados acima. Assim, vemos que os motivos para a ansiedade realmente estão se dissolvendo, e estão sendo removidos quando a fé verdadeira em Deus se aproxima, então, vamos definitivamente confirmar o fato de que a recordação de Deus é o que traz tranquilidade para os corações. www.mesquitadobras.org.br. Abraço. Davi