Cristianismo. www.ofielcatolico.com.br. QUEM AMA
CORRIGE. COMO DEVE O CRISTÃO católico proceder diante de um familiar, um amigo
ou mesmo algum colega de estudos ou do trabalho que erra, que está em pecado
ou, melhor seria dizer, um que persista no erro, imaginando
que acerta (já que errar todos nós erramos, pecar todos pecamos). Corrigir
os erros alheios pode ser muito difícil. Exige coragem, boa vontade, paciência
(...) e principalmente verdadeiro amor fraterno, que é a autêntica caridade
cristã. Como diz o querido padre Francisco Faus (1931- ) em um de seus admiráveis livros (Tornar a
Vida Amável, Cultor & Cleofas) "corrigir um amigo – com amor e ânimo
de ajudar – é uma das melhores maneiras de compreendê-lo". Antes de
entrar na análise da questão, entretanto, importa contextualizá-la. Vivemos
hoje o pleno apogeu da temível ditadura do relativismo, contra a qual tanto nos
advertia o papa Bento XVI (1927- ) e que
já foi também condenada por Francisco como
"a pobreza espiritual dos nossos dias". Vivendo num mundo em que
tudo é relativo e tudo se questiona, por todos, o tempo todo, fica muito
difícil dizer a um irmão: "Cuidado, não vá cair em tal erro", porque
o mundo grita intermitentemente aos nossos ouvidos que absolutamente tudo é
relativo e que ninguém possui autoridade para dizer o que é certo e o que é
errado. Mais além, nossa geração é extremamente orgulhosa e pendente para o
pecado da soberba. Nossos pais e avós aceitavam com mansidão a reprimenda dos
pais, mestres e superiores hierárquicos, diferente de nós. Eu mesmo não podia
reclamar dos meus professores do ensino fundamental ou médio para meus pais (a
não ser que se tratasse de algum problema realmente grave), porque, se o
fizesse, ganharia apenas uma nova reprimenda. Meu dever era respeitar sempre, e
me esforçar ao máximo para aprender e me aperfeiçoar, e não criticar
aquele (a) cuja função é justamente me ensinar e disciplinar. Hoje, se um
professor adverte uma criança ou adolescente em sala de aula, terá que
responder aos pais, que via de regra já têm como premissa que o aluno, em tudo,
está certo, e o professor errado (como aconteceu no caso do professor processado em juízo por
ter proibido um aluno de usar o celular durante sua aula). Temos
assim, por um lado, que em nossos tempos é muito difícil corrigir alguém, mesmo
quando o erro é flagrante. Por outro, que é muito importante saber corrigir.
Ninguém gosta de ser repreendido, em especial se a reprimenda for feita
publicamente. Ninguém gosta de se sentir desrespeitado e, a não ser que você
mesmo seja perfeito, como poderia apontar o dedo para as falhas do seu próximo?
Com que autoridade o faria? Mesmo assim, é um erro comum pensar que, pelo fato
de Nosso Senhor ter nos exortado a "não julgar", isto seria motivo
para a omissão, isto é, deixar cada um cuidar da própria vida, sem se importar
com o bem do próximo ou com a defesa do bem, da verdade, da justiça. Aliás, as
passagens em que o Cristo ensina a "não julgar" estão entre as mais
desvirtuadas das Sagradas Escrituras, que também nos mostram claramente como
nosso Salvador (e antes d'Ele os profetas, até São João Batista, e depois d'Ele
os santos Apóstolos), apontava com clareza todo erro, onde quer que o
encontrasse. Assim é que as Epístolas vão insistentemente nos orientar neste
sentido: “Exortamos-vos,
também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos. (1Tessalonicenses 5,14)
Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais,
corrigi-o, com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também
tentado. (Gálatas 6,1). Acautelai-vos! Se teu irmão pecar contra ti,
repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. (Lucas 17,3-4) Irmãos, se
alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois animados pelo Espírito,
admoestai-o em espírito de mansidão” (Gálatas 6,1). Especial atenção
requer a exortação de S. Judas Apóstolo, por muito precisa: "Procurai
convencer os hesitantes (compadecei-vos deles); procurai salvá-los,
arrebatando-os do fogo (do Inferno); dos outros, tende misericórdia (sede
compassivos), mas com temor, detestando até as vestes contaminadas pela
carne" (Judas 22-23). O resumo de tudo em 4 pontos bem claros. Nosso dever
é: 1) proclamar a Verdade do Evangelho; 2) procurar salvar a todos 3); ter
misericórdia dos que vagam sem direção, perdidos no erro, sendo compassivos
para com eles; 4) mas nada disso exime de manter o temor de Deus, e nem nos
desobriga de detestar radicalmente o pecado. Em resumo, devemos ser
"imitadores de Deus", amando os pecadores e odiando o
pecado. Muitos confundem as duas coisas: uns são caridosos em excesso,
entendendo equivocadamente que, por amarmos os pecadores, deveríamos tolerar
também o pecado. Alguns vão tão fundo nesta compreensão espúria que caem no
erro ainda mais grave de concluir que até o chafurdar no pecado seria
"graça de Deus"(...). Outros, seguindo no sentido contrário e
igualmente equivocado, por muito odiar o pecado, confundem-no com o próprio
pecador, e assim terminam por trocar o Caminho de Cristo por um caminho de ódio
e intolerância. Esquecem-se que a Caridade é como que uma das pernas do
caminhar do cristão, sendo a outra perna a própria Verdade: se uma das duas
falhar, o andar torna-se manco, e em alguns casos o progresso vai se tornar
finalmente impossível. Não basta só a Caridade sem a Verdade. Também os
hipócritas e os desonestos são capazes de amar. Já o conhecimento da Verdade,
sem a Caridade, será estéril. Assim como os "bonzinhos" e
"politicamente corretos" de plantão dos nossos tempos entendem que
seria mais próprio do bom católico "compreender" e concentrar todos
os nossos esforços apenas e tão somente em perdoar, relevar e "não
julgar"; considerando sempre exclusivamente o lado bom da pessoa, outros
comportam-se como fariseus, assentados em seus tronos de hipocrisia e apontando
seus dedos duros para todos os lados, como se tivessem já, eles próprios,
atingido a perfeição cristã. A solução para o problema está no caminho reto,
que não se desvia nem para a direita e nem para a esquerda (Provérbios
4,11,27). Nosso Modelo máximo e perfeito, evidente, é o Cristo, e Ele resumiu
tudo ao dizer: “Se
o teu irmão pecar, vai ter com ele e corrige-o a sós. Se ele te der ouvidos,
terás ganho o teu irmão.” (Mateus 18,15) Está tudo dito aí, numa
única frase: • Deve o cristão repreender o seu irmão, que caiu ou está em
pecado; • Deve corrigi-lo com caridade e misericórdia, a sós, sem a pretensão
de humilhá-lo ou fazer-se superior a ele; • "Se ele te der ouvidos
(...)": é preciso compreender que aquele irmão pode simplesmente não
querer ouvir, não considerar a correção, comportar-se com orgulho e persistir
no erro. Nesse caso, não cabe querer forçá-lo e sim, simplesmente, deixá-lo
seguir seu próprio caminho, pois quem o julgará é Deus, e não nós, que somos
também imperfeitos. Jesus, depois de censurar a pessoa que só enxerga o cisco
no olho do irmão, fala mais uma vez do dever de corrigir: "Tira primeiro a
trave de teu olho e assim verás para tirar o cisco do olho de teu irmão"
(Mateus 7,5); • "(...) terás ganho o teu irmão". O objetivo do que
corrige não é impor-se, disputar, mostrar que tem razão ou qualquer outra coisa
desse tipo, mas sim o bem do outro. É ganhar a sua alma para Cristo e para a
vida eterna. Como vemos, o mesmo Cristo que nos ama e perdoa, sempre de novo e
de novo, com infinita Misericórdia (louvado seja, por isto, Nosso Senhor!),
manda-nos corrigir, exatamente porque quer sempre o nosso bem. Porque nos ama,
não hesita em alertar, em corrigir, em repreender, ainda que isso doa, como fez
tantas vezes com seus Apóstolos (cf. Mateus 16,23 e 20,25-26), seus amigos mais
caros. Nunca é demais lembrar que identificar e acusar os erros é coisa
diferente de julgar. Se eu testemunhasse um assassinato, estupro ou tortura, e
dissesse que tudo isso é erro, pecado e crime, estaria "julgando"?
Não, por certo. Estaria, isto sim, fazendo uso do discernimento racional mais
elementar para identificar um comportamento condenável, e nestes casos extremos
seria uma obrigação moral denunciar. Julgar tem mais a ver com condenar pessoas
do que os atos cometidos por pessoas. Quem não é capaz de alertar um irmão que
se está a perder é o egoísta indiferente, que só pensa em si e prefere não se
meter com os problemas alheios, repetindo o mantra maldito dos que não conhecem
a caridade: "Cada um com os seus problemas"... E, quando o outro se
complica de vez, naufragando em meio a mil dores e dificuldades, amortece a
própria consciência repetindo para sim mesmo que não teve culpa, afinal,
"cada um (...)". Quem não corrige é porque não ama o suficiente, ou
não sabe amar; são os frouxos, os covardes, os "mornos" de quem nos
fala o Cristo (Apocalipse 3,15-16). Acham que ser bom é aceitar tudo, porque
corrigir pode magoar, provocar alguma dor, algum constrangimento (...)
"Passa por cima" de tudo e tudo tolera. Nunca adverte nem corrige,
por medo de magoar ou da reação do outro. É a atitude típica dos sentimentais e
covardes, e contra estes disse o Espírito Santo no Livro dos Provérbios:
"Melhor é a correção manifesta do que uma amizade falsa" (Provérbios
27,5). É muito fácil cair na tentação de olhar só as qualidades, dizer sempre
somente as coisas boas, os acertos e as virtudes de um parente, um amigo, um
colega, um irmão de fé, e fingir que as falhas não existem. Uma falsa
tolerância que mais prejudica do que ajuda. Os tolerantes de araque, que são
moles de espírito, acham que corrigir alguém vai "traumatizar" ou
"tirar a liberdade" do outro, e assim vão todos ficando igualmente
moles. Isto é uma grande tragédia dos nossos tempos. Lembro-me bem da primeira
reunião que tive com Felipe Marques, um valoroso jovem que desempenha um belo
papel em nosso apostolado. Num momento da conversa, perguntei a ele: "O
que você acha de ser repreendido? Como reage quando alguém aponta alguma falha
em alguma coisa que você fez? O que acharia de ter os seus textos corrigidos,
ou mesmo parte deles reescritos?"; ao que ele prontamente, olhando nos
meus olhos, com verdade e numa atitude de cavalheiro, respondeu: "É o que
eu espero! Eu quero ser corrigido porque quero aprender, e tenho muito que
aprender". Naquele momento entendi que estava diante de um verdadeiro fiel
católico, um guerreiro de Cristo, um jovem cruzado verdadeiramente disposto a
fazer a diferença nesta Igreja combalida. E eu respondi: "Muito bem. Somos
homens! Não tenha medo em também me corrigir, quando eu cometer alguma
falha". Já se foram alguns anos desta conversa, e de lá para cá a verdade
é que temos aprendido um com o outro, sem falsos orgulhos nem vaidades, mas com
o amor fraterno que deve existir entre os membros do Corpo de Cristo.
Lembremos, por fim, que para corrigir, antes é preciso dar exemplo, e é preciso
cultivar um sincero afeto pela pessoa, além de saber perdoá-la no mais íntimo
da alma, conscientes de que nós também erramos. É preciso que a motivação e a
razão da correção seja sempre o querer o bem do próximo, como quem estende a
mão para ajudar. Pense que não é obstáculo para corrigir com eficácia o fato de
sentir dificuldade em fazê-lo. Quase sempre custa falar de um defeito
diretamente com o interessado; é natural que soframos com o receio de que –
ainda que falemos com carinho – o outro não entenda e possa se melindrar.
Rezemos, então, antes de falar, pedindo a Luz e a Fortaleza do Espírito Santo.
Coragem! O mundo só terá a ganhar se nós, cristãos, nos corrigirmos
fraternalmente, uns aos outros. Lembre-se: por mais difícil que seja, isto é
melhor –, infinitamente melhor –, do que calar-se na presença daquela pessoa,
para depois criticá-la pelas costas. Referindo-se aos comodistas, que preferem
calar do que corrigir quando é preciso, disse S. Josemaria Escrivá
(1902-1975): “Talvez
poupem desgostos nesta vida, mas põem em risco a Felicidade eterna – a própria
e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados.”
(Forja, n. 577). Nós, Igreja, precisamos de homens e mulheres de verdade,
guerreiros da fé valorosos e destemidos, que saibam respeitar, sim e sempre,
mas igualmente saibam se posicionar e proclamar quem são, em que creem, pelo
que lutam. Rogai por nós, São Miguel, São Jorge, São Sebastião, Santa Joana
d'Arc (1412-1431)! www.ofielcatolico.com.br.
Abraço. Davi
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
EXISTE ALGUMA RAZÃO EM VIVER?
Espiritualidade.
www.oshobrasil.com.br. EXISTE ALGUMA
RAZÃO EM VIVER? Texto de Osho
(1931-1990). Tradução de Issa Maluf. Osho. Existe alguma razão em viver? O
homem tem sido conduzido por todas as tradições de uma maneira esquizofrênica.
Isso foi útil para dividir o homem em todas as dimensões possíveis, e criar um
conflito entre essas divisões. Desta maneira o homem se torna fraco, inseguro,
medroso, pronto para submeter-se, render-se; pronto para ser escravizado pelos
sacerdotes, pelos políticos, por qualquer pessoa. Essa questão também surge a
partir de uma mente esquizofrênica. Será um pouco difícil para você entender
porque você pode nunca ter pensado que a divisão entre fins e meios é a
estratégia básica da criação de divisões no homem. Viver tem algum significado,
alguma razão, algum valor? A questão é: Existe algum objetivo a ser alcançado
na vida, vivendo? Existe um lugar aonde você chegará algum dia através da vida?
Viver é um meio e a meta, a realização, e em algum lugar distante, é o fim. E
esse fim irá torná-lo significativo. Se não existe fim, então certamente a vida
é sem sentido; um Deus é necessário para fazer sua vida significativa. Primeiro
cria-se a divisão entre fins e meios. Que divide sua mente. Sua mente está
sempre perguntando: Por que? Para que? E qualquer coisa que não tenha resposta
para a questão, "Para que?" Lentamente, lentamente se torna sem valor
para você. É por isso que o amor se tornou sem valor. Qual é a razão existente
no amor? Para onde isso levará você? Qual será a realização disso? Você
alcançará alguma utopia, algum paraíso? Claro, não há razão no amor dessa
maneira. É sem razão. Qual é a razão da beleza? Você vê um pôr do sol você fica
estonteado, é tão lindo, mas qualquer idiota consegue perguntar: "Qual é o
significado disso?" e, você ficará sem nenhuma resposta. Se não tem nenhum
significado então porque desnecessariamente você está comentando sobre a
beleza? Uma bela flor, ou uma bela pintura, ou uma bela música, uma bela
poesia, elas não têm nenhuma razão. Elas não estão argumentando para provar
algo, nem são meios para chegar a qualquer fim. E viver consiste só em coisas
que são sem razão. Deixe-me repetir isso: viver consiste só em coisas que são
absolutamente sem razão, as quais não tem nenhum significado, significado no
sentido de que não tem nenhuma finalidade, que não leva você a lugar algum, que
você não obtém nada através disso. Em outras palavras, a vida é significativa
em si mesma. Os meios e os fins estão juntos, não separados. E essa é a
estratégia de todos os que tem cobiçado o poder, ao longo dos séculos: que
meios são meios e fins são fins. Meios são úteis porque eles o levam para um
fim. Se eles não o levam para um fim, eles são sem sentido. Dessa forma, eles
destruíram tudo o que realmente é significativo. E eles impuseram coisas para
você que são absolutamente insignificantes. Dinheiro tem uma razão. Uma
carreira política tem uma razão. Ser religioso tem uma razão, por que esse é o
meio para se chegar ao céu, a Deus. Negócios tem uma razão porque imediatamente
você vê o resultado final. Negócio tornou-se importante, política tornou-se
importante, religião tornou-se importante; poesia, música, dança, amor,
simpatia, beleza, verdade, todas desapareceram da sua vida. Uma simples
estratégia, que destruiu tudo aquilo que faz de você digno, que dá êxtase para
o seu ser. Mas a mente esquizofrênica perguntará, "Qual é a razão do
êxtase?" Pessoas tem me perguntado, centenas de pessoas, "Para que
serve a meditação? O que eu ganharei com isso? Primeiro, é muito difícil
alcançar e mesmo se conseguirmos alcançar, qual vai ser o resultado
final?" É muito difícil explicar para essas pessoas que a meditação é um
fim em si mesma. Não existe um final além disso. Qualquer coisa que tenha um
final além dela mesma é só para a mente medíocre. E qualquer coisa na qual
tenha um fim em si mesma é para as verdadeiras pessoas inteligentes. Mas você
verá pessoas medíocres se tornando presidente de um país, primeiro ministro de
um país; se tornando o homem mais rico do país, se tornando papa, se tornando
um líder religioso. Mas essas são todas pessoas medíocres; sua única
qualificação é a sua mediocridade. Eles são de terceira categoria e basicamente
são esquizofrênicos. Eles dividiram suas vidas em duas partes: fins e meios. Minha abordagem é totalmente diferente: Fazer de vocês um único todo.
Eu quero que vocês vivam apenas pela graça de viver. Os poetas têm definido a
arte como para sua própria graça, não existe nada além disso: arte pela graça
da arte. Não apelará pela mente medíocre absolutamente porque ele não conta as
coisas em termos de dinheiro, posição, poder. Sua poesia fará de você o
primeiro ministro de um país? Daí seria significativo. Mas na verdade sua
poesia pode fazer de você apenas um mendigo, porque quem vai comprar sua
poesia? Eu conheço muitos gênios que
estão vivendo como mendigos pela simples razão de que eles não aceitaram viver
mediocremente, e eles não se permitiram tornar esquizofrênicos. Eles estão
vivendo de maneira clara, eles têm um júbilo que político nenhum irá jamais
ter, eles tem uma certa radiância que bilionário nenhum irá conquistar. Eles
tem um certo ritmo em seus corações no qual essas pessoas chamadas religiosas
não tem ideia. Mas, até onde o exterior deles é julgado, eles tem sido
reduzidos pela sociedade a viver como mendigos. Eu gostaria que vocês se lembrassem de um grande, talvez o maior,
pintor holandês; Vicent van Gogh. Seu pai queria que ele se tornasse um
ministro religioso, viver uma vida de respeito confortável, conveniente e não
apenas nesse mundo, no outro mundo depois de morrer também. Mas Vicente
van Gogh (1853-1890) queria ser pintor. O pai dele disse, "Você está
maluco!" Ele disse, "Pode ser. Para mim, você é o maluco. Eu não
vejo nenhum significado em se tornar ministro porque tudo que eu iria dizer não
seria nada além de mentiras. Eu não conheço Deus. Eu não sei nem se existe céu
ou inferno. Eu não sei nem se existe vida após a morte ou não. Eu estaria
continuamente contando mentiras. Claro, isso é respeitável, mas esse tipo de
respeito não é para mim; Eu não estarei feliz com isso. Será uma tortura para
minha alma." Seu pai o expulsou de casa. Ele
começou a pintar e ele é o primeiro pintor moderno. Você pode traçar uma linha
em Vicente van Gogh; antes dele a pintura era ordinária. Até mesmo os maiores
pintores, como Michelangelo (1475-1564), são de menor importância comparados
com Vicente van Gogh, porque o que eles estavam pintando era ordinário. A
pintura deles era mercadoria. Michelangelo pintou para igrejas sua vida
toda; pintando muros e tetos de igrejas. Ele quebrou a coluna pintando o teto
de uma igreja, porque para pintar um teto você tem que deitar num andaime alto
enquanto você pinta. É uma posição muito desconfortável e por dias seguidos,
meses seguidos (...). Mas ele estava ganhando dinheiro, e estava ganhando
respeito. Ele estava pintando anjos, Cristo, Deus criando o mundo. A pintura
mais famosa dele é Deus criando o mundo. Vicente van Gogh começou em uma
dimensão totalmente nova. Ele não vendeu uma simples pintura em toda sua vida.
Agora, quem dirá que as pinturas dele tinham alguma razão? Nem uma simples
pessoa poderia ver que havia qualquer coisa em suas pinturas. Seu irmão
mais jovem costumava mandar dinheiro para ele; suficiente para ele não morrer
de fome, apenas o suficiente para sete dias, comida para toda semana porque se
ele desse de uma vez o suficiente para um mês inteiro ele iria gastar dentro de
dois ou três dias, e os outros dias eles passaria fome. Toda semana ele mandava
dinheiro para ele. E o que Vicente van Gogh estava fazendo era, por quatro dias
ele comia, e por três dias, entre os quatro dias, ele guardava dinheiro para
suas tintas e telas. É algo totalmente
diferente de Michelangelo, que ganhou dinheiro suficiente, que se tornou um
homem rico. Ele vendeu todas as suas pinturas. Elas foram feitas para serem
vendidas, era negócio. Claro, ele era um grande pintor, então mesmo pintando
para serem vendidas eram lindas. Mas se ele tivesse tido a profundidade de um
Vicente van Gogh, ele teria enriquecido o mundo todo. Três dias passando fome,
e van Gogh comprava as tintas e telas. Seu irmão mais novo ouviu dizer que
nenhuma de suas pinturas tinham sido vendidas, ele deu dinheiro a um homem, um
amigo dele, não conhecido por Vicente van Gogh, e disse a ele para ir lá e
comprar pelo menos uma das pinturas: "Isso daria a ele alguma satisfação.
O pobre homem está morrendo; ele pinta durante todo o dia, passa fome para
poder pintar mas ninguém compra suas pinturas ninguém vê nada nelas." Porque
para ver algo nas pinturas de Vicent van Gogh você precisa o olho de um pintor
do calibre de van Gogh; menos que isso não é possível. As pinturas dele parecerão estranhas para você. As
árvores dele são pintadas tão altas que vão além das estrelas; as estrelas são
deixadas para trás. Agora, você achará esse homem maluco (...) árvores indo
mais alto do que as estrelas? Você já viu essas árvores em algum lugar? Quando
perguntaram a Vicent van Gogh, "Suas árvores sempre vão além das estrelas?
ele disse, "Sim porque eu entendo as árvores. Eu sempre senti que as
árvores tem a ambição sobre a terra de alcançar as estrelas. Caso contrário,
por quê? Tocar as estrelas, sentir as estrelas, ir além das estrelas - isso é o
desejo da terra. A terra se esforça, mas não pode realizar seu desejo. Eu posso
fazer isso. As árvores entenderão minhas pinturas, e eu não me importo com
vocês, se vocês entendem ou não. "Agora, esse tipo de pintura você não
consegue vender. O homem que seu irmão mandou veio. Van Gogh estava muito
feliz: pelo menos alguém tinha vindo comprar. Mas logo sua felicidade tornou-se
frustração porque o homem olhou ao redor, pegou uma pintura e deu o
dinheiro. Vicent van Gogh disse, "Mas, você entendeu a pintura? Você
pegou tão descuidado, você nem olhou; Eu tenho centenas de pinturas. Você nem
mesmo preocupou-se em olhar a sua volta; você simplesmente pegou uma que estava
acidentalmente a sua frente. Eu suspeito que você foi mandado pelo meu irmão.
Coloque a pintura de volta, e pegue seu dinheiro de volta. Eu não venderei a
pintura para um homem que não tem olhos para pintura. E diga ao meu irmão para
nunca mais fazer tal coisa novamente." O homem ficou intrigado. Como é que ele conseguiu descobrir isso? Ele
disse, "Você não me conhece, como você descobriu?" Ele disse,
"É tão simples. Eu sei que meu irmão quer que eu me sinta valorizado. Ele
deve ter manipulado você - e esse dinheiro pertence a ele porque eu posso ver
que você é tão cego quanto ao valor das pinturas. E eu não sou do tipo que
vende pinturas para pessoas cegas; Eu não posso explorar um homem cego e vender
uma pintura. O que ele fará com isso? E diga ao meu irmão que ele também não
entende pinturas, de outra forma ele não mandaria você." Quando o irmão ficou sabendo, ele veio se desculpar.
Ele disse, "Em vez de dar a você um pouco de consolo, eu o feri. Eu jamais
farei tal coisa de novo." Em sua
vida inteira, van Gogh só deu pinturas para amigos: para o hotel onde ele
costumava comer quatro vezes por semana ele presenteou com uma pintura, ou para
uma prostituta que lhe disse certa vez que ele não era um homem bonito. Para
ser absolutamente sincero, ele era feio. Nenhuma mulher sequer se apaixonou por
ele, era impossível. E essa prostituta por compaixão, e às vezes as prostitutas
tem mais compaixão do que as suas chamadas senhoras, elas entendem mais sobre
homens só por compaixão ela disse, "Eu gosto muito de você." Ele
nunca havia escutado isso. Amor era uma coisa tão distante. Até mesmo um gostar
(...) Ele disse, "Sério, você gosta de mim? O que você gosta em mim?"
Agora, a mulher estava perdida. Ela disse, "Eu gosto das suas orelhas.
Suas orelhas são lindas." E você ficará surpreso que van Gogh foi para
casa, cortou a orelha com uma navalha, empacotou-a lindamente, foi até a prostituta
e deu sua orelha à ela. E o sangue estava escorrendo (...). Ela disse, "O que você fez?" Ele disse, "Ninguém jamais gostou de qualquer
coisa em mim. E eu sou um homem pobre, como eu posso agradecer você? Você gosta
da minha orelha; Eu presenteei você com ela. Se você tivesse gostado dos meus
olhos, eu teria lhe dado meus olhos. Se você tivesse gostado de mim, eu teria
lhe dado minha vida." A prostituta
não pode acreditar. Mas pela primeira vez, van Gogh estava feliz, sorrindo;
alguém gostou pelo menos de uma parte dele. E a mulher só tinha feito uma
brincadeira caso contrário, quem se importaria com suas orelhas? Se as pessoas
gostam de algo, elas gostam dos seus olhos, seu nariz, seus lábios você não irá
ouvir dois amantes dizendo que gostam das orelhas um do outro. Somente nas
antigas escrituras Hindu sobre sexologia: o Kamasutra de Vatsyayana (...). Este
é o único livro que eu fui capaz de encontrar que pode estar conectado com esse
incidente cinco mil anos depois com Vicent van Gogh, porque só o Vatsyana diz, "Pouquíssimas
pessoas sabem que os lóbulos das orelhas são tremendamente sexuais e sensitivos
pontos no corpo. E os amantes deveriam brincar com os lóbulos dos ouvidos um do
outro" e isso é um fato, embora desconhecido. Se você começar a brincar
com os lóbulos das orelhas do seu amante, ela ou ele pode achar que você é um
pouco louco - o que você está fazendo? Porque as pessoas se tornaram
aficionadas em certas ideias: beijar tudo bem (...) Mas existem tribos onde
ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; ninguém jamais ouviu falar sobre beijo;
eles esfregam os narizes, e isso é considerado o mais amável gesto. Certamente
é mais higiênico, muito mais medicamente suportável do que o beijo francês. As
pessoas que esfregam os narizes acham as pessoas que se beijam a moda francesa
sujas, simplesmente sujo. Mas essa prostituta talvez fosse ciente (...) porque
prostitutas se tornam consciente de muitas coisas que a mulher e o homem
ordinário não se tornam, porque elas estão sempre em contato com tantas
pessoas. Talvez ela soubesse que as orelhas tem um significado sexual. Elas
certamente tem. Vatsayana é um dos maiores especialista. Freud (1856-1939) e
Havelock Ellis (1859-1939) e outros sexólogos são só pigmeus ante Vatsayana. E
quando ele diz algo, ele quer mesmo dizer. Van
Gogh viveu sua vida inteira na pobreza. Ele morreu pintando. Antes de morrer
ele enlouqueceu, porque por um ano continuamente ele ficou pintando o sol:
centenas de pintura, mas nada chegou ao ponto que ele queria. Mas o dia todo em
pé no lugar mais quente da França, em Arles, com o sol na cabeça - porque sem a
experiência como você pode pintar? Ele pintou sua última pintura, mas ele
enlouqueceu. O calor, a fome (...) mas ele era imensamente feliz; e mesmo na
sua loucura ele pintou. E essas pinturas que ele fez no hospício agora valem
milhões. Ele se suicidou pela simples
razão de que ele já tinha pintado tudo que ele queria pintar. Agora a pintura
já estava acabada; ele havia chegado ao final. Não havia nada mais a se fazer.
Agora continuar vivendo era só ocupar espaço, o lugar de alguém; isso era feio
para ele. Por isso ele escreveu uma carta para seu irmão: "Meu trabalho
está terminado. Eu vivi intensamente da maneira que eu escolhi viver. Eu pintei
o que eu quis pintar. Minha última pintura eu terminei hoje, e agora eu estou
pulando dessa vida para dentro do desconhecido, o que quer que isso seja,
porque essa vida não mais contém qualquer coisa para mim." Você considerará esse homem um gênio? Você
considerará esse homem inteligente, sábio? Não, ordinariamente você pensará que
ele é simplesmente maluco. Mas eu não diria isso. Sua vida e suas pinturas não
eram duas coisas: pintar era sua vida, essa era a vida dele. Então, para o
mundo todo isso parece suicídio - não para mim. Para mim isso simplesmente
parece um fim natural. A pintura está completa. A vida está cumprida. Não havia
outro objetivo; se ele recebe o Prêmio Nobel, se qualquer pessoa aprecia suas pinturas
(...) Na sua vida ninguém apreciou seu trabalho. Na sua vida nenhuma galeria de
arte aceitou suas pinturas, mesmo de graça. Depois dele morrer, lentamente, lentamente, por causa do sacrifício
dele, pintar mudou todo o sabor. Não teria havido Pablo Picasso (1881-1973) sem
Vicent van Gogh. Todos os pintores que vieram depois de Vicent van Gogh são
gratos a ele, incalculavelmente, porque esse homem mudou toda a direção.
Lentamente, lentamente, com a mudança da
direção, suas pinturas foram descobertas. Uma grande procura foi feita. As
pessoas jogaram suas pinturas em suas casas vazias, ou em seus porões, achando
que elas eram inúteis. Eles correram para seus porões, descobrindo as pinturas
dele, limpando-as. Até mesmo pinturas falsificadas chegaram ao mercado como
autênticas de van Gogh. Agora há somente duzentas pinturas; ele deve ter
pintado milhares. Mas qualquer galeria de arte que tem um Vicent van Gogh se
sente orgulhosa, porque ele derramou toda sua vida em suas pinturas. Elas não
foram pintadas por cores, mas por sangue, por coração; seu coração bate nelas.
Não pergunte a esse tipo de homem,
"Existe alguma razão em pintar?" Ela
está lá nas suas pinturas, e você está perguntando, "Existe alguma razão
em pintar?" Se você não pode ver o significado, você é responsável por
isso. Quanto mais alto uma coisa se eleva, menos pessoas irão reconhecê-la.
Quando algo atinge o ponto mais alto, é muito difícil encontrar até mesmo
poucas pessoas que reconheçam. No ponto Omega final, só a própria pessoa sabe o
que aconteceu com ele; ele não consegue encontrar nem mesmo um segundo homem.
Por isso que um Buda tem que declarar-se por
si mesmo que ele é iluminado. Ninguém mais pode reconhecer isso. porque para
reconhecer, você terá que provar isso. Caso contrário, como você reconhece?
Nenhum reconhecimento é possível porque o ponto é tão alto. Mas, o que
significa um estado búdico? O que significa se tornar iluminado? Qual é a
razão? Se você pergunta sobre a razão, não há nenhuma. Ela em si mesma é
suficiente. Não precisa nada mais para tornar-se significante. É isso que eu quero dizer quando eu digo que as
coisas realmente importantes na vida não são divididas em fins e meios. Não
existe divisão entre fins e meios. Fins são os meios, meios são os fins, talvez
dois lados da mesma moeda inseparavelmente juntas; na verdade elas são uma
unidade, uma totalidade. Você me pergunta, "Existe alguma razão na
vida, em viver?" Eu estou com medo
de dizer que não existe nenhuma razão na vida, você pensará que isso significa
que você deve cometer suicídio, porque se não há razão em viver, então o que
mais fazer? - cometa suicídio! Eu não
estou dizendo suicide-se, porque cometer suicídio também não há
razão. Vivendo: viva, e viva totalmente. Morrendo: morra, e morra
totalmente. E nessa totalidade você encontrará significado. Eu estou
consideravelmente não usando a palavra "sentido", e usando a palavra
significado porque "sentido" é contaminada. A palavra sentido sempre
quer dizer algo mais. Você deve ter escutado, você deve ter lido em sua infância,
muitas estórias (...). Por que eles escrevem para crianças? Talvez os
escritores não saibam, mas isso é parte do mesmo tipo de exploração da
humanidade. As estórias são assim: há um homem cuja vida depende de um
papagaio. Se você matar o papagaio, o homem morrerá, mas você não pode matar o
homem diretamente. Você pode atirar, e nada acontecerá. Você pode atacá-lo com
sua espada e a espada passará pelo seu pescoço, mas o pescoço permanecerá ainda
junto ao corpo, intacto. Você não pode matar o homem, primeiro você tem que
descobrir onde sua vida está. Então nessas estórias a vida sempre está em outro
lugar. E quando você descobre você só mata o papagaio e onde quer que o homem
esteja, ele morrerá imediatamente. Até
mesmo quando eu era criança, eu costumava perguntar para meu professor
"Esse tipo de estória é muito estúpida porque eu não vejo ninguém cuja
vida depende de um papagaio ou um cachorro ou qualquer outra coisa, como uma
árvore." Era a primeira vez que eu escutava essa estória, esse tipo de estória;
então eu me deparei com muitas outras. Eles escreviam especialmente para
crianças. O homem que estava me ensinando era muito bacana e um senhor
respeitável. Eu perguntei para ele,
"Você pode me contar onde está sua vida? Porque eu gostaria de tentar
(...)" Ele disse: "O que você quer dizer?" Eu disse, "Eu
gostaria de matar o pássaro do qual sua vida depende." Você é uma homem
inteligente, sábio, respeitável. Você deve ter colocado sua vida em algum outro
lugar, assim ninguém pode matá-lo. É este o significado dessa estória - que as
pessoas sábias mantém suas vidas em outro lugar, assim você não consegue
matá-los, assim ninguém consegue matá-los. E é impossível descobrir onde eles
guardaram suas vidas a menos que eles contêm o segredo, ninguém pode descobrir.
E esse mundo é tão grande, e há tantas pessoas e tantos animais, e tantos
pássaros, e tantos homens árvore (...) ninguém sabe onde aquele homem colocou
sua vida. "Você é um homem sábio,
respeitável você deve ter mantido em algum lugar; você pode contar só para mim.
Eu não matarei o pássaro completamente; só darei a ele alguns puxões e
beliscões, e ver o que acontece com você. "Ele disse, "Você é um
garoto estranho. Eu tenho ensinado essa estória a minha vida inteira, e você
quer me dar puxões e beliscões. Isso é só uma estória." Mas eu disse,
"Qual é o significado da estória? Por que você continua ensinando essa
estória e esse tipo de coisa para as crianças?" Ele não pode responder.
Eu perguntei para meu pai, "Qual será o
significado dessa estória? Por que essas coisas devem ser ensinadas, que são
absolutamente absurdas?" Ele disse, "Se seu professor não é capaz de
responder, como posso eu responder? Eu não sei. Ele é muito mais educado,
inteligente e sábio do que eu. Vá perturbá-lo, ao invés de perturbar a
mim." Mas agora eu sei qual é o
significado daquela estória e porque elas continuam sendo ensinadas para as
crianças. Elas entram nos seus inconscientes e elas começam a pensar que a vida
está sempre em outro lugar no céu, em Deus, sempre em outro lugar - não
está em você. Você é vazio, apenas uma concha vazia. Você não tem sentido na sua
vida aqui e agora. Aqui você é só um meio, uma escada. Se você subir a escada,
talvez algum dia você encontrará sua vida, seu Deus, seu objetivo, seu
significado, qualquer que seja o nome que você dê a isso. Mas eu lhe digo que
você é o sentido o significado, e a própria vida está intrinsecamente completa. A vida não precisa de nada a ser adicionado. Tudo
que essa vida precisa é que você viva-a totalmente. Se você só vive
parcialmente, então você não sentirá a emoção de estar vivo. É como qualquer
mecanismo quando apenas uma parte está funcionando (...) Por exemplo, em um relógio: se só o ponteiro dos
segundos funcionar, mas nem o ponteiro das horas e dos minutos se moverem, só o
ponteiro dos segundos continuar se movendo de que servirá? Haverá movimento,
uma parte estará funcionando, mas a menos que todas as partes funcionem e
trabalhem em harmonia, ele não poderá funcionar. E essa é a situação: todo mundo está vivendo parcialmente, uma pequena
parte. Então, você faz barulho, mas você não consegue criar som algum. Você
mexe suas mãos e pernas, mas nenhuma dança acontece. A dança, a música, o
significado entra em harmonia com todas as funções da existência imediatamente, em acordo. Daí você não
perguntará tal questão como: Existe alguma razão em viver? você saberá. A vida
em si mesma é a razão. Não existe outra razão. Mas não foi permitido a você ser
um com o todo. Você foi dividido, cortado em várias partes. Algumas partes
foram completamente fechadas tão fechadas que você nem sabe que pertencem a
você. Muito de você foi jogado no porão. Muitos de você foi tão condenado que
embora você saiba que exista, você não ousa aceitar que isso faz parte de você;
você continua negando; você continua reprimindo. Você conhece apenas um
fragmento muito pequeno de você, o que eles chamam de consciente, o qual é um
produto da sociedade, não um coisa natural, o qual a sociedade cria dentro de
você para controlá-lo internamente. A
polícia está do lado de fora, os tribunais estão do lado de fora controlando
você. E o consciente está do lado de dentro, que é de longe o mais poderoso. É
por isso que até mesmo nos tribunais, primeiro eles lhe dão a bíblia. Você faz
um juramento sobre a bíblia porque o tribunal também sabe que se você é um
cristão, colocando sua mão sobre a bíblia e dizendo, "Eu juro dizer
somente a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade," seu
consciente forçará você a falar a verdade, porque agora você jurou em nome de
Deus, e tocou a bíblia. Se você falar uma mentira você será jogado no inferno.
Antes, no máximo, se você fosse pego você seria jogado dentro da prisão por
alguns meses, alguns anos. Mas agora você será jogado para dentro do inferno
pela eternidade. Até mesmo o tribunal aceita que a bíblia é mais poderosa, que
o Gita é mais poderoso, que o Koran é mais poderoso do que o tribunal, do que
os militares, do que o exército. O
consciente é uma das piores invenções da humanidade. E desde o primeiro dia em
que a criança nasce nós começamos a criar um consciente nela; uma pequena parte
que continua condenando qualquer coisa que a sociedade não quer em você, e
continua apreciando qualquer coisa que a sociedade quer em você. Você não é
mais um todo. Você não é mais um todo. O consciente passa continuamente a
forçá-lo, de modo que você tem que sempre olhar para fora, Deus está
assistindo. Todos os atos, todos os pensamentos, Deus está assistindo, tenha
cuidado! Mesmo em pensamento não é permitido liberdade: Deus está assistindo.
Que tipo de Fulano espiador é esse Deus? Em todos os banheiros 'Ele' está
olhando através do buraco da fechadura; Ele não lhe deixa sossegado - até mesmo
no seu banheiro? Existem tribos no mundo onde mesmo em seus sonhos se você
faz algo errado, de manhã você tem que ir até a pessoa (...). Por exemplo, você
insultou alguém no seu sonho de manhã você tem que ir até a pessoa e pedir
perdão; "Perdoe-me, noite passada eu o insultei em meu sonho; Eu sinto
muito." Até os sonhos são controlados pela sociedade. Você não é permitido
até mesmo em sonho ser você mesmo. Eles
continuam falando sobre livre iniciativa. Isso é tudo tolice porque desde o
começo eles colocam as bases em todas as crianças para a não livre iniciativa.
Eles querem controlar seus pensamentos. Eles querem controlar seus sonhos. Eles
querem controlar tudo em você. É através de um dispositivo muito inteligente, o
consciente. Isso o atormenta. Continua lhe dizendo, "Isso não é certo, não
faça isso; você sofrerá." Continua forçando você: "Faça isso, é a
coisa certa a se fazer; você será recompensado por isso." Esse consciente nunca permitirá você ser um todo,
não permitirá você viver como se não existisse nada proibido, como se não
existisse limites, como se você fosse deixado totalmente independente para ser
o que quer que você possa ser. Aí sim a vida tem um significado, aí viver tem
um significado, não no sentido de que isso o conduziu para fins, mas no sentido
de que o conduziu para a vida em si mesma. Então, o que quer que você faça, nesse
fazer está a sua recompensa. Por
exemplo, eu estou aqui falando para vocês. Eu gosto disso. Por trinta e cinco
anos eu tenho estado continuamente falando sem nenhum propósito. Com todo esse
falatório eu poderia ter me tornado um presidente, um primeiro ministro; não
teria problema algum. Com tanto falatório eu poderia ter feito qualquer coisa.
O que eu ganhei? Mas eu não estou aqui para ganhar nada, em primeiro lugar. Eu
gosto. Essa é minha pintura, essa era minha música, essa era minha poesia.
Só nesses momentos quando eu estou falando e
eu sinto a comunhão acontecendo, nesses momentos quando eu vejo os seus olhos
flamejando, quando eu vejo que vocês alcançaram o ponto (...) isso me dá uma
tremenda alegria que eu não consigo pensar em nada que possa ser adicionada a
isso. Ação, qualquer ação feita totalmente, com cada fibra do seu ser (...).
Por exemplo, se você amarrar minhas mãos eu
não consigo falar, embora não exista nenhuma relação entre mãos e fala. Eu já
tentei. Um dia, eu disse a um amigo que estava comigo, "Amarre as
minhas mãos (...)" Ele disse, "O que?" Eu disse,
"Apenas amarre-as, e então faça uma pergunta." Ele disse,
"Eu sempre tive medo de você, você é louco. E agora se alguém ver que eu
amarrei suas mãos (...) e agora eu estou fazendo uma pergunta e você está
respondendo, o que eles irão pensar?" Eu disse, "Esqueça tudo
isso. Feche a porta e faça o que eu digo." Ele fez, porque ele tinha que
fazer caso contrário eu teria mandado ele embora. Eu disse, "Sendo meu
convidado, você não pode fazer essa simples coisa para mim? Então não me
atrapalhe, caia fora." Então ele
amarrou minhas mãos em dois pilares, e ele fez uma pergunta. Eu tentei de todas
as maneiras possíveis, mas minhas mãos estavam atadas; Eu não consegui dizer
qualquer coisa para ele. Eu simplesmente disse, "Por favor desamarre
minhas mãos." Ele disse, "Eu
não consigo entender o porquê de tudo isso." Eu disse, "É simples, eu
estava tentando ver se eu poderia falar sem as minhas mãos. Eu não
consigo." O que dizer sobre as
mãos (...) se eu colocar essa perna para o outro lado, e a outra perna sobre
essa que é o jeito que eu sento no meu quarto quanto eu não estou falando (...)
Se eu colocar sobre a outra perna, daí algo vai mal, eu não me sinto em casa. Então, o jeito que
eu me sento, o jeito como eu movo minhas mãos, é um envolvimento total. Não é
apenas falar com uma parte de mim; tudo em mim está envolvido nisso. E só então você pode encontrar o valor intrínseco de
cada ato. Caso contrário você tem que viver uma vida de tensão, estendida entre
aqui e ali, esse e aquele objetivo distante. Os pseudos (falsos) religiosos dizem, "Claro, essa vida é só um
meio você não pode se envolver totalmente; é só uma prova pela qual você tem
que passar. Não é algo valioso, é só um degrau. O real está lá, bem
distante." E assim sempre permanece distante. Onde quer que você esteja, o
que é real está sempre distante. Então onde quer que você esteja, você estará
perdendo a vida. Eu não tenho um
objetivo. Quando eu estava na universidade eu costumava ir para uma caminhada
de manhã, à noite, a qualquer hora (...) De manhã e de noite absolutamente, mas
se tivesse outro tempo disponível, eu iria também para uma caminhada, porque o
lugar, as árvores, as ruas eram tão lindas, e cobertas com árvores tão grandes
de ambos os lados que até mesmo no alto verão havia sombras nas ruas. Um dos meus professores que gostava muito de mim
costumava me assistir: que alguns dias eu ia por uma rua, e outros dias eu ia
por outra rua. Havia um pentágono em frente ao portão da universidade, cinco
ruas indo para cinco direções, e ele vivia muito perto de lá; na última
instalação perto do portão. Ele me perguntou, "Às vezes você vai por essa
rua, as vezes por aquela rua. Para onde você vai?" Eu disse, "Eu não
vou a lugar algum. eu simplesmente vou caminhar." Se você está indo para algum lugar então certamente
você continuará indo pela mesma rua; mas eu não estava indo a lugar algum, isso
era só parte da minha excentricidade. Eu ia para o pentágono e eu costumava
ficar lá de pé parado por alguns instantes. Isso deixava-o mais intrigado: como
eu decidia? O que eu fazia ficando lá de pé? Eu costumava decidir dependendo
para onde o vento estivesse soprando. Para onde quer que o vento estivesse
soprando era para lá que eu iria; esse era o meu destino. "Então às
vezes," ele dizia, "Você vai pela mesma rua por uma semana
continuamente; às vezes você vai só um dia, e no dia seguinte você muda. O que
você faz lá? E como você decide?" E eu disse a ele, "É muito simples.
Eu fico lá de pé e eu sinto' qual rua me chama, para onde o vento está
soprando. Eu vou com o vento. E é lindo ir com o vento. Trotando, correndo, o
que quer que eu queira fazer. E o vento está lá, fresco, disponível. Então, é
assim que eu decido." A vida não é
ir para algum lugar. É apenas um ir para uma caminhada matinal'. Escolha para
onde quer que todo seu ser esteja fluindo, para onde o vento esteja soprando.
Vá por esse caminho o mais longe que ele puder lhe levar, e nunca espere
encontrar qualquer coisa. Por isso que eu nunca fui surpreendido, porque eu
nunca estive esperando nada. Então a questão não é o que me surpreende: tudo é
uma surpresa. E não existe desapontamento: tudo é contentamento. Se for assim,
bom; se não for assim, melhor ainda. Uma
vez entendido que viver momento a momento é tudo o que significa religião,
então você entenderá o porquê de eu dizer em abandonar essa ideia de Deus, céu
e inferno, e toda essa baboseira. Só precisa abandonar isso completamente por
causa disso, estando carregado com tantos conceitos você está sendo impedido de
viver momento a momento. Viva a vida numa unidade orgânica. Nenhum ato deveria
ser parcial, você deveria estar inteiramente envolvido nisso. Uma estória Zen. Um rei muito curioso, querendo saber sobre o que essas pessoas fazem
em um mosteiro, perguntou, "Quem era o Mestre mais
famoso?" Descobrindo que o Mestre mais famoso daqueles tempos era
Nan-in, ele foi ao mosteiro dele. Quando ele entrou no mosteiro ele encontrou
um lenhador. Ele o perguntou, "O mosteiro é grande, onde eu encontro
Mestre Nan-in?" O homem fechou os
olhos e pensou por alguns instantes, e ele disse, "Agora você não
conseguirá encontrá-lo." O rei
disse, "Por que eu não conseguirei encontrá-lo agora? Você sabe que eu sou
o imperador?" Ele disse,
"Isso é irrelevante. Quem quer que você seja, isso é problema seu, mas eu
lhe garanto que você não conseguirá encontrá-lo agora." "Ele saiu?" perguntou o rei. "Não, ele está ai," respondeu o lenhador.
O rei disse, "Mas ele está trabalhando,
está em alguma cerimônia, ou em isolamento? Qual é o problema? O homem disse, "Ele está agora cortando lenha
na sua frente. E quando eu estou cortando lenha, eu sou só um lenhador. Agora,
onde está Mestre Nan-in? Eu sou só um lenhador. Você terá que esperar."
O imperador pensou, "Esse homem é maluco,
simplesmente maluco. Mestre Nan-in cortando lenha? Ele foi em frente, e deixou o lenhador para trás.
Nan-in continuou cortando madeira. O inverno estava chegando, e precisava-se
estocar lenha. O imperador poderia esperar, mas o inverno não esperaria. O
imperador esperou por uma hora, duas horas - e então pela porta dos fundos veio
Mestre Nan-in, em seu traje de Mestre. O rei olhou para ele. E ele se parecia
com o lenhador, mas o rei curvou-se. Mestre
sentou-se, e perguntou, "Por que você dificultou tanto a sua vinda até
aqui?" O rei disse, "Tem
muitas coisas, mas deixarei as perguntas para depois. Primeiro eu quero saber:
você é o mesmo homem que estava cortando lenha?" Ele disse, "Agora eu sou Mestre Nan-in. Eu não
sou o mesmo homem; tudo se transformou. Agora eu estou aqui sentado como Mestre
Nan-in. E você pergunte como um discípulo, com humildade, receptividade. Sim,
um homem muito, muito parecido comigo estava cortando lenha, mas aquele era o
lenhador. O nome dele também é Nan-in." O rei ficou tão intrigado que foi embora sem perguntar o que ele tinha
vindo perguntar. Quando ele voltou para a corte, seus assessores perguntaram o
que tinha acontecido. Ele disse,
"O que aconteceu é melhor ser esquecido. Esse Mestre Nan-in parece ser
absolutamente insano! Ele estava cortando lenha e disse, ‘Eu sou o lenhador e
Mestre Nan-in não está disponível no momento.’ Então o mesmo homem veio em
trajes de Mestre e eu o perguntei, e ele disse, ‘Um homem parecido estava
cortando lenha, mas ele era o lenhador. Eu sou o Mestre.” Um dos homens da corte disse, "Você perdeu o
ponto do que ele estava tentando lhe dizer - que quando ele corta lenha ele
está totalmente envolvido nisso. Nada é deixado que possa ser parte de Mestre
Nan-in; nada é deixado, ele é apenas um lenhador." E na linguagem Zen, que
é difícil de se traduzir, ele não dizia exatamente que "Eu sou um
lenhador", ele dizia, "Agora a lenha está sendo cortada não um
lenhador, porque não há nem mesmo espaço para o lenhador." É simplesmente
lenha sendo cortada, e ele está tão envolvido nisso, que é só lenha sendo
cortada: o corte da lenha está acontecendo. E quando ele vem como Mestre,
claro, é em uma qualidade diferente. As mesmas partes estão agora em diferente
acordo. Assim, em cada ação você é uma pessoa diferente, se você
envolve-se totalmente nisso. Buda costumava dizer, "É como a chama de uma
vela que parece ser a mesma, mas nunca é a mesma nem sequer por dois momentos
consecutivos. A chama está continuamente se tornando fumaça, e nova chama está
surgindo. A velha chama está indo, a nova chama está chegando. A vela que você
acendeu a noite não é a mesma vela que você assoprará pela manhã. Esta não é a
mesma chama que havia começado; aquela já se foi, ninguém sabe para onde. É
apenas a semelhança da chama que lhe deu a ilusão de que esta é a mesma
chama." O mesmo acontece com o seu
ser. É uma chama. É um fogo. A cada momento o seu ser está mudando, e se você
se envolver totalmente em qualquer ação você verá como a mudança acontece em
você - cada momento um novo ser, e um novo mundo, e uma nova experiência. Tudo
de repente se torna tão cheio de novidade que você nunca vê a mesma coisa duas
vezes. Então, naturalmente, a vida se torna um mistério contínuo, uma
surpresa contínua. Em cada passo um novo mundo se abre, de tremendo
significado, de um êxtase incrível. E quando a morte chega, a morte também não
é vista com algo separado da vida. É parte da vida, não um fim da vida. É
exatamente como os outros acontecimentos: o amor aconteceu, o nascimento
aconteceu. Você era uma criança, e então sua infância desapareceu; você se
tornou jovem, e então sua juventude desapareceu; você se tornou velho, e então
a velhice desapareceu - quantas coisa já aconteceram! Por que você não permite
que a morte também aconteça assim como os outros incidentes? E, na verdade, a
pessoa que viveu a vida momento a momento, vive a morte também, e descobre que
todos os momentos da vida podem ser postos de um lado e que o momento da morte
pode ser posto do outro lado, e ainda assim pesa mais. Em todos os sentidos
pesa mais porque é a vida toda condensada; e algo a mais é adicionado à ela, o
qual nunca foi disponível a você. Uma nova porta se abre, com toda a vida
condensada: uma nova dimensão se abre. www.oshobrasil.com.br.
Abraço. Davi
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
OS ANALECTOS - LIVRO V
Confucionismo.
www.rl.art.br. OS ANALECTOS – LIVRO V. Texto
de Confúcio (551-479). 1. O Mestre disse de Kung-yeh Ch’ang que ele era uma boa
escolha para marido, pois, embora estivesse preso, não havia feito nada errado.
E lhe deu sua filha em casamento. 2. O Mestre disse de Nan-jung que, quando o
Caminho prevaleceu no reino, este não foi posto de lado e, quando o Caminho
caiu em desgraça, ele ficou longe da humilhação e da punição. E lhe deu a filha
do seu irmão mais velho em casamento. 3. O comentário do Mestre sobre Tzu-chien
foi “Que cavalheiro! Onde ele teria adquirido as suas qualidades, se não
houvesse cavalheiros no reino de Lu?”. 4. Tzu-kung perguntou: “O que acha de
mim?”. O Mestre disse: “Você é um navio”. “Que tipo de navio?” “Um navio
sacrificial”. 5. Alguém disse: “Yung é benevolente, mas não fala muito bem”. O
Mestre disse: “Qual a necessidade de ele falar bem? Um homem rápido nas
respostas frequentemente provocará o ódio dos outros. Não posso dizer se Yung é
benevolente ou não, mas qual a necessidade de ele falar bem?”. 6. O Mestre
aconselhou Ch’i-tiao K’ai a assumir um cargo oficial. Ch’i-tia o K’ai disse:
“Acho que ainda não estou pronto”. O Mestre ficou satisfeito. 7. O Mestre
disse: “Se o Caminho não pudesse prevalecer e eu fosse lançado ao mar em uma
jangada, aquele que me seguiria seria Yu, sem dúvida alguma”. Tzu-lu, ao ouvir
isso, transbordou de alegria. O Mestre disse: “Yu tem mais amor à coragem do
que eu, mas lhe falta juízo”. 8. Meng Wu Po perguntou se Tzu-lu era
benevolente. O Mestre disse: “Não posso dizer”. Meng Wu Po repetiu a pergunta.
O Mestre disse: “A Yu pode ser dada a responsabilidade de coordenar as tropas
de um reino de mil carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso
dizer”. “E quanto a Ch’iu?” O Mestre disse: “A Ch’iu pode ser dada a
responsabilidade de administrar uma cidade de mil casas ou uma família nobre de
cem carruagens, mas se ele é benevolente ou não, não posso dizer”. “E quanto a
Ch’ih?” O Mestre disse: “Quando Ch’ih coloca a sua faixa e toma lugar na corte,
a ele pode ser dada a responsabilidade de conversar com os convidados, mas se
ele é benevolente ou não, não posso dizer”. 9. O Mestre disse a Tzu-kung: “Quem
é o melhor homem, você ou Hui?”. “Como eu ousaria me comparar a Hui? Quando lhe
é dita uma coisa, ele compreende cem coisas. Quando me é dita uma coisa, eu
entendo apenas duas.” O Mestre disse: “De fato, você não é tão bom quanto ele.
Nenhum de nós dois é tão bom quanto ele.” 10. Tsai Yü estava na cama durante o
dia. O Mestre disse: “Um pedaço de madeira podre não pode ser esculpido,
tampouco pode uma parede de esterco seco ser aplainada. Em se tratando de Yü,
de que adianta condena-lo?”. O Mestre acrescentou: “Eu costumava ouvir as
palavras de um homem e confiar que ele agiria de acordo. Agora, tendo ouvido as
palavras de um homem, parto para observar suas ações. Foi por causa de Yü que mudei
quanto a isso.” 11. O Mestre disse: “Nunca conheci alguém que fosse
verdadeiramente constante”. Alguém perguntou: “E quanto a Shen Ch’eng?”. O
Mestre disse: “Ch’eng é cheio de desejos. Como pode ser constante?12. Tzu-kung
disse: “Do mesmo modo que não quero que os outros mandem em mim, também não
quero mandar nos outros”. O Mestre disse: “Ssu, isso ainda está bem acima de
você”. 13. Tzu-kung disse: “Pode-se ouvir sobre as realizações do Mestre, mas
não se pode ouvir suas opiniões sobre a natureza humana e o Caminho para o
Céu”. 14. A única coisa que Tzu-lu temia era que, antes que pudesse colocar em
prática algo que aprendera, lhe ensinassem outra coisa diferente. 15. Tzu-kung
perguntou: “Por que K’ung Wen Tzu foi chamado de wen?”. O Mestre disse: “Ele
era rápido e ávido por aprender: não teve vergonha de buscar o conselho
daqueles que lhe eram inferiores em posição. É por isso que ele é chamado wen”.
16. O Mestre disse sobre Tzu-ch’an que sob quatro aspectos ele tinha as
maneiras de um cavalheiro: era respeitoso no modo como se comportava; era
reverente no serviço ao seu senhor; ao tratar com as pessoas comuns, ele era
generoso e, ao empregar os serviços destas, era justo. 17. O Mestre disse: “Yen
P’ing-chung era um excelente amigo: mesmo quando conhecia seus amigos há muito
tempo, ele os tratava com reverência”. 18. O Mestre disse: “Ao fazer uma casa
para sua grande tartaruga, Wen-chung mandou esculpir os capitéis dos pilares na
forma de montanhas e pintar os caibros do telhado com desenhos de plantas aquáticas.
O que se deve pensar sobre a inteligência dele?19. Tzu-chang perguntou: “Ling
Yin Tzu-wen não demonstrou júbilo algum quando por três vezes foi feito
primeiro-ministro. Tampouco demonstrou desgosto quando por três vezes foi
removido do cargo. Ele sempre dizia ao seu sucessor o que havia feito durante
seu mandato. O que acha disso?” O Mestre disse: “Ele pode, de fato, ser
considerado um homem que dá o melhor de si”. “E pode ele ser chamado de
benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser chamado de
benevolente?” “Quando o senhor de Ch’i foi assassinado por Ts’ui Tzu, Ch’en Wen
Tzu, que possuía dez grupos de quatro cavalos cada, abandonou-os e deixou o
reino. Ao chegar em outro reino, ele disse: ‘Os oficiais aqui não são melhores do
que o nosso ministro Ts’ui Tzu’e partiu de novo. O que acha disso?” O Mestre
disse: “Ele pode, de fato, ser considerado um homem puro”. “Pode ele ser
chamado de benevolente?” “Sequer pode ser chamado de sábio. Como poderia ser
chamado de benevolente?” 20. Chi Wen Tzu sempre pensava três vezes antes de
agir. Quando o Mestre ficou sabendo disso, comentou: “Duas vezes é suficiente”.
21. O Mestre disse: “Ning Wu Tzu era inteligente enquanto o Caminho prevalecia
no reino, mas foi estúpido quando não prevaleceu. Outros podem igualar sua
inteligência, mas não podem igualar sua estupidez”. 22. Quando estava em Ch’en,
o Mestre disse: “Vamos para casa. Vamos para casa. Em casa, nossos jovens
rapazes são furiosamente ambiciosos e têm grandes talentos, mas não sabem usá-los”.
23. O Mestre disse: “Po Yi e Shu Ch’i nunca lembravam de velhas rixas. Por essa
razão, muito raramente provocavam ressentimentos”. 24. O Mestre disse: “Quem
disse que Wei-sheng era correto? Uma vez, quando um pedinte lhe mendigou
vinagre, ele foi e pediu-o para um vizinho”. 25. O Mestre disse: “Palavras
ardilosas, rosto adulador e absoluta subserviência: essas coisas Tso-ch’iu
considerava vergonhosas. Eu também as considero vergonhosas. Ser amigável com
alguém enquanto escondemos nossa hostilidade: também isso Tso-ch’iu considerava
vergonhoso. Eu também considero vergonhoso”. 26. Yen Yüan e Chi-lu estavam
presentes. O Mestre disse: “Sugiro que cada um de vocês me conte os seus
desejos mais fortes”. Tzu-lu disse: “Eu desejaria partilhar minha carruagem e
cavalos, roupas e peles com meus amigos sem me arrepender, mesmo que eles
ficassem gastos”. Yen Yüan disse: “Eu desejaria nunca me vangloriar da minha
própria bondade e nunca impor tarefas pesadas aos outros”. Tzu-lu disse: “Eu
gostaria de ouvir quais os seus desejos secretos, Mestre”. O Mestre disse:
“Trazer paz aos velhos, ter confiança nos meus amigos e dar afeto aos jovens”.
27. O Mestre disse: “Acho que devo abandonar as esperanças. Ainda estou para
conhecer o homem que, ao ver os próprios erros, seja capaz de se criticar
internamente”. 28. O Mestre disse: “Em um vilarejo de dez casas, sempre haverá
aqueles que são meus iguais quanto a fazer o melhor que podem pelos outros e
quanto a ser fiéis às próprias palavras, mas dificilmente terão tanta vontade
de aprender quanto eu tenho”. www.rl.art.br.
Abraço. Davi
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
KISLÊV
Judaísmo. www.morasha.com.br.
KISLÊV. A gema correspondente ao mês de Kislêv, o nono mês, é a ametista,
chamada “achlamá”, em hebraico. Achlamá vem da raiz etimológica hebraica
“chalam”, que significa “saúde” (física e mental) e “cura” [vide Isaías 32:16].
Aliás, no mês de Kislêv – não por acaso –, lemos nas porções da Torá nove dos
dez sonhos lá mencionados (Jacob, Labão, José, Faraó, os ministros, etc.). A
palavra “sonho” - em hebraico “chalom” - provém da mesma raiz etimológica já
mencionada. Tudo isso nos permite concluir que Kislêv também é um mês propício
para a concretização dos sonhos. Encontramos na Torá que antes de Yaacov deitar
e sonhar sobre a famosa escada que atingia o céu, ele protegeu a sua cabeça
(Gênese 28:11). A cabeça é a parte mais sensível do corpo, e a maior
preocupação do homem é mantê-la saudável. Falando em nível do povo, também
precisamos cuidar da nossa dor de cabeça. Com relação à cabeça, a literatura
talmúdica [Beit Hamidrash IV, Tossfot Menachot 37a] nos relata um interessante
julgamento realizado na época do Rei Salomão. Um pai de família faleceu,
deixando sua herança para sete filhos. Um deles possuía duas cabeças e achava
que a herança deveria ser dividida em oito partes, cabendo-lhe duas porções. Os
irmãos discordavam, achando que a herança deveria ser dividida em sete partes
iguais. O problema foi levado aos sábios, chegando até a Corte Suprema
(Sanhedrin), que não soube como julgá-lo, recorrendo à ajuda do sábio rei
Salomão. O rei aceitou o caso, pedindo que todos comparecessem ao seu palácio
na manhã seguinte. À noite, o rei Salomão foi ao Templo rezar, quando lembrou
ao Todo-Poderoso que ele não havia pedido nenhuma honra nem riqueza, apenas
sabedoria. Como era de se esperar, este caso atraiu muitos curiosos. Pela
manhã, o rei Salomão, inspirado pela sabedoria Divina, mandou trazer água
fervente para despejar em uma das cabeças deste ser estranho, dizendo o
seguinte: “Se as duas cabeças gritarem de dor, é apenas uma pessoa; se uma
gritar e a outra não, são duas pessoas diferentes”. E assim foi feito. A água
foi jogada em uma cabeça e logo as duas cabeças começaram a gritar de dor.
Neste momento, o rei Salomão proclamou o veredito que era uma só pessoa e a
herança deveria ser dividida em sete partes. Mais uma vez, esta decisão
salomônica foi aclamada por todos. Sem desconsiderar o conteúdo literal desta
história, alguns também a interpretam de maneira figurativa. Após o reinado de
Salomão, ocorreu a famosa cisão entre os Reinos de Israel e Judá. Já nos
últimos anos de vida do rei Salomão havia discórdia entre as Tribos de Judá e
Efraim. A situação chegou a tal ponto, que alguns temiam uma divisão
categórica, gerando dois povos com duas cabeças. O rei, preocupado com esta
desavença que poderia levar a uma divisão concreta do povo, resolve testar se
as divergências são apenas superficiais ou profundas (dois povos com duas
cabeças). E a melhor forma de saber isso é ver se ambos sentem dor e aflição
pelas mesmas mágoas - a mesma dor pela água fervente. Hoje, muito se comenta
sobre as divergências dentro do povo judeu. Fala-se em ortodoxos e ultra
ortodoxos de um lado e liberais e ultraliberais do outro. Também na Terra Santa
existem profundas diferenças entre a direita e a esquerda e os extremos de
ambos os lados. Alguns, precipitados, falam de uma ruptura definitiva. Outros
nos assediam falando repetidamente em divisão do povo de Israel. Muitos temem ver
dois povos com duas cabeças. O julgamento salomônico relatado acima nos permite
checar se esta dor de cabeça são apenas divergências superficiais ou se estamos
à beira de um, cisma perigoso. A realidade nos mostra que todas as correntes do
judaísmo sentem uma profunda dor quando somos afligidos por sofrimentos
materiais ou espirituais. Todos os irmãos choram e gritam quando veem as cenas
chocantes dos últimos atentados terroristas em Israel. Assim também, na esfera
espiritual, as águas ferventes da assimilação causam dor a todos nós, inclusive
aos familiares atingidos. A água fervente do rei Salomão corresponde hoje à
praga que mais nos atinge: a assimilação, que nos dá tanta dor de cabeça. As
estatísticas apresentam dados alarmantes: o número de judeus está diminuindo e
a população judaica está envelhecendo. Algumas comunidades totalmente seculares
apresentam uma taxa de 72% de assimilação. Outras, mais felizes, possuem um
mínimo de 53%. A continuar desta forma, em quinze anos a população judaica
diminuirá drasticamente. Todos esses números nos deixam perplexos e
preocupados, com uma enorme enxaqueca. Este fenômeno é a água fervente que fere
as nossas famílias. Este fogo estranho consome os melhores jovens dos nossos
efetivos. O salmista as chama de “águas traiçoeiras que atingem a nossa alma”
(Salmos 124:5). Quem não sente mais dor por este fenômeno está realmente se
excluindo da comunidade, já que não sente mais o fervor do líquido que queima.
Todavia, como mencionado anteriormente, todos nós, sem exceção, sentimos uma
profunda dor quando tais fatos ocorrem ou chegam aos nossos ouvidos. Sem dúvida
nenhuma, as divergências entre os vários segmentos do povo de Israel são apenas
superficiais. As diferenças não estão enraizadas profundamente, já que todos sentimos
a mesma dor pelas adversidades que recaem sobre nós. Afinal, cada judeu possui
dentro de si a chama eterna, a faísca Divina. Todo e qualquer judeu, sem
exceção, desde o mais justo ao mais perverso, do mais erudito ao mais
ignorante, fala em sua prece matinal “Ó, meu D’us, a alma que me deste é pura”.
Esta faísca Divina é o denominador comum que assegura sermos um só povo. Temos
que nos concentrar naquilo que nos une, naquilo que temos em comum, e não
enfatizar constantemente as diferenças que nos separam. E a dor de cabeça? Como
combatê-la? Água fervente tem que ser esfriada com água fria e pura. O Tanach,
bem como os sábios do Talmud, compara a Torá com a água pura e límpida, líquido
vital para a sobrevivência do homem. Assim, também, a Torá e seus ensinamentos
são imprescindíveis para a sobrevivência do povo judeu. O antídoto para as
águas ferventes e assimiladoras é espalhar o máximo possível os ensinamentos da
Torá – a fonte das águas saudáveis. Principalmente na nossa época, quando a
procura é grande e existe uma ânsia manifesta da alma judaica pela sua Fonte –
D’us. Como diz o salmista: “Minha alma tem sede de Ti, minha carne anseia por
Ti” (63:2). Do mesmo modo que a escuridão não se dissipa com uma vassoura, mas
com a luz, também as águas quentes devem ser substituídas pela água límpida e
pura da Torá e das Mitsvot. Citando o profeta Isaías: “Todos que têm sede
procurem água” (Isaías 55:1).
Apesar das divergências aparentes, o veredito salomônico é bem claro: somos apenas um povo, ligados somente a um D’us. A saga do povo judeu demonstra que ele não é regido pelas leis da natureza nem é sujeito às estatísticas pelo fato de ele ter a habilidade inerente de apagar as águas ferventes estando ligado à fonte milenar, que é o judaísmo. Neste mês de Kislêv, propício para a saúde e cura, vamos tratar de diminuir a nossa dor de cabeça e demonstrar que somos um povo com apenas uma cabeça. O tefilin que colocamos na cabeça é feito de quatro pergaminhos colocados em quatro compartimentos separados. O tefilin da mão, por sua vez, tem apenas um pergaminho com um compartimento. Analogamente, existem diferenças filosóficas e ideológicas entre nós, porém, na ação - e principalmente nas boas ações - somos um povo unido e amalgamado. E já que o mês é propício para sonhos, que essa união possa apressar o sonho da Redenção, conforme diz o Salmista: “Quando o Senhor retornar os cativos de Sion nós seremos como sonhadores” (126:1). www.morasha.com.br. Abraço. Davi
Apesar das divergências aparentes, o veredito salomônico é bem claro: somos apenas um povo, ligados somente a um D’us. A saga do povo judeu demonstra que ele não é regido pelas leis da natureza nem é sujeito às estatísticas pelo fato de ele ter a habilidade inerente de apagar as águas ferventes estando ligado à fonte milenar, que é o judaísmo. Neste mês de Kislêv, propício para a saúde e cura, vamos tratar de diminuir a nossa dor de cabeça e demonstrar que somos um povo com apenas uma cabeça. O tefilin que colocamos na cabeça é feito de quatro pergaminhos colocados em quatro compartimentos separados. O tefilin da mão, por sua vez, tem apenas um pergaminho com um compartimento. Analogamente, existem diferenças filosóficas e ideológicas entre nós, porém, na ação - e principalmente nas boas ações - somos um povo unido e amalgamado. E já que o mês é propício para sonhos, que essa união possa apressar o sonho da Redenção, conforme diz o Salmista: “Quando o Senhor retornar os cativos de Sion nós seremos como sonhadores” (126:1). www.morasha.com.br. Abraço. Davi
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
O DESÂNIMO DE ARJUNA
Bhagavad Gita. A
Mensagem do Mestre. AUM (1) Capítulo Um. O DESÂNIMO DE ARJUNA. Neste capítulo
se descreve o combate entre o BEM e o MAL, que provém do complemento da
UNIDADE, tanto no Homem como na Natureza. O Homem, representado por Arjuna,
acha-se rodeado de Ilusões que pertencem à sua natureza inferior, mortal, e
deve vencê-las; porém, como se acostumou a identificar-se com elas, falta-lhe o
necessário ânimo
1. Disse
Dhritarashtra (2), rei dos Kurus, falando com o fiel Sanjaya: Conta-me, ó
Sanjaya, os feitos dos meus guerreiros e os do exército dos Pandavas, quando se
reuniram para se combaterem no sagrado campo dos Kurus.
(1) Em nome de
Deus! Palavra Sagrada entre os hindus, alusiva à Trindade Divina -Vishnu, Shiva
e Brahma. Sendo KRISHNA considerado a oitava encarnação de Vishnu. (2)
Representante da Vida material - forças cegas.
2. Pôs-se a relatar
Sanjaya: Quando o teu filho Duryodhana (1), o comandante supremo dos teus
exércitos, ó rei, avistou as falanges dos Pandavas (2), preparadas para o
combate, se aproximou do seu Drona, o filho de Bharadvaja, e disse:
(1) Dificilmente
vencível; obstinação. (2) Os Kurus representam as forças inferiores da alma
humana - nossos defeitos; os Pandavas (ou filhos de Panda), as forças
superiores - nossas virtudes.
3. Vê, ó Mestre, as
poderosas multidões dos filhos de Pandu, que constam de vastas fileiras de
guerreiros experientes e audaciosos, comandadas pelo valente e sábio filho de
Drupada, teu discípulo
4. Vê como é grande
o número daqueles combatentes fortes que ali estão em seus carros de guerra e
com seus arcos e flechas. Há, entre eles, heróis iguais a Bhima (3) e Arjuna
(4).
(3) Bhima -
terrível, é a vontade espiritual. (4) Arjuna é o homem em seu desenvolvimento.
5.Lá estão: Virata,
Yuyudhana, Drupada, Dhristaketu, Chekitana, o rei dos Kasis, Purujit,
Kuntiboja, Saivya.
6. Ali estão: o
audaz Yudhamanyo, o forte uttamauja, o filho de Subhadra e todos os filhos de
Drupada (1).
(1) Os heróis mencionados
aqui e nos seguintes versículos representam forças intelectuais, inclinações,
faculdades, paixões, artes e ciência. Os "carros" são os corpos pelos
quais essas forças se manifestam no homem. As forças inferiores são servidoras
do egoísmo e do instinto cego, ao passo que as superiores agem em harmonia com
a Vontade Divina.
7. Porém,
igualmente do nosso lado, sob o meu comando, encontras os melhores generais e
heróis do nosso povo.
8. Aqui estás tu
mesmo, e conosco se Vê Bhishma, Karna, Kripa, Asvatthaman, Vikarna, Somadatti.
9. Todos estes e
muitos outros guerreiros fortes, valentes e experimentados, trazendo as suas
armas favoritas, prontos estão para combater por nossa causa e, com entusiasmo,
arriscarão a vida por mim.
10. Porém, ó
Mestre, hei de confessar-te que este nosso exército, se bem que muito valente e
comandado por Brishma (2), na minha opinião não tem o número e a força
suficientes, enquanto em nossa frente está o inimigo, comandado por Bhima, em
posição ameaçadora, e muito mais forte.
(2) Bhishma -
terror, é o egoísmo. O exército dos Kurus, isto é, as forças inferiores (nossos
defeitos), têm por chefes o Egoismo e a obstinação; o exército pandava (nossas
virtudes), é as forças espirituais superiores, obedecem à vontade Divina.
11. Ordena, pois,
aos capitães do meu exército que todos ocupem os seus lugares e que se preparem
para auxiliar e defender o nosso comandante Bhishma.
12. Soprou então
Bhishma, o velho chefe dos kurus, em sua grande corneta e o seu toqu soou como
o rugido do leão, excitando a coragem e o ânimo de seus guerreiros.
13. E, em resposta,
imediatamente se ouviu o som tumultuoso de inumeráveis outras cornetas e
conchas, címbalos, tambores e trombetas, nas falanges dos Kurus.
14. Igualmente
deram sinal bélico KRISHNA, a encarnação de Deus, e Arjuna, filho de Pandu, que
estavam em seu magnífico carro de guerra, ornado com ouro e pedras preciosas, e
puxado por cavalos brancos (1). E responderam os instrumentos dos Pandavas em som
repetido e desafiador, como o som de trovão violento. (1) Branco é o símbolo da
pureza; cavalo, o símbolo da força e da obediência.
15. A corneta que
tocava KRISHNA, o dominador dos sentidos, fora feita de osso de gigante. O nome
da corneta de Arjuna era Devadatta (dom de Deus).
16. O forte Bhima
tocava a corneta com o nome de Paundra (o Povo). Yudishtira, filho de Kunti, a
"Vitória"; Nakula e Sahadeva tocavam a "Harmonia" e a
"Glória".
17. Ouvia-se o
toque dos famosos guerreiros Kasya, Sikhandin, Dharishtadymna, Virata,
Sattyaki;
18. E de Drupada e
seu povo, e dos filhos valentes de Subhadra.
19. E vibrou o ar,
como quando se prepara uma horrível tempestade, e a superfície da Terra vibrou
no mesmo ritmo. E o povo de Dhritarashtra estremeceu aterrorizado.
20. Então Arjuna,
em cuja cimeira figurava um macaco (1), vendo que os Kurus estavam já em ordem
de batalha, e que as flechas começavam a voar pelos ares, tomou na mão o seu
arco e disse a KRISHNA, que estava com ele no carro:
(1) Tomado como símbolo
da audácia e engenho.
21. Faze parar, Ó
Imutável, o nosso carro no meio do espaço entre estes dois exércitos opostos.
22. Quero ver de
perto os que aqui estão reunidos com o desejo de nos matarem, e com os quais
devo travar sangrento combate.
23. Deixa-me ver os
meus inimigos, os partidários insensatos do malicioso e vingativo filho de
Dhitarashtra.
24. Quando Arjuna
assim falou, KRISHNA fez parar o carro no meio do espaço entre os dois
exércitos contrários (2).
(2) Antaskarana, a
"ponte" ou o "caminho" entre a terrena e a divina parte da
mente.
25. Ali, em frente
de Bhishma, Dronn e dos outros principais da Terra, disse KRISHNA a Arjuna: Vê,
ó filho de Prithi, a família dos Kurus ali reunida!
26. E viu Arjuna
que, divididos em dois partidos bélicos, ali estavam seus parentes: pais e
filhos, irmãos, cunhados, avós e netos, tios e sobrinhos, sogros e genros.
27. Notou também
que mestres, benfeitores, amigos e camaradas ali estavam, preparados para se
combaterem reciprocamente (1).
(1) Também as
forças "inimigas" são nossos amigos e mestres, pois por meio delas é
que alcançamos a experiência: elas são os degraus pelos quais o homem sobe até
ao conhecimento perfeito de si mesmo.
28. E quando Arjuna
viu isso, entristeceu-se no seu nobre coração e, cheio de aflição e dó,
proferiu estas palavras:
29. Oh Senhor,
vendo eu as fases e os vultos dos parentes que querem lutar uns contra os
outros, sinto exaustos de forças os meus membros e sem sangue o meu coração.
30. As minhas
pernas tremem, os meus braços não me obedecem; a minha face está em agonia; a
febre queima-me a pele; os pensamentos se confundem no meu cérebro; todo o meu
corpo está em convulsões de horror; o arco cai das minhas mãos.
31. Maus sinais
vejo nos ares, e estranhas vozes ouço falar ao redor de mim; estou todo confuso
e indeciso. Não vejo nada de bom em matar em guerra os meus parentes e meus
companheiros.
32. Não desejo a
glória de vencedor, ó KRISHNA! Não aspiro nem ao reino nem aos prazeres, nem ao
domínio; para que me serve o domínio, a riqueza ou a vida mesma?
33. Todas estas
coisas me parecem muito vãs e sem agrado, enquanto que aqueles para quem tudo
isso seria desejável desprezam a própria vida!
34. Tutores, pais e
filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, primos, cunhados, mestres e
companheiros vejo perante mim: não quero matá-los, embora eles tenham sede do
meu sangue.
35. Não quero
matá-los, embora com isso obtivesse o reino dos três mundos, quanto mais pelo
governo de um pedaço de Terra!
36. Se eu matar os
meus consanguíneos, os filhos de Dhritarashtra, que felicidade ou gozo poderia
me alegrar? Se nós os derrotarmos, o remorso seria o nosso companheiro
contínuo.
37. Penso que
devemos abster-nos de matarmos os nossos parentes e consanguíneos: porque, como
poderemos ser felizes, se exterminamos a nossa própria raça?
38. Não podemos
desculpar-nos dizendo que eles são tão depravados e sedentos de sangue, que não
vêm mal algum em derramarem o sangue de seus parentes e amigos.
39. Tal argumento
não nos justifica, porque nós sabemos melhor que a matança dos parentes é
grande pecado e horror.
40. Tem nos sido
ensinado que, com o extermínio de uma geração, se destrói a virtude, e com a
destruição da virtude e da religião de um povo, apoderam-se de toda a raça, o
vício e a impiedade.
41. Onde reina a
impiedade, corrompem-se também as mulheres nobres, e onde a mulher está
corrompida, desparece a pureza do sangue.
42. A adulteração
do sangue é precursora do esquecimento dos ritos devidos aos antepassados, e
estes (se as doutrinas do povo são verdadeiras) (1), sendo privados dos
sacrifícios de que se sustentam, caem das alturas celestes.
(1) A tradição, que
prescrevia o respeito à família, aos parentes, aos instrutores, aos ritos, à
instituição e a deveres das castas, sem o que a alma cairia em condições
piores, antes e depois da morte.
43. A consequência
de tal corrupção é o aniquilamento dos destruidores da raça e dos direitos
eternos da família.
44. Os homens que
destroem a religião da família vão para o inferno. Assim nos ensinam os nossos
livros sagrados.
45. Ai de mim! Ai
de nós, que estamos preparando para cometer o horrível crime de matar os
próprios parentes e consanguíneos pela bagatela de obter o domínio pelo desejo
do poder!
46. Eu preferiria
entregar o meu peito descoberto às armas dos Kurus, e deixá-los beber o sangue
do meu coração. Eu preferiria esperar a sua chegada, desarmado, e receber deles
o golpe mortal, sem me defender. De certo, isto seria melhor para mim do que
cometer esse horrível crime! Ai de mim! Ai de nós todos!
47. Assim clamando,
sentou-se Arjuna no banco do carro e deixou cair o arco e as flechas da sua
mão, todo entregue à aflição e ao desespero que lhe consumiam o coração. Livro
Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. Abraço. Davi
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
A TRANQUILIDADE ATRAVÉS DA RECORDAÇÃO DE DEUS.
Islamismo. www.mesquitadobras.org.br.
Por Ayatullah Makarim Shirazi. Tradução de Ali Sivonaldo. A TRANQUILIDADE
ATRAVÉS DA RECORDAÇÃO DE DEUS. Os estados de ansiedade e insegurança, sempre
foram, e sempre serão as maiores fontes de tribulação na vida da humanidade, e
o resultado desses traços na vida individual e social de uma pessoa são
completamente observáveis. O estado de tranquilidade sempre foi um dos pedidos,
e uma característica muito importante para a sociedade humana, a pessoa tem de
bater em todas as portas até que ela seja capaz de encontrar essa
característica tão importante. Se as lutas e os esforços da humanidade ao longo
do tempo, fossem em busca dessa tranquilidade que eles têm procurado tudo isso
poderia encher um grande livro! Há alguns estudiosos que afirmam que, "No
início de um surto (de uma doença), alguns tinham uma doença contagiosa - de
cada dez pessoas que tiveram esta doença e acabou morrendo devido a ela,
observou-se que a maioria delas realmente morreu devido ao medo e ao
desconforto que sentiam. Assim, na realidade, apenas um pequeno número dessas
pessoas morreram devido à doença!”. Na verdade, os dois estados, o de
tranquilidade e de apreensão, desempenharam um papel muito importante na saúde
e na doença dessas pessoas e de toda a sociedade. E para o sucesso ou o
fracasso do indivíduo não há uma única coisa que possa arrefecer este estado
dentro da pessoa e é por esta razão que, até hoje, inúmeros livros foram
escritos, cujo tema principal é sobre o medo e as formas de combatê-lo e a
maneira de adquirir tranquilidade para o coração! A história da humanidade está
cheia de cenas tristes em que, para alcançar a tranquilidade, as pessoas têm
executado todos os tipos de coisas, elas adquiriram vários vícios (para ajudar
a lidar com a sua tristeza). No entanto, o Alcorão, em uma curta, mas
significativa frase, mostra-nos o caminho mais correto e mais próximo para
isso, e nos fala: "Saiba que, através da recordação de Deus, os vossos
corações e mentes serão colocados em repouso e tranquilidade". Para que
esta realidade alcorânica fique clara, por favor, preste atenção á seguinte explicação:
As oito causas de preocupação e da ansiedade. 1° Às vezes, a angústia e a
ansiedade estão relacionadas a um futuro obscuro e incerto que está à frente de
uma pessoa e que se manifesta a ela. A possibilidade de não alcançar suas
bênçãos deixa a pessoa cair nas garras do inimigo, com a fraqueza, doença,
incapacidade para o trabalho, o desespero e a necessidade (nos outros assuntos)
e tudo isso resultará em uma pessoa que está sendo submetida a dificuldades. No
entanto a fé, na verdade e em Deus o Todo poderoso, o altíssimo, o
Misericordioso e Compassivo, que tomou para si, ser suficiente para Seus
servos, é capaz de remover todas as formas de preocupação e ansiedade, e
conceder uma tranquilidade para a pessoa, já que, em fase de eventos futuros a pessoa
será impotente, porém Deus tem o poder, habilidade e Misericórdia para
ajudar-nos. 2° Às vezes o passado sombrio da pessoa o torna um indivíduo
preocupado com o que está dentro de si mesmo e isso irá causar-lhe angústia.
Mostrando pesar sobre os pecados que foi cometido no passado, sentindo remorso
de um passado de incapacidades e deslizamentos, o que causaria a uma pessoa
muita preocupação. No entanto, através de Deus o Indulgente para com todos. O
único que aceita o arrependimento e é misericordioso, a pessoa teria
tranqüilidade. Na realidade, estes traços de Deus transmitiriam os pensamentos
para que a pessoa, leve o seu recurso de culpabilidade para Ele, pedindo-lhe
perdão por seus atos do passado e tentando reparar o que executou anteriormente
uma vez que Ele é o Indulgente, o Único que fará aceitar e reparar seus erros.
3° As fraquezas e incapacidades da pessoa em fase de ocorrências naturais e,
por muitas vezes, mesmo em fase das multidões e dos inimigos - tanto internos
como externos torna a pessoa irritada e insegura de tal forma que ela venha a
questionar a si mesma: "O que eu sou capaz de fazer na arena da guerra
contra todos estes adversários poderosos? Ou em face de outros desafios e
lutas, o que posso fazer?” No entanto, quando a pessoa se lembra de Deus e
começa a confiar em Seu poder e misericórdia, o poder que é o maior de todos os
poderes, de tal forma que não há uma única coisa que tenha potencial para
enfrentá-lo, então o seu coração enche-se da facilidade e a pessoa diz para si
mesmo: "Sim, eu não estou sozinho. Estou sob a sombra da Misericórdia e da
Assistência de Deus - a fonte inesgotável de energia.” 4º Às vezes, a fonte de
tristeza e insegurança, que causam as dores de uma pessoa é o seu sentido de
uma vida inútil e uma sensação de insignificância nos objetivos que ela tem
para si mesma. No entanto, a pessoa que tem a verdadeira fé em Deus e aceita
percorrer o caminho da perfeição de sua vida como sendo o seu maior objetivo e
sabe que todo o programa e todos os eventos que ocorrem em sua vida são
orientados por este caminho de perfeição, não sente que sua vida não vale nada,
nem que ela é uma pessoa sem objetivos na vida, e nem se sente como um
andarilho incerto e cheio de angústia. 5° Outro motivo para tristeza e
insegurança é que, às vezes, para que uma pessoa chegue a um objetivo, ela pode
encontrar grandes dificuldades, e ela não vê uma única pessoa que a incentive e
a valorize com seus problemas e dificuldades. Este sentimento de ingratidão que
lhe causa grande estresse irá levá-la a afundar em um estado de angústia e
insegurança. No entanto, quando ela percebe que outras pessoas estão
conscientes de sua luta e esforço e dão valor ao seu trabalho e estão prontas
para recompensá-la pelos seus esforços, não haverá qualquer espaço para a
tristeza ou insegurança. 6.º Ter maus pensamentos sobre os outros é outra razão
que leva à insegurança e o sofrimento, e esta é uma das coisas que um grande
número de pessoas vê em sua vida. No entanto, como é possível para nós, negar o
foco, da nossa atenção sobre Deus e Sua graça que nunca termina, se o seu
mandamento para nós é dar manutenção aos bons pensamentos e boas suposições de
outras pessoas. Essa é a responsabilidade de cada pessoa que alega possuir
verdadeira fé, isso não iria remover este estado de tristeza e apreensão que
está dentro de uma pessoa e levá-la a ter tranquilidade e segurança em sua
vida? 7° A adoração deste mundo transitório é um sentimento de paixão como o
ouro do mundo material, o que estamos vivendo é uma das maiores razões pelas
quais uma pessoa não enfrentará as dificuldades e inseguranças em sua vida.
Este ponto é evidente a tal extremo que, por vezes, se uma pessoa não é capaz
de encontrar uma determinada cor de roupa ou uma cor de sapatos, ou alguma
outra peça de roupa que ela está procurando no mercado ou milhares de outros
itens que ela pode usar em sua vida diária, os pensamentos dessa pessoa que
adora este mundo temporário podem se tornar tão extasiados que ela irá passar
horas, dias ou mesmo semanas em um estado de insegurança e ansiedade. No
entanto, a verdadeira fé em Deus e o foco constante sobre a liberdade
espiritual que um verdadeiro crente possui não faz que esteja constantemente
arrebatado na austeridade e devoção a Deus, sendo assim não está vinculado ou preso
pelas garras do ouro que acompanham o mundo material. Isso põe fim a todos
esses sentimentos de insegurança e ansiedade. Quando a alma de uma pessoa chega
a esse nível de expansão espiritual, é exatamente como Ali (as) disse:
"Certamente o mundo tem tanto valor para mim como a folha de uma árvore
que está sendo mastigada na boca de um gafanhoto.” Como é possível ter dor ou
medo, em relação ao mundo material ou achar que vai perdê-lo? Isso pode afetar
a alma de uma pessoa e provocar uma sensação de tristeza e insegurança em seu
coração e em seus pensamentos? 8° Outro fator importante que leva à tristeza e
à insegurança, é o medo da morte que é algo que sempre causa problemas às
pessoas. A morte não é algo que só é possível a uma pessoa quando ela fica mais
velha, mas sim, é algo que pode atacar pessoas de qualquer idade, especialmente
nos momentos de doença, guerras, insegurança no país e outras coisas como tais,
assim, este sentimento de insegurança e sofrimento é uma característica geral e
deve ser visto por todos os povos. No entanto, qualquer pessoa está sob a
sombra da verdadeira fé em Deus, então, neste momento, ela irá considerar a
morte como apenas uma ponte para um mundo mais largo, mais espaçoso, e um mundo
espiritual mais elevado, e passar pela fase da "morte" será apenas
como passar por corredores de uma cela de prisão rumo à sociedade livre e
aberta. Neste ponto, não haveria sentido para a dor e ansiedade. Pelo
contrário, tal morte vem quando se cumpriu o caminho e as responsabilidades da
pessoa, então, neste momento, a morte é algo que é desejado e esperado.
Naturalmente, temos de afirmar que os motivos da tristeza e ansiedade não estão
limitados a apenas estas questões. Pelo contrário, estamos aptos a listar
muitas razões para que as pessoas sintam esta dor e estresse em suas vidas, mas
temos de aceitar o fato que a maioria das causas desta tristeza e ansiedade
está relacionada a um dos oito motivos listados acima. Assim, vemos que os
motivos para a ansiedade realmente estão se dissolvendo, e estão sendo
removidos quando a fé verdadeira em Deus se aproxima, então, vamos
definitivamente confirmar o fato de que a recordação de Deus é o que traz
tranquilidade para os corações. www.mesquitadobras.org.br.
Abraço. Davi
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