quarta-feira, 27 de maio de 2026

TAO TE CHING - POEMA XI

Lao Tse (571 a.C. 531) Tao Te Ching. O

Livro que Revela Deus

Por Huberto Rohden (1893-1981)

A Atuação do Visível no Invisível

POEMA XI

Trinta ralos convergentes no centro
Tem uma roda
Mas somente os vácuos entre os ralos
É que facultam seu movimento (1)
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila
Mas é o oco do vaso que lhe dá utilidade
Paredes são massas com portas e janelas
Mas somente o vácuo entre as massas
Lhe dá utilidade
Assim são as coisas físicas
Quer parecem ser o principal
Mas o seu valor está no metafísico

(1). Lao Tse se refere, provavelmente, a roda de um moinho de vento, que não funciona se não houvesse interstícios entre as palhetas, por onde passa o vento.

Explicação Filosófica:
O invisível age pelo visível. A metafísica do Uno se revela na física do Verso. A aparente passividade da alma se manifesta pela atividade do corpo. A causa eterna subjaz a todos os efeitos temporários. A essência se revela em todas as existências. Quando o Todo, que é, age pelo Nada, que não é. Então algo começa a existir. Os fatos não criam valores, mas o valor produz os fatos. 

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