quarta-feira, 20 de maio de 2026

O SENTIDO DA EXPRESSÃO "TÚNICAS DE PELE"

Teosofia. Livro Ísis Sem Véu. Volume II. Por Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). Capítulo IX. Fenômenos Cíclicos I. "Não qualifiques de loucura aquilo de que nada saber" Tertuliano. "Isso não é assunto de hoje, nem de ontem, mas de sempre, e ninguém nos disse de onde veio ou como veio" Sófocles. "A crença no sobrenatural é um fato natural. Primeiro, universal e na vida e na história da raça humana. A descrença no sobrenatural é um fato natural conduz ao materialismo, o materialismo, à sensualidade e a sensualidade às convenções sociais. No meio de cujas tempestades o homem aprende a crer e a orar" Guizot. "Se alguém achar estas coisas incríveis, que guarde suas opiniões para si. Não contradiga aqueles que, por causa destes acontecimentos, são incitados ao estado da virtude" Josefo.


O SENTIDO DA EXPRESSÃO "TÚNICA DE PELE" em Gênesis 3,21 "E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu". Das ideias platônicas é pitagóricas relativas à matéria e à força, passaremos agora à Filosofia Cabalística concernente à origem do homem. Compará-la-emos com a teoria da seleção natural enunciada por Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Wallace (1823-1913). Talvez encontremos tantas razões pra atribuir aos antigos a originalidade neste ponto como nos assuntos que até aqui temos considerado. A nosso ver, não existe prova mais vigorosa da teoria da progressão cíclica do que o cotejo entre os ensinamentos antigos e os da Igreja Patrística a propósito da forma da Terra e dos movimentos do sistema planetário. Mesmo se faltassem outras evidências, a ignorância nestas matérias de Agostinho (354-430) e Lactâncio (240-320). Que induziram a cristandade ao erro até o período de Galileu Galilei (1564-1642), que assinalaria os eclipses por que passa o conhecimento humano de uma época a outra. Afirmam alguns filósofos antigos que as "túnicas de pele" que, segundo o terceiro capítulo do Gênese 3,21 foram dadas a Adão e Eva significam os corpos carnais. Com que os progenitores da raça humana foram vestidos na evolução dos ciclos. Sustentam eles que a forma física criada à semelhança de Deus tornou-se cada vez mais a mais grosseira. Até atingir o fundo do que se pode chamar de último ciclo espiritual, e a humanidade penetrou no arco ascendente do primeiro ciclo humano. Começou, então, uma série ininterrupta de ciclos ou yagas, permanecendo a duração precisa de cada um deles um mistério inviolável. Conservado nos recintos dos santuários e revelado unicamente aos iniciados. Assim que a humanidade entrou num novo ciclo, a Idade da Pedra, com a qual o ciclo precedente teve fim. Começou gradualmente a se transformar numa Idade Superior. A cada sucessiva Idade, ou época, os homens se refinaram mais e mais, até que o cume da perfeição possível em cada ciclo particular fosse atingido. Então, a onda em refluxo do tempo trouxe consigo os vestígios do progresso humano, social e intelectual. Os ciclos se sucederam aos ciclos transições imperceptíveis. Nações florescentes e altamente civilizadas cresceram em poder, atingiram o clímax do desenvolvimento, declinaram e extinguiram-se. A humanidade, quando o fim do arco cíclico mais baixo foi atingido, mergulhou na barbárie como no princípio. Reinos desmoronaram e as nações se sucederam às nações, do princípio até os nossos dias, as raças subindo alternadamente aos graus de desenvolvimento mais elevados e descendo até aos mais baixos. Draper observa que não há nenhuma razão para supor que um ciclo se aplique a toda a raça humana. Ao contrário, enquanto o homem numa parte do planeta está em estado de retrogressão, na outra ele pode estar progredindo em conhecimentos e em civilização. Quanto se assemelha a esta teoria a lei do movimento planetário, que força os astros a rodarem sobre seus eixos, os diversos corpos a girarem em torno dos respectivos sóis. E todo o cortejo estelar a seguir um caminho comum em redor de um centro comum. Vida e morte, luz e trevas, dia e noite sucedem-se no planeta, enquanto este gira sobre seu eixo e percorre o círculo zodiacal, que representa os ciclos menores e maiores. Lembrai-vos do axioma hermético: "Em cima como embaixo, no céu como na terra". O senhor Alfred Wallace demonstra com profunda lógica que o desenvolvimento do homem se reflete antes na sua organização mental do que na física. O homem, na concepção desse autor, difere do animal por ser capaz de sofrer grandes transformações nas condições de vida e de todo o meio ambiente. Sem maiores alterações da estrutura e da forma corporal. Ele faz face às modificações de clima com uma alteração correspondente em suas vestes, suas habitações, suas armas e suas ferramentas. Seu corpo pode tornar-se menos cabeludo, mais ereto e de cores e proporções diferentes: o crânio e o rosto estão intimamente associados ao cérebro, por serem o seu intérprete e expressarem os movimentos mais refinados de sua natureza. Só se modificam com o desenvolvimento do intelecto humano. Houve um tempo em que ele ainda havia adquirido este cérebro maravilhosamente desenvolvido, o órgão da mente, que agora, mesmo nos espécimes inferiores, o eleva muito acima dos animais superiores. Uma época em que ele tinha forma, mas não a natureza humana, em que não possuía a linguagem humana nem os sentimentos de simpatia ou morais. Mas adiante, o senhor Wallace diz que "o homem pode ter sido - ou melhor, eu creio que deve ter sido - outrora uma raça homogênea (...) no homem os pêlos que lhe cobrem o corpo desapareceram quase inteiramente". A propósito dos homens da caverna de Les Eyzies, Wallace assinala mais adiante: "A grande extensão da face, o enorme desenvolvimento do ramo ascendente da mandíbula humana (...) indicam um enorme muscular e os hábitos de uma raça brutal e selvagem". Tais são os vestígios que a Antropologia nos fornece dos homens, quando estes chegaram ao térmico de um ciclo ou começaram outro. Vejamos até que ponto eles são confirmados pela psicometria clarividente. O professor Denton submeteu, ao exame de sua esposa um fragmento de osso fossilizado sem dar à senhora. Sem dar qualquer indicação do que era o objeto. Este suscitou-lhe imediatamente retratos do povo e cenas que o professor Denton acreditava pertencerem a Idade da Pedra. Ela viu homens extremamente semelhantes a macacos, com corpo muito peludo e como se o cabelo natural fizesse s vezes de roupas. Duvido que eles possam ficar perfeitamente eretos. As articulações do quadril parecem indicar que não, disse ela. Vejo ocasionalmente uma parte do corpo de um desses seres que parece comparativamente lisa. Posso ver a pele, que é mais branca (...) Não sei se ele pertence ao mesmo período (...) à distância a face parece achatada. A parte inferior é proeminente, eles tem o que suponho que se chamam mandíbulas prognatas. A região frontal da cabeça é baixa e a parte mais baixa é muito proeminente, formando uma saliência redonda em torno da fronte, Imediatamente acima das sobrancelhas (...) Vejo agora um rosto que se parece ao de um ser humano, embora ainda tenha uma aparência simiesca. Todos parecem pertencer à mesma espécie, pois têm braços longos e corpos cabeludos. Aceitem ou não os cientistas a teoria hermética da evolução do homem a partir de naturezas superiores e mais espirituais. Eles próprios nos mostram como a raça progrediu do ponto mais baixo observado ao atual desenvolvimento. Como toda a natureza parece ser feita de analogia, será desarrazoado afirmar que o mesmo desenvolvimento progressivo das formas individuais ocorreu entre os habitantes do universo invisível? Se esses maravilhosos efeitos foram causados pela evolução sobre o nosso pequeno planeta insignificante, produzindo homens pensantes e intuitivos a partir dos tipos superiores da família dos macacos. Porque supor que os ilimitados reinos do espaço são habitados apenas por duplicatas espirituais desses ancestrais cabeludos. De braços longos e pouco pensativos, seus predecessores, e por seus sucessores até nossa época? Naturalmente, as partes espirituais desses membros primitivos da família humana deveriam ser tão bárbaras e tão pouco desenvolvidos quanto os seus corpos físicos. Embora não tenham feito nenhuma tentativa de calcular a duração do "grande ciclo", os filósofos herméticos sustentavam que. De acordo com a lei cíclica, a raça humana viva deve inevitável e coletivamente retornar um dia ao ponto de partida em que o homem foi vestido com "túnicas de pele".  Ou, para expressá-lo mais claramente, a raça humana deverá ser finalmente, de acordo com a lei da evolução, fisicamente espiritualizada. A menos que Darwin e Thomas Huxley (1825-1895) estejam preparados para provar que o homem de nosso século (XIX era da autoria) atingiu, enquanto animal e físico, o cume da perfeição. Que a evolução, por ter atingido o seu ápice, deve deter todo progresso posterior do gênero moderno, o Homo, não vemos como eles possam refutar uma dedução tão lógica. Abraço. Davi


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