segunda-feira, 4 de maio de 2026

CABALA. MITOS E VERDADES - Parte VIII

Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria da Cabala. Por Michel Laitman. CABALA. MITOS E VERDADES. Parte VIII. Preparando o Caminho para o Homem. Pontos principais. Os cinco mundos e o mundo sem fim. A vontade do Criador em nos criar. Adão, Eva, e sua relação com o Criador. Várias pessoas, uma alma, uma correção. Esse capítulo é o coração do livro, o centro da Cabala. Aqui, focamos mais no processo do indivíduo e menos nos níveis, mundos e Partzufim. Quando você o estudar, compreenderá a essência da caminhada Cabalística em direção à espiritualidade, e como a Cabala fornece um caminho para a humanidade corrigir a si mesma para o bem de todos. Cinco mundos e nenhum real. Como mencionamos no Capítulo 7, existem cinco mundos espirituais: Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya. A única coisa verdadeira é o mundo de Ein Sof (Sem Fim). Também explicamos que a palavra Olam (Mundo) vem da palavra Ha'alama (ocultamento). Assim, os mundos são aspectos incompletos do Criador. O único lugar onde Ele está completamente revelado é o mundo de Ein Sof. Onde não há limitações, por isso o nome Ein Sof, sem fim à nossa percepção do Criador. Os Mundo Superior afetam os objetos nos mundos inferiores, pois todos os mundos são basicamente a mesma realidade - aquela de Ein Sof. Por exemplo, se você pensasse em fazer alguma coisa e tivesse certeza que este pensamento se realizaria. Então o seu plano seria vivenciado como se existisse em você, mesmo antes do pensamento ter sido realizado. O nosso corpo conhecesse esse processo muito bem, é por isso que o estômago produz sucos digestivos antes que a comida chegue realmente lá. Nesse sentindo, o pensamento de como é o mundo superior, que cria o mundo inferior onde ocorre a refeição. Mas, em ambos os mundos, o evento (substância) é o mesmo - a refeição. Como o nosso pensamento não é limitado, pode-se dizer que ele está no mundo de Ein Sof. O nosso corpo está num dos mundos inferiores. Lembre-se que, embora a Cabala fale dos mundos espirituais, ela usa exemplos físicos. Como comer, para explicá-los. Embora os exemplos sejam usados par entender como as coisas funcionam na espiritualidade. Não se iluda pensando que existe refeição física, como no último exemplo, na espiritualidade. No topo da escada. Anteriormente, definimos a Cabala como uma sequência de causas e consequências que descem da raiz ao ramo, e cuja finalidade é a revelação do Criador as criaturas. Mas coo os Cabalistas sabem disso? A medida que alcançam o topo da escada espiritual, eles descobrem duas coisas: que a criação é feita de um desejo puro de receber prazer e que o Criador é feito de um desejo puro de dá-lo à criação. Isso levanta outra questão: Se o único desejo do Criador é doar, de onde vem o desejo puro da criação de receber? Os Cabalistas explicam que o Criador teve que nos criar. Caso contrário, Ele não teria ninguém para doar. Este é o princípio de tudo. Igual porém oposto. Os Cabalistas chamam o desejo de "fazer o bem as criaturas" (nós) o pensamento da Criação. Se nos lembrarmos disso, será fácil aprender sabedoria da Cabala. Se eu quero doar, como o Criador, não há nada que possa me limitar. Porque você não pode "trancar" um desejo num determinado local ou tempo. É claro que nós, seres humanos, também somos ilimitados - só queremos receber, e esse desejo é tão ilimitado quanto o desejo de doar. Nesse sentido, somos iguais, porém opostos ao Criador. A nossa orientação é para receber e a Dele é para doar. Outro elemento que se torna mais claro quando compreendemos o pensamento da Criação é por que razão é preciso dar para criar. Quando queremos dar, estamos procurando exteriormente, para ver onde podemos fazer o bem. Mas quando queremos receber, nos concentramos em nós mesmos, e só queremos receber daquilo que já existe. Agora, vamos dar uma olhada nas fases da criação. Um breve relato da criação. A história da criação começou com uma raiz, uma origem (o desejo) Dele em fazer o bem â suas criações, expandindo em quatro fases. Esta é a origem da Árvore da Vida, sua raiz inicial, se assim desejarmos. Na fase 4, a criação restringiu a si mesma, realizando um Tzimtzum, rejeitando toda Luz (prazer) que o Criador quis dar. Tal ato parece contradizer o pensamento da Criação. Porém é um passo necessário para a determinação da criação como uma entidade independente do Criador. A força através da qual a criação parou de receber a Luz é um tipo muito especial de vergonha, a origem de todas as desgraças. Denominada "o pão da vergonha". Os Cabalistas explicam que a vergonha é a força mais poderosa que nos guia. Agora segure firme, porque estamos prestes a mergulhar profundamente no coração do homem: o pão da vergonha é a mãe de todas as vergonhas. É uma experiência como nunca outra neste mundo. É uma sensação de queimadura que tem apenas um nome apropriado para ela: o inferno. Mas não se preocupe, na Cabala nenhum mal vem sem a sua compensação e recompensa logo a seguir. A principal diferença entre a nossa vergonha (mundana) e o pão (espiritual) da vergonha é que. No nosso mundo ficamos envergonhados em não atingir os padrões da sociedade. Na espiritualidade ficamos envergonhados em não atingir os padrões do Criador. Imagine que você subitamente descobrisse que todo o Universo, desde o Big Bang até o final dos tempos, fosse bom, generoso e doador. Parece incrível? Agora imagine que você também descobrisse que existe apenas um elemento nele que é egoísta. Que quer se aproveitar de tudo e de todos. Pois bem, este deve ser o diabo. Agora imagine que você descobrisse que este diabo é você. O que você faria? Certamente, ninguém suportaria isso. Então, para piorar ainda mais, você descobre que o mal não está no seu corpo e sim na sua alma, nos seus desejos. De modo que mesmo você se suicide, você ainda estará no mal. Porque nenhuma arma é capaz de pôr fim a sua alma. Naturalmente, quando você descobrir isso, a última coisa que desejará é continuar a ser você mesmo. A coisa que você mais desejará é ser um doador como o Criador. E no momento que desejar isso, você conseguirá. Agora você já sabe que o Tzimtzum não é uma restrição imposta sobre você. É o resultado do seu próprio esforço em se autoconhecer. É também um acontecimento muito gratificante e prazeroso. Porque é a primeira vez que você tem a capacidade de ser realmente uma outra coisa. Você pode escolher não só entre duas opções neste mundo, mas também entre dois tipos totalmente diferentes de natureza. Quando você escolher um, os seus sentidos lhe mostrarão o nosso mundo. Quando você escolher o outro, os seus sentidos lhe mostrarão o mundo espiritual. Mas você será capaz de escolher entre eles, e até mesmo saltar de um para outro quando quiser. Apenas para o seu prazer. No capítulo 7, explicamos que os mundos, de cima para baixo, são: Adão Kadmon, Atzilut,Beria,Yetzira, e Assiya. Nós também dissemos que cada mundo é formado de cinco elementos interiores chamados Partzufim. Agora vamos falar sobre a forma como eles são feitos e como funcionam. Uma vez que a Fase 4, chamada Malchut, experimentou o pão de vergonha, sua oposição ao Criador. Ela estabeleceu uma condição diante Dele. Se você quer que eu desfrute, conceda-me a capacidade de fazer isso para o seu prazer. Não para o meu, porque eu não consigo desfrutar sendo um egoísta. Assim, o Criador deu a ela a Masach, a tela, para resistir a entrada da luz. Então, ela disse: Obrigado, agora me dê a capacidade de decidir o que receber e o que não receber. Eu sei que eu não posso receber algo e, ao mesmo tempo, ficar pensando no seu prazer. Então, vamos começar com pequenas porções da Luz. Ele também deu a ela essa capacidade. Malchut começou a receber a Luz em cinco categorias primárias. Tal como a Luz visível é feita de três cores básicas - vermelha, verde e azul - a Luz espiritual é feita de cinco Luzes básicas - Nefesh, Ruach, Neshama, Haya e Yehida. Nefesh é a menor e Yechida a maior. Tão logo Malchut recebe a capacidade de separar a Luz em cinco partes, ela começa a receber cada uma delas. Mas somente enquanto pode fazer isso pensando no Criador. Cada vez que ela recebe uma das cinco Luzes, constrói um Partzuf especial para recebê-la. Assim, ela completa a sua capacidade de sentir o Criador num certo nível, explorando as cinco luzes tanto quanto ela consegue fazê-lo sem pensar em si mesma. E, como existem cinco luzes, cada mundo espiritual contém cinco Partzufim. Agora você também compreende por que cada fase é chamada Olam (mundo), que significa ocultamento. Este é o nível no qual Malchut  pode  se beneficiar do prazer do Criador sem pensar em si mesmo. Naturalmente, quanto mais elevado o mundo, maior é a capacidade de Malchut em desfrutar a Luz do Criador. Esta é a grande recompensa que surge ao se atingir o mundo de Ein Sof (Sem Fim) - não há limitações a recepção dos prazeres do Criador. Os operários da construção. Os mundos espirituais têm o que poderia se chamar um mecanismo de ensino construído dentro deles. Eles podem nos ensinar de que forma devemos direcionar o nosso desejo de dar ao Criador. Apesar de funcionarem no "piloto automático", o que significa que eles se desenvolvem como um processo de causa e efeito. O princípio diretor em cada um deles é "Eu não receberei se não for para o Criador". Quando uma pessoa adentra os mundos espirituais, é isso que eles ensinam. Como pensar mais no Criador e menos em si mesmo. Nesse sentido, a relação entre os mundos e a criatura é semelhante a um grupo de trabalhadores da construção ensinando um principiante o que fazer. Eles ensinam cada tarefa demonstrando-a. Pouco a pouco, as criaturas (nós) podem começar a consertar seus desejos. Transformando sua recepção do Criador num ato de doação. Nascem Adão e Eva (e caem). No capítulo 7, dissemos que a última fase (o maior desejo) é conhecer o Pensamento da Criação. Para compreender o Pensamento da Criação, era necessário criar um Partzuf especial. Que existiria num mundo especial, onde este Partzuf poderia estudar o Pensamento da Criação por sua própria escolha. É assim que o Partzuf de Adão ha Rishon foi formado. Embora Adão ha Rishon não tenha nascido no nosso mundo físico, ele foi rapidamente trazido  para cá (ou devemos dizer, caiu aqui), recebendo o nome de Adão. Após a sua missão, para ser Domeh (semelhante) ao Altíssimo, o Criador. Se vocês se estão se perguntando onde está a Eva nesta situação, ela está muito presente. Na Cabala, Adão e Eva são duas partes do mesmo Partzul. Quando os Cabalistas querem enfatizar a recepção neste Partzul, eles se referem a ela como Eva. Quando querem se concentrar na sua capacidade de dar, chamam Adão. Caindo do pecado. Adão nasceu nos mundos de Beria, Yetzira e Assiya, mas foi rapidamente elevado por eles a Atzilut, onde todos os desejos são corrigidos funcionando apenas para dar ao Criador. No mundo de Atzilut. Adão trabalhou (recebeu) com pequenos desejos, aqueles que ele tinha certeza que poderia usar altruisticamente. Com a intenção de dar ao Criador. O Criador disse que ele poderia fazer qualquer coisa, desde que não comesse da Árvore do Conhecimento do bem e do mal. Representando os desejos mais fortes, aqueles que Adão não podia usar com a intenção de dar ao Criador. Neste momento, Adão era considerado sagrado, um santo. Mas ele não tinha conhecimento dos seus próprios desejos não corrigidos. O que Adão não sabia era que ele fora colocado no Jardim do Éden e autorizado a trabalhar com seus pequenos desejos. Apenas como um exemplo de como ele deveria trabalhar com seus desejos mais grosseiros. Assim, quando eles surgiram pela primeira vez, ele não sabia como lidar com eles e pecou. Quando Adão finalmente decidiu tentar receber com a intenção de dar ao Criador, ele falhou, querendo receber para si próprio. Ele descobriu que era completamente egoísta nestes desejos. E essa vergonha fez com que ele se cobrisse. Em termos Cabalísticos, Adão descobriu que estava nu, sem a Masach (tela) para cobrir seus desejos desnudos (egoístas). Mas a espiritualidade é um mecanismo a prova de erro. Sempre que uma correção é feita, não se pode violá-la. Como consequência do erro de Adão, o Tzimtzum foi restituido, e toda a Luz saiu do Partzuf Adão ha Rishon, deixando Adão e Eva fora do Jardim do Eden. No entanto, eles não estavam totalmente sozinhos, eles tinham suas memórias (Reshimot) do estado corrigido e as Reshimot do seu egoísmo. As duas recordações, aparentemente más, são as ferramentas mais valiosas para qualquer pessoa que deseja descobrir o Criador. Corrigindo a relação que existia entre Adão e o Criador, descobrindo a sua glória. O pecado - a saída do mal. Na versão Cabalística, a história do pecado original tem algumas reviravoltas que você pode não saber. Adão recebeu ordens para não comer da Árvore do Conhecimento, de modo que não se confundisse, com desejos que não pudesse lidar. Mas a sua parte feminina, Eva, disse-lhe que se ele comesse, seria capaz de dar ainda mais ao Criador, do que se não comesse. Ela Também tinha razão, porque fazendo isso, ele estaria usando desejos ainda maiores para receber com a intenção de dar ao Criador. Mas o que Eva não sabia era que, para dar ao Criador com esses desejos poderosos. Era preciso ter uma Masach muito forte para lidar com eles. E Adão não tinha isso. Você deve esta justamente se perguntando: Porque o Criador não disse ao Adão que ele não podia lidar com esses desejos? Ele queria que o Adão falhasse? Que tipo de Criador generoso permite que sua criação sofra? Para entender por que razão o Criador fez isso ao Adão, devemos recordar o Pensamento da Criação, sendo isso que o Adão realmente queria. Para ensinar ao Adão sobre seus próprios desejos, o Criador teve que revelá-los a ele. Como podemos expor um desejo a alguém sem deixar que ele experimente o que é sentir aquele desejo? Do ponto de vista do Criador, nenhum mal foi feito pelo pecado de Adão, porque este é apenas mais um passo para ensinar a criação a receber tudo o que Ele pretende dar. O maior dom que o Criador pode nos dar é o seu Pensamento, é isso que Ele tinha para nos mostrar. Agora que temos essa memória em nossas Reshimot podemos começar a nos corrigir e aprender como receber. Pequenas moedas de ouro. O primeiro passa na correção da alma de Adão foi dividi-la em partes "digeríveis". Pequenas porções de desejos que não fossem tão difíceis de corrigir. É por isso que sua alma quebrou em nada menos que 600.000 partes. Ela continuou a quebrar e se despedaçar e hoje temos tantas partes desta alma quanto pessoas na Terra. Sim, você entendeu bem. Somos todos partes da mesma alma. Na mais adiante no livro sobre os aspectos práticos disso. A divisão ocorreu da seguinte forma. Quando todos os desejos em Adão ha Rishon tinham uma intenção comum de dar ao Criador, eles estavam unidos. Quando a intenção nos desejos foi revertida para o propósito de autossatisfação. Cada desejos se sentiu separado dos outros, e a alma comum se dividiu. Todas as almas, portanto, são extensões da alma geral de Adão ha Rishon, literalmente traduzido como "o primeiro Homem". Eis uma alegoria do Baal HaSulam que explica o princípio da divisão. Um rei precisava enviar uma grande quantidade de moedas de ouro a seu filho que vivia no exterior. Ele não tinha mensageiros a quem pudesse confiar uma grande soma. Então, ele dividiu as moedas de ouro e as envio por meio de vários mensageiros. Cada mensageiro decidiu que não valia a pena roubar um lote tão insignificante e o entregou. Quando as moedas chegaram a seu destino, foram reunidas na grande soma original. Da mesma forma, muitas almas, diariamente, podem resgatar os fragmentos após o incidente da maçã. Todas as peças se unem para completar com sucesso a tarefa original de receber toda a Luz com a intenção de dar ao Criador. A nossa função é corrigir as nossas porções individuais, as raízes (origens) das nossas próprias amas. Em Resumo: Existem cinco mundos: Adão Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assiya. Porém o único mundo verdadeiro é Ein Sof. Os nossos desejos são tão fortes quanto os do Criador, mas as nossas intenções são opostas às Dele. Adão e Eva tiveram de ser induzidos ao Pecaso. Adão nasceu nos mundos de Beria, Yetzira e Assiya, elevou-se à Atzilut e depois caiu rapidamente no nosso mundo. Eva é parte feminina do Partzuf Adão ha Rishon. Todas as pessoas são partes da alma comum de Adão ha Rishon. Abraço. Davi.

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