domingo, 9 de abril de 2023

DIREITO CIVIL ISLÂMICO I

 

Islamismo. Texto de Zuhra Mohd El Hanini. NOÇÃO DE DIREITO ISLÂMICO. Capítulo Três. DIREITO CÍVIL ISLÂMICO I. O Casamento – A Sharia estabelece que a união de ambos os sexos é um processo natural estabelecido por Deus para sua criação. Este fato abarca tanto o reino animal como o vegetal. Disse Deus no Alcorão Sagrado: “E que Ele criou (tudo) em pares: o masculino e o feminino” em 53, 45. Também falou em 78,4 “E não vos criamos, acaso, em casais?”. Deus diferenciou o homem do resto dos animais e estabeleceu para ele um sistema de vida de acordo com a sua supremacia, para que preserve sua dignidade e a condição humana. E por isso, instituiu o matrimônio, para que preserve sua dignidade e a condição humana. E por isso, instituiu o matrimônio, para que o homem e a mulher possam unir-se honrada e livremente com a intenção de permanência e assim constituir uma família baseada no amor e respeito mútuo. O casamento é o meio correto, para que as pessoas satisfaçam seus desejos e para a procriação digna, além disse, é uma forma de proteger a mulher e evitar que esta seja tratada como mero objeto de prazer. Deus disse no Alcorão em 30, 21 “Entre os seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com elas convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Por certo que nisto há sinais para os sensatos”. Também em 4,1 se diz; “Ó humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira  e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres”. Vejamos a sabedoria que encerra a legalidade do casamento na Shariah: 1 – O Casamento é a base sobre a qual se constrói uma família sólida. Além disso, é um meio de preservar a dignidade e para evitar o crime da fornicação, uma vez que os cônjuges que se respeitam, amam e são felizes, encontram na vida matrimonial tranquilidade e sossego. 2 – É o meu direito correto para a procriação e multiplicação da descendência. Além disso, protege a genealogia das pessoas das quais surgem os vínculos de parentesco. 3 – É a melhor maneira de satisfazer o desejo sexual e manter relações sem risco de contrair enfermidades. 4 – Contribuir para a formação que é o núcleo da sociedade. A obrigação do homem é trabalhar e procurar o sustento para cobrir com as necessidades básicas do lar, e a da mulher é criar os filhos, encarregar-se de sua casa e harmonizar a vida familiar. Quando se respeitam essas condições, a sociedade mantém-se íntegra. Para que um casamento seja válido é necessário que respeite determinados elementos que compõe o contrato matrimonial, estes são quatro: 1 – Que ambas as partes se encontrem livres de tudo aquilo que impeça a união, como por exemplo, que sejam irmãos de amamentação. 2 – Que exista o  consentimento por parte do tutor da mulher ou seu representante legal de forma expressa e oral. 3 – Que exista a aceitação por parte do homem interessado ou quem o represente legalmente manifestado de forma oral. 4 – Que haja o consentimento da mulher. A Shariah proíbe e considera nulo o contrato de casamento onde a mulher tenha sido coagida a casar com quem não desejava. E toda a mulher que tenha sido desposada contra sua vontade tem o direito de pedir a revogação do contrato matrimonial. É relatado na Sunnah que o Profeta Muhamad anulou alguns contratos matrimoniais devido ao pedido de revogação por parte de algumas mulheres que haviam sido casadas contra sua vontade. As condições fundamentais para a validade do contrato matrimonial no Islam são três: 1 – A Determinação da identidade dos contraentes. 2 – O Consentimento de ambas as partes. 3 – A presença do representante legal da mulher. Este deve ser um homem maior de idade e capaz perante a lei e que professe a mesma religião de quem representa. Geralmente quem desempenha essa função é o pai, pois é quem mais tem direito de representa-la, na falta deste será quem este designou como seu representante, na falta deste será seu avô paterno, na falta deste será seu filho (no caso da viúva ou divorciada), na falta deste será seu irmão, seu tio paterno, ou então o familiar mais próximo. Caso não haja nenhum destes, será representada pela autoridade competente. Se o representante legal da mulher se opõe ao casamento sem causa justificada, então esta deverá ser representada por quem lhe siga na ordem legal estabelecida. O contrato matrimonial celebrado sem representante legal da mulher é nulo. Vale ressaltar que esta exigência é estabelecida pelo Alcorão como proteção à mulher e à sua honra. 4 – A presença de testemunhas homens que sejam honestos e capazes perante a lei. 5 – A inexistência de todo impedimento que invalide o contrato, como por exemplo, que estes estejam unidos por vínculos sanguíneos. As partes contraentes poderão estipular cláusulas no contrato que deverão ser respeitadas por ambas as partes, desde que estas cláusulas não caracterizem um ilícito proibido pela Shariah. No caso do não cumprimento de tais cláusulas, qualquer das partes poderá postular a revogação do contrato. Quanto às pessoas proibidas, de se contrair casamento, de forma permanente, o Alcorão Sagrado enumera em 4, 23-24. “Está-vos vedado casar com vossas mães, vossas filhas, vossas irmãs, vossas tias paternas e maternas, vossas sobrinhas, vossas nutrizes, vossas irmãs de leite, vossas sogras, vossas enteadas, as que estão sob vossa tutela – filhas das mulheres com quem tenhais coabitado; porém, se não houverdes tido relações com elas, não sereis recriminados por desposá-las. Também vos está vedado casar com as vossas noras, esposas dos vossos filhos carnais, bem como unir-vos, em matrimônio, com duas irmãs – salvo fato consumado, anteriormente; sabei que Deus é indulgente, misericordiosíssimo. Também vos está vedado desposar as mulheres casadas”. Estas pessoas dividem-se em três grupos: 1 – Aquelas cuja proibição é deriva dos laços sanguíneos. Estão são : a mãe e seus ascendentes, a filha e seus descendestes, a irmã, a tia materna, a tia paterna, a sobrinha por parte do irmão, a sobrinha por parte da irmã. Em geral, está proibido o casamento com qualquer pessoa com quem se tem um vínculo sanguíneo, com exceção dos primos. 2 -  Aquelas cujas proibição deriva dos laços que surgem pela amamentação. Todas as mulheres com as que estão proibidas de casar devido à consanguinidade, estão também proibidas, pelo vínculo que gera a amamentação. Para que ocorra esta proibição, a amamentação deve ter ocorrido dentro dos dois primeiros anos de vida do bebê e reiterar-se pelo menos cinco vezes. 3 – Aquelas cuja proibição deriva dos laços de afinidade, estão são: a sogra, a filha da esposa com outro homem em casamento anterior, a esposa do pai e a nora. Vale ressaltar que as pessoas acima enumeradas estão vedadas quanto ao casamento de forma definitiva e permanente. Vejamos agora as mulheres com as quais não se pode consumar o casamento de forma temporária, enquanto subsista o impedimento, estas são as seguintes: 1 – Um homem não pode estar casado ao mesmo tempo com duas irmãs, nem com uma mulher e sua tia paterna ou materna, seja por vínculo de sangue ou de amamentação. Se o homem ficar viúvo ou se divorciar, então poderá desposar aquela que até então lhe estava proibida por esta razão. 2 – A mulher que se encontra no seu período de espera obrigatório para poder contrair novo matrimônio nos casos de divórcio e viuvez até que tal período se finalize. No caso da divorciada o período é de três meses e no caso da viúva é de quatro meses e dez dias. 3 – A mulher que o homem tenha se divorciado, até que esta case novamente com outro homem e se divorcie. Exemplo: “A” se divorcia de “B”, se “A” quiser casar-se novamente com “B” estará impedido até que “B” case-se com outro homem e deste se divorcie, então desta forma será permitido “A” casar com “B” novamente. Isso será abordado quando falarmos do divórcio. 4 – A mulher que estiver  em estado de “Ihram” para a peregrinação à Meca (Makka – Hajj), até que termine os ritos da peregrinação e saia deste estado. 5 – A mulher muçulmana está proibida para o não muçulmano até que aceite o Islam. 6 – A mulher não muçulmana, exceto que seja do povo do livro (cristã ou judia), está proibida para o homem muçulmano, até que aceite o Islam. 7 – A mulher de outro homem, ou a que esteja ligada ainda ligada a este por estar no período de espera obrigatório para ser divorciada definitivamente, e poder contrair novo matrimônio. O dote – O Islam elevou a posição da mulher e lhe permitiu fazer valer seus direitos na hora de ser desposada. Por isso, a Shariah estabelece que a mulher tem o direito de receber um dote como maneira de honrá-la, agradá-la, conceder-lhe a segurança do compromisso, e além de tudo deixar claro a obrigação do homem de mantê-la e sustenta-la. O dote trata-se de um direito da mulher, e ninguém pode dispor de seu dote sem sua autorização. Disse Deus no Alcorão em 4,4 “Concedei os dotes que pertencem à mulheres e, se for da vontade delas conceder-vos algo, desfrutai-o com bom proveito”. Quanto ao valor do dote não há estipulação na Shariah. Isso dependerá das partes e da condição social do homem. Está vedada a estipulação de dotes com valores exagerados que levem o homem a endividar-se para cumprir com o dote.  O estipulado na Sunnah é que os dotes sejam de valor moderado, para desta forma facilitar o casamento e não colocar empecilhos quanto à sua consumação. Casamento entre não muçulmanos no Estado Islâmico: Até aqui analisamos o casamento no Islam quanto ao que se refere ao casamento entre os muçulmanos. Cabe salientar e abordar a questão de que o Estado Islâmico reconhece o casamento celebrado entre não muçulmanos residentes em seu território. Para que um casamento entre não muçulmanos seja convalidado no Estado Islâmico, deverá cumprir com as seguintes condições: 1 – Que o contrato matrimonial seja válido em sua religião. Que os conjugues não levem aos juízes muçulmanos nenhuma demanda com relação à validade do contrato, pois desta forma será julgado conforme a legislação islâmica. Vejamos que, como falamos anteriormente aos tratarmos dos direitos dos não muçulmanos num Estado Islâmico, os não muçulmanos tem direitos de criarem tribunais que tratem dos assuntos civis tal como prescrito em suas religiões, portanto se for apresentado a um tribunal muçulmano será julgado conforme a Shariah. Se os contraentes decidem realizar o casamento no Estado Islâmico, o contrato será celebrado segundo a Shariah, ou seja, com a manifestação de aceitação de ambos os cônjuges, a presença do representante legal da mulher e as duas testemunhas. Mas se apresentarem-se já casados perante o Estado, o contrato será convalidado com a condição que a mulher seja lícita para  o homem, ou seja, que as proibições da Shariah, como por exemplo: mãe, filha, tia, etc. Com relação ao dote da mulher não muçulmana, será válido se o que havia sido convencionado já tenha sido percebido pela mulher, mesmo que seja um objeto que contenha algo considerado ilícito pela Shariah, como por exemplo, bebida alcoólica. Mas se a mulher não tiver ainda em posse do dote, ela somente terá direito a este se o que foi convencionado é considerado lícito pela Shariah. Direito e deveres dos cônjuges: O contrato matrimonial gera obrigações recíprocas entre os cônjuges e seu cumprimento garante a boa convivência e o fortalecimento dos laços familiares. Disse Deus no Alcorão em 4,19 “E harmonizai-vos entre elas, pois se as menosprezardes, podereis estar depreciando seres que Deus dotou de muitas virtudes”. Dentre as obrigações do homem com relação à mulher, estipulados pela Shariah, estão a de sustenta-la e mantê-la, bem como à sua família, economicamente, proporcionando-lhes alimento, vestimenta e suprir suas necessidades. Além disso, o marido deve ser tolerante, companheiro, solidário na convivência, deve trata-la com amabilidade, ser carinhoso, deve ser paciente diante da impaciência da esposa, deve preocupar-se com a sua saúde, ajuda-la nos afazeres da casa, exortar-lhe que cumpra com suas obrigações religiosas e se afaste dos pecados, ensiná-la o que ela ignorar da religião, não impor-lhe cargas superiores ao que ela possa suportar, proteger a honra e a dignidade de sua família. É vedado ao homem agredir, depreciar ou ignorar sua esposa. Disse o Profeta Muhamad: “O crente mais íntegro é aquele que demonstra melhor caráter e de melhor moralidade. E o melhor dentre vós é aquele que melhor trata sua esposa e o que é melhor para com sua esposa”. Dentre as obrigações da mulher com relação ao seu marido está a atenção para com seu esposo, a organização e preservação do lar, a educação dos filhos, aconselhar seu esposo, proteger a dignidade e os bens de seu marido, recebe-lo com agrado e cordialidade, motivá-lo, trata-lo amavelmente, guardar seus segredos, cuidar da integridade moral de seu lar, preocupar-se pela sua saúde. Também cabe a mulher obediência ao seu marido naquilo que não implique em desobediência a Deus. A mulher cumpre com um rol muito importante dentro do lar, beneficiando sua família e a sociedade, não sendo suas funções menos importantes que as que o marido realiza fora do lar. Poligamia. O Islam permitiu a instituição da poligamia, onde um homem pode ter como limite máximo quatro esposas. Disse Deus no Alcorão Sagrado em 4,3 “Se temerdes ser injustos no trato com os órfãos, podereis desposar duas, três ou quatro das que vos aprouver, entre as mulheres. Mas, se temerdes não poder ser equitativos para com elas, casai, então, com uma só”. A partir deste versículo, verificamos que a poligamia no Islam trata-se de uma lei de emergência, ou seja, excepcional, não representando qualquer princípio fundamental da lei islâmica. A base principal do matrimônio é a monogamia. Ocorre, porém, que determinadas situações em que a monogamia pode acabar tornando-se uma opressão. Isso porque há lugares e épocas em que razões morais e sociais compelem para a poligamia. Como o versículo do Alcorão acima indica, a questão da poligamia no Islam pode ser entendida como parte das obrigações da comunidade com relação aos órfãos e viúvas. Principalmente durante as guerras, ocorre um grande desequilíbrio no número de homens e mulheres, e devido a isso, acaba-se tendo um saldo enorme de viúvas e órfãos. Além disso, em muitas sociedades humanas, as mulheres superam os homens em quantidade. O que uma sociedade deve fazer para resolver esse desequilíbrio? Dentre as soluções, alguns podem sugerir o celibato, outros preferem a infanticídio feminino (que ainda acontece no mundo de hoje em alguns lugares), outros, podem achar que a única saída é a sociedade tolerar todas as formas de permissividade sexual: prostituição, sexo fora do casamento, homossexualismo, etc. Já o Islam, encontra a saída mais honrosa e justa que é permitir o casamento poligâmico, como uma instituição culturalmente aceita e socialmente respeitada. O que é exigido pelo Islam como premissa para que seja permitido a um homem que case com mais de uma esposa é o tratamento com igualdade plena entre as esposas, garantindo-lhes seus direitos, sustentando-as, e concedendo a cada uma delas moradia individual, alimentação e todos os demais direitos da esposa, e dos filhos que será perfeitamente reconhecidos. Deve-se acrescentar  que a poligamia no Islam é questão de consenso mútuo. Ninguém pode forçar a mulher a se casar com um homem casado, e a primeira esposa, se assim desejar, poderá divorciar-se ou revogar o contrato nupcial se havia estipulado que este não poderia casar- novamente. Vejamos que nas sociedades ocidentais a poligamia é considerada ilegal, ainda que com livre consentimento da primeira esposa, por outro lado, o adultério, é perfeitamente legitimado. Qual é a sabedoria legal por detrás de tal contradição? A lei foi feita para premiar a decepção e punir a honestidade? A esse respeito, o Islam é fundamentalmente uma religião honesta, que permite a um muçulmano se casar uma segunda vez se for uma necessidade social. Mas proíbe rigorosamente todas as associações clandestinas, condenando o adultério e a fornicação, a fim de salvaguardar a probidade moral da comunidade. Pode-se dizer que o número de casamentos poligâmicos no mundo é muito menor do que o de casos extraconjugais no Ocidente. Dessa forma, verificamos que o Islam permitiu a poligamia como uma solução para os males sociais, em proteção especial da estrutura familiar, dos órfãos e das mulheres. Divórcio. Como vimos, ao tratarmos do casamento, Deus estabeleceu o matrimônio para que um homem e uma mulher possam compartilhar uma vida juntos, formar uma família baseada no amor e na tolerância, protegerem-se mutuamente de incorrer no pecado, ter filhos e satisfazerem seus desejos. Quando esta essência ou se distorce e existe uma má disposição de um dos cônjuges ou quando surge problemas entre ambos, a convivência se torna insustentável ou exista outro motivo que leve a conflitos incessantes e discussões diárias, a vida matrimonial acaba por se tornar prejudicial para um ou ambos os cônjuges, e se torna permitido o divórcio, pois Deus legalizou-o como misericórdia para aqueles que chegam a esta situação extrema e não encontram outra saída. Deus disse no Alcorão em 65,1 “O Profeta, quando vos divorciardes das vossas mulheres, divorciai-vos delas em seus períodos prescritos e contai exatamente tais períodos e temei a Deus, vosso Senhor”. O Islam permite o divórcio quando for uma necessidade em circunstâncias onde o casamento já não esteja cumprindo seu papel de trazer a felicidade comum do casal, nesse caso o divórcio é permitido, mas vale ressaltar que deve ser a última decisão a ser tomada, depois da tentativa de reconciliação de diversas maneiras. O Profeta Muhamad disse: “De todas as coisas legais, a mais abominável  para Deus é o divórcio”. Antes da decisão do divórcio, deverá ser tentada a reconciliação entre as partes, por meio de um árbitro da família do marido e um da família da esposa. Disse Deus no Alcorão em 4,35 “E se temerdes desacordo entre ambos, esposo e esposa, apelai para um árbitro da família dele e outro da dela. Se ambos desejarem reconciliar-se, Deus reconciliará, porque é Sapiente, Inteiradíssimo”. Se após isso, as partes ainda insistirem em dar continuação à ideia de divórcio, este poderá se efetuar de maneira unilateral ou por consenso mútuo do casal. No caso do divórcio unilateral, se for iniciado pelo marido chama-se Talaq e se for requerido pela esposa chama-se Khul’a. No caso do divórcio iniciado pelo marido, este será basicamente uma questão de marido e mulher, sem intervenção judicial. A Shariah estabelece que o talaq deve ser pronunciado três vezes com um intervalo de um mês cada anúncio. Cada um desses pronunciamentos deve ser realizado fora do período menstrual da esposa. Esse período de espera de três meses, chamado pela Shariah de “idaah”, tem o objetivo de induzir a reconciliação e também para verificar se há gravidez ou não. Disse Deus no Alcorão Sagrado em 65,1 “Ó Profeta, quando vos divorciar das vossas mulheres, divorciai-vos delas em seus períodos prescritos e contai exatamente tais períodos e temei a Deus, vosso Senhor”. O divórcio será revogável se o marido houver pronunciado uma só vez ou duas vezes a intenção de divorciar-se, nesses casos não haverá inconveniente se as partes se reconciliarem, e o marido desistir do divórcio. Disse Deus no Alcorão Sagrado em 2,229 “O divórcio revogável só poderá ser efetuado duas vezes. Depois, tereis de conservá-las convosco dignamente ou separar-vos com benevolência. Está-vos vedado tirar-lhes algo de tudo quanto lhes haveis dotado, a menos que ambos temam contrariar as leis de Deus. Se temerdes (vós juízes) que ambos contrariem, não serão recriminados, se ela der algo pela vossa liberdade. Tais são os limites de Deus, não os ultrapasses, pois aqueles que os ultrapassarem serão iníquos”. No entanto, se o divórcio for pronunciado expressamente pelo marido as três vezes nos três meses, então ocorre o divórcio irrevogável, ou seja, as partes não poderão voltar a contrair matrimonio exceto que a esposa se case com outro homem e também se divorcie deste de forma espontânea e não com o objetivo de voltar a casar com o primeiro. Assim diz o Sagrado Alcorão em 2,230 “ Porém, se ele se divorciar irrevogavelmente dela, não lhe será permitido toma-la de novo por esposa legal até que se tenha casado com outro e também se tenha divorciado deste; não serão censurados se se reconciliarem, desde que sintam que poderão observar as leis de Deus. Tais são os limites de Deus, que ele elucida para os sensatos”. Também em 65,2 “Todavia, quando tiverem cumprido o seu término prefixado, tomai-as em termos equitativos ou separai-vos delas, em termos equitativos. Em ambos os casos fazei-o ante testemunhas equitativas, dentre vós, e justificai o testemunho ante Deus, com o qual se exorta quem crê em Deus e no Dia do Juízo Final”. Com relação ao período de espera para que o divórcio se consume é em regra de três menstruações, no caso das mulheres que tiverem na menopausa o período será de três meses, já no caso da mulher estar grávida, o período será até que esta tenha dado à luz. Disse Deus no Alcorão em 2,228 “As divorciadas aguardarão três menstruações”. Em 65,2 também é dito “Quanto àquelas, das vossas mulheres, que tiverem chegado à menopausa, se tiverdes dúvida quanto a isso, o seu período prescrito será de três meses, o mesmo se diga, com respeito àquelas que ainda não tiverem chegado a tal condição, e, quanto as grávidas, o seu período estará terminado quando derem a luz”. Vale ressaltar que durante o período de espera (Idaah) a mulher deverá permanecer em sua casa e o marido é obrigado a alimentar, vestir e abrigar a esposa, até o termino do prazo, isto é revelado no Alcorão em 65,6 “Instalai-as (as divorciadas) onde habitais, segundo os vossos recursos, e não as molesteis, para criar-lhes dificuldades. Se estiverem grávidas, mantende-as, até que tenham dado à luz. Se amamentam os filhos, pagai-lhes a sua recompensa e consultai-vos cordialmente”. No caso, onde o marido toma a iniciativa do processo de divórcio, não lhe é permitido exigir de volta qualquer dos presentes ou o dote que tenha presenteado a esposa, conforme o Alcorão Sagrado em 4,20-21 “Se desejardes trocar da esposa, tendo-a dotado com um quintal, não lhe diminuais em nada. Tomá-lo-eis de volta, com uma falsa imputação e um delito flagrante? E como podeis toma-lo de volta depois de haverdes convivido com elas íntima e mutuamente, se elas tiveram, de vós, um compromisso solene?”. Não é permitido ao marido, reconciliar-se com a esposa com o intuito de injuriá-la ou injustiçar, sendo isso considerado pela Shariah como “zombar dos versículos de Deus”, ou seja, um grave pecado. Disse Deus no Alcorão em 2,231 “Quando vos divorciardes das mulheres, ao terem elas cumprido o seu período prefixado, tomai-as de volta equitativamente, ou liberta-as equitativamente. Não as tomeis de volta com o intuito de injuriá-las, injustamente, porque quem tal fizer condenar-se-á. Não zombeis dos versículos de Deus e recordai-vos das suas mercês para convosco e de quanto vos revelou no Livro, com sabedoria, mediante o qual vos exorta. Temei a Deus e sabei que Deus é Onisciente”. No caso da consumação do divórcio, em regra, as crianças jovens permanecem na custódia da mãe. Porém, o pai tem que prover o custo de manutenção e sustento delas. A mulher também tem o direito de tomar a iniciativa no processo de divórcio pedindo ao seu marido que a divorcie mediante restituição do dote ou do equivalente em dinheiro, ou então mediante intervenção judicial quando esta se vê prejudicada em seu matrimonio. Esse tipo de divórcio é chamado Khul’a. Da mesma forma que o homem, a mulher deve ter sérias razões para pedir o divórcio. Existem várias causas que poderão leva-la a recorrer ao divórcio tais como: a falta de manutenção digna por parte do marido, o maltrato, que este tenha-se ausentado por um longo período, que a convivência seja insuportável, que este sofra de uma enfermidade, como por exemplo, seja estéril, impotente ou sofra de alguma doença infectocontagiosa. O fundamento para a permissibilidade de a mulher pedir o divórcio, encontra-se na Sunnah, onde relata-se que uma mulher se apresentou perante o Profeta Muhamad apud Hashimi e lhe disse, a respeito de seu marido: “Oh Mensageiro de Allah, não culpo Thabit Ibn Qais (seu marido) por seu caráter ou sua religiosidade, mas temo comportar-me erroneamente, não cumprindo com seus direitos. Então o Profeta Muhamad lhe perguntou: Estás disposta a devolver-lhe o pomar que ganhaste como dote? Ela disse: Sim! Então o Profeta Muhamad disse a Thabit: Aceite o pomar e divorcie-se dela definitivamente”. Na Sunnah, também encontramos a história de uma escrava muçulmana cujo nome era “Barirah” e que foi forçada por seu amo, que não era muçulmano, a casar-se com um escravo. Aisha, esposa do Profeta Muhamad, comprou dita escrava e a libertou da escravidão. Ocorre que após sua liberdade, a escrava pediu divórcio a seu marido. Este, por sua vez, não queria divorciar-se dela, e a perseguia chorando e implorando que ela desistisse do divórcio. O Profeta Muhamad ao ver esta situação, dirigiu-se a Barirah e disse-lhe: “Por que não regressas com ele?” Ela respondeu: “Oh Mensageiro de Deus, acaso estás ordenando-me a fazer isso?” Ele respondeu: “Não, estou tratando somente de interceder a favor da conciliação”. Ela respondeu: “pois, não tenho interesse nele”. E o divórcio foi consumado. É interessante notar, que o Islam já garantia o direito ao divórcio a ambos os cônjuges há quinze séculos, enquanto que na Europa esse direito foi introduzido muito mais tarde, e no Brasil só através da Lei 6.515 promulgado em 26 de dezembro de 1977. Por fim, é permitido à mulher, após transcorrido o período de espera (Idaah) e consumado o divórcio, casar-se novamente com quem ela desejar, desde que respeite as regras islâmicas quanto ao casamento, não havendo nenhuma objeção quanto a isso. Universidade da Região da Campanha. Campus do Curso de Direito. Bagé – RS – Brasil. Abraço. Davi.

 

sexta-feira, 7 de abril de 2023

O SENTIMENTO UNIVERSAL DA PÁSCOA

 

Editor do Mosaico. O SENTIMENTO UNIVERSAL DA PÁSCOA. Comemoramos no cristianismo em (10/04/2023) o Domingo de Páscoa. Momento de confraternização familiar. Muitos parentes reúnem-se para almoçarem juntos ou dependendo de circunstâncias jantarem. Esse sentimento vem com a tradição judaico-cristã, no caso de nosso país, o Brasil. Apesar de oficialmente laico, tem arraigado em sua cultura a religião católica, e quase igualando em números os protestantes de várias tendência e facções. Sendo um evento espiritual contido nas três religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo) a Páscoa reveste-se de importância fundamental. Quando pensamos na integração de filosofias e espiritualidades do mundo em que estamos incluídos. Essa é a proposta do Mosaico, valorizar todas as correntes do pensamento religioso universal. Reconhecendo em cada uma sua peculiaridade e particularidade como motivos de complementariedade para ajustar e reparar as diferenças. Harmonizando e sintonizando a cultura exotérica de cada povo. Aparentemente uma sugestão ousada, mas a semente do entendimento humano precisa ser lançada em todas as direções. Assim, um dia, veremos os frutos desse laborar universal mesmo que seja em posteriores renascimentos. Três palavras (Pessach, Ashura e Páscoa) têm semelhantes significados. Todavia com simbolismos e compreensões diferentes. Dentre as religiões aludidas acima, não há dúvida que o judaísmo é a origem dessa tradição. Tudo começou com o patriarca Jacó, que desceu para o Egito, segundo as escrituras com 70 almas, por volta de 1300 AC. Os descendentes do primeiro patriarca hebreu, Abraão, estiveram nesse país como escravos por aproximadamente 430 anos. Saindo posteriormente, conforme Êxodo 12 em quantidade estipulada de mais de 2 milhões de pessoas contando mulheres e crianças. Sendo que o texto sagrado menciona 600 mil homens como visto em Êxodo 12,37 "Assim partiram os filhos de Israel de Remesses para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homem, sem contar os meninos". Esse trecho bíblico narra a saída do povo de Israel do cativeiro no Egito. Êxodo 12: 3. "Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez desse mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. 4. "Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número dos almas: cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme o cordeiro.". 5. "O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras". 7. "E tomarão do sangue, e colocarão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem". 8. "E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos com ervas amargas a comerão". 11. "Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente, está é a Pessach – Páscoa – do Senhor". Os judeus têm toda uma tradição espiritual em relação a esse evento. Sendo uma refeição ritualística preceituada no Talmud escrito e oral, de igual modo, na Torá escrita e oral. Não detalharemos os pormenores, mas é bom saber, que nas famílias o pai ou responsável, deve conhecer esse mandamento para celebrar conforme está ordenado. Eles comem na Pessach – o cordeiro, as ervas amargas e o pão sem fermento. Além de tomarem vinho, e outros ingrediente usados hoje, relembrando tudo que D'us realizou por eles. Como a milagrosa saída do Egito, o livramento de seus primogênitos que não pereceram pelas mãos do anjo da morte, ao obedecerem a ordenança de mancharem, tingirem, com sangue os umbrais das portas. Eles têm um sentimento, que individualmente todo judeu é um servo de D'us durante toda sua vida. O cordeiro entre eles não é símbolo do Messias, nem de Jesus, mas cada judeu, na condição de filho deve assumir com seu Criador um pacto de vida e morte. Colocando-se à disposição do Todo Poderoso desde seu primeiro suspiro ao último. O sentido da Pessach é passagem, denotando que, os judeus seriam sempre peregrinos no mundo. Um período de vida na terra com um intervalo de tempo intercalado entre cidades, nações e continentes variados. Encontrariam convivências em diversas culturas e tradições, passando por momentos de cordeiro assado em família. Ervas amargas em muitas situações de perseguições e mortes. Tendo a restrição da fome gustativa do pão sem fermento em muitas ocasiões. Seriam bem recebidos em alguns lugares, mas em outros discriminados. Os judeus têm um sentimento nacionalista de autopreservação, e um "medo" coletivo, quando necessário há fuga à retirada eminente, indo para outras Terras. A comunidade dos judeus messiânicos celebra a Pessach, páscoa, de maneira mais livre. Sem um dogmatismo litúrgico, e como os cristãos vendo no cordeiro a figura de Yeshua (Jesus), como um ser divino, o Filho encarnado de Deus. Mas a grande maioria dos judeus conservadores, liberais, ortodoxos e ultra ortodoxos não creem que Jesus é o Cristo o filho do Deus Vivo. Tendo-o como um profeta, assim, como os demais patriarcas Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué e Arão que formaram o povo Judeus em seus primórdios. Os judeus celebram a Pessach em 15 e 16 de Nissan ou 15 e 16 do mês de abril, estando atualmente no ano religioso de 5783. Os muçulmanos também têm sua Páscoa, porém para eles, o evento tem um significado diferente que o dos cristãos. Acontece em outra data, a comemoração é chamada de Ashura. Celebra a libertação dos escravos israelitas do Egito, sendo feita no 10º dia de Muharram, o primeiro mês do ano no calendário lunar, que será em outubro. Segundo o professor universitário Said Mounsif, Iman da comunidade muçulmana no Pará – Brasil. o Islã pregado pelo profeta Muhhamad, em árabe mesmo, já que o nome "Maomé" é considerado uma referência pejorativa. Surgida no período das cruzadas, era a mesma religião pregada pelos profetas mencionados na Torá e na Bíblia. Quando o Profeta Muhhamad (570-632) chegou em Medina - Arábia Saudita, encontrou a comunidade judaica jejuando na Pessach. Ele perguntou: que festa é esta que o judaísmo está fazendo? E a resposta dos companheiros foi, que era o dia da saída dos Hebreus do Egito. Ele disse, vamos fazer deste dia nosso também. Porque o Islã honra o Profeta Moisés, e os patriarcas, explica Mounsif. Para os fiéis do islamismo, porém, existe uma divergência com o que aconteceu com Jesus. Enquanto os cristãos celebram sua ressurreição como o principal milagre da igreja, os muçulmanos acreditam que Cristo não morreu. Após a última ceia, o profeta Jesus teria sido arrebatado, indo ao reino dos céus sem ser submetido ao calvário da crucificação.  No islã, Muhhamad e Jesus são profetas de Aláh. Mounsif continua explicando: para nós, muçulmanos, os dias que antecedem a Páscoa não trazem qualquer significado especial espiritual, pois não cremos em sua morte e por consequência em sua ressurreição. Uma vez que só ressuscita ou volta a vida, aquele que morreu, pondera o Iman. Ainda assim, Mounsif incentiva muçulmanos convertidos a não perderem o contato com suas famílias de outras religiões durante a comemoração da Páscoa cristã. Mesmo que não participem de missas e outros eventos religiosos. Os muçulmanos têm parentes e famílias cristãs, evangélicas, católicas. Então eles devem participar da festa que não pode ser desprezada ou eliminada. A família, quando se reúne, é uma felicidade para a comunidade muçulmana ratifica Mounsif. Nós cristão, pelo menos minimamente, em nossa experiência, conhecemos o conceito da Páscoa. Advindo dos ensinos bíblicos adquiridos desde criança nos catecismos, nas escolas dominicais ou retiros infantis. Onde tomávamos lições das principais doutrinas das Escrituras Cristãs. Aprendemos, que a última ceia que Jesus comemorou com seus discípulos representava, em relação a ele ser judeu, a instituição de um novo mandamento. Não mais como o modelo antigo do cordeiro sendo a refeição principal à família judaica, mas agora, os cristãos celebrariam sua morte e ressurreição. Prefigurando seu triunfo sobre a condição espiritual proveniente do velho judaísmo. Desse modo, os discípulos e seguidores, também, após a conversão e batismo nas águas, seriam, pós mortem introduzidos no reino do Pai Celestial. Poderíamos entrar em questões teológicas que suscitariam longos argumentos para explicarmos, e, penso, que não devemos enviesar nesse caminho, para não corrermos o risco de embaraços. Mas como cristãos temos inúmeros problemas retóricos e dogmáticos. Como exemplo, algumas facções cristãs, não aceitam a divindade de Jesus, os Testemunhas de Jeováh, que inclusive tem uma hipótese, que Jesus não morreu em uma cruz, como recorrentemente é ensinado pela teologia ortodoxa. Porém, foi pregado em uma estaca. Também, os Adventistas do 7º Dia reconhecem em seus ensinos exotéricos, a ordenança do mandamento do sábado, como requisito para fazer parte dos 144 mil que entrarão na Nova Jerusalém. Um grupo especial de cristãos que reinarão com Cristo, no plano espiritual invisível. Sendo os governantes de países, cidades e logradouros no mundo inteiro. Os demais cristãos estarão incluídos, numa esfera visível, no milênio, os mil anos em que Cristo reinará junto as nações da terra. Temos costume nas igrejas, principalmente protestantes, de diminuir a importância da Páscoa e aumentar o valor da Ceia do Senhor. Muitos cristãos dizem que a Páscoa representa a velha aliança realizada por Deus com seu povo no deserto. Todavia hoje temos a Nova Aliança simbolizada pelo sacramento do pão e vinho místicos, tipificando o corpo e o sangue de Jesus vertido na cruz do calvário para a salvação da humanidade. Esse segundo aspecto sim, é prevalecente, em nossa experiência com Deus. Mas devemos perceber que cada perspectiva da doutrina, nesse particular, tem relevância específica num pormenor da experiência de cada indivíduo em sua cultura espiritual. Não existe, penso, esse conceito de um ensino sobrepor-se ao outro como melhor ou pior, pois é notório, que as idiossincrasias devem ser mantidas representando aspectos da verdade de cada tradição religiosa.   Fica claro que o cristianismo das três religiões mencionadas aqui, é a única que tenta ter primazia quando citamos os dogmas e crenças relacionados a espiritualidade. Isso cria um entrave para podermos compreender e aceitar outras proposições, que não sejam necessariamente, concordante com aquilo que pensamos. Mateus 26: 26. "E, quando comiam, tomou Jesus o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isso é o meu corpo". 27. "E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lhe, dizendo: Bebei dele todos". 28. "Por isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados". 29. "E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia que o beba novo no reino de meu Pai". Páscoa, um tema tão nobre e rico em simbolismo espiritual na tradição judaico-cristã. Passa hoje, no mundo Ocidental, a fazer parte do racionalismo materialista da pós-modernidade, reduzindo seu valor ao consumismo social capitalista.  É espantoso que muitos cristãos assumiram a postura comercial e utilitarista dum ensino tão precioso como este. Cooperamos com a liberdade de mercado lucrativa ao adulterar com tipos das figuras de coelhos, "ovos" de Páscoa, presentear chocolates para amigos ocultos com representações conscientes nas reuniões familiares. Estereotipando o verdadeiro símbolo místico. Esses são a família, o cordeiro, os pães ázimos, as ervas amargas, a água e o fogo que o texto bíblico nos faz ponderar. Nestes dias, suponho, ser recomendável voltarmos para uma visão espiritual e interior do verdadeiro sentido cristão da Páscoa. Tentarei trazer luz nessa rica alegoria que precedeu a saída do povo hebreu do Egito. Usarei o texto acima de Êxodo 12:5,7-1. I. Lombos cingidos, sapatos nos pés e cajado na mão. Entendo como nossa responsabilidade em percorrer a senda espiritual. A ideia de que nossa humanidade será testada ao extremo pelo "caminho estreito e a porta apertada", em Mateus 7,14. As provações nos virão, neste mundo tipificado pelo "deserto" com serpentes e escorpiões. Montanhas, escassez d'água e alimento. Frio, calor, miragens, desejo de retornar ao velho Egito. Desentendimentos, espreita dos inimigos; por incrível que pareça, todos, instrumentos para nos elevar ao Divino. II. O cordeiro como representação do Cristo, deveria ser perfeito e imaculado. Sua morte redentora e vicária, substitutiva, forneceria a satisfação e alegria dos filhos de Deus como famílias da Terra. Ele foi sacrificado "a tarde" no monte Gólgota ou Caveira, assumindo nossa culpa e inumeráveis pecados. Seu sangue cobriu nossas transgressões, quitando nossa impagável dívida e nos reconciliando com Deus. III. A família reunida teria o cordeiro como o prato principal, que promoveria uma solene refeição. Não era mais uma, mas a última numa Terra estranha na qual estiveram vivendo por mais de quatrocentos anos; tendo esperança de um dia partir para a Terra da Promessa. IV. O fogo lembra carne assada, o doloroso e sofrido injúria, vergonha, humilhação, insulto, ofensa e injúria pela qual o Cristo passou para promover nossa salvação. Também a purificação pela provação, muitas vezes nos tornando cinzas para ressurgirmos do pó, tal como o pássaro mitológico phenix. V. A água traz a ideia da purificação interior e a finalização de um processo para entrar num estágio mais elevado de espiritualidade, ascensão. Seu batismo é exemplo desse procedimento quando em Mateus 3.16 é dito "sendo Jesus batizado, saiu logo d'água, e eis que se lhe abriram os céus e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele". Isso pode representar uma alusão a nossa iniciação quando somos imersos nas águas, fazendo parte do mistério da vida cristã. VI. Ervas amargas dizem respeito as adversidades retratadas nas doenças, angústias, ansiedades, medos, tristezas que enfrentamos em nosso cotidiano. Noite e dia, é o cálice que devemos estar prontos para tomarmos, sem murmuração e agradecendo a Deus o privilégio de padecer por ele. 7. Pães ázimos, penso, o discernimento que devemos estar capacitados a usar nas decisões, escolhas, sentimentos, intuições que envolvem as mais variadas situações que enfrentamos. Aqui devemos estar intimamente ligados ao Senhor, sendo um com ele em espírito. O discernimento é um atributo do espírito humano. A comunhão com Deus produz está sabedoria do alto. Nossa esperança está tipificada na travessia do rio Jordão, entrando na Terra Prometida de Canaã. Deuteronômio 8,7 "Porque o Senhor teu Deus te põe numa boa Terra, Terra de ribeiros de águas, de fontes, e de mananciais, que saem dos vales e das montanhas. Terra de trigo e cevada, e de vides e figueiras, e romeiras; Terra de oliveiras, de azeite e mel. Terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará nela; Terra cujas pedras são ferro, e de cujos montes tu cavarás o cobre". Essa Terra é a representação de Cristo, crescendo em nosso espírito. Quero ter o prazer de ver na mesma mesa, sentados, judeus, muçulmanos e cristãos celebrando a Ceia do Senhor Eucaristia numa mesa ou igreja. De igual modo, o mesmo grupo, participando das comemorações da Ashura muçulmana numa mesquita. Semelhantemente esses, também, festejando a Pessach, numa sinagoga judaica. É possível esse fato? Creio que podemos fazer nossa parte, para que, esse sonho torne-se uma realidade. Páscoa é comunhão fraternal com Deus - Família - Irmãos - Amigos. Feliz páscoa a todos. Abraço. Davi.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

RELACIONAMENTO DO SIGNO DE LEÃO COM OUTROS SIGNOS

 

Astrologia – Zodíaco. www.universa.uol.com.br. Sinastria (1) dos Signos. RELACIONAMENTO DO SIGNO DE LEÃO (22 de julho a 23 de agosto) COM OUTROS SIGNOS.

 

LEÃO E ÁRIES. São dois signos de fogo apaixonados, fortes e guerreiros, que gostam de liderar e dominar. A atração física, geralmente, é imediata, e o estímulo despertado na relação pode se dar em vários níveis: físico, emocional, intelectual e espiritual. Mas é comum ter choque de egos, portanto, doses de humildade são necessárias como antídoto. Para que o relacionamento perdure, devem aprender a somar, respeitar tomar decisões juntos – se conseguirem compartilhar o protagonismo, conseguirão superar as desavenças. Profissionalmente, um tem o poder de incentivar a criatividade do outro: Áries e Leão conseguem se estimular e se apoiar, mas se estiverem dispostos a um complementar as capacidades, talentos e habilidades do outro, superando a competição. Outro cuidado é com a vaidade, pois a franqueza de ambos deve ser adoçada com amor e compaixão para que não ultrapassem os limites. Sexualmente, são grandes as chances de haver química. Uma boa ideia é fazer passeios, aventuras, esportes e tudo o que traga movimento, celebrando a vida juntos. LEÃO E TOURO. Quando estes dois signos se conhecem, geralmente, há uma atração mútua instantânea, pois são sexualmente compatíveis. Gostam de explorar os prazeres da vida e a relação tende a ser muito calorosa. Ambos são carinhosos, amigáveis e românticos. Mas, com o tempo, as diferenças afloram: o taurino é paciente, cauteloso, reservado, caseiro e busca harmonia e segurança em suas relações. Já o leonino é conquistador, confiante, autoritário, gosta de festa, de ficar rodeado por pessoas e ser o centro das atenções, de se sentir vencedor em tudo o que faz. Portanto, pode ficar entediado ao lado de um taurino. Touro tem tendência para o ciúme e a possessividade, o que deve controlar. Já Leão precisa policiar seus impulsos conquistadores, seu desejo de independência ou irá magoar o taurino. O desafio é cultivar uma base de cumplicidade, sinceridade, amor e respeito mútuo e combater a teimosia. Em termos profissionais, a parceria tem chance de ser produtiva. Apesar das diferenças, se houver verdadeiro amor e boa vontade conseguirão superar as dificuldades. LEÃO E GÊMEOS. Esta é uma união com potencial estimulante, pois se trata de signos alegres, joviais, criativos e festivos. Ambos gostam de novidades, aventuras, diversão, atividades culturais e de lazer – pontos que fazem muito bem ao casal. Leão é um signo do elemento Fogo, confiante e ambicioso. Gêmeos é um signo do Ar, inteligente, adaptável e inquieto. O resultado desta combinação é explosivo. Sexualmente, eles têm chances de viver momentos de muita química, paixão, brincadeiras e carinho, além de uma bela cumplicidade. Se trabalharem juntos, haverá possibilidade de sucesso em atividades criativas: Gêmeos com seu potencial intelectual e Leão com seu toque ambicioso e glamoroso. Mas é importante que fiquem atentos às armadilhas do ego quando estiverem em ambientes sociais. Se o orgulho de Leão vier à tona, Gêmeos deve evitar enfrentá-lo e relevar. Por vezes, a língua afiada de Gêmeos pode ferir o ego de Leão. Se conseguirem respeitar suas diferenças e relaxar, a relação certamente se tornará interessante, divertida e duradoura. LEÃO E CÂNCER. São signos com qualidades muito diferentes. Leão é confiante, alegre, entusiasmado, orgulhoso e ambicioso. Câncer é tímido, retraído, emotivo e acolhedor. É possível que haja forte paixão no início, mas ambos devem se conhecer e se compreender para se complementarem. Sexualmente, Leão aprecia uma companhia carinhosa a atenciosa. Câncer já é mais precavido, pelo menos no começo do relacionamento – com tempo e paciência conquistarão cumplicidade nos momentos íntimos. Leão é festivo, social, extrovertido e adora de ser o centro das atenções. Câncer não gosta de chamar a atenção e prefere as reuniões mais íntimas. É essencial amor e comprometimento para que consigam superar as diferenças. Há necessidade de uma atenção maior para não se magoarem mutuamente. É importante que Câncer forneça apoio emocional e incentive as ambições de Leão, para que possam progredir juntos na vida. Ao mesmo tempo, o leonino deve respeitar a sensibilidade e as particularidades de Câncer, sem se irritar com ele. LEÃO E LEÃO. Os leoninos são confiantes, conquistadores e líderes. Portanto, um casal com essas qualidades enfrentará embates, alternando paixões com brigas. Também são divertidos, alegres e criativos. Sexualmente, demonstram grande energia. Leão é um signo de Fogo, regido pelo Sol: brilho, força e poder estão presentes. Na via positiva, podem buscar juntos aprendizados e autoconhecimento programando estudos, viagens, esportes e passeios culturais. A vida tende a ser uma celebração constante. Na via negativa, há risco de caírem nas armadilhas da competitividade, da arrogância, da vaidade e do orgulho. O ideal é que haja sintonia e apoio mútuo, para que não entrem em competição pelo sucesso. Também devem trocar elogios e gentilezas – um leonino aprecia aplausos e gosta de se sentir especial. É preciso ainda confiança e sinceridade, pois podem se envolver em acusações, inspiradas em fatos reais ou imaginários de deslealdade e infidelidade. Por tudo isso, o grande desafio do casal é superar as armadilhas do ego para que o amor de seus grandes corações cresça e floresça. LEÃO E VIRGEM. Com naturezas muito diferentes, contraditoriamente podem se complementar, principalmente na questão profissional. A praticidade, o detalhismo e as habilidades estratégicas de Virgem servirão de grande suporte para os projetos criativos e ambiciosos de Leão. Numa relação amorosa, se houver comprometimento e respeito por suas diferenças, eles conseguirão permanecer juntos. Essa tendência será fortalecida ainda se tiverem outros aspectos favoráveis em seus mapas astrológicos. O desafio é que encontrem um equilíbrio entre o lado exuberante, exibicionista, sociável, divertido e extrovertido de Leão, com a natureza tímida, objetiva, retraída, racional e observadora de Virgem. A tendência é que Leão dê as ordens e Virgem as execute. É importante que o Leonino abaixe a guarda do orgulho, da vaidade e da arrogância para reconhecer seus limites, suas falhas, aceitar as sugestões e as observações de Virgem, que provavelmente serão realistas e objetivas. Por sua vez, Virgem absorverá o bom humor e a confiança de Leão, adoçando suas palavras com amor para que suas críticas sejam ouvidas. LEÃO E LIBRA. Esta é uma parceria estimulante e promissora. O elemento Ar de Libra, mental, inteligente e ponderado, complementa o elemento Fogo de Leão, impetuoso, confiante e ambicioso. O relacionamento é produtivo também para projetos profissionais: são sociais, criativos, interessados pelos assuntos culturais e artísticos. Ar e Fogo são elementos que geram combustão. Essa mistura é boa também para a vida sexual do casal. Promete calor, paixão, química, harmonia e cumplicidade. Os dois gostam de namoro, requinte e romance. O Ar de Libra estimula o Fogo de Leão, o que pode ajudá-lo a crescer e a se desenvolver. A força de vontade, os dons de liderança e a segurança de Leão tendem a neutralizar a hesitação e a indecisão de Libra. Leão oferecerá seu apoio e sua confiança para que o libriano possa caminhar com passos mais firmes e determinados. Com empenho e dedicação, o casal conquistará a beleza, a harmonia e o equilíbrio tão sonhados por Libra. Além de tudo isso a generosidade de Leão, combinada com o senso de justiça libriano oferecem grande potencial para que a parceria realize trabalhos sociais e humanitários. LEÃO E ESCORPIÃO. Esta pode ser uma combinação de muita força, química e paixão, mas que tende a passar por conflitos de autoridade e crises de ciúme. São signos apaixonados, temperamentais e determinados. Não é bom que trabalhem juntos, pois há risco de confrontos e disputas pelo poder – ambos gostam de comandar. No caso de Escorpião (signo da Água: misterioso, sensível, profundo e intenso), esse desejo é velado. No caso de Leão (signo do Fogo: extrovertido, confiante, exuberante e ambicioso), suas intenções ficam às claras. Escorpião é mais intuitivo, percebe quando o orgulho de Leão está ferido. Por sua vez, os leoninos devem ser cuidadosos para não ferir os sentimentos do sensível Escorpião. Quando estão furiosos, é quase impossível tranquilizá-los. O leonino é conquistador, divertido, espontâneo bem-humorado, gosta de festas e celebrações. Escorpião é mais retraído, desconfiado, magnético e misterioso. Para que união seja duradoura, devem se respeitar, conhecer suas reações instintivas para que possam se complementar. O grande aprendizado nesta relação é que ambos saibam respeitar suas individualidades, sem querer controlar ou invadir o território do outro. LEÃO E SAGITÁRIO. Esta é uma combinação dinâmica e favorável, já que ambos são signos do elemento Fogo: entusiasmados, extrovertidos, criativos, confiantes e aventureiros. Uma parceria como esta promete movimento, novidades, viagens, esportes e ricas experiências. Na vida sexual, contam com uma energia ardente, vibrante e apaixonada. Mas vale lembrar que Leão precisa moderar seu autoritarismo, pois Sagitário é amante da liberdade. É possível que haja alguns atritos, já que são orgulhosos e impetuosos. Na hora de defender suas ideias e convicções, devem ser abertos para ouvir e compreender os pontos de vista do outro. Isso pode fazer com que aproveitem melhor seu tempo juntos. De qualquer forma, têm muitos interesses em comum: Sagitário conta com a generosidade e a natureza expansiva de Júpiter, seu regente; e Leão com o brilho e o calor benevolente do Sol. Também são generosos, de bem com a vida e têm muito bom humor. O entusiasmo contagiante e a positividade da parceria pode ser uma fórmula para o sucesso: eles acumulam força suficiente para atingir metas elevadas e ambiciosas. LEÃO E CAPRICÓRNIO. Esta união tem tudo para ser muito produtiva, especialmente se, além da vida amorosa, houver colaboração em parcerias de trabalho. A sobriedade, a determinação e a visão estratégica de Capricórnio, combinadas com a confiança, a ambição e energia de Leão podem levar ao sucesso e ao prestígio. Os dois são ambiciosos, almejam projeção e status social. Também possuem qualidades de liderança. Mas há algumas diferenças: Leão (signo do Fogo) é mais exuberante, espontâneo, efusivo, festivo e divertido. Capricórnio (signo de Terra) é mais pragmático, sério, frio e analítico. Leão é orgulhoso, mas o terrestre Capricórnio é ainda mais teimoso e autoritário. Porém, com mais discrição, com menos ostentação. Leão é conquistador; Capricórnio é estruturador e organizador. É importante que ambos cultivem doses de humildade para reconhecerem que não são perfeitos e para não haver competição na relação, nem passem a vida tentando mudar, dominar ou controlar o temperamento do parceiro. A tendência é que o casal cultive admiração mútua. LEÃO E AQUÁRIO. Esta parceria traz potencial tanto para o romance quanto para a colaboração em projetos profissionais. É possível que, sexualmente, tenha muita química, inclusive atração à primeira vista. A natureza extrovertida de Leão se encaixa muito bem com o comportamento excêntrico de Aquário e podem viver juntos experiências recheadas de surpresas e originalidade. Aquário e Leão são signos sociáveis, adoram propostas ousadas e programas inusitados. Ambos são generosos e inteligentes, se interessam pela vida cultural, gostam de aprender e cultivam uma mentalidade progressista. No entanto, os dois têm tendência para a teimosia. Doses de humildade são essenciais para que possam reconhecer suas falhas e admitir seus erros. Aquário gosta de trabalhar em grupo. Leão é líder, prefere comandar. O leonino deve aprender a ser mais racional, fraternal, igualitário e analítico com Aquário. Por sua vez, Aquário precisa ser mais confiante, caloroso e confiante com Leão. Caso contrário, é provável que sabotem o relacionamento. LEÃO E PEIXES. Estes são signos com natureza, interesses e personalidades muito distintas. A não ser que haja outros pontos favoráveis no mapa astrológico dos parceiros, esta será uma relação difícil e com poucas chances de sucesso. Peixes é sensível, introspectivo, romântico e sonhador. Leão é extrovertido, confiante, orgulhoso e dominador. Sexualmente, Peixes anseia por uma união mágica, uma fusão emocional completa, com pitadas de mistério e encantamento. Por sua vez, Leão busca por prazer, carinho e paixão, e gosta de elogios e da expressão verbal dos sentimentos. Mas ao longo do tempo, possivelmente Leão não terá paciência para os sentimentalismos de Peixes. Por sua vez, Peixes não irá apreciar a vaidade e o exibicionismo de Leão. É importante que haja sinceridade e que se conheçam muito bem antes de se comprometerem sério. Quanto mais generosos e compreensivos forem, melhor será a união: Peixes aprenderá com Leão lições de confiança, autoestima e coragem; e Leão aprenderá com Peixes lições de compaixão, inspiração, solidariedade e fé.

 

(1) Sinastria - é uma técnica utilizada na astrologia para verificar o grau de compatibilidade numa relação (afetiva, profissional ou familiar entre duas pessoas. Esse procedimento faz uso do mapa astral, recorrendo aos perfis astrológicos. Requer encontrar um profissional recomendado e capacitado na ciência astrológica. Bem-conceituado na comunidade onde está inserido. De preferência tendo registro profissional na instituição ou sindicato que regula a prática em sua região ou país. www.universa.uol.com.br. Abraço. Davi

 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

O CAMINHO DA AUTORREALIZAÇÃO

 

Espiritualidade. Texto de Osho (1931-1990). O CAMINHO DA AUTORREALIZAÇÃO. Este discurso é um marco na obra de Osho, pois foi quando ele pela primeira vez teve suas palavras gravadas e depois publicadas. A palestra tornou-se o primeiro capítulo do primeiro livro publicado por Osho. Trata-se da palestra introdutória ao Campo de Meditação de Ranakpur - Índia, que ele conduziu em junho de 1964. O livro, originalmente publicado em hindi com o título Path to Self Realization, foi recentemente traduzido para o inglês com o título The Perfect Way O Caminho Perfeito. “Almas conscientes”. Antes de tudo, por favor, aceitem o meu amor. Essa é a única coisa com a qual eu posso dar-lhes as boas-vindas ao isolamento e reclusão destas montanhas. Na verdade, eu nada mais tenho a dar a vocês. Eu quero compartilhar com vocês o infinito amor que a proximidade com o divino criou em mim. Eu quero distribuí-lo. E a maravilha disso é que quanto mais eu compartilho esse amor, mais ele cresce! Talvez a verdadeira riqueza seja aquela que aumenta com a distribuição. A riqueza que diminui quando é compartilhada, não é verdadeira riqueza, de modo algum. Vocês então aceitam o meu amor? Eu vejo aceitação em seus olhos e eu vejo também que seus olhos se tornaram repletos de amor em reciprocidade. AMOR INVOCA AMOR E ÓDIO INVOCA ÓDIO. TUDO AQUILO QUE NÓS DAMOS RETORNA PARA NÓS. Essa é uma lei eterna. Assim, tudo aquilo que você deseja receber, é aquilo que você deve dar ao mundo. Você não pode receber flores em retribuição a espinhos. Eu vejo flores de amor e paz desabrochando em seus olhos. Eu estou em profunda gratidão por isso, agora, nós não somos muitos aqui: o amor nos junta e faz com que muitos se tornem um. Corpos físicos estão separados e continuarão separados, mas existe alguma coisa por trás dos corpos que se encontra no amor, que se torna um através do amor. Só depois dessa unidade, de nos tornarmos um, é que alguma coisa pode ser dita e compreendida. A COMUNICAÇÃO SÓ É POSSÍVEL NO AMOR. Nós nos reunimos nesse lugar isolado para que eu possa dizer algo a vocês e vocês possam me ouvir. Esse dizer e esse ouvir não são possíveis sem uma corrente de amor. As portas do coração somente se abrem para o amor. E lembre-se de que SOMENTE QUANTO ALGUÉM OUVE COM O CORAÇÃO, e não com a cabeça, É QUE O OUVIR ACONTECE. Você pode me perguntar, 'o coração também ouve?' eu lhe direi QUE O OUVIR ACONTECE, É ATRAVÉS DO CORAÇÃO. A cabeça nunca ouviu qualquer coisa. A CABEÇA É UMA PEDRA SURDA. E isso também é verdadeiro quanto ao falar. SOMENTE QUANDO AS PALAVRAS VÊM DO CORAÇÃO, elas SÃO CHEIAS DE SIGNIFICADO. Somente quando as palavras vêm do coração, elas têm a fragrância das flores frescas; se não for assim, elas serão apenas envelhecidas e murchas, elas serão artificiais - flores plásticas. Eu vou derramar o meu coração em vocês, e se os corações de vocês permitirem-me entrar, haverá um encontro e uma comunicação. E então, naquele momento de encontro, aquilo que as palavras são incapazes de expressar, será comunicado. Muitas coisas não ditas serão ouvidas dessa maneira - aquilo que não pode ser colocado em palavras, aquilo que fica entrelinhas, também será comunicado. Palavras são indicações muito impotentes, mas se ouvidas em paz total da mente e em silêncio, elas se tornam potentes. Isso é o que eu chamo de ouvir com o coração. Mas, geralmente, mesmo quando ouvimos alguém, nós permanecemos cheios de nossos próprios pensamentos. Esse é o FALSO OUVIR. Então você não é um shravak, um ouvinte. Você está apenas sob a ilusão de que você está ouvindo, mas de fato você não está. Para 'ouvir corretamente', é necessário que a MENTE ESTEJA EM ESTADO DE OBSERVAÇÃO, completamente silenciosa. Quando você está apenas ouvindo e nada mais está fazendo, somente então você será capaz de ouvir e compreender, e essa compreensão se tornará LUZ E TRANSFORMAÇÃO dentro de você. Se assim não acontecer, então você não está ouvindo a quem quer que seja, mas apenas a si mesmo, você permanece cercado por um tumulto enfurecido dentro de você. E quando você está envolvido dessa maneira nada pode ser comunicado a você. Então você parece estar vendo, mas não está; você parece estar ouvindo, mas não está. CRISTO disse: 'aqueles que têm olhos para ver, que vejam. Aqueles que têm ouvidos para ouvir, que ouçam.' Estava ele dizendo que as pessoas não tinham olhos nem ouvidos? É claro que elas tinham olhos e ouvidos, mas a mera presença de olhos e ouvidos, não é suficiente para ver e ouvir. Algo mais é necessário e sem isso a existência ou não existência de olhos e ouvidos dá no mesmo. Aquele algo mais é o silêncio interior e a consciência observadora. Somente quando essas qualidades estão presentes é que as portas da mente se abrem e algo pode ser dito e ouvido. Eu espero que vocês me ouçam dessa maneira durante o período deste campo de meditação. Uma vez que vocês tenham aprendido isso, isso se tornará sua companheira por toda a vida. Isso será o suficiente para livrá-lo de preocupações triviais. Você poderá se despertar para o grande universo misterioso externo e você poderá experienciar a eterna e infinita luz de consciência escondida por trás do tumulto de sua mente. Ver corretamente e ouvir corretamente não são meras necessidades para este campo de meditação, são, na verdade, os pilares para todo um viver corretamente. Da mesma maneira que tudo é claramente refletido através de um lago totalmente calmo, sem ondas, também é verdade que o divino será refletido em você quando você se tornar calmo e quieto como o lago. Eu estou vendo um grande silêncio crescendo em vocês. Os seus olhos - a sede pela vida que eu vejo em vocês - estão me convidando a dizer aquilo que eu quero dizer. Eles estão me apressando a revelar as verdades que eu tenho visto e que mexeram com minha alma, porque os seus corações estão ansiosos e impacientes por compreendê-las. Vendo o quanto vocês estão desejosos e prontos, meu coração está também pronto para se derramar em vocês. Nessa paz que nos circunda, com o estado cheio de paz de suas mentes, eu certamente serei capaz de dizer o que quero dizer para todos vocês. Se eu tivesse encontrado ouvidos surdos diante de mim, eu iria me segurar. A luz não permanece do lado de fora quando ela encontra as portas de sua casa fechadas? Da mesma forma eu fico parado do lado de fora de muitas casas. Mas é um bom sinal as suas portas estarem abertas. É um bom começo. Amanhã de manhã começaremos a nossa jornada de experimento de meditação por cinco dias. Como suporte para isso, eu gostaria de dizer algumas poucas coisas para vocês. Para a meditação, para a percepção da verdade, o solo de suas mentes tem que estar preparado da mesma maneira que uma pessoa precisa preparar o solo para cultivar flores. Assim eu gostaria que vocês compreendessem alguns sutras, alguns pontos chaves. O primeiro sutra é: VIVA NO PRESENTE. Durante os dias do Campo não se deixem levar pelo fluxo mecânico de seus pensamentos a respeito do passado e do futuro. É por causa disso que o momento vivo, o momento que realmente existe, é desperdiçado  e se perde desnecessariamente. Nem o passado nem o futuro existem. Um é apenas a memória, o outro é apenas imaginação. Somente o presente é o momento vivo e verdadeiro. E se é para se conhecer a verdade, ela só pode ser conhecida se estivermos no presente. Durante esses dias de meditação, mantenham-se conscientemente livres do passado e do futuro. Aceite que eles não existem. Somente o momento em suas mãos, o momento em que você está, existe. Você tem que viver nele, e vivê-lo totalmente. Esta noite durma tão profundo como se todo o seu passado tivesse sido deixado de lado. Morra para o passado. E de manhã, acorde como um novo homem numa nova manhã. Não deixe que acorde aquele mesmo que foi para a cama. Deixe que aquele tenha um bom sono. Deixe que no lugar dele acorde o  que está sempre novo e sempre revigorado. Mantenha continuamente em sua lembrança por todo o tempo esse viver no presente, e fique alerta para que aquele pensamento mecânico a respeito do passado e do futuro nem volte de novo. Para isso, é suficiente permanecer atento.  Se você permanecer atento, ele não vai se desencadear. A consciência destrói o hábito. O segundo sutra é: VIVA NATURALMENTE. Todo o comportamento do homem é artificial e formal. Nós sempre nos mantemos encobertos por um falso manto e por causa dessa coberta nós gradualmente esquecemos nossa própria realidade. Você tem que deixar cair essa pele falsa e jogá-la fora. Nós nos reunimos aqui, não para encenar um drama, mas para nos conhecermos, para compreendermos a nós mesmos. Da mesma forma que os atores de uma peça removem seus trajes e maquiagem e colocam-nos de lado após a apresentação, nestes cinco dias, você tem que remover suas falsas máscaras e jogá-las fora. Deixe que aquilo que é original e natural em você venha à tona e viva nisso. A meditação somente cresce numa vida simples e natural. Durante esses dias de meditação, saiba que você não tem que manter nenhuma posição, você não é especial, você não tem qualquer status. Jogue fora todas essas máscaras. Você é simplesmente você, um ser humano comum, sem nome, sem status, sem classe, sem família, sem casta - simplesmente uma pessoa sem nome, um indivíduo muito comum. Você tem que viver desse jeito. E lembre-se que essa é também a nossa verdadeira realidade. O terceiro sutra é: VIVA SÓ. A vida de meditação nasce em completa solidão, quando a pessoa está totalmente só. Mas geralmente o homem nunca está só. Ele está sempre cercado pelos outros. E quando ele não está no meio da multidão externa, ele está em uma multidão interna. Essa multidão tem que ser dispersada. Não permita que a multidão se reúna dentro de você. E quanto ao lado de fora, viva por si próprio como se você estivesse sozinho neste Campo. Você não tem que manter relacionamentos com ninguém mais. No meio desses incontáveis relacionamentos vocês se esqueceram de vocês mesmos. Todos esses relacionamentos - nos quais vocês são amigos ou inimigos de alguém, pai ou filho, esposa ou marido - absorveram vocês de tal maneira que vocês são incapazes de conhecer a si mesmos em suas próprias individualidades. Alguma vez vocês já tentaram imaginar o que vocês são, fora de todos esses seus relacionamentos? Alguma vez vocês já se livraram das vestimentas desses relacionamentos e viram a si mesmos sem elas? Distancie vocês mesmos de todos esses relacionamentos e vejam que vocês não são filhos de seus pais e mães, não são os maridos de suas esposas, nem o pai de suas crianças, nem o amigo de seus amigos, nem o inimigo de seus inimigos - e o que sobra é o seu verdadeiro ser. Aquela entidade remanescente é o que você é em si mesmo. Durante esses dias você tem que viver sozinho nesse ser. Seguindo esses sutras, a sua mente chegará a um estado, o qual é uma necessidade absoluta para a compreensão da paz e da verdade. Ao lado desses três sutras, eu quero explicar a vocês os dois tipos de meditação que nós começaremos a fazer a partir de amanhã de manhã. A primeira meditação é para a manhã. Durante essa meditação você deverá manter sua coluna espinhal ereta, fechar os seus olhos e manter o seu pescoço reto. Seus lábios devem estar fechados e sua língua deve tocar o céu da boca. Respire devagar, mas profundamente. Mantenha a sua atenção próxima do umbigo. Mantenha-se alerta quanto ao tremor que você sentir no umbigo devido à respiração. Isso é tudo o que vocês têm que fazer. Esse experimento acalma a mente e esvazia os pensamentos completamente. A partir desse vazio a pessoa finalmente entra dentro de si mesma. A segunda meditação é para a noite. Estenda seu corpo no chão confortavelmente e deixe todos os seus membros se relaxarem completamente. Feche seus olhos e por cerca de dois minutos sugira a você mesmo que o corpo está relaxando. Gradualmente o corpo se tornará relaxado. Então, por dois minutos sugira que sua respiração está se tornando quieta e sua respiração se tornará quieta. Finalmente por outros dois minutos, sugira que seus pensamentos estão parando. Essa sugestão firme o levará a um completo relaxamento, tranquilidade e vazio.  Quando a mente se tornar completamente calma, esteja completamente acordado em seu ser interior e seja uma testemunha dessa paz. Esse testemunhar levará você ao seu ser. Vocês devem fazer essas duas meditações. Na verdade elas são estratagemas artificiais e vocês não devem se agarrar a elas. Com ajuda delas, a inquietação das mentes se dissolve. E da mesma forma que não mais precisamos da escada ao completarmos a subida, um dia nós também iremos deixar esses estratagemas. A meditação atinge a perfeição no dia em que ela se torna desnecessária. Esse estado é o verdadeiro samadhi, iluminação. Agora a noite já está avançada e o céu está coberto de estrelas. As árvores e os vales já foram dormir. Nós também vamos dormir agora. Como tudo isso é quieto e silencioso! Nós também vamos nos fundir nesse silêncio. Num sono profundo, num sono sem sonhos, nós vamos para o lugar onde o divino habita. Esse é o samadhi espontâneo, não-consciente que a natureza deu para nós. Através da meditação, nós também alcançamos esse mesmo espaço, mas com a meditação nós permanecemos conscientes e alertas. Essa é a única diferença. E essa é realmente uma grande diferença. Numa situação nós vamos dormir e na outra nós nos tornaremos acordados. Vamos agora dormir com a esperança de que o despertar também se tornará possível. Quando a esperança é acompanhada por determinação e empenho, ela certamente se realiza. É possível que a existência nos guie ao longo do caminho. Essa é a minha única prece”. www.oshobrasil.com.br. Abraço. Davi.

sábado, 1 de abril de 2023

A MENORAH

 


Menorah, o símbolo de dinâmica e otimismo do povo judeu. O que é o Menorah. Transcrito do blog Coisas Judaicas. 

 

Por: Rabino Eliahu Birnbaum - Tradução: David Salgado

 

A Menorá (candelabro) é um dos utensílios mais importantes que havia no Tabernáculo no deserto e no Templo Sagrado de Jerusalém. Foi construída de uma só peça de ouro puro e adornada com gravuras e flores que lhe outorgavam um aspecto belo e imponente.

 

A Menorá do Tabernáculo tinha sete braços. O braço central era a parte fundamental da Menorá e dela saiam três braços para cada lado. Cada braço estava decorado com copas em forma de flores de amêndoas. Quando a Menorá estava acesa, as três velas dos lados estavam dirigidas a vela do meio. A vela central simboliza o princípio fundamental, a luz central.

 

O azeite para a Menorá era de grande pureza e estava destilado especialmente para servir a tal propósito.

 

É necessário assinalar que enquanto a Menorá do Tabernáculo possuía sete braços, a Menorá de Chanucá, a que estes habituados em nossos dias, possui oito braços, em lembrança do milagre de Chanucá, quando a Menorá ardeu durante oito dias com um recipiente de azeite que era suficiente apenas para um dia.

 

A menorá era o único utensílio do Tabernáculo e do Templo que estava construído totalmente em ouro. O ouro, o metal precioso, não sofre mudanças diante das condições ambientais, o tempo e o clima; não oxida nem se deteriora. O material do qual está construída a Menorá simboliza o princípio estável que não se modifica nem está sujeito a influência alguma.

 

Aaron o Cohen e depois seus filhos, os Cohanim Haguedolim (grandes sacerdotes), acendiam todas as manhãs as velas de azeite da Menorá. No momento do acendimento ordenavam e limpavam as velas, preparavam as mechas e retiravam as mechas queimadas do dia anterior. A Menorá deveria estar acesa durante todas as horas do dia e da noite, todos os dias do ano.

 

Na época do Segundo Templo, a Menorá estava construída de estanho. Quando a situação econômica melhorou, ela foi banhada em prata. Depois o corpo central da Menorá foi banhado em ouro, em forma similar a Menorá do Primeiro Templo.

 

Durante a destruição do Templo, a Menorá foi saqueada junto com os demais objetos sagrados, desconhecendo-se seu paradeiro. Com base na gravação do Arco do Triunfo em Roma, no qual aparece com clareza a Menorá, existem os que sustentas a teoria de que ela foi levada para Roma. Outros, ao invés disso, acreditam que os romanos não conseguiram levar a Menorá, pois esta foi escondida pelos judeus nas catacumbas abaixo do Templo, para evitar que os conquistadores a levassem.

 

Podemos considerar que a Menorá de sete braços do Templo que aparece na nossa Parashá e em outras Parashiot, era um instrumento ritual que tinha o único objetivo de cumprir com uma função religiosa: entretanto, podemos contemplá-la de forma alegórica, simbólica. Em nosso caso, parece que este é o significado profundo da Menorá e dos demais utensílios do Templo. 

 

A Menorá não era apenas um ornamento do Templo. A Menorá e sua luz possuíam um valor simbólico que a Torá busca comunicar ao povo. A função da Menorá é a de dar luz através de suas velas. Na Torá e no judaísmo a luz simboliza a sabedoria e a inteligência. O poder da vela é sua influência sobre o homem. A luz da vela penetra no homem através dos olhos, porém exerce sua influência também sobre sua mente e sua alma.

 

A luz da vela, com o fogo que sobe e desce, não é estática, mas muda constantemente de cor e de forma; está em eterno movimento. Por isso o homem se deleita na contemplação do fogo, que lhe recorda seu próprio movimento interior, seu desejo de avançar e mudar, obter resultados, elevar-se constantemente.

 

Existem aqueles que acreditam que a Menorá representa o homem. As velas que estão voltadas para o centro ensinam ao homem a contemplar o seu interior, rever seus próprios atos. O judeu que contempla a Menorá de ouro aprende sobre o significado da vida saudável. A Menorá ensina que o segredo da felicidade humana depende de sua possibilidade de pôr seu espírito e seu corpo a serviço de um objetivo superior e elevado, um objetivo altruísta, que lhe outorgue a sua alma a união e a paz.

 

No marco de uma interpretação alegórica do Templo como representação simbólica de todo o universo, Filón de Alexandria (25 AC 50 DC) acredita que a Menorá representa o céu, que irradia a luz. As sete velas representam os sete satélites que existem no céu, segundo a astronomia da antiguidade.

 

As velas da Menorá deram origem a vários costumes e leis, como as velas do Shabat, a vela da recordação (Yzkor – em memória de um ente querido) e a luz eterna (Ner Tamid).

 

As velas de Shabat foram escolhidas como símbolo deste dia e servem para diferenciar entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz assinala o limite do tempo, entre o dia e a noite, e também entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz marca uma divisão no passar do tempo e o correr dos dias.

 

Os textos de nossos sábios fazem especial referência as velas do Shabat, mas além da função prática de iluminar a mesa ao redor da qual se sentam os convidados no Shabat. Os sábios consideram que as velas simbolizam aqueles valores que transcendem a percepção sensorial e simbolizam o mundo dos conceitos metafísicos nas esferas do espírito e do pensamento.

 

A luz simboliza também a presença da luz Divina no lar e no mundo hoje, mediante seu acendimento, simbolizamos sua existência.

Assim como as velas do Shabat representam a entrada do Shabat e a santificação do dia, também acendemos a vela de Havdalá (Separação) na saída do Shabat. Ela diferencia entre o santo e o profano, entre a luz e a escuridão, entre Israel e os demais povos (segundo a própria bênção).

 

Depois do falecimento de uma pessoa alguns costumam acender duas velas e colocá-las próximo a cabeça do morto. Existem aqueles que deixam uma vela acessa durante todo o primeiro ano do luto, e outros o fazem apenas durante os sete dias após o falecimento. Todos acendem uma vela no dia do aniversário de morte. 

 

A luz de recordação simboliza a relação que existe entre a pessoa que faleceu e seus parentes. A luz nos lembra que o morte não foi esquecida, e sua lembrança permanece em nosso coração e nos acompanha.

Em lembrança da Menorá que ardia constantemente no Templo, costumamos deixar uma luz acesa permanentemente ao lado da arca no Beit Hakenesset (Sinagoga).

 

A Menorá, o símbolo religioso mais importante na história do povo judeu, constitui hoje o símbolo nacional do povo que voltou a sua terra. Uma das razões das quais a Menorá é o símbolo do Estado de Israel, foi criar um antagonismo em relação a menorá que aparece no arco de Tito. Lá, a menorá simboliza a derrota e a humilhação dos judeus perante outros povos. Entretanto, a Menorá como símbolo do Estado de Israel representa a libertação, a independência, o orgulho judaico.

 

Sobre o significado da Menorá e a luz da vela, podemos aprender de um conto Chassídico que descreve a ação da vela: Um Rabino pediu a um aluno seu que fosse ao sótão para buscar lhe um livro. O discípulo foi ao sótão, porém a total escuridão que reinava aí o impediu de cumprir com o pedido de seu rabino. Retornou ao rabino e lhe disse: “Tudo está escuro e não pude encontrar o livro”. O rabino lhe contestou: “Qual é o problema? Pega um cajado e vai novamente ao sótão, golpeie a escuridão e então poderás espantá-la e encontrarás o que buscas”.

 

Retornou o aluno novamente ao sótão fazendo o que lhe disse seu rabino e  mesmo assim, mais uma vez não conseguiu cumprir com seu objetivo.

Voltou ao seu rabino e lhe disse: “Não consegui espantar a escuridão”.

 

Então lhe disse o rabino: “Toma essa pequena vela, acenda-a e a pequena luz espantará a escuridão. Não é possível espantar a escuridão, o mal, a negação, sem acendermos uma pequena luz que espante a escuridão e ilumine um grande salão”.

 

O povo de Israel compreende que a Menorá não constitui apenas um objeto de culto, mas é também um meio de recordação. O homem a contempla e acende suas velas para acender a menorá de sua vida que então lhe outorgará a luz de seu sustento. Abraço. Davi.