O
autor dessa tradução é o grande mestre de meditação Mipam Rinpoche (1846-1914),
que tentou mostrar a verdadeira natureza da mente. I. Ensinamento
Quintessencial sobre o tema da Mente. O Budha não está mais distante que a
palma de nossa mão. Inclino-me diante de Padmasambhava. E diante do ilustre
Lama que é a emanação do ser de sabedoria Manjushri (1) , e semelhante a todos os Budhas seus filhos. Em atenção
daqueles que desejam (aprender) a meditação sobre o reconhecimento do sentido
profundo da Mente. Eu vou explicar brevemente o início da via dos conselhos do
coração (2). É necessário, no começo, confiar no ensinamento quintessencial de
um Lama que possui a experiência da realização. Se não penetrarmos na
experiência do ensinamento do Lama, toda a perseverança e o esforço consagrados
à meditação equivalerão a disparar uma flecha na escuridão. O ponto crucial é colocar sua consciência no estado não fabricado (3), instalado em si mesmo;
o rosto da sabedoria sem véu que é distinto do envoltório da mente, quer dizer
daquela que se identifica. O sentido de permanecer desde o início é o estado
natural, não fabricado. Tendo
desenvolvido a convicção íntima de que tudo o que surge é a essência do
Dharmakaya (4), não rejeitam este conhecimento. Deixar-se levar pelas
explicações discursivas sobre o tema da via, é como correr atrás de um
arco-íris. Quando as experiências meditativas se manifestam como consequência
da consciência lúcida do nobre estado não fabricado, não é pelo meio indireto
de uma concentração exterior, mas de preferência mantendo a não ação (5).
Estupendo, a maneira como chegamos à este conhecimento! II. No momento bem
aventurado onde atingimos o estado intermediário. A constância do estado
inabalável é mantida pela lembrança do estado espontaneamente estabelecido da
Mente em si. Se colocar neste estado é suficiente. Se obstáculos são produzidos
pelas nuvem que se elevam da análise mental que cria a distinção entre o
sujeito e o objeto da meditação. Lembremo-nos então da natureza da Mente que
desde o início é não fabricada, a Mente em si, vasta como o céu. Para relaxar,
libertemo-nos da estreiteza e dissipemos o apego à esses conceitos. O
conhecimento espontâneo estabelecido não consiste em pensamentos que fluem em
todas as direções. Ele é vacuidade límpida e radiante, distinta de toda avidez
mental. Este estado não pode ser descrito por exemplo, símbolos ou palavras.
Percebemos diretamente a consciência última por meio da sabedoria do
discernimento. O nobre estado da consciência lúcida, imparcial, vazia não
mudou, não muda e não mudará. Ela é nosso próprio rosto, mascarado pelas
impurezas dos conceitos repentinos, diversas vagabundagens quiméricas. Como é
triste! Que ganharemos em nos prender a uma miragem? Qual o objetivo de
perseguirmos esses sonhos diversos? De que serve se agarrar o espaço? Por
conceitos variados, colocamos a cabeça ao contrário. Coloquem de lado essa
falta de sentido esgotante e detenhamo-nos na esfera primordial! O céu
verdadeiro é saber que Samsara (7) e nirvana não são mais que uma exibição
ilusória. Mesmo que hajam exibições muito variadas, consideremos que elas têm o
mesmo sabor. Ter-se estabelecido em uma relação íntima com a meditação permite
lembrar-se da consciência nua, situada em si mesma, vibrante, livre dos
conceitos. A Mente natural está além do conhecimento ou do não conhecimento, da
felicidade ou do sofrimento. A felicidade nasce deste estado de relaxamento e
repouso total. Então, no movimento ou na imobilidade, no ato de comer ou de
dormir, nós conhecemos permanentemente este estado, e tudo é a via. Assim,
vigilância, atenção, designa esta consciência semelhante ao céu. E mesmo no
período que segue a sessão de meditação formal, elaboramos muito menos
conceitos. III. Nos momentos bem aventurados do estado último. Relativamente às
quatro ocasiões: mover, ficar imóvel, comer e dormir. (6), as marcas dos
hábitos tenazes, a partir das quais surgem todos os conceitos e os sopros
cármicos da Mente, são transformados. Nós possuímos a capacidade de nos
recolher na cidadela da sabedoria imóvel e inata. O que chamamos Samsara não é
mais que um conceito. A majestosa sabedoria é livrar-se de todo conceito.
Então, tudo o que surge se manifesta como totalmente perfeito. O estado da
nobre clara luz é constante, tanto à noite como de dia. Ela é outra que a
distinção entre se lembrar e não se lembrar. Outra que desviar-se de seu justo
lugar pela advertência do terreno fundamental que impregna toda coisa. Então,
não realizamos nada pelo esforço. Sem nenhuma exceção, todas as qualidades inerentes
às vias e as bases, clarividência, compaixão, etc., surgirão espontaneamente
(8), crescente como a relva que chega à maturidade no verão. Liberto de
apreensão e de vaidade, liberado de esperança e medo. É a grande felicidade não
nascida, eterna, vasta como o céu. Essa nobre yoga é semelhante ao Garuda
lúdico no céu da Grande Perfeição Imparcial.
Maravilhoso! Confiando no ensinamento quintessencial dum mestre, o meio
de manifestar esta sabedoria da essência do coração é realizar as duas
acumulações de mérito e sabedoria (9), de uma maneira tão ampla como o oceano é
vasto. Então, sem dificuldade, a realização será colocada na sua mão.
Espetacular! Em consequência, possam todos os seres sensíveis, pela virtude
desta explicação, chegar a ver Manjushri juvenil, que é atividade compassiva de
nossa consciência, mestre supremo, essência do diamante (o Dzogpa Chenpo da
clara luz). Tendo percebido isso, nesta vida mesma, possamos atingir a
iluminação perfeita. Notas: 1. Manjushi.
O Bodhisattva da Sabedoria. Segundo a mitologia budista, Manjushi foi, em uma
encarnação anterior, ao rei Amba que fez o voto de se tornar um bodhisattva para
o bem de todos os seres. 2. Os conselhos do coração. O ensinamento do coração
do lama. É um ensinamento essencial condensado, destinado à meditação e
apresentado pelo lama aos seus discípulos de coração. 3. O estado não
fabricado. A consciência que surge no instante da percepção, uma pura presença
que aparece sem modificação, não engendrada por causas. 4. Dharmakaya. Dharma
significa a totalidade da existência; Kaya é esta dimensão. A base essencial do
ser cuja essência é a claridade e a luminosidade e no seio da qual todos os
fenômenos são percebidos como despidos de existência intrínseca. 5. A
experiência meditativa se manifestando por intermédio da não ação; a meditação
do Dzogchen é não conceitual e realizada simplesmente pelo reconhecimento sem
esforço de nossa própria natureza verdadeira, não condicionada. A ação ou o
esforço para realizar a meditação são contrários à presença relaxada que
caracteriza a prática Dzogchen. 6. Mover-se, permanecer imóvel, comer e dormir;
as quatro atividades, englobando todas as ações possíveis, no meio das quais um
praticante dzogchen tenta manter sua consciência lúcida. 7. Samsara. Existência
cíclica marcada pelo nascimento, a velhice, a doença, a morte e o renascimento.
Os seres sensíveis, dominados pelo desejo, a ira e a ignorância, continuam a
migrar através dos seis mundos do Samsar (o mundo dos deus, dos semi deuses,
dos humanos, dos animais, dos espíritos famintos, e dos seres infernais)
segundo seu carma. 8. Qualidades inerentes que surgem espontaneamente; como
consequência natural da meditação dzogchen, os praticantes avançados podem
desenvolver qualidades transcendentais tais como uma grande sabedoria,
compaixão, a clarividência etc. 9. As duas acumulações. A acumulação de mérito
por meio das boas ações e da sabedoria por intermédio da contemplação. Se bem
que os dois sejam importantes sobre a vida do Dharma, o Budha disse que se
conseguirmos manter o estado de contemplação (a acumulação de sabedoria)
durante o tempo que é precioso a uma formiga para ir da extremidade do nariz de
uma pessoa a sua testa, isso seria mais benéfico que uma vida inteira de
acumulação de méritos pela ação virtuosa e a generosidade. 10. Mipam Rinpoche.
Celebre mestre budista tibetano do século XIX, que começou por ser aluno de
Patrul Rinpoche (1808-1887). Mipam foi o autor de comentários originais sobre o Dzogchen (de acordo com o budismo tibetano o dzogchen é o estado primordial ou condição natural, e também um corpo de ensinamentos e práticas meditativas com o objetivo de realizar tal condição. O Dzogchen ou Grande Perfeição, é um ensinamento central da Escola Nyingma, também praticado por adeptos de outras Escolas do Budismo Tibetano. Segundo a literatura Dzogchen, este é o mais alto e definitivo caminho rumo a iluminação. Da perspectiva de Dzogchen, é dito que da natureza última de todos os seres sencientes, capaz de sentir e perceber através dos sentidos, (reinos inferiores minerais vegetais e animais) é pura, abrangente, primordialmente límpida e naturalmente clara além do tempo. Essa clareza intrínseca não possui forma própria, e ainda é capaz de perceber, experienciando, refletindo, ou expressando em toda a sua forma. A analogia que os mestres Dzogchen fazem é que a natureza de um ser é como um espelho que reflete com completa abertura, mas não é afetado pelas imagens refletidas, ou como uma bola de cristal que reflete a cor do material em que é colocada sem, no entanto, ser alterada. A sabedoria que emerge ao reconhecer essas claridade semelhante ao espelho, que não pode ser encontrada pela busca ou identificada, é o que o Dzogchen se refere como Rigpa. Rigpa é a consciência desnuda e inteiramente aqui e agora, não podendo ser estabelecida como qualquer coisa específica, estado, ou ação. Ela tem a face original do vazio que é pura desde o início, totalmente penetrante e perspicaz), sobre outras escrituras budistas importantes. Continuamos sobre o Rigpa numa próxima oportunidade. http://www.nossacasa.net/shunya/.
Abraço. Davi.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
sábado, 25 de abril de 2015
Hinduismo. Parte I.
A
reflexão a seguir foi extraída da Enciclopédia Livre Wikepédia com alguns
ajustes para uma melhor compreensão. O Hinduísmo é uma tradição religiosa que
se originou no sub continente indiano. É frequentemente chamado de Sanâta
Dharma por seus praticantes, frases em sânscrito que significa: a eterna e
perpétua lei. Num sentido mais abrangente, o Hinduísmo engloba o Bramamismo, a
crença na Alma Universal; Brâhma no sentido mais específico. O termo se refere
ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas, da Índia pós budista. De
acordo com o livro História das Grandes Religiões, o Hinduísmo é um estado de
espírito, uma atitude mental dentro de seu quadro peculiar, socialmente
dividido, teologicamente sem crença. desprovido de veneração em conjunto e de
formalidades eclesiásticas ou de congregação, deste modo substituindo o
nacionalismo. Entre as suas raízes está a religião Védica da idade do ferro na
Índia, e como tal, o Hinduísmo é citado frequentemente como a religião mais
antiga do mundo, a mais antiga tradição viva ou a mais antiga das principais
tradições existentes. É formado por diferentes tradições e composto por
diferentes tipos, não possuindo um fundador. Esses tipos, sub tradições e
denominações, quando somadas, fazem do Hinduísmo a terceira maior religião do
mundo, depois do Cristianismo e do Islamismo, com aproximadamente um bilhão de
fieis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal. Outros países
com significativa população de hinduísta são Blangadesh, Sri Lanka, Paquistão,
Malásia, Singapura, Ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana, Trinidad e Tobago,
Reino Unido, Canadá e USA. O vasto corpo de Escrituras Sagradas do Hinduísmo se
divide em Shruti (revelado) e Smriti (recordado). Essas escrituras discutem a
teologia, filosofia e mitologia hinduísta, e fornecem informações sobre a
prática do Dharma (vida religiosa). Entre estes textos os Vedas e os Upanishades
possuem a primazia na autoridade, importância e antiguidade. Outras escrituras
importantes são os Tantras, os Ágamas sectários, e os Puranas, além dos épicos
Maabárata e Ramáiana. O Baghavad Ghita, um tratado do Maabárata, narrado pelo
deus Krishna, costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais
dos Vedas. Os hindus acreditam num Espírito Supremo Cósmico, que é adorado de
muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado
sobre uma variedade de práticas que são vistos como meios de ajudar o indivíduo
a experimentar a divindade que está em todas as partes, e realizar a verdadeira
natureza de seu Ser. A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos Avatares
(manifestações corporais) da Divindade Suprema, Brahma. Particular destaque é
dado a Trimurti (uma trindade constituída por Brahma, Shiva e Vishnu.
Tradicionalmente o culto direto aos membros da Trimurti é relativamente raro) e
mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, como por
exemplos Krishna, Avatar de Vishnu e personagem central do Baghavad Guita.
Hindu é o nome em persa do rio Indo, encontrado pela primeira vez na palavra
Hindu (handu) do persa antigo, correspondente ao sânscrito Védico Sindhu. O
Rigveda chama a terra dos indo arianos com Sapta Sindhu ( a terra dos sete rios
no noroeste da Ásia Meridional, um deles o Indo), que corresponde ao Hapta no
Avesta (Vendidad or Videvdad, 1:18), Escritura Sagrada do Zoroastrianismo. O
termo foi utilizado para designar aqueles que viviam no sub continente Indiano,
ou para além do Sindhu. O termo persa Hinduk entrou na Índia pelo Sultanato de
Delhi e aparece nos textos do sul da Índia, bem como da Cachemira, a partir de
1323, e a partir daí é cada vez mais utilizado, especialmente durante o Raj
britânico. Desde o fim do século XVIII a palavra passou a ser usada no ocidente
como um termo que abrange a maioria das tradições religiosas, espirituais e
culturais do sub continente, com a exceção do Sikhismo, Budismo e Jainismo;
religiões distintas. O Hinduísmo pode ser sub dividido em diversas correntes principais.
Dos seis Darshanas ou divisões históricas originais, apenas duas escolas, a
Vedanta e a Yoga, sobrevivem. As principais divisões do Hinduísmo hoje em dia
são o ShiKnuísmo, Shivaísmo, Smartismo e o Shaktismo. A imensa maioria dos
hindus atuais podem ser categorizados sob um destes quatro grupos, embora ainda
existam outros, cujas denominações e filiações variam imensamente. Alguns
estudiosos dividem as correntes do Hinduísmo moderno em seus tipos: Hinduísmo
Popular, baseado nas tradições locais e nos cultos das divindades tutelares,
praticado em nível mais localizado. Hinduísmo Dhármico ou moral diária, baseado
na noção de carma, na Astrologia, nas normas de sociedade como o sistema de
castas, os costumes de casamentos. Hinduísmo Vedanta, especialmente o Advaita
(Smartismo), baseado nos Upanishades e nos Puranas. Bhakti, ou devocionalismo,
especialmente Vishnuísmo. Hinduísmo Bramânico Védico, tal como é praticado
pelos brâmanes tradicionalistas, especialmente os Shrautins. Hinduísmo Yogue,
baseado especialmente nos Yoga Sutras de Patandjáli (200 AC 400 DC). O
comentário de Vyasa o define como descendente de Santanu. Existe diversas
lendas sobre esse autor, havendo uma que diz ser ele uma encarnação do deus
serpente Ananta, ou meio homem meio serpente. Ou ainda uma serpente que
desejando ensinar o Yoga ao mundo caiu (Pat) dos céus nas palmas das mãos
abertas (anjali) de uma mulher, que por sua vez o chamou de Patandjáli. Nos
documentos de Shadgurusishya pesquisados por Max Muller (1823-1900) indicam-se cinco
gerações de professores da tradição sânscrita, sendo o primeiro Shaunaka,
seguido por Asvalayana, Katyayana, Patanjali e finalmente Vyasa. Virtualmente
nada se sabe sobre a vida de Patanjali, e algumas escolas acreditam que ele é
totalmente ficcional, Com os principais templos Hoysaleswara e Khajuraho. O
Hinduísmo não tem um sistema unificado de crenças, codificado numa declaração
de fé ou um credo, mas sim é um termo abrangente, que engloba a pluralidade de
fenômenos religiosos que se originaram e são baseados nas tradições Vêdicas.
Hindu é originalmente um termo persa, em uso desde os tempos do Sultanato
Délhi, e que se referia a qualquer tradição nativa da Índia, em contraste com o
Islã. Hindu é usado no inglês no sentido de pagão indiano desde o século XVII.
Porém, a noção do Hinduísmo como uma tradição religiosa identificável,
qualificando uma das religiões do mundo, surgiu apenas durante o século XIX. A
característica da tolerância compreensiva às diferenças de credo e a abertura
dogmática do Hinduísmo o torna difícil de ser definido como uma religião de
acordo com o conceito ocidental tradicional. Embora o Hinduísmo seja um
conceito prático, claro que a maior parte de seus seguidores, muitos manifestam
algum tipo de problema ao tentar chegar a uma definição do termo,
principalmente devido à ampla gama de tradições e ideias incorporadas ou
cobertas por ele. Embora seja descrito como uma religião, o Hinduísmo costuma
ser definido com mais frequência como uma tradição religiosa. É descrito como a
mais antiga das religiões do mundo, e mais diversa em tradições espirituais. A
maior parte das tradições hindus reverenciam um corpo de Literatura Sagrada ou
religiosa os Vedas, embora existem exceções; algumas tradições religiosas
acreditam que certos rituais específicos sejam essenciais para a salvação, mas
diversos pontos de vista sobre o assunto podem coexistir. Algumas filosofias
hindus postulam uma ontologia teística da criação, sustento e destruição do
universo, enquanto outros hindus são não teístas. (há uma grande diferença
entre o termo teísta, ateísta e não teísta. Para esclarecimentos ler a
exposição sobre o Budismo nesse blog de 12 de agosto de 2014). O Hinduísmo por
vezes é caracterizado pela crença na reencarnação (Samsara), determinada pela
lei do carma, e que a salvação é a liberdade deste ciclo de sucessivos
nascimentos e mortes. Outras religiões da região, no entanto, como o Budismo e
o Jainismo, também acreditam nisto, mesmo estando fora do escopo do Hinduísmo.
O Hinduísmo é visto como a mais complexa de todas as religiões históricas vivas
do mundo, porém a despeito desta complexidade é não apenas numericamente a
maior delas, como também a mais antiga tradição em existência na Terra, com
raízes que se estendem até a pré história. Uma definição do Hinduísmo dada pelo
primeiro vice presidente da Índia, o reputado teólogo Sarvepalli Radhakrishnan
(1888-1975), diz que ele não é apenas uma fé, mas que, por estar ele próprio
relacionado à união da razão e intuição, não pode ser definido, apenas experimentado.
De maneira similar, alguns acadêmicos sugerem que o hinduísmo pode ser visto
como uma categoria com seus limites pouco definidos, e não uma entidade rígida
e bem definida. Algumas formas de expressão religiosa são centrais ao
Hinduísmo, enquanto outras não são tão centrais, porém ainda enquadram-se
dentro da categoria; com base nisto desenvolveram-se algumas teorias acerca da
definição do Hinduísmo, como a teoria dos protótipos. Os problemas com uma
única definição do que realmente se quer dizer pelo termo Hinduísmo
frequentemente são atribuídas ao fato de que o Hinduísmo não tem um fundador
histórico único ou comum. O Hinduísmo não tem um sistema único de salvação, e
apresenta diferentes metas de acordo com a seita ou denominação. As formas da
religião Vêdica são vistos não como uma alternativa ao Hinduísmo, mas como a
sua forma mais antiga, e praticamente não há justificativa para as divisões
estabelecidas pela maior parte dos acadêmicos ocidentais entre o Vedismo, o
Bramanismo e o próprio Hinduísmo. Uma possível definição de Hinduísmo é ainda
mais complicada pelo uso frequente do termo fé como sinônimo para religião.
Alguns acadêmicos e diversos praticantes se referem ao Hinduísmo com uma
definição nativa, como Sanatana Dharma, uma frase em sânscrito que significa a
eterna lei ou eterno caminho. O Hinduísmo é uma corrente religiosa que evoluiu
organicamente através dum grande território marcado por uma diversidade étnica
e cultural significativa. Esta corrente evoluiu tanto através da inovação
interior quanto pela assimilação de tradições ou cultos externos ao próprio
Hinduísmo. O resultado foi uma variedade enorme de tradições religiosas, que
vai de cultos pequenos e pouco espalhados por todo o sub continente indiano e
outras regiões do mundo. A identificação do Hinduísmo como uma religião
independente, separada do Budismo e o do Jainismo, depende muitas vezes da
afirmação dos próprios fiéis de que ela o é. Temas proeminentes na (porém não
restritos às) crenças hinduístas incluem o Dahma, ética hindu, Samsara, o
contínuo ciclo de nascimento, morte e renascimento. Carma a ação e consequente
reação, Moksa que corresponde a libertação do Samsara e as diversas Yogas que
são os caminhos ou práticas espirituais. O hinduísmo é um sistema diversificado
de pensamento, com crenças que abrangem o monoteísmo, politeísmo, panteísmo (crença de que Deus e todo o universo são uma única e mesma coisa, sendo que Deus não existe como um Espírito separado. Nesse conceito Ele é todo o universo, a mente humana, as estações e todas as coisas e ideias que existem)
monismo (sistema filosófico segundo o qual existe apenas uma espécie de realidade. O monismo de Baruc de Spinoza (1632-1677) identifica Deus com a natureza) e não teísmo, sendo seu conceito de Deus no Hinduísmo complexo, estando vinculado a
cada uma das suas tradições e filosofias. Por vezes é tido como uma religião
henoteísta (isto é, que envolve a devoção a um único deus, embora aceite a
existência de outros), porém o termo é visto, da mesma maneira que os outros,
como uma generalização excessiva. A maior parte dos hindus acredita que o
espírito ou a alma o (Eu) verdadeiro de cada pessoa, chamado de Atman é eterno.
De acordo com as teologias monistas e panteístas do Hinduísmo (tais como a Escola
Advaita Vedanta), este Atman não pode ser distinguido, em última instância, do
Brâman, o Espírito Supremo. Estas Escolas são, portanto, chamadas de não dualistas.
A meta da vida, de acordo como a Escola Advaita, é chegar à conclusão que o seu
Atman é idêntico ao Brâman, a Alma Suprema. Os Upanishades afirma que quem quer,
tome consciência do Atman como o âmago de si próprio estabelecendo uma identidade
com Brâman, atingindo assim o Moksha (liberação ou liberdade). Escolas
Dualísticas (Dvaita e Bhakti) compreendem Brâman como um Ser Supremo que possui
personalidade, e o veneram como Vishnu, Brahma, Shiva ou Shakti, dependendo da
seita. O Atman é dependente de Deus, enquanto o Moksha depende do amor à Deus e
da graça de Deus. Quando Deus é visto como um ser Supremo Pessoal (em lugar do
Princípio Infinito), Deus é chamado de Ishvara (O Senhor), Bhagavan (O
Auspicioso) ou Parameshwara (O Senhor Supremo). As interpretações de Ishvara
variam, no entanto, da não crença no Ishvara dos seguidores do Mimamsakas, até
a sua identificação com Brâman, pelo Advaita. Na maior parte das tradições do
Vishnuísmo, Deus é Vishnu, e o texto das Sagradas Escrituras Vedanta
identificam este Ser como Krishna, por vezes chamado de Svayam Bhagavam. Também
existem Escolas, como o Samkhya, que têm tendências não teístas. As Escrituras
hindus se referem a entidades celestiais chamadas Devas (na sua forma feminina,
Devatã é usado como sinônimo de Deva em hindi), os brilhantes, que pode ser
traduzido como deuses ou seres celestiais. Os Devas são uma parte integrante da
cultura hindu, e foram retratados na sua arte, arquitetura, e através de
ícones, e histórias mitológicas, sobre eles foram relatadas nas Escrituras da
religião, particularmente na Poesia Épica indiana e nos Puranas. Frequentemente
são, no entanto, dissociados de Ishvara, um deus pessoal, supremo que muitos
hindus veneram de uma forma particular, como seu Istadevatã, ou ideal escolhido.
A escolha é uma questão de preferência individual e tradições regionais e
familiares. Os Épicos hindus e os Puranas relatam diversos episódios da descida
de Deus à Terra em sua forma corpórea para restaurar o Dharma da sociedade e
guiar os humanos ao Moksha. Tal encarnação é chamada de Avatar. Os Avatares,
mais são de Vishu, e incluem Rama (protagonista do Ramávana) e Krishna (figura
central do Épico Mahabárata). Carma pode ser traduzido literalmente como ação,
obra ou feito, e pode ser descrito como a lei moral de causa e efeito. De
acordo com os Upanishades um indivíduo, conhecido como o Jiva Atma, desenvolve Samskaras (impressões) a partir das ações, sejam elas físicas ou mentais. O
Linga Sharira, um corpo mais sutil que o físico, porém menos sutil que a alma,
armazena as impressões, e lhes carrega à vida seguinte, estabelecendo uma
trajetória única para o indivíduo. Assim, o conceito de um carma infalível,
neutro e universal, relaciona-se intrinsecamente à reencarnação, assim como à
personalidade, característica e famíliar de cada um. O carma une os conceitos de
livre arbítrio e o destino. O ciclo de ação, reação, nascimento, morte e
renascimento é um contínuo, chamado de Samsara. A noção de reencarnação e carma
é uma premissa forte do pensamento hindu. O Bhagavad Guita afirma que:
"Assim como uma pessoa veste roupas novas e joga foras as roupas antigas e
rasgadas, uma alma encarnada entra em novos corpos materiais, abandonando os
antigos". A Samsara dá prazeres efêmeros, que levam as pessoas a desejarem
o renascimento para gozar dos prazeres de um corpo perecível. No entanto,
acredita-se que escapar do mundo da Samsara através do Moksha assegura
felicidade e paz duradouras. Acredita-se que depois de diversas reencarnações
um Atman eventualmente procura a união com o Espírito Cósmico (Brâman/
Paramtman). A meta final da vida, referida como Moksha, Nirvana ou Samâdhi, é
compreendida de diversas maneiras diferentes. Assim sucedendo: como uma
realização da união de alguém com Deus; como a realização da relação eterna de
alguém com Deus; realização da unidade de toda a existência; a abnegação total
e conhecimento perfeito do próprio Eu; como o alcance de uma paz mental
perfeita e como o desprendimento dos desejos mundanos. Tal realização libera o
indivíduo da Samsara e termina com o ciclo de renascimentos. A conceitualização
do Moksha difere entre as várias Escolas de Pensamento Hindu. O Advaita
Vedanta, por exemplo, sustenta que após alcançar o Moksha um Atman não mais
identifica a si próprio como um indivíduo, mas sim como sendo idêntico a Brâman
em todos os aspectos. Os seguidores das Escolas Dvaita (dualística) se
identificam como parte de Brâman, e, após atingir o Moksha, esperam passar a
eternidade num Loka (céu), na companhia de sua forma escolhida de Ishvara.
Assim, diz-se os seguidores do Dvaita que desejam "provar o açucar",
enquanto os seguidores do Advaita querem "se tornar o açucar". O
pensamento hindu clássico aceita os seguintes objetivos da vida humana,
conhecidos como os Purusarthas ou quatro objetivos da vida que são Dahma
(retidão), artha (sustento), kama (prazer sensual), Mokhsa (liberação ou
liberdade do Samsara). No Hinduísmo, acredita-se que todos os homens seguem o
Kama e o Artha, mas brevemente, com maturidade, eles aprendem a controlar estes
desejos com o Dharma, ou a harmonia moral presente em toda a natureza. O
objetivo maior seria o infinito, cujo resultado é a absoluta felicidade, Moksha
(também conhecida como Mukti, Samadhi, Nirvana), ou liberação do Samsara, o
ciclo da vida, morte, e da existência dual. Qualquer que seja a maneira na qual
o hindu defina a meta de sua vida, existem diverso métodos (Yogas) que os
sábios ensinaram para se atingir aquela meta. Textos dedicados ao Ioga incluem o
Bhagavad Guita, os Yoga Sutras, o Hatha Yoga Pradipika, a Gheranda Samhita,
entre outros, e, como sua base filosófico histórica, os Upanishades. Os caminhos
que um indivíduo pode seguir para atingir a meta espiritual da vida (Moksha ou
Samadhi) incluem, entre outros: Bhakti Yoga que é o caminho do amor e da
devoção. O Karma Yoga conhecido como o caminho da ação correta. Raja Yoga é o
caminho da meditação. Jnana Yoga corresponde ao caminho da sabedoria. Raja Yoga
é o caminho da união real. Um indivíduo pode preferir um ou alguns Yogas sobre
os outros, de acordo com a sua inclinação e entendimento. Algumas Escolas
Devocionais ensinam que o Bhakti é, para a maior parte das pessoas o único
caminho prático para se alcançar a perfeição espiritual, com base em sua crença
de que o mundo atualmente estaria no Kali Yuga (uma das quatro épocas que
formam o ciclo Yuga). A prática de um Yuga não exclui as outras, e muitos
estudiosos acreditam que os diferentes Yogas se misturam naturalmente e
auxiliam na prática das outras Yogas. Por exemplo, pensasse que a prática da
Jnana Yoga inevitavelmente leve ao amor puro (a meta do BhaKti Yoga) e
vice - versa. Alguém que pratica a meditação profunda (como no Raja Yoga) deve
incorporar os princípios centrais do Karma Yoga, do Jnana Yoga e do Bhakti Yoga,
seja direta ou indiretamente. As práticas geralmente envolvem a procura da
consciência de Deus, e por vezes também a procura de bênção dos Devas. Assim, o
Hinduísmo desenvolveu muitas destas práticas como forma de ajudar o indivíduo a
pensar na divindade em meio à vida cotidiana. Os hindus podem praticar a
Puja (culto u veneração) tanto em casa como num templo. Em seus próprios lares
os hindus frequentemente costumam criar um altar, com ícones dedicados às suas
formas escolhidas de Deus. Os templos costumam ser dedicados a uma divindade
primária e as divindades subordinadas que lhe são associadas, embora alguns
templos sejam dedicados a mais de uma divindade. A visita a templos não é
obrigatória, e muitos os frequentam apenas durante os festivais religiosos. Os
hindus realizam seu culto através dos Murtis, ícones; o ícone serve como uma
ligação tangível entre o fiel e Deus. A imagem costuma ser considerada uma
manifestação de Deus, já que Ele é imanente. O Padma Purana afirma que o Murti
não deve ser visto como apenas pedra ou madeira, mas sim como uma forma
manifesta da Divindade. Algumas seitas hindus, como o Arya Samaj, não acreditam
em venerar Deus através de ícones. O Hinduísmo possui um sistema desenvolvido
de simbolismo e iconografia (estudos dos assuntos representados nas obras de
arte, de suas fontes e de seus significados) para representar o sagrado na
arte, arquitetura, literatura e em seu culto. Estes símbolos ganham seu
significado nas esculturas, mitologias ou tradições culturais. A silaba Om (que
representa o Parabrahman) e o sinal da suástica (que simboliza prosperidade
ou de bom presságio, que incita esperança) acabaram passando a representar o
próprio Hinduísmo, enquanto outros símbolos, como a Tilaka, identificam um
seguidor da fé. O Hinduísmo ainda apresenta diversas insígnias que são
costumeiramente associados a divindades específicas, como o Lótus, Chakra e
Veena. Os Mantras são invocações, louvores e orações que, através de seu
significado, som e estilo de canto, ajudam um devoto a focar a sua mente nos
pensamentos sagrados ou exprimir devoção a Deus ou às divindades. Muitos
devotos realizam abluções (lavagem do corpo ou de parte dele) matinais as margens de um rio sagrado, enquanto
cantam o Gayatri Mantra ou os Mantras Mahamrityunjava. O poema Épico Maabarata
exalta o Japa (canto ritualístico) como o maior dever durante o Kali Yuga (que
os hindus acreditam ser a era presente), e muitos adotam o Japa como sua
prática espiritual primordial. A imensa maioria dos hindus praticam rituais
religiosos diariamente, porém a observância destes rituais varia enormemente de
acordo com as regiões, cidades ou aldeias e indivíduos. A maior parte dos
hindus segue estes rituais religiosos em seus lares. Os hindus mais devotos
também executam tarefas diárias, como venerar durante a alvorada, depois de se
banhar (normalmente num santuário familiar, num ritual que também envolve o
acendimento de uma lâmpada e a colocação de oferendas de alimentos diante de
imagens das divindades), recitar os escritos religiosos, cantar hinos
devocionais, meditar, cantar Mantras, dentre outros. Um fator de destaque nos
rituais religiosos é a divisão entre o puro e o impuro (ou poluído). Atos
religiosos pressupõem algum grau de impureza ou poluição para o seu
praticamente, que devem ser anulados ou neutralizados antes ou durante o
decorrer do ritual. A purificação, feita geralmente com água, é portanto um
aspecto típico da maior parte dos atos religiosos do Hinduísmo. Outras
características incluem a crença na eficácia do sacrifício e do conceito de
mérito, ganho através da realização da caridade ou de bons atos, que acumulam
com o tempo e reduzem o sofrimento no próximo mundo. Os ritos Védicos da
oblação pelo fogo (Yajna) são atualmente apenas práticas ocasionais, embora
sejam altamente reverenciadas na teoria. Nas cerimônias de casamentos e funerais
hindus, no entanto, o Yajna e o entoamento de Mantras Védicos ainda são a
norma. Os rituais, Upacharas, mudam com o tempo; por exemplo, nas últimas
centenas de anos alguns rituais, como as danças sagradas e as oferendas
musicais nos tradicionais conjuntos de Upacharas Sodasa, recomendados pelo
Agama Shastra, foram substituídos por oferendas de arroz e doces. Ocasiões como
nascimentos, casamentos e mortes envolvem o que são frequentemente conjuntos
elaborados de costumes religiosos. No Hinduísmo, os rituais que tratam do ciclo
da vida incluem o Anaprashan (a primeira ingestão de comida sólida por um
bebê). Upanayanam (cerimônia do fio sagrado pela qual passam as crianças de
castas elevadas em sua iniciação na educação formal) e Shraadh (ritual de
conceder banquetes em nome dos falecidos). Para a maior parte das pessoas na
Índia, o noivado de um jovem casal e a data e hora exatas do casamento são
questões decididas pelos pais, em consultas com astrólogos. Na morte, a
cremação, que é considerada obrigatória para todos, com a exceção de Sanyasis,
Hijra e crianças abaixo de cinco anos, costuma ser executada envolvendo-se o
corpo em algum tecido e queimando-o sobre uma Pira. A peregrinação não é
obrigatória no Hinduísmo, embora muitos de seus seguidores as realizem. Os
hindus reconhecem diversas cidades sagradas na Índia, incluindo
Allahabad, Haridwuar, Varanasi e Vrindavan. Entre as cidades que possuem
templos famosos está Puri, que abriga um dos principais templos Vishuísta de
Jagannath e a comemoração de Rath Yatra: Tirumala Tirupati, Lar do Templo
Tirumala Venkateswara. Dwarka e Badrinath (ou, alternativamente, as cidades de
Badinath, Kedarnath, Gangotri e Yamunotri no Himalaia) compõem o circuito de
peregrinação de Char Dham (quatro moradas). O Kumbh Mela (o festival das
jarras) é uma das peregrinações hindus mais sagradas, realizada a cada quatro
anos. A localização é alternada entre Allahabad, Haridwar, Nashik e Ujjain.
Outro importante grupo de peregrinações são os Shakti Peethas, onde a Deusa Mãe
é cultuada, da qual as duas principais são Kalighat e Kamakhya. O Hinduísmo
apresenta diversos festivais ao longo do ano. O calendário hindu costuma
prescrever estas datas. Estes festivais tipicamente celebram eventos da
mitologia hindu, e coincidem muitas vezes com as mudanças de estação. Existem
festivais que são celebrados principalmente por seitas específicas ou em certas
regiões do Sub continente Indiano. Alguns dos festivais mais importantes são o
Maha Shivaratri, Holi, Ram Navami, Krishna Janmastami, Ganesh Chaturthi,
Dussera e Durga Puja, além do Diwali. Continuamos na parte II. Beijo. Davi.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Jainismo.
O Jainismo ou jinismo é uma das religiões mais antigas da Índia,
juntamente com o Hinduísmo e o Budismo,
compartilhando com este último, um não teísmo de Deus
como criador ou figura central. Considera-se que a sua origem antecede o Bramanismo, embora seja mais provável que tenha surgido na
sua forma atual no século V AC, em resultado da ação religiosa do Mahavira.
Vista durante algum tempo pelos investigadores ocidentais como uma seita do
hinduísmo ou uma heresia do budismo, devido à partilha de elementos comuns com
estas religiões, o Jainismo é contudo um fenômeno original. Ao contrário do
Budismo, o Jainismo nunca teve um espírito missionário, tendo permanecido na
Índia, onde os jainas constituem hoje cerca de quatro milhões de crentes.
Pequenas comunidades jainas existem também na América do Norte e na Europa,
em resultado de movimentos migratórios. A palavra Jainismo tem as suas origens
no verbo sânscrito jin que significa
"conquistador". Os seus adeptos devem combater, através de uma série
de estágios, as paixões de modo a alcançar a libertação do mundo. Sua visão
básica é dualista. A matéria e a mônada vital ou jiva são de naturezas
distintas, e durante sua vida o ser vivente (seja humano ou animal) tinge sua
mônada como resultado de suas ações. Para se purificar, esta religião propõe um
extremo ascetismo e o colocar em prática da doutrina da não
violência ou ahimsa. Os jainas reconhecem que pessoas, animais, plantas,
formações rochosas, cursos de água e quedas de água têm jiva, ou seja
alma ou princípio vital. Todos estes seres têm igual valor e estão interligados
na teia de existência por elos kármicos. Segundos os historiadores da religião,
o jainismo estabeleceu-se na Índia em meados do primeiro milenio AC. O seu
fundador foi o Mahavira, existindo duas propostas para o período em que
viveu: 599 AC 527 (data tradicional apontada pelo jainismo) ou 540 AC 470.
(segundo os académicos). Nasceu perto de Patna,
naquilo que é hoje o estado do Bihar. Foi um contemporâneo do Budha,
tendo pregado na mesma região geográfica, embora não conste que os dois mestres
tenham alguma vez encontrado. Pertencia à casta
dos guerreiros (xátrias), casou, viveu
no luxo até que por volta dos trinta anos tornou-se um mendigo errante.
Entregou-se a longos processos ascéticos até obter a iluminação, tendo
consagrado os restantes trinta ou quarenta anos da sua vida a pregar a sua
doutrina. Faleceu em Pavapuri, no Bihar,
que é desde então um dos principais locais de peregrinação jaina. De acordo com
os jainas, a sua religião é eterna, tendo sido a doutrina revelada ao longo de
várias eras pelos Tirthankaras, palavra que significa
"fazedores de vau", ou seja, alguém que ensinou o caminho. Os
Tirthankaras foram almas nascidas como seres humanos que alcançaram a
libertação (moksha) do ciclo dos renascimentos através da renúncia e
que transmitiram os seus ensinamentos aos homens. Na presente era existiram 24
Tirthankaras. O último desses Tirthankaras foi o Mahavira, que os jainas não
consideram como o fundador do jainismo, mas antes aquele que lhe deu a sua
forma actual. O 23.º Tirthankara foi Parshva, que os
historiadores consideram ter sido provavelmente uma figura histórica que viveu
cerca de três séculos antes do Mahavira. Os jainas acreditam que Parshva pregou
os 4 grandes princípios do jainismo, a saber: não violência (ahimsa), evitar a
mentira, não se apropriar do que não foi dado e não se apegar às posses
materiais. Os jainas encontram-se divididos em dois grupos principais: os Digambara (Vestes de
céu) e os Svetambara (Vestes brancas). Cada um destes grupos
encontra-se por sua vez dividido em vários subgrupos. A maioria dos jainas
pertencem ao grupo Svetambara. A origem destes dois grupos situa-se no século I d.C (ou talvez no século III d.C, segundo alguns autores) e deve-se a
disputas em torno dos textos que devem constituir as escrituras do jainismo. Os
Svetambara consideram que as suas escrituras estão mais próximas dos
ensinamentos originais do Mahavira, enquanto que os Digambara rejeitam uma
parte considerável dessas escrituras. Os Digambara consideram igualmente que a
renúncia pregada pelo Mahavira implica para os monges a nudez total e que as
mulheres devem primeiro renascer como homens para poderem atingir a libertação.
Ao nível da geografia, os Digambara concentram-se no sudoeste da Índia e os
Svetambara no noroeste (estados do Gujarate,
Rajastão e Madhya Pradesh). As estátuas dos dois grupos são
também diferentes: os Tirthankaras dos Svetambara possuem roupas e uma
decoração mais rica, enquanto que as dos Sigambara estão nuas; estas diferenças
fazem com que um adepto dos Digambara não possa praticar o culto num templo
Svetambara. Posses materiais; o Mahavira acrescentou o princípio da castidade.
A posse de qualquer bem é vista como relacionada com a violência, e até uma
forma de violência física e psíquica. A violência em todas as suas formas tem
origem no desejo de possuir, dominar, e controlar. Os ascetas jainas recusam
possuir seja o que for, mas para os leigos a posse de algumas coisas é
necessária para a realização das tarefas diárias. A possessividade transitória
(usar um ser para deitá-lo fora) é uma forma de apego e baseia-se em relações
de exploração de poder, por parte de um dos lados, em vez de amor e
equanimidade incondicional. A assunção de que alguém tem acesso privilegiado à
verdade é o mais potente motor de conflito entre os seres humanos. O conceito
de não absolutismo refere-se ao pluralismo de opiniões, e à noção de que os
vários pontos de vista sobre a verdade não são a própria verdade. O Jainismo
encoraja os seus seguidores a considerarem os pontos de vista de outras
filosofias, e consideram que quando qualquer uma destas filosofias, incluindo a
jaina, se apega demais às suas próprias ideias está a cometer o erro de
considerar o seu ponto de vista absoluto. A ideia é representada pela parábola
dos homens cegos e do elefante, em que vários cegos tocam em partes do
elefante, como as orelhas e as pernas, e descrevem, de forma contraditória, o
que pensam ser o animal completo, partindo do pressuposto de que a parte que
tocaram representava a verdade completa. O conceito de Syadvada ou talvez-ismo
diz que se deve considerar que todas as proposições são apenas parcialmente
verdadeiras (e parcialmente falsas). Os pontos de vista parciais da verdade são
chamados de Naya. Segundo o princípio chamado de Nayavada, através da abertura a diversos pontos de
vista, o jainismo pretende que o praticante integre os diversos pontos de vista
parciais, ou naya, numa teoria abrangente. A não violência é o cerne do
jainismo e o ponto onde todas as doutrinas se intersectam. A violência é a
agressão intencional ou não intencional. Os jainistas tentam evitar a agressão
em todas as suas formas, seja através de ações, palavras, ou pensamentos, a
todo e qualquer ser vivo, ou aos ecossistemas. O Jainismo considera o lacto vegetarianismo como o mínimo que deve ser feito pelos
adeptos, e os estudiosos jainas defendem o veganismo,
porque a produção de leite é agressiva para as vacas. Por causa de sua adesão à
Ainsa (rejeição constante a violência e respeito absoluto a toda forma de
vida), os jainistas não comem carnes, inclusive de peixes, também nem ovos e
mel. Há um movimento cada vez mais forte, dentro do jainismo, em direção ao
vegetarianismo estrito e à rejeição ao uso de produtos animais para fazer
roupas e para outros fins. Um dos mais proeminentes líderes espirituais vivos
do jainismo é Gurudev Chitrabhanu (1922-
), que é um vegano bem estrito. Não há nenhuma tradição espiritual que
seja tão centrada nos animais não humanos quanto o jainismo. Eles não somente
promovem o vegetarianismo, e cada vez mais o veganismo, como também estão por
trás da maior parte das atividades de proteção animal do tipo “mão na massa”
realizada na Índia. O veganismo e diferente de vegetarianismo, pois o veganismo
significa os princípios pelos quais o ser humano viva sem explorar os animais.
É a prática e busca ao fim do uso de animais para alimentação, apropriação,
trabalho, caça, vivissecção, confinamento e todos os outros usos que envolvam
exploração da vida animal. Os veganos procuram abolir qualquer prática que
explore animais, zelando pela preservação da liberdade e integridade animal, no
exercício da não violência, a busca pro alternativas aos mais diversos
produtos, o não consumismo, entre outras práticas. Também boicotam qualquer
produto de origem animal (alimentar ou não), além de produtos que tenham sido
testados em animais ou que incluam qualquer forma possível de exploração animal
nos seus ingredientes ou processos de manufatura. Ou seja, não utilizam
produtos de beleza, de higiene pessoal, de limpeza, remédios, etc, que não
estejam isentos de crueldade. Preferem usar os termos animais não humanos ou
seres sencientes, em vez de irracionais. Os jainas também não comem tubérculos (parte grossa de um caule que cresce debaixo da
terra. O tubérculo armazena alimentos em geral amido, para a planta. A batata é
o melhor exemplo de tubérculo. Os jainas também têm um cuidado especial para
evitar possíveis danos a pequenos insetos, por exemplo ao colocarem um pano
sobre as suas bocas para não os aspirarem ou varrendo o chão à sua frente
quando andam Os jainas consideram que o tempo é infinito e cíclico. Ele é visto
como uma grande roda dividida em duas partes idênticas: uma realiza um
movimento ascendente (Utsarpini), enquanto que a outra um movimento
descendente (Avasarpini). Cada uma destas partes divide-se em seis eras
(ara). Durante o período ascendente os seres humanos progridem ao nível
do saber, estatura e felicidade, enquanto que o período descendente
caracteriza-se pela degradação do mundo, pelo esquecimento da religião e pela
perda de qualidade de vida pelos humanos. Segundo os jainas, vivemos atualmente
num período de movimento descendente, numa era de infelicidade (Dukham Kal),
que começou há 2500 anos e que durará 21 mil anos. Segundo o jainismo, o
universo divide-se em cinco mundos, sendo cada um deles habitado por
determinado tipo de seres. O universo é eterno, não tendo sido criado por
nenhum ser superior. No topo do universo está a morada suprema (Siddhashila),
que é o local onde habitam as almas que alcançaram a libertação (estas almas
são denominadas Siddhas). Abaixo encontram-se trinta céus, habitados por
seres celestiais, alguns dos quais caminham para a morada suprema. O mundo
médio (Madhyaloka) inclui vários continentes separados por mares. No
centro deste mundo encontra-se o continente Jambudvipa, considerado o único
continente no qual as almas podem alcançar a libertação. Os seres humanos
habitam este continente, bem como um segundo continente ao lado deste e parte
do terceiro continente. O mundo inferior (Adholoka) consiste em sete
infernos, onde os seres são atormentados por demónios e onde se atormentam uns
aos outros. Abaixo do sétimo inferno encontra-se a base do universo (Nigoda),
habitada por inúmeras formas inferiores. A semelhança do Hinduísmo e do Budismo,
o jainismo partilha da crença no karma, embora de uma forma diferente. O karma
no jainismo não é apenas um processo em que determinadas ações produzem reações,
mas também uma substância física que se agrega a uma alma. As partículas de
karma existem no universo e associam-se a uma alma devido às ações dessa alma
(por exemplo, quando uma alma mente, rouba ou mata esta provoca agregação de
karma na sua alma). A quantidade e qualidade destas partículas determinam a
existência que a alma terá, a sua felicidade ou infelicidade. Só é possível a
uma alma alcançar a libertação quando desta se retirarem todas as partículas de
karma. O processo que permite a libertação das partículas de karma de uma alma
denomina-se Nirjara e inclui práticas como o jejum,
o retiro para locais isolados, a mortificação do corpo e a meditação. Os seguidores do Jainismo utilizam para isso um
ritual mortuário chamado Sallekhana (também conhecido como Santhara, Samadhi
Marana, Samnyasa Marana), que consiste em praticar a eutanásia através do
jejum. Devido à natureza prolongada da Sallekhana, é dado tempo ao indivíduo
suficiente para refletir sobre sua vida e pedir perdão dos seus pecados aos
deuses. O voto de Sallekhana é tomado quando se sente que a vida tem servido o
seu propósito. O objetivo é limpar karmas antigos e impedir a criação de novos.
Existe uma prática hindu similar conhecido como Prayopavesa. De acordo com a
revista Press Trust of India, em média, 240 jainistas prática Sallekhana até a
morte a cada ano na Índia. O jainismo considera a vida monástica como o ideal
de vida dos seres humanos. Entre os Svemtambara a entrada na vida
monástica é autorizada aos dois sexos a partir dos sete anos, mas realiza-se em
geral numa idade mais avançada. O noviço deve abandonar todos os seus bens; por
altura da sua ordenação (Diksa) a sua cabeça é rapada e ele toma os
cinco votos, que segue numa versão mais rigorosa do que a dos leigos (Mahavrata).
Os monges jainas levam uma vida itinerante, com exceção da época das monções,
altura em que se recolhem numa determinada localidade. Dependem para a sua
alimentação da caridade fornecida pelos leigos jainas, a quem oferecem em troca
assistência espiritual. Os monges do ramo Svetambara podem ser donos de
pequenas coisas, como uma fina veste branca, uma tigela onde recebem os
alimentos dos leigos e uma máscara de tecido usada sobre a boca (Mukhavastrika),
cujo objectivo é evitar a ingestão involuntária de pequenos insetos. Os monges Digambara
interpretam o preceito do desapego de uma forma bastante rigorosa e por esta
razão não usam roupas; as monjas deste ramo usam uma veste branca. Os monges Digambara
não possuem uma tigela e usam a mãos como recipiente dos alimentos. Os monges
Svetambara costumam se deslocar em pequenos grupos de cinco ou seis monges,
enquanto que os Digambara geralmente viajam sozinhos.Todos os monges devem
seguir as três regras que evitam a conduta incorreta (Guptis: ter
cuidado com os pensamentos, as palavras e as ações). Entre os Svetambara
o número de monjas ultrapassa o de monges. As monjas Digambara aceitam a
doutrina que afirma que para se avançar no caminho espiritual é necessário
nascer com um corpo masculino. Os jainas que não são monges devem observar oito
regras de comportamento e devem tomar doze votos. As oito regras de
comportamento variam, mas em geral incluem a prática absoluta e irrestrita de
Ahimsa (não violência) que tem seu ponto forte na alimentação: não comer carne
de nenhum tipo, não comer certos vegetais (cebola, alho, batata) os quais se
acredita serem de origem inferior e não usar nenhum produto de origem animal.
Outras regras incluem não se alimentar à noite, não ingerir bebidas alcoólicas
nem substâncias consideradas alteradoras da consciência (cafeína, teobromina) e
praticar a caridade a todos os seres vivos. Ler sobre as qualidades
transcendentais dos Tirthankaras e recitar o Navkar Mantra também fazem parte
das principais práticas diárias. Quanto aos doze votos, eles podem ser
divididos em três classes: 1. Anuvratas, são os cinco votos principais:
abster-se de atos violentos, não mentir, não roubar, não cobiçar o parceiro de
outra pessoa e limitar as possessões pessoais. 2. Gunavratas, são três votos
que reforçam os cinco votos principais: restringir as atividades pessoais a um
área concreta (Digvrata), restringir práticas que proporcionam prazer
(Bhogopabhogavrata), evitar atos que causam sofrimento (Anarthadandavrata). 3. Siksavratas,
são quatro votos de disciplina espiritual: meditar, limitar determinadas
atividades a certos momentos, adotar a vida de um monge por um dia, fazer
donativos aos monges ou aos pobres. Uma das principais formas de culto dos
jainas leigos é prestar homenagem às estátuas dos Tirthankaras. Os jainas lavam as estátuas e dedicam-lhes
oferendas, como mel, flores, arroz, etc. Alguns grupos jainas, como os Sthanakavasis
e os Terapanthis, são contra o culto de imagens. O crente não adora a
estátua em si, mas antes as qualidades associadas a ela, de modo a receber
inspiração para seguir o mesmo caminho. As estátuas podem ser adoradas nos
templos ou então em pequenos santuários existentes nas casas. São representadas
em posição de meditação, sentadas ou em pé. Não é possível estabelecer qualquer
forma de contato com os Tirthankaras através desta forma de culto, uma vez que
estes, tendo alcançado a libertação, ficam fora do contato humano. Contudo,
durante a Idade Média cada Tirthankara foi
associado a uma deusa protetora, em relação às quais se desenvolveram formas
particulares de devoção. As deusas mais importantes são Ambika
(associada ao 22º Tirthankara, Arishtanemi), Padmavati (associada a Parshva), Lakshmi
e Sarasvati. As orações jainas fazem referência aos grandes
actos dos Tirthankaras e aos ensinamentos do Mahavira, sendo ditas num antigo
dialeto do Bihar, o Ardha Magadhi. A principal oração é o Namaskara Sutra,
através do qual o jaina presta homenagem às qualidades dos cinco grandes seres
do Jainismo.
- O ato de fazer doações para a construção de templos é também considerado uma forma de culto, assim como a prática de peregrinações. Mahavira Jayanti, decorre em março ou abril e celebra a data do nascimento do Mahavira. Neste dia estátuas do Mahavira são levadas em procissões pelas ruas e os jainas reúnem-se nos templos para ouvir a leitura dos seus ensinamentos.
- Paryushana: durante o mês de Bhadrapada (agosto setembro) os membros do ramo Svetambara do jainismo celebram um dos seus festivais mais importantes, Paryushana. Este festival está dedicado ao perdão e consiste na prática do jejum durante oito dias. No último dia do festival (Samvatsari) os jainas pedem perdão uns aos outros por ofensas que possam ter causado; aqueles que conseguiram jejuar durante os oito dias seguidos são levados para os templos em procissão. O festival equivalente na tradição Digambara denomina-se Dashalakshanaparvan, e para além da prática do jejum, é lido nos templos um importante texto, o Tattvartha Sutra.
- Divali (festa da luzes), celebração comum a toda a Índia, é para os jainas a comemoração da altura em que o Mahavira deu os seus últimos ensinamentos e alcançou a libertação. Ocorre no mês de Kaartika, que corresponde no calendário gregoriano a outubro novembro.
- Kartik Purnima, ocorre no dia de lua cheia do mês de Kaartika. Após terem permanecido numa determinada localidade durante os meses da monção, os monges e monjas jainas regressam à vida errante, sendo por vezes acompanhados por leigos no percurso que fazem para outro local. Neste dia muitos jainas realizam a peregrinação aos templos de Palitana, no estado indiano do Gujarate.
- Mastakabhisheka - Cada doze anos os jainas (principalmente os do ramo Digambara) reúnem-se no santuário de Shravana Belgola no estado de Karnataka, onde se encontra uma estátua de dezessete metros de Bahubali, que é alvo de libações com água, mel, leite, flores, preparados de ervas e especiarias.
O Jainismo dá mais ênfase à suástica (antigo símbolo usado como ornamento
ou emblema religioso. A suástica tem a forma de uma cruz com os braços dobrados
em ângulos retos e voltados para uma determinada direção. Ela foi descoberta em
construções bizantinas, inscrições budistas, monumentos celtas e moedas gregas)
que o hinduísmo. Representa o sétimo Jina (santo), o Tirthankara
Suparsva. É considerada uma das 24 marcas auspiciosas, emblema do sétimo arhat
dos tempos atuais. Todos os templos jainistas, assim como os livros santos
jainistas, contêm a suástica. As cerimônias jainistas começam e terminam com o
desenho da suástica feito várias vezes em volta do altar. Os adeptos também
usam o arroz para desenhar a suástica (também conhecida por Sathiyo no estado
indiano de Gujarat) diante dos ídolos nos templos. Os jainistas colocam uma
oferenda sobre esta suástica, geralmente uma fruta, um doce (Mithai), uma fruta
em passa ou ainda uma moeda ou cédula de dinheiro. Fonte: Wikipédia. Abraço.
Davi.
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