quarta-feira, 8 de julho de 2026

CABALA. MITOS E VERDADES - Parte X

Judaísmo. Um Guia para a Sabedoria da Cabala. Por Michel Laitman. CABALA. MITOS E VERDADES. Parte X. Quando as Letras e Palavras acrescentam. Pontos principais. Entendendo as letras, palavras e números hebraicos. A conexão Criador-criação-desejo. A forma como números, palavras e letras refletem a nossa própria correção. O idioma hebraico, e o modo como é escrito, é o resultado direto da comunicação com os Mundos Superiores. A combinação das letras e as pinceladas de tinta que as criam são atadas com o conhecimento espiritual. Da mesma forma, as letras, palavras e números, que normalmente são coisas separadas, estão intrinsecamente unidos na Cabala. Entender as suas relações dá maior significado espiritual a cada um deles. Cada letra, e as palavras que elas formam, tem sua própria história espiritual para contar. Então, vamos começar a falar delas. As ligações entre letras, palavras e números. Na língua hebraica, cada letra corresponde a um número. Como resultado, qualquer palavra ou nome pode se tornar uma série de números. Os números podem ser tomados um de cada vez, ou somados juntos. As letras são resultado das sensações espirituais. A direção das linhas e das formas numa letra têm um significado espiritual. Como resultado, as letras hebraicas são códigos para as sensações que o escritor recebe do Criador. Quando uma letra ou palavra é escrita, o autor está nos dando sua percepção consciente do Criador. O Criador está agindo nelas à medida que são escritas. À cor também é uma pista para o modo como a criação, tinta preta, trabalha de mãos dada com o Criador, livro branco. Sem isso, você não pode entender a escrita ou a história da criação, e o que ela significa para você. Um mapa da espiritualidade. A Torah é o texto principal do Judaísmo, o Velho Testamento no Cristianismo, bem como um texto Cabalístico. Suas letras mostram toda a informação que irradia do Criador. Nas letras hebraicas há dois tipos básicos de linhas, representando dois tipos de luz. As linhas verticais representam a Luz da sabedoria ou do prazer. As linhas horizontais representam a Luz da misericórdia ou da correção. Existem também diagonais e linhas circulares que tem significados específicos em cada letra, mas isso está além do alcance deste livro. Os códigos são oriundos das mudanças na Luz, à medida que ela desenvolve o nosso Kli, é chamada Taamim, sabores, e quando sai chama-se Nekudor, pontos. As memórias ou recordações da entrada da Luz são Otior, letras. Todas as letras começam com um ponto. Um ciclo completo de um estado espiritual contém: a entrada, a saída, as recordações da entrada, e as recordações da saída. O quarto e último elemento cria as letras. Os outros três elementos são escritos como símbolos minúsculos, Taamim, acima das letras caracteres, tagin, dentro das letras e pontos, Nekudot, debaixo das letras. Com a correta instrução para ler a Torah, os Cabalistas podem ver o seu passado, presente e futuro. Através da contemplação destes símbolos em cada uma de suas combinações. Mas para isso, não basta simplesmente ler o texto. Devemos enxergar os códigos. Certas combinações de letras podem ser usadas no lugar da linguagem das Sefirot e dos Partzufim, quando descrevemos ações espirituais. Os objetos e as ações mostradas nas letras e suas combinações, também podem dar uma descrição do mundo espiritual. A chave para se ler a Torah desta forma é O Zohar. Em essência, o livro contém comentários sobre as cinco partes da Torah - Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio - e explica o que está oculto no texto de Moisés. As letras representam a informação sobre o Criador. Mais precisamente, elas descrevem a experiência do indivíduo sobre o Criador. Os Cabalistas descrevem o Criador como uma Luz branca, o fundo do papel onde são escritas as letras e as palavras. As percepções da criatura sobre o Criador enfatizam sensações que uma pessoa sente experimentando-O, usando letras e palavras. É por isso que a Escritura hebraica tradicional é feita om letras pretas sobre um fundo branco. Pontos e linhas. Os pontos e as linhas nas letras hebraicas são formas sobre o papel, que está em branco e vazio. O papel é a Luz ou o Criador. A tinta preta é a criação. Uma linha vertical, significa que a Luz desce de cima - do Criador para a criação. Uma linha horizontal, significa o Criador está se relacionando com toda a existência - como a varredoura de uma paisagem. A forma das letras hebraicas vem da combinação de Malchut, representada em preto, e Bima, representada em branco. O ponto preto é Malchut. Quando o ponto se conecta a Luz, isso expressa o modo como ele recebe a Luz através de todos os tipos de formas e aspectos. As formas mostram os diferentes modos que a criação, tinta preta, reage ao Criador, o fundo branco. Cada letra representa uma combinação de forças. A sua estrutura e o modo como as letras são pronunciadas expressa as qualidades do Criador. Nós expressamos as qualidades espirituais que alcançamos através das formas. Preto no branco. As letras hebraicas também representam Kelim. O Zohar nos diz que as letras compareceram uma por uma diante do Criador, e pediram para serem selecionadas para servi-los na criação do Universo. Simplificando, as letras pediram para receber sua bênção e entregá-la à criação como um Kli, vaso, recebe água e a derrama para fora, para manter a vida. O branco simboliza a Luz, dar, e o preto simboliza a escuridão, receber. Por isto, as propriedades do Criador são totalmente Brancas,  simbolizadas pelo livro branco. O preto é a criação, simbolizada pela tinta preta. Sozinhos, Criador e criação não podem ser compreendidos. Juntos, produzem letras e símbolos que podem ser lidos e compreendidos. Pense nisso, sem uma criação, podemos realmente chamar o Criador de "Criador"?". Para ser Criador, Ele precisa criar. Este dualismo Criador-criação é a base de tudo aquilo que existe. Nós só podemos falar de criaturas, nós não experimentamos a Luz, a menos que ela bata em algo. Para sentir a Luz, a mesma deve ser interrompida por algo, como a retina e o Criador. Elas não são apenas linhas pretas, elas formam formas nítidas porque representam relações corrigidas entre a criação e o Criador. Essa união é construída em cima do contraste e da colisão. Como criaturas, nós não experimentamos a Luz, a menos que ela bata em algo. Para sentir a Luz, a mesma deve ser interrompida por algo, como a retina em nossos olhos. A superfície de um objeto som, luz ou qualquer tipo de onda, colide com nossa percepção. Isto impede que o objeto continue, e nos permite senti-lo. Porque o papel é como a Luz, e deve ser contido com linhas pretas, letras. Isso permite que a pessoa sinta a Luz e aprenda com ela. As linhas pretas das letras são vistas como uma barreira para a Luz. Isto porque o preto, a cor, é o oposto da Luz. A Luz bate contra a Masach da criatura, ela quer entrar no Kli e dar prazer.  Ao invés de desviá-la, a luta entre a rejeição da Masach e o golpe da Luz cria uma poderosa ligação. É nessa colisão que se baseia a relação entre a Luz e as letras. Deste modo, as linhas pretas das letras das letras limitam ou restringem a Luz. Quando a Luz "bate" numa linha, é forçada a parar e, então, o Kli pode estudá-la. Acontece que o único modo de aprender algo a respeito do Criador é parando a sua Luz - restringindo e estudando-a. Ironicamente, exatamente quando contemos o Criador é que aprendemos a ser tão livres quanto Ele. De certo modo, a Masach é como um prisma: a rejeição da Luz quebra a mesma nos elementos que a compõem, e isto nas criaturas, permite estudá-la e decidir o quanto de cada, cor, queremos usar. Letras e mundos. O alfabeto hebraico é formado por 22 letras. As primeiras nove letras, de Alef a Tet, representam a parte inferior de Bina. As nove letras seguintes, de Yod à Tzadik, representam Zeir Anpin, e as últimas quatro letras, de Kof à Tav, representam Malcht, a própria criatura. Além das letras regulares há cinco letras finais na língua hebraica. Se olharmos para a ilustração seguinte, veremos que elas não são letras novas. Elas utilizam os mesmos nomes que as 22 letras originais. Há uma boa razão para isso. Todas as 22 letras originais estão no mundo de Atzilut, o mais elevado dos cinco mundos introduzidos no capítulo 7. Como as 22 letras originais estão no mundo mais próximo do Criador, elas descrevem uma conexão corrigida entre a criação e o Criador. As cinco letras finais fazem o contato entre o estado corrigido, Mundo de Atzilut, e os mundos do estado não corrigido, Beria, Yetzira e Assiya (BYA). Como há cinco fases na criação, deve haver cinco formas finais de contato entre Atzilut e BYA, consequentemente, as cinco letras finais.

The Hebrew Letters and Numeric Values:  A letra Bet é a primeira dá Torah e a segunda no Alfabeto Hebraico. Aleph 1. Bet 2. Gimet 3. Dalet 4. Hey. 5. Vav 6. Zayn 7. Het 8. Tet 9. Yod 10. Chaf 20. Lamed 30. Mem 40. Nun 50. Samech 60. Ain 70. Peh 80. Tzadik 90. Kot 100. Reish 200. Shin 300 Tav 400. Letras finais: Final Chat 20. Final Mem 40. Final Nun 50. Final Peh 80. Final Tzadik 90. 

Ela é a primeira da Torah porque Bet representa a conexão corrigida entre Bina e Malchut, chamada Beracha, benção. Uma benção é recebida quando Malchut, a criaçao, nós, consegue se conectar a Bina, o Criador. Nós só nos conectamos a Ele quando queremos ser como Ele, e esse é o significado de uma conexão corrigida. Quando Malchut pede para ser como Bina - isto é, quando você e eu queremos ser como o Criador - é chamada benção, Beracha, de uma conexão corrigida. Unidade, dezenas, centenas e mais além. As letras são divididas em três categorias numéricas: unidades, dezenas e centenas. O nível de Bina corresponde as unidades: Aleph, Bet, Gimel, Dalet, Hey, Vav, Zayin, Het, Tet. Essas são as nove (1-9) Sefirot de Bina. O nível de ZA corresponde as dezenas: Yod, Chaf, Lamed, Mem, Nun, Samech, Ayin, Peh, Tzadik. Essas são as nove (10-90) Sefirot de ZA. O Nível Malchut corresponde as centenas: Kof, Reish, Shin, Tav, as quatro (100-400) Sefirot de Malchut. Uma pergunta óbvia vem à mente: e os números acima de 400? A resposta é que o hebraico é uma língua espiritual e não matemática. Tudo nele representa estados espirituais, e nenhum outro número a mais é necessário para descrever a estrutura do mundo de Atzilut, a casa das letras. Em outras palavras, com essas 22 letras, podemos descrever tudo, do princípio da criação até o infinito. Então, o que acontece quando queremos expressar números complicados, como 248? Usamos três letras: Reish (200), Mem (40), Het (8). E se quisermos escrever um número maior que 400, como 756? Usamos mais de três letras: Tav (400) + Shin (300) + Num (50) + Vav (6) = 756. É óbvio que podemos alcançar este número usando muitas combinações diferentes, mas é importante lembrar que, se duas palavras somarem o mesmo número, elas são sinônimas do ponto de vista espiritual, e têm o mesmo significado espiritual. Vejamos agora como esta discussão sobre números tem relação com a evolução do desejo espiritual, explicada na Cabala. Quando os números representam o tamanho do nosso Kli, quanto maiores os números, mais Luz entra neles. Se forem apenas unidades em nosso desejo, isto é, se tivermos um desejo pequeno, uma quantia pequena de Luz está presente. Se forem adicionadas dezenas e aumentarmos o nosso desejo, mais Luz entra. Se centenas forem adicionadas e o nosso desejo alcançar o nível máximo a Luz simbolizada pelas letras preenche nosso Kelim espiritual. Porém, as coisas se complicam, à medida que a Cabala tem uma exceção. Os números também podem representar a Luz, e não só os desejos. Neste caso, as unidades, Luzes pequenas, estão em Malchut, as dezenas estão em ZA, e as centenas estão em Bina. Isto se deve a uma relação inversa entre a Luz e o Kli, desejo. Isto pode parecer confuso, mas é porque a Luz mais elevada do Criador só entra no nosso Kli quando ativamos nossos desejos mais baixos. Aqui estão os valores numéricos de cada nível, expressos em termos da Luz que representam, e o nível no qual preenchem seus vasos: Bina - Luz (100), Kli (1). ZA - lUZ (10), kli. Malchut - Luz (1), Kli (100). Se Deus = Natureza, e a Natureza = Desejo, então ... Eis outra coisa a se pensar: se calculamos os valores numéricos das letras nas palavras Ha Teva, a natureza, elas somam 86. Depois, se calculamos o valor das letras na palavra Elohim, Deus, elas somam 86. Finalmente, se calculamos o valor das letras na palavra Kos, copo, xícara, elas também somam 86. Isso mostra a equivalência entre Deus, copo e natureza na Cabal, que observamos no capítulo 2. Eis como funciona. Nós já dissemos que, se duas palavras somarem o mesmo número, ambas têm o mesmo significado espiritual. Então, a declaração que a Cabala faz abaixo é muito interessante, ainda que um pouco complexa. A natureza e o Criador são a mesma coisa. O fato de não os vermos assim não torna isso menos verdadeiro. Assim como o fato de não percebermos uma bactéria a olho nu não impede que ela afete nossos corpos. Na Cabala, uma xícara representa um Kli, ou seja, um desejo de receber. Portanto, a natureza e o nosso Kli são a mesma coisa. Também aqui, o fato de não os sentirmos não significa que isso não seja verdade. Mas o fato de ambos terem os mesmos valores significa que temos a oportunidade de corrigir, transformar, nosso desejos para combinarem com a estrutura da natureza. Quando combinamos nossos desejos, Kli, com os da natureza, também os combinamos com o Criador, porque a natureza e o Criador são sinônimos. Em palavras simples, quando igualamos nosso Kli com a natureza, descobrimos o Criador. Em termos de uma equação é como: Se A=B e B=C, então A=C. Os blocos construtores da vida. O nome de todos estes "passatempos" que os Cabalistas fazem com as letras e os números chama-se Gematria. Antigos Cabalistas aperfeiçoaram a Gematria a tal ponto que pudessem e puderam descrever o conjunto da criação, e a relação Criador e criação usando a Gematria como demonstram as próximas seções. A Gematria é uma expressão do estado de um Kli que descobre o Criador dentro de sua própria estrutura. O Kli é composto de 10 Sefirot, divididas na ponta do Yod e nas letras Yod, Hey, Vav e Hey novamente. Esta estrutura de quatro letras é conhecida como tetragrammaton, em grego, HavayaH, em hebreu e Iavé, IHVH ou Jeová em português. A primeira Sefira, Keter, pertence à extremidade superior do Yod. A segunda Sefira, Hochma ao Yod. A terceira Sefira, Bina, ao Hey. A próxima Sefira (ZA) contém seis Sefirot internas: Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod e Yesod. Todas essas Sefirot estão contidas na letra Vav. O último Hey é Malchut, que também é a última Sefira. De fato, HaVaYaH não é apenas a estrutura de um Kli, e a estrutura de todo Kli - e de tudo que foi, é,e será. O elemento fundamental da existência. Como um holograma, quanto menor você cortá-lo, sempre terá uma estrutura completa de 10 Sefirot, contida em HaVaYaH. É também por isso que estas quatro letras incluem a palavra havayah, um termo genérico em hebraico significa existência, ser. Abrão tomou a tarefa para si - você também pode. É importante entender que há uma relação entre as letras Sefirot e o Kli. Porque na Cabala o nome de uma pessoa representa o seu Kli espiritual. Por exemplo, Abraão representa um tipo muito específico de relação entre o Criador e a criação. Abraão representa uma alma que fez certo tipo de correção. Quando nasceu, o seu nome era Abrão. Mas, depois que se corrigiu, transformando seus desejos egoístas em altruístas, ele mudou o seu nome para Abraão. O a, letra hey em hebraico, que foi acrescentado em seu nome representa o Hey de Bina, a qualidade altruísta do Criador. Isto indica que ele se elevou àquele nível espiritual. Descubra sua raiz, descubra seu nome. Todas as letras existem dentro de nós e em nenhuma outra parte. Elas são kelan espirituais, experiências que cada um de nós sentiu e sentirá novamente, à medida que nos desenvolvemos espiritualmente. Os Kelim percebem o Criador, e quando aprendermos o verdadeiro significado das letras, encontraremos dentro de nós todas as linhas, pontos e círculos que simbolizam nossa conexão com o mundo espiritual. Todo indivíduo tem algo chamado "a raiz da alma". À medida que subimos a escada espiritual e descobrimos as letras, as palavras e os números dentro de nós, nos aproximamos gradualmente de nossos verdadeiros egos. O Criador só criou uma criação. Essa criação foi dividida em 6000.000 partes, que se partiram nas bilhões de almas que temos hoje no mundo. A medida que subimos a escada, percebemos que somos um corpo, e descobrimos nosso lugar nele. Esta é a raiz da nossa alma. Cada raiz tem seu próprio nome, e quando alcançamos a raiz da nossa alma, descobriremos nosso lugar no sistema de criação e quem realmente somos. Descreveremos isso com um nome que é exatamente o nosso próprio. Em resumo. As letras hebraicas descrevem a relação de um Cabalista com o Criador. As letras hebraicas carregam valores numéricos semelhantes indicando semelhança espiritual. Os valores idênticos demonstram sinonímia espiritual. Deus = natureza e natureza = desejo, Kli. Consequentemente, Deus = desejo. A medida que subimos a escada espiritual, descobrimos as letras em nosso interior, conforme o nosso estágio espiritual. É assim que descobrimos o nosso verdadeiro nome. Abraço. Davi

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