Budismo. Livro Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. A FÉ DE SARIPUTRA. Capítulo IX. O Senhor Buda voltou de Nalanda com inúmeros discípulos e deteve-se num bosque de mangueiras. Aproximou-se dele o venerável Sariputra, que lhe disse, depois de saudá-lo respeitosamente: Mestre, a fé que eu tenho no Senhor é tão firme que, no meu entender, não há nem haverá outro maior, no concernente à suprema sabedoria. O Senhor Buda respondeu-lhe: As palavras de sua boca são audaciosas, ó Sariputra. Sem dúvida elas irromperam num momento de êxtase. Conhece por acaso todos os que em épocas passadas também foram Budas? Não, Senhor, respondeu Sariputra. Você vislumbrou os que num futuro longínquo há de ser Budas? Não, senhor. Porém, ao menos, ó Sariputra, conhecerá a mim com Buda vivente, e terá penetrado em meu espírito. Tampouco, senhor. Então você vê, Sariputra, que não conheceu os Budas do passado, nem vislumbrou os do futuro. Por que, então, uma afirmação tão temerária? Por que um elogio tão desmensurado? Oh, Senhor! Não conheço o coração dos Budas passados e futuros, nem o seu que agora é. Só conheço os fundamentos da fé. Um rei poderia ter edificado na fronteira do seu reino uma fortaleza, com sólidos muros cimentados. Com sentinelas de atalaia para deter os estrangeiros e não deixar entrar mais ninguém além de seus amigos. Mas assim como poderiam existir no muro algumas pequenas rachaduras por onde entrasse um gato e observasse a fortaleza. Do mesmo modo eu conheço os fundamentos da fé. Sei que os Budas passados forma sempre avessos à luxúria, à preguiça, ao orgulho, à dúvida, a todos os vícios e fraquezas que debilitam o homem. Que eles exercitaram as cinco modalidades de atividade mental e alcançaram a iluminação. E sei que o mesmo fará os Budas futuros, e o mesmo o senhor faz. Grande é a sua fé, não a quebre. Abraço. Davi
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