Islamismo. Manual para o Novo Muçulmano. Por Jamaal Zarabozo. CONCLUSÃO I. Obviamente, existem muitos detalhes sobre os rituais de adoração que foram deixados de fora desta obra. Pela graça de Allah, há muitos livros disponíveis, em várias línguas, que provêm tais detalhes. Pessoalmente quero recomendar as seguintes obras: Los pilares del Islam y la fe de Muhammad Ibn Yamil Zinu (publicado por International Islamic Publishing House, Riyad), é uma boa obra e breve introdução a todos os aspectos da Lei Islâmica. Jurisprudencia Islámica de Muhammad ibn Ibrahim At-Tuwaijri (publicado em dois volumes por International Islamic Publishing House, Riyad) engloba a maioria dos aspectos da Lei em detalhes. Pode chegar a ser um pouco pesado e demasiadamente detalhado para o recém convertido. Mas, sem dúvida, com o tempo deve se transformar numa referência muito interessante para consulta. O Comportamento e a Interação Social do Crente Allah disse no Qur’an: “Ó fiéis, abraçai o Islam na sua totalidade e não sigais os passos de Satanás, porque é vosso inimigo declarado.” (2:208). Como mencionei anteriormente, o Islam é uma religião integral e completa. Seus ensinamentos envolvem todos os aspectos da vida. Isso se relaciona a cada faceta de vida, e o muçulmano deve adorar e seguir a Allah. Não existe nenhum aspecto da vida, minimamente que seja, que se encontre fora deste preceito geral. Assim, o Islam estabelece claramente uma série de artigos de fé e ritos de adoração. O comportamento, os modos, a ética e as ações de todo muçulmano devem refletir sua crença – na crença de que ninguém é digno de louvor, exceto Allah. É inconcebível que alguém que se diz servo de Allah trate mal, engane ou magoe seu próximo. Este tipo de comportamento demonstraria que sua declaração de fé é falsa ou débil. Para um novo convertido ao Islam, esta consciência pode indicar a existência de muitas coisas em si mesmo que deveriam mudar para que ele venha a ser um muçulmano completo e verdadeiro. Pode haver muitos defeitos pertencentes aos seus dias anteriores ao Islam que deverá analisar e corrigir. Não tem mais remédio senão tentar mudar seus costumes. Agora declara sua crença no Islam. Se sua crença é verdadeira, deve estar disposto a aceitar os ensinamentos de sua fé e fazer o máximo esforço para implementar toda esta fé em sua vida. À medida que seu conhecimento sobre o Islam vai crescendo e sua fé vai se fortalecendo muitos comportamentos começam a mudar automaticamente. Há uma nova perspectiva sobre a vida e um entendimento diferente da realidade. Pessoalmente testemunhei estas mudanças em alguns convertidos. Por exemplo, alguns não muçulmanos ficam muito alterados quando praticam algum esporte. No momento em que as coisas não saem como querem ou quando sentem que a equipe rival, injustamente, recebe uma vantagem, então, perdem o controle e estoura a fúria. Esta fúria reflete a importância e relevância que estas pessoas dão à atividade esportiva. Logo ao se converterem ao Islam, muitas pessoas mudam radicalmente. De repente, os esportes se tornam uma atividade para diversão e exercício. O novo muçulmano entende que os esportes não têm um valor permanente no mérito real da pessoa. Este novo entendimento de sua realidade, automaticamente, e às vezes como algo imperceptível, muda o comportamento e o caráter daquela pessoa. O objetivo é realizar esta transformação em todo tipo de interação social. Esta transformação se complementa com o conhecimento da forma em que a pessoa deve se comportar. É por isso que neste capítulo, logo após uma introdução sobre a importância do comportamento e caráter, analisaremos as seguintes interações: A relação do muçulmano com seu interior. A relação do muçulmano com seus pais. A relação do muçulmano com seu cônjuge. A relação do muçulmano com seus filhos. A relação do muçulmano com seus vizinhos. A relação do muçulmano com os outros muçulmanos. A relação do muçulmano com pessoas não muçulmanas. A relação do muçulmano com a sociedade. A relação do muçulmano com suas propriedades e riquezas. A ênfase do Islam em um comportamento apropriado, bons modos e bons costumes. Em um hadith, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Fui enviado com o único propósito de aperfeiçoar a boa moral.” Neste hadith o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declarou abertamente que um dos aspectos mais importantes de sua tarefa como profeta foi a de ensinar como devem ser a boa moral, comportamento e os bons modos. Este é um sinal evidente que os ensinamentos do Qur’an abarcam claramente o comportamento e os bons modos. O muçulmano não pode escapar disso e por este motivo deve adaptar seu comportamento de acordo com tais ensinamentos. Existem inúmeras declarações do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) relacionadas à importância de possuir um bom caráter. Aqui apresentarei apenas algumas para destacar sua importância. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Eu garanto a casa mais elevada no Paraíso àqueles que tenham um bom comportamento.” Este hadith mostra claramente a recompensa por melhorar e aperfeiçoar o nosso comportamento. Algumas pessoas dizem que seu caráter é algo com o qual nasceram e que não há nada que possam fazer para modificá-lo. Isso não é verdade. Como mencionei anteriormente, a maior parte da força motriz que motiva nosso caráter provém do que cremos acerca de Allah, esta vida, a próxima vida, etc. por isso, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “A devoção e a retidão são indicativos de um bom caráter.” (Muslim). A devoção pode ser alcançada, mas requer esforço de nossa parte. De fato, quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) descreveu os hipócritas, ou seja, aqueles que possuem uma fé débil e falsa, descreveu suas ações e comportamento: mentem quando falam, traem nossa confiança, não cumprem quando prometem (este hadith é encontrado no bukhari). Novamente, o exemplo por excelência de comportamento de um muçulmano se baseia no exemplo do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Pela graça e misericórdia de Allah, foi enviado o Seu Mensageiro, um ser humano que cumpriu o papel de esposo, pai, membro da comunidade e líder da sociedade, entre outras coisas, para dar o exemplo aos crentes de como deveriam comportar-se e qual o comportamento que agrada a Allah. Ele demonstrou como o Qur’an deve ser posto em prática na vida cotidiana. Sua esposa Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse acerca de seu marido: “Seu caráter é o Qur’an” (Muslim). Assim, descobre-se que o Profeta (a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) foi um homem sincero, honesto, agradecido e direto. Foi humilde, paciente, calmo e compassivo. Não mentia, não difamava, nem caluniava a ninguém. Possuía uma determinação alegre e tratava os membros de todas as comunidades com o devido respeito. Esta é uma parte essencial do significado do comportamento de um crente. Da perspectiva islâmica, o caráter e os bons modos podem ser modificados. Quer dizer, deve-se ter um comportamento e um modo de agir apropriado para com seu Criador, com sua alma, com as pessoas com as quais se relaciona, com os outros seres da terra e com todos os seres criados. Algumas destas categorias serão analisadas mais adiante neste capítulo. A categoria mais importante é o comportamento em relação ao Criador, já que isso influenciará todas as demais categorias. Isto implica ter uma relação adequada com Allah e submeter-se a Ele de uma forma sincera, correta e incondicional. Os detalhes desta relação foram analisados ao longo desta obra. Relembrando as últimas duas categorias mencionadas anteriormente: um bom comportamento com as demais criaturas viventes na terra, assim como com tudo o que Allah colocou neste universo. Nenhum muçulmano possui a liberdade de se comportar como lhe convenha ou agrade em relação aos animais ou objetos inanimados. Certamente, deverá prestar contas a Allah por seu comportamento neste âmbito. Nesta criação, tudo o que foi colocado à disposição da humanidade não é mais que aquilo que Allah nos confiou. Por exemplo, existem muitos ahaadith que analisam como os muçulmanos devem tratar os animais. Inclusive, sobre o sacrifício do animal para consumo dos seres humanos, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Certamente, Allah estabeleceu a excelência em todas as coisas. Então, caso matem, matem de uma boa maneira. Quando sacrificarem, façam-no de uma boa maneira. Devem afiar a faca e assim evitar o sofrimento do animal que está sendo sacrificado.” (Muslim). Este fato não era desconhecido dos antigos muçulmanos, como podemos observar na declaração de Fudhail Ibn Aiadh: “Por Allah, se não é permitido molestar a um cão ou a um porco sem uma razão válida, como podem molestar a um muçulmano? A relação de um muçulmano consigo mesmo O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) explicou que a pessoa tem uma responsabilidade para com ela mesma. Isso quer dizer que uma pessoa tem uma responsabilidade muito importante consigo mesma. Isto é, a pessoa tem uma responsabilidade com seu interior. Analisando logicamente, a pessoa tem o direito e a obrigação de fazer o melhor por ela mesma. É razoável que uma pessoa o faça para evitar que sua alma se corrompa. Além disso, cada ser humano deve aceitar e compreender que não criou a si mesmo. Ele não é seu próprio senhor. Nem sequer pode declarar para si mesmo o direito de utilizar seu próprio ser ou seu corpo da forma que mais lhe agrade, ainda que isso seja algo que se escute freqüentemente. O Islam ensina aos seres humanos que foram criados por um Deus Onisciente e Misericordioso. É por isso que, inclusive com respeito ao seu próprio ser, o homem deve obedecer a Seu Criador e Senhor. Na Sua sabedoria, o Criador ordena aos seres humanos que façam apenas o que seja benéfico para eles mesmos. Na realidade, o Criador indica o caminho para a salvação. Isso é alcançado através do esforço na aceitação voluntária ao que Allah revelou e na prática de tudo aquilo que agrade a Allah. Ao passar do tempo, observamos que toda a orientação proveniente de Allah, quer dizer, a religião do Islam, é única e exclusivamente para o benefício do ser humano. Allah não se beneficia se é adorado, nem se vê prejudicado se alguém o contradiz. Assim, em muitas partes do Qur’an, Allah deixa claro que toda Sua misericordiosa orientação foi ensinada aos homens para próprio benefício: “Em verdade, temos-te revelado o Livro, para (instruíres) os humanos. Assim, pois, quem se encaminhar, será em benefício próprio; por outra, quem se desviar, será em seu próprio prejuízo. E tu não és guardião deles.” (39:41; ver também, por exemplo, 6: 104 e 41: 46). “Quem se encaminha, o faz em seu benefício; quem se desvia, o faz em seu prejuízo, e nenhum pecador arcará com a culpa alheia. Jamais castigamos (um povo), sem antes termos enviado um mensageiro.” (17:15). “... E quem se purificar, será em seu próprio benefício, porque a Deus será o retorno.” (35: 18). Tudo o que é explicado neste livro está destinado a auxiliar o indivíduo a cumprir com suas próprias responsabilidades (para consigo mesmo) e ajudá-lo a estabelecer uma relação adequada com seu Criador, Deus e Senhor. Então, todo o material incluído neste livro pode ser considerado como uma explicação desta particularidade. Nesta seção quero abordar um aspecto particular que demonstra que o Islam determina a orientação do homem em todos os âmbitos de sua vida. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) declarou, enquanto falava com Abdullah Ibn Amr, que “Teu corpo tem direitos sobre ti. Teu olho tem direitos sobre ti...” (Bukhari). Assim, o Profeta explicou diversos aspectos da higiene e costumes para as pessoas e que estão em harmonia com a verdadeira natureza humana. Em outras palavras, a alma reconhece naturalmente que estas são práticas boas e harmoniosas. Logo, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) se referiu a elas como sunan al-fitra ou “ações que correspondem à natureza das pessoas”. Estas ações são mencionadas pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) no seguinte hadith: O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Entre as práticas naturais, encontram-se estas cinco: realizar a circuncisão, . raspar os pelos pubianos e os da axila, . cortar a unhas e aparar o bigode”. (Bukhari e Muslim). Em outras narrações, disse: “Entre as práticas naturais, encontram-se as dez que se seguem: aparar o bigode, deixar a barba crescer, utilizar um palito para limpar os dentes, higienizar o nariz com água, cortar as unhas, lavar as reentrâncias e união dos dedos, tirar os pelos da axila e pubianos, utilizar água para lavar as partes íntimas [após urinar].” Zakaria disse: “Musab me disse: esqueci-me da décima, a menos que seja enxaguar a boca.” (Muslim). Os sábios têm opiniões diferentes sobre estas ações, se são obrigatórias ou recomendáveis. Não há dúvida que uma pessoa necessita tratar seu corpo de forma adequada e para isso deverá seguir estas práticas que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) descreveu no hadith. Além das questões de higiene, o Islam também aconselha o indivíduo a respeito dos alimentos e bebidas que podem ser ingeridos. Por exemplo, Allah proíbe o consumo de álcool: “Satanás só ambiciona infundir-vos a inimizade e o rancor, mediante as bebidas inebriantes e os jogos de azar, bem como afastar-vos da recordação de Deus e da oração...” (5: 91) Da mesma forma, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) di“Todo tipo de substância embriagante está proibida.” (Bukhari e Muslim). Allah deu instruções acerca dos alimentos que podem ser ingeridos: “Ele só vos vedou a carniça, o sangue, a carne de suíno e tudo o que for sacrificado sob invocação de outro nome que não seja de Deus. Porém, quem, sem intenção nem abuso, for impelido a isso, não será recriminado, porque Deus é Indulgente, Misericordioso.” (2: 173). “Estão-vos vedados: a carniça, o sangue, a carne de suíno e tudo o que tenha sido sacrificado com a invocação de outro nome que não seja o de Deus; os animais estrangulados, os vitimados a golpes, os mortos por causa de uma queda, ou chifrados, os abatidos por feras, salvo se conseguirdes sacrificá-los ritualmente; o (animal) que tenha sido sacrificado nos altares. Também vos está vedado fazer adivinhações com setas, porque isso é uma profanação. Hoje, os incrédulos desesperam por fazer-vos renunciar à vossa religião. Não os temais, pois, e temei a Mim! Hoje, completei a religião para vós; tenho-vos agraciado generosamente sem intenção de pecar, se vir compelido a (alimentar-se do vedado), saiba que Deus é Indulgente, Misericordioso.” (5:3). “Dize: De tudo o que me tem sido revelado nada acho proibido para quem necessita alimentar-se, nada além da carniça, do sangue fluente ou da carne de suíno, uma vez que tenham sido sacrificados com a invocação nem abuso, se vir compelido a isso, saiba que teu Senhor ó Indulgente, Misericordioso.” (6:145) Em geral, o muçulmano só pode ingerir carne abatida por um muçulmano, judeu ou cristão, de uma maneira específica. Por esta razão, sem entrar em debate a partir desta questão, sugiro aos muçulmanos que não comam carne que seja vendida em supermercados no ocidente. Devem se restringir ao que conhecemos como carne halaal ou zabihah (sacrificada por muçulmanos) ou carne kosher (sacrificada por judeus). A relação dos muçulmanos com seus pais Allah ordena que os muçulmanos tratem seus pais da melhor forma possível. Os muçulmanos devem ser pessoas agradecidas. Devem estar agradecidas com Allah e com todas as pessoas que sejam bondosas. Depois de Allah, não creio que existam pessoas que mereçam mais reconhecimento que os pais. Por isso, muitos versículos do Qur’an mencionam como se deve tratar os pais. De fato, em mais de uma ocasião, Allah uniu o bom comportamento e os laços familiares com os pais, com a ordem de adorar apenas a Ele. Por exemplo, como é indicado no seguinte versículo do Qur’an: “Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência vossos pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro, o viajante e os vossos servos, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum.” (4: 36). Neste versículo Allah fala de Seus direitos sobre Seus servos e dos direitos dos servos entre si. Dentre os servos, a pessoa deve tratar especialmente bem as seguintes classes de pessoas: (1) seus parentes, especialmente os pais; (2) os necessitados e débeis; (3) aqueles com quem se relaciona diariamente, por exemplo, os vizinhos; (4) as pessoas com as quais se encontra de vez em quando, como por exemplo, o viajante e (5) a seus escravos. Nesta última categoria, alguns antigos sábios também incluem aos servos e animais que uma pessoa possua. Allah também disse: “Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com benevolência vossos pais...” (6: 151). “E de quando exigimos o compromisso dos israelitas, ordenando-lhes: Não adoreis senão a Deus; tratai com benevolência vossos pais e parentes...” (2: 83). “O decreto de teu Senhor é que não adoreis senão a Ele; que sejais indulgentes com vossos pais, mesmo que a velhice alcance um deles ou ambos, em vossa companhia; não os reproveis, nem os rejeiteis; outrossim, dirigi-lhes palavras honrosas. E estende sobre eles a asa da humildade, e dize: Ó Senhor meu, tem misericórdia de ambos, como eles tiveram misericórdia de mim, criando-me desde pequenino! Vosso Senhor é mais sabedor do que ninguém do que há em vossos corações. Se sois virtuosos, sabei que Ele é Indulgente para com os contritos.” (17: 23-25). O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) também ressaltou essa boa relação com os pais, mencionando-os imediatamente após a realização da oração no momento adequado. Perguntaram ao profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “Que ação é mais apreciada por Allah?” respondeu: “Realizar a oração no momento adequado”. Continuaram perguntando: “E depois?” Ele respondeu: ”Ser obediente com teus pais”. Novamente perguntaram: “E depois?”, ele respondeu: “A jihad pela causa de Allah.” (Bukhari e Muslim). Allah relembra aos crentes que seus pais, em especial a mãe, sofreram muito e realizaram um grande esforço para criar seus filhos e, por esta razão, merecem amor, respeito e gratidão. Allah disse: “Recorda-te de quando Lucman disse ao seu filho, exortando-o: Ó filho meu, não atribuas parceiros a Deus, porque a idolatria é grave iniqüidade. E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Sua mãe o suporta, entre dores e dores, e sua desmama é aos dois anos. (E lhe dizemos): Agradece a Mim e aos teus pais, porque retorno será a Mim.” (31: 13-14). “E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Com dores, sua mãe o carrega durante a sua gestação e, posteriormente, sofre as dores do seu parto. E de sua concepção até à sua ablactação há um espaço de trinta meses, quando alcança a puberdade e, depois, ao atingir quarenta anos, diz: Ó Senhor meu, inspirame, para praticar o bem que Te compraz, e faze com que minha prole seja virtuosa. Em verdade, converto-me a Ti, e me conto entre os muçulmanos.” (46: 15). Desta maneira, especialmente a mãe, merece a maior amizade e proximidade dos filhos. Uma vez perguntaram ao Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele): “De todas as pessoas quem é a mais merecedora da minha boa companhia?” O Mensageiro de Allah respondeu: “A tua mãe”. O homem perguntou: “E depois, quem?”, ele respondeu: “A tua mãe”. Mais uma vez o homem perguntou: “E depois, quem?”, ele respondeu novamente: “A tua mãe”. O homem perguntou pela quarta vez: “E depois, quem?”, desta vez o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) respondeu: “O teu pai”. (Muslim). Os convertidos e sua relação com os parentes não muçulmanos. A relação entre um novo muçulmano convertido e sua família e parentes não muçulmanos pode chegar a ser bem complicada. Muitas vezes existe uma forte oposição por parte dos não muçulmanos. Esta é uma grande prova para o convertido. É obvio que há amor entre as pessoas, pois estas construíram um laço forte por longos anos. Como exemplo para aqueles que passam por estas dificuldades, menciono os antigos convertidos ao Islam que viviam em Makkah. Estes muçulmanos enfrentaram uma grande exposição, e inclusive muitos deles, foram torturados devido a nossa fé. Eventualmente, a pequena comunidade muçulmana se viu obrigada a emigrar para outras terras para resguardar sua fé. Sem dúvida, eles foram pacientes e perseverantes, satisfazendo assim ao seu Senhor. Entenderam que a recém descoberta relação com Allah deve ter mais importância que qualquer outra relação neste mundo. Quando uma pessoa se encontrar com Allah na próxima vida, apresentar-se-á como um indivíduo responsável por suas próprias ações e decisões. O fato de que as pessoas próximas dele não concordam com a religião de Allah, não significa que isso seja uma desculpa aceitável para que a própria pessoa abandone o Islam, nem sequer abrir concessões com respeito à religião. Se isso fosse aceito por Allah, certamente, teria sido uma opção para os antigos muçulmanos que sofreram torturas e exílio de suas terras. Mas, eles não tiveram esta opção. Atualmente, esta opção não significa mais que a destruição da religião de Allah, já que sempre existiram muitas pessoas que se opõem à verdade e ao caminho d’Ele. Hoje em dia, para a maioria dos convertidos, pela graça de Allah, a situação não é tão extrema como foi para os primeiros muçulmanos. Geralmente, existem diversas reações à conversão de uma pessoa; pode haver respeito, entretanto os outros não se sentem satisfeitos com a opção do convertido. Sob estas circunstâncias particulares é muito importante que o convertido não perca a sua fé, mesmo que a oposição seja declarada. Os parentes consangüíneos, em particular, têm direitos sobre o novo muçulmano. Al Bukhari e Muslim registraram que Asmaa bint Abi Bakr se aproximou do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e disse: “Minha mãe está regressando (de Makkah) e deseja ver-me apesar dela ser politeísta. Devo manter meus laços familiares com ela?” Ele respondeu: “Sim, honra teus laços familiares com tua mãe.” Allah disse no Qur’an: “Deus nada vos proíbe, quanto àquelas que não nos combateram pela causa da religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com gentileza e eqüidade, porque Deus aprecia os eqüitativos.” (60: 8). Allah também se refere aos pais não muçulmanos dizendo: “Porém, se te constrangerem a associar-Me o que tu ignoras, não lhes obedeças; comporta-te com eles com benevolência neste mundo, e segue a senda de quem se voltou contrito a Mim. Logo o retorno de todos vós será a Mim, e então, inteirar-vos-ei de tudo quanto tiverdes feito.” (31: 15). Está claro que o indivíduo necessita resguardar e proteger sua fé e que se os pais exercem pressão sobre um filho, este deverá impor limites estritos em alguns assuntos. De qualquer forma, esta situação deverá ser manejada da melhor maneira possível. Por natureza o muçulmano deve ser agradecido. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Aquele que não é agradecido com as pessoas, não é agradecido com Allah.” (Tirmidhi e Ahmad). Desta maneira, o muçulmano sempre permanecerá agradecido e cheio de um “amor natural” por seus pais não muçulmanos graças à bondade e amor que demonstraram através dos anos. Certamente, não se pode gozar de um “amor religioso” por suas ações. De um ponto de vista religioso, não podem desculpar nem aprovar que eles elejam um caminho distinto do caminho do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Por isso, não se deve amá-los pela forma de vida que optaram levar. Quando há um conflito entre o amor espiritual e o religioso, o religioso tem prioridade. Como Allah disse: Página 193. Abraço. Davi
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