quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O QUE É O BARÁ.

Religião Afro-brasileira. Candomblé. Livro Revendo o Candomblé - IV. O QUE É O BARÁ? Bará este é um assunto extremamente polêmico. A tradução literal da palavra Bará - que é grafada em iorubá como "gloria e que se pronuncia "bara" por ser uma palavra oxítona. Ou seja, acentuada na última sílaba, e não "bára" como é dito frequentemente aqui no Rio de Janeiro - é senhor do movimento. Este é o conceito professado na Casa Branca do Engenho Velho sendo preservado até os nossos dias. Transmitido dessa forma a todas os descendentes. Portanto, o bará é o próprio movimento sendo energia cinética, a todo e qualquer ato de mover qualquer forma, qualquer matéria física e qualquer coisa concreta. O bará é, essencialmente, a energia cinética de cada orixá. Segundo essa linha de raciocínio, vamos citar como exemplo a orixá Oxum. Oxum é a água doce, a água dos rios. Quem veicula o movimento dessas águas, a correnteza dos rios, é o bará de Oxum. Ele é o próprio movimento das águas. Pode-se dizer que Oyá é o ar, as correntes atmosféricas, os ventos, quem faz o ar mover-se é o bará - que está estreitamente ligado a fertilidade, pois as sementes são espalhadas pelos ventos. O bará de Oyá é quente, volátil e bastante difícil de ser cuidado. Assim como o próprio vento. e bastante difícil se ser cultuado, assim como o próprio vento. Podemos usar o mesmo exemplo com relação à Yemanjá, que é a água do mar, o oceano. As correntes oceânicas , as ondas, as ressacas marítimas são o movimento de Yemanjá. Quem faz essas águas salgadas se moverem é o bará de Yemanjá. Deve-se lembrar também que especificamente nas casas mais ortodoxas, cuja nação professada é o ketu, todo bará, como o dos orixás femininos como o dos masculinos. Sempre é uma figura masculina. O que eu estou querendo dizer é que, erroneamente, há quem pense que se o orixá é feminino, a energia cinética deste também é feminina. Na realidade não é nada disso. Bará, o senhor do movimento, é comum para orixás masculinos e femininos para as iabás e os iborós. Também é interessante esclarecer que bará, o senhor do movimento, a energia cinética no candomblé das casas de ketu, nada tem a ver com as entidades de umbanda. Exemplo os Tranca Ruas, Maria Padilha, Maria Mulanbo. Essas são entidades, espíritos que estão em evolução, ou não, mas pertinentes a um outro culto, o da umbanda. O bará é todo e qualquer movimento. Já ouvi tradições dizendo que bará seria o "rei do corpo". Mas essa é uma tradução deturbada do idioma iorubano. Primeiro porque bará é uma palavra só. Para que fosse "rei do corpo" teria que ser uma contração de "Oba" mais "ara", quando na realidade não é isso. Em termos poéticos, pode-se dizer que o bará é o senhor do movimento. Ainda me lembro de egbomi Maricas, que me ensinará esse conceito dizendo: "Quem faz acer ir para escola é Exu". Quem faz acer andar, correr, brincar é Exu. É Exu que faz ace ir de um lado para outro. Sem Exú, ninguém sai do lugar". Foi dessa forma que, felizmente, obtive meu aprendizado através das antigas yás. Abraço. Davi



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