sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

PLURALISMO RELIGIOSO

 

Budismo. Escrito por Tenzin Gyatso (1935 -  ), o Dalai Lama. PLURALISMO RELIGIOSOS.  A não ser que conheçamos o valor de outras tradições religiosas, é difícil desenvolver respeito por elas. O respeito mútuo é a base da verdadeira harmonia. Devemos ansiar por um espírito de harmonia, não por motivos políticos ou econômicos, mas simplesmente por percebermos o valor de outras tradições. Sempre me esforço para promover a harmonia religiosa. Usar a fé religiosa para promover valores humanos básicos é algo muito positivo. Todas as principais religiões do mundo pregam o amor, a compaixão e o perdão. Cada tradição religiosa promove esses valores de maneira diferente, é claro, mas, já que todas têm mais ou menos os mesmos objetivos – ter uma vida mais feliz, tornar-se uma pessoa mais compassiva e criar um mundo mais compassivo – seus métodos diferentes não representam um problema insuperável. A conquista fundamental do amor, da compaixão e do perdão, é o que importa. Todas as principais religiões do mundo têm o mesmo potencial para ajudar a humanidade. Algumas pessoas têm uma disposição que se adapta à fé religiosa, e por causa da variedade de disposições entre os seres humanos é lógico que precisamos de religiões diferentes. A variedade é benéfica. Gostaria de abordar o tema da harmonia religiosa definindo dois níveis de espiritualidade. O PRIMEIRO NÍVEL DE ESPIRITUALIDADE: FÉ E TOLERÂNCIA. Para todos os seres humanos em todos os lugares, o primeiro nível de espiritualidade é a fé. Isso é verdade para cada uma das grandes religiões mundiais. Acredito que cada uma dessas religiões tenha seu próprio papel importante, mas, para que possam dar uma contribuição significativa em benefício da humanidade, dois fatores importantes devem ser considerados. O primeiro desses fatores é que os praticantes individuais das diversas religiões – ou seja, nós mesmos – devemos praticar com sinceridade. Os ensinamentos religiosos devem ser parte integrante de nossas vidas, não devem ser separados de nossas vidas. Às vezes entramos em uma igreja ou templo e fazemos uma prece ou geramos  algum tipo de sentimento espiritual, e depois, quando saímos da igreja ou do templo, nada resta desse sentimento religioso. Essa não é a maneira correta de praticar. A mensagem religiosa deve estar conosco onde quer que estejamos. Os ensinamentos de nossa religião devem estar presentes em nossas vidas para que, quando realmente precisarmos de bênção ou de força interior; esses ensinamentos e os seus efeitos estejam à nossa disposição. Eles estarão ali quando tivermos dificuldades porque estão constantemente presentes. A religião só poderá ser realmente eficaz quando integrar-se em nossas vidas. Precisamos conhecer esses ensinamentos não apenas em um nível intelectual, mas também por meio de nossa experiência mais profunda. Algumas vezes compreendemos diversas ideias religiosas em um nível superficial demais ou intelectual. Sem um sentimento mais profundo, a eficácia da religião torna-se limitada. Portanto, devemos praticar com sinceridade e integrar nossa religião a nossas vidas. O segundo fator trata mais da interação entre as diversas religiões mundiais. Hoje em dia, devida à mudança tecnológica cada vez maior e à natureza da economia mundial, somos mais dependentes do que nunca uns dos outros. Países diferentes, continentes diferentes desenvolveram uma relação mais estreita uns com os outros. Na realidade, a sobrevivência de uma região do mundo depende da sobrevivência das demais. Portanto, o mundo tornou-se muito mais próximo, muito mais interdependente. O resultado disso é que há muito mais interação humana em uma escala maior. Devido a essas circunstâncias, a aceitação do pluralismo entre as religiões mundiais é muito importante. Antigamente, quando as comunidade viviam umas separadas das outras e as religiões surgiam em relativo isolamento, a ideia de que havia apenas uma religião possível era muito útil. Mas agora a situação mudou, e as circunstâncias são inteiramente diferentes. Portanto, agora é crucial aceitar o fato de que religiões diferentes existem e de que, para desenvolver um respeito mútuo genuíno entre elas, o contato estreito entre as diversas religiões é essencial. Esse é o segundo fator que permitirá às religiões do mundo beneficiar a humanidade de forma significativa. Quando eu morava no Tibete, não tinha contato com pessoas de outras religiões que não o budismo, e assim minha atitude em relação às outras religiões não era muito positiva. Entretanto, quando tive a oportunidade de conhecer pessoas de fé diferente e de aprender com os contatos pessoais e com a experiência, minha atitude em relação às outras religiões mudou. Percebi como as outras religiões são úteis para a humanidade e qual o potencial de cada uma delas para contribuir para um mundo melhor. Nos últimos séculos, as diversas religiões tem dado contribuições maravilhosas para o progresso dos seres humanos, e mesmo hoje há grandes números de seguidores que se beneficiam da CRISTANDADE, do ISLAMISMO, do JUDAÍSMO, do BUDISMO, do HINDUÍSMO, e assim por diante. Para dar um exemplo do valor de encontrar pessoas de fé diferentes: meus encontros com o falecido Thomas Merton (1915-1968) mostraram-me a pessoa bonita e maravilhosa que ele era e me proporcionaram uma compreensão em primeira mão do potencial espiritual da fé cristã. Em outra ocasião, conheci um monge católico em Montserrat (maciço rochosos na região da Catalunha na Espanha), um dos famosos monastérios espanhóis. Fiquei sabendo que esse monge vivera por muitos anos como eremita em uma colina logo atrás do monastério. Quando o visitei no monastério, ele desceu de sua ermida especialmente para me encontrar. Acontece que seu inglês era ainda pior do que o meu, e isso me deu mais coragem para falar com ele! Ficamos frente a frente e perguntei: “Durante esses anos, o que você ficou fazendo naquela colina? “ Ele olhou para mim e respondeu: “Meditando sobre a compaixão, sobre o amor”. Enquanto ele dizia essas poucas palavras, entendi a mensagem através de seus olhos. Realmente desenvolvi uma admiração genuína por essa pessoa e por outros como ele. Essas experiências ajudaram a confirmar em minha mente que todas as religiões do mundo têm o potencial para produzir pessoas boas, apesar de suas diferenças de filosofias e de doutrina. Cada tradição religiosa tem sua própria mensagem maravilhosa a transmitir. O que quero enfatizar aqui é que, para as pessoas que seguem ensinamentos nos quais a fé básica é em um criador – em DEUS – essa abordagem é muito eficaz para elas. Os CRISTÃOS, por exemplo, não acreditam em renascimento e assim não aceitam a crença em vidas passadas ou futuras. Eles só aceitam esta vida. No entanto, acreditam que esta mesma vida seja criada por DEUS, e essa ideia causa neles um sentimento de intimidade com DEUS  e uma dependência em relação a DEUS. A consequência disso é o ensinamento de que devemos amar  nossos semelhantes. O raciocínio é que, se amamos DEUS, devemos amar nossos semelhantes porque eles, assim como nós, foram criados por DEUS. Seu futuro, assim como o nosso, depende do Criador; portanto, sua situação é igual à nossa. Consequentemente, é questionável a fé das pessoas que dizem aos outros para amar a DEUS, mas elas próprias não demonstram amor genuíno para com os seres humanos, seus semelhantes. A pessoa que acredita em DEUS e no amor por DEUS deve demonstrar a sinceridade desse amor dirigindo-o a outros seres humanos, seus semelhantes. Essa abordagem é muito poderosa, não? Assim, se examinarmos cada religião sob diversos ângulos da mesma maneira – não simplesmente segundo nossa própria posição filosófica, mas segundo vários pontos de vista – não resta dúvida de que todas as principais religiões têm o potencial para melhorar os seres humanos. Isso é óbvio. Por meio do contato estreito com pessoas de outra fé é possível desenvolver uma atitude tolerante e um respeito mútuo com relação a outras religiões. O contato estreito com diferente religiões me ajuda a aprender novas ideias, novas práticas e novos métodos ou técnicas que posso incorporar a minha própria prática. Do mesmo modo, alguns dos meus irmãos e irmãs CRISTÃOS adotaram determinados métodos budistas – por exemplo, a prática de concentração da mente em um só ponto, assim como técnicas para ajudar a melhorar a tolerância, a compaixão e o amor. Existem grandes benefícios quando os praticantes de diversas religiões se juntam para esse tipo de intercâmbio. Além do desenvolvimento da harmonia entre eles, há outros benefícios também. Políticos e líderes nacionais falam com frequência de coexistência e de união. Por que nós, religiosos, não falamos isso também? Penso que chegou a hora. Por exemplo em Assis, na Itália, em 1987, líderes e representantes de várias religiões mundiais se encontraram para orar juntos, embora eu não tenha certeza de que oração seja exatamente a palavra adequada para descrever com exatidão a prática de todas essas religiões. De todo modo, o importante é que os representantes das várias religiões se reúnam em um lugar e, segundo suas próprias crenças, orem. Isso já está acontecendo e é, penso eu, um desenvolvimento muito positivo. Mesmo assim, ainda precisamos nos esforçar mais para desenvolver harmonia e proximidade entre as religiões do mundo, já que sem tal esforça continuaremos a ter os diversos problemas que dividem a humanidade. Se a religião fosse o único remédio para reduzir o conflito humano, mas esse próprio remédio se tornasse uma outra fonte de conflito, isso seria desastrosos. Hoje, como no passado, conflitos ocorrem em nome da religião por causa de diferenças religiosas, e considero isso muito, muito triste. No entanto, se pensarmos de forma aberta e profunda, perceberemos que a situação de ontem era inteiramente diferente da atual. Não somos mais isolados, mas, pelo contrário, interdependentes. Portanto, hoje é muito importante perceber que uma relação estreita entre as religiões é essencial, para que diferentes grupos religiosos possam trabalhar e fazer um esforço conjunto para o benefício da humanidade. Assim, a sinceridade e a fé nas práticas religiosas, por um lado, e a tolerância e cooperação religiosa, por outro, formam esse primeiro nível do valor da prática espiritual para a humanidade. O SEGUNDO NÍVEL DE ESPIRITUALIDADE: A COMPAIXÃO COMO RELIGIÃO UNIVERSAL. O segundo nível de espiritualidade é aquele que transcende as diferenças religiosas, o nível da compaixão e da afeição humanos. O segundo nível é mais importante do que o primeiro porque, por mais maravilhosa que seja uma religião, ela ainda só é aceita por um número muito limitado de pessoas. A maioria dos seis ou sete bilhões de seres humanos em nosso planeta provavelmente não pratica nenhuma religião. De acordo com sua origem familiar, eles podem se identificar como pertencentes a um ou outro grupo religioso – Sou HINDU, sou BUDISTA, sou CRISTÃO – mas, lá no fundo, a maioria desses indivíduos não é necessariamente praticante de nenhuma fé religiosa. Não há problema nisso; abraçar ou não uma religião é o direito de qualquer pessoa como indivíduo. Nenhum dos grandes mestres antigos como BUDHA, MAHAVIRA, JESUS CRISTO, KHRISNA, MASHIYACH e MAOMÉ conseguiu fazer toda a população humana se interessar pela espiritualidade. A verdade é que ninguém é capaz de fazer isso. Não importa que esses não crentes sejam chamados de ateus. De fato, segundo alguns estudiosos ocidentais, os budistas também são ateus, já que não aceitam um criador. Assim, algumas vezes acrescento mais uma palavra para descrever esses não crentes, a palavra extremos; chamo-os de não crentes extremos. Eles não só não são crentes, como também são extremos em sua visão de que a espiritualidade sob qualquer forma não tem valor. Entretanto, devemos lembrar que que essas pessoas também fazem parte da humanidade e que também, como todos os seres humanos, desejam ser felizes – ter um vida feliz e pacífica. Esse é o ponto importante. Acredito que não haja problema em permanecer não crente, mas a partir do momento em que você faz parte da humanidade, a partir do momento em que é um ser humano, você precisa de afeição humanas, de compaixão humana. Esse é o ensinamento essencial de todas as tradições religiosas. Sem compaixão humana, até mesmo as crenças religiosas podem se tornar destrutivas. Assim, a prática essencial, seja você uma pessoa religiosa ou não, é um bom coração. Considero a afeição e a compaixão humanas a religião Universal. Quer seja crente ou não crente, todo mundo precisa de afeição e compaixão humanas, porque a compaixão nos dá força interior, esperança e paz mental. Assim, a compaixão é indispensável para todos. Como mencionei, alguns dos meus irmãos e irmãs CRISTÃOS, tanto monges quanto leigos, me disseram estar usando técnicas e métodos BUDISTAS para desenvolver sua compaixão e até mesmo sua fé CRISTÃ. Sempre digo a meus amigos ocidentais que é melhor tentar manter sua própria tradição. MUDAR DE RELIGIÃO NÃO É FÁCIL E ÀS VEZES CAUSA CONFUSÃO. Entretanto, os indivíduos que realmente sentirem que a abordagem BUDISTA é mais eficaz e se adapta melhor à sua disposição mental devem considerar a questão com cuidado. Uma vez que esteja inteiramente convencido de que o BUDISMO é certo para você, então está livre para segui-lo. O importante é lembrar o seguinte: às vezes as pessoas desenvolvem uma atitude crítica em relação a sua religião ou tradição anterior de modo a justificar sua mudança de fé. Você deve evitar isso. Sua antiga religião pode não ser mais eficaz para você, mas isso não significa que não seja útil para a humanidade. Por respeito aos pontos de vista e aos direitos das outras pessoas, assim como ao valor de suas traições, VOCÊ DEVE HONRAR SUA ANTIGA RELIGIÃO. É muito importante. Livro A Vida de Compaixão. Abraço. Davi.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

YOM KIPUR E O PODER DO PERDÃO

 

Judaísmo. www.morasha.com.br. Rabino Gabriel Aboultboul. YOM KIPUR E O PODER DO PERDÃO. Yom Kipur é a oportunidade dada por D’us de virar a página de nossa vida e acreditar em nossa capacidade de melhorar. Devemos corrigir os erros, mas não nos tornarmos reféns do passado, incapazes de olhar para o futuro. Durante os dias que antecedem o Yom Kipur, o Dia da Expiação, recitamos antes das orações matinais as Selichot, os pedidos de perdão a D’us. Sempre nos referimos a essas orações no plural, Selichot, e não no singular, Selichá. Nossos Sábios explicam que isso significa que o pedido de perdão tem duas vias: não apenas pedimos perdão, mas, também, perdoamos. A quem precisamos perdoar? Às outras pessoas, a D’us e a nós mesmos. Na língua hebraica, há várias palavras que significam perdão. As preces de perdão foram chamadas de Selichot porque o valor numérico de Selach é 98, que é o número de maldições mencionadas na Torá (os cinco primeiros livros da bíblia chamada Tanake em hebraico). Isso para nos ensinar que o perdão tem o poder de transformar a maldição em bênção, neutralizando tudo o que há de negativo no mundo. Mas o que significa perdoar, de acordo com o judaísmo? O que significa perdoar?. Na Torá, há mandamentos que determinam tanto nossa relação com D’us quanto com relação a outros seres humanos. Consequentemente, há dois tipos de erros que o homem pode cometer contra: D’us e contra seus semelhantes. O que significa pedir perdão a D’us pelos erros e transgressões cometidas contra Ele? Significa reconhecer que, ao longo do ano, nem sempre cumprimos Seus mandamentos. Em Yom Kipur, D’us pode perdoar-nos apenas por esse tipo de transgressões e não pelas faltas que cometemos contra outros seres humanos. E o que implica pedir perdão a uma pessoa? Não significa apenas dizer Me perdoe, apesar disto ser um bom começo. Pedir perdão implica procurar reparar o erro. Se tivermos prejudicado alguém financeiramente, devemos devolver o que devemos ou, no mínimo, admitir a dívida. Se tivermos denegrido a imagem de alguém, devemos tomar as medidas necessárias para redimi-la. Vale ressaltar, porém, que quando ofendemos ou prejudicamos outra pessoa, é necessário um pedido de perdão duplo, tanto a ela quanto a D’us. Pois ofender, ferir ou prejudicar outra pessoa de qualquer forma é, também, uma transgressão dos mandamentos Divinos, que nos ordenam amar a todos, fazer o bem e nunca fazer mal a ninguém. Portanto, para se obter o perdão em Yom Kipur, precisamos procurar consertar nosso relacionamento tanto com D’us como com as outras pessoas. Porém, não adianta bater no peito e confessar os pecados, e esperar que D’us nos perdoe inclusive pelos erros que cometemos contra os outros. Para sermos perdoados desses erros, precisamos, antes do início de Yom Kipur, pedir desculpas àqueles que, de alguma forma, prejudicamos ou magoamos. Precisamos fazer de tudo para retificar nossos erros, tanto com atos como com palavras. A verdade é que cada um de nós precisa pedir perdão e também perdoar os outros. Assim como quem falhou com outra pessoa deve pedir perdão, cabe à pessoa que recebeu um pedido de desculpas perdoar, contanto que o pedido dela seja sincero e de fato faça o possível para corrigir o erro cometido. Acima, mencionamos que há três tipos de perdão. Devemos perdoar as outras pessoas, devemos perdoar a D’us e devemos perdoar a nós mesmos. Para muitos, é mais fácil perdoar aos outros seres humano e a D’us do que a si próprio. Muitas pessoas se condenam por suas falhas e são incapazes de se perdoar. Esta inabilidade é algo negativo, pois nossa vida fica presa ao passado. O auto perdão é uma demonstração de humildade, pois demonstra que reconhecemos que somos humanos e não infalíveis. A grandeza de Rosh Hashaná e Yom Kipur é que D’us instituiu um dia no qual temos a oportunidade de “virar a página”. Precisamos estar cientes de nossos erros, e fazer todo o possível para corrigi-los, mas não podemos permitir que eles nos definam. Não podemos nos tornar reféns dos erros do passado, incapazes de olhar para frente. Yom Kipur não é o dia em que falamos para D’us que somos “inocentes”, e sim, em que admitimos nossa culpa. Mas é, também, o dia em que expressamos o desejo de melhorar. Assumir nossos erros já é parte integrante da obtenção do perdão. Há uma enorme diferença entre o que a pessoa é, e o que ela faz. Fazer algo errado não significa ser errado. Um mau comportamento, uma má atitude não pode definir quem a pessoa é. Isso, evidentemente, não significa que nossos atos não sejam importantes e significativos. Significa que eles não podem nos definir: talvez erramos ontem, talvez erramos hoje, mas amanhã podemos agir corretamente. O fato de uma pessoa errar não significa que ela não deva ser perdoada ou que não possa modificar-se. Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745-1812), o Alter Rebe, fundador do movimento Chabad Lubavitch, explica o significado de um verso nos Salmos que, aparentemente, não faz sentido. Está escrito que “D’us nos perdoa para que possamos temê-Lo”. À primeira vista, esse conceito parece ser ilógico: se alguém sabe que será perdoado, deveria ter menos medo de pecar. O Alter Rebe explica esse verso com uma metáfora. Suponhamos que alguém tomou um grande empréstimo no banco para investir em um negócio. Infelizmente, não teve sucesso. Se o gerente do banco for exigir a devolução do empréstimo, além do pagamento de todos os juros, ele fará com que a dívida se torne impagável. Mesmo se o devedor quisesse pagar a dívida, não conseguiria. Consequentemente, ele não fará qualquer tentativa para devolver o dinheiro que tomou emprestado. Contudo, se o gerente do banco estiver disposto a negociar, se oferecer um plano viável para o devedor pagar o que deve, haverá mais chance de o banco recuperar o empréstimo. Um fenômeno parecido ocorre no relacionamento entre o homem e D’us. Se D’us fosse excessivamente exigente, se Ele cobrasse todo pecado cometido, romperíamos a relação com Ele: passaríamos a fugir Dele, a ignorá-Lo. O Eterno, então, propõe um acordo. Ele nos perdoa e facilita o pagamento de nossa dívida com Ele, para que seja possível manter o relacionamento. Muitas pessoas acreditam que perdoar é um sinal de fraqueza. Na realidade, é exatamente o oposto. A falta de perdão é sinal de fraqueza e insegurança enquanto perdoar é um ato de coragem, de força. Perdoar não significa dar permissão para que a pessoa volte a cometer o mesmo erro. Significa ter fé que a pessoa que errou não voltará a errar no futuro. Perdoar alguém significa acreditar nela. D’us nos perdoa porque Ele acredita em nós: Ele confia que nosso futuro será melhor que nosso passado. Em muitos casos, não conseguimos compreender por que alguém deveria merecer ser perdoado: por que deveria ter uma segunda ou até uma terceira chance. Daí ocorre que D’us nos faz passar por algo parecido, nós, também, acabamos falhando, e clamamos por perdão, algo que não queríamos dar a outra pessoa. Muitas pessoas não querem perdoar os outros, mas a pergunta que se deve fazer a elas é: se fosse você que tivesse errado, você também gostaria de não ser perdoado? Nossos Livros Sagrados nos ensinam que D’us se comporta conosco da forma como nos comportamos com as outras pessoas. Se formos tolerantes com outros, Ele será tolerante conosco. Por outro lado, se formos excessivamente rigorosos com as outras pessoas, Ele será excessivamente rigoroso conosco. O Baal Shem Tov (1698-1760), fundador do Movimento Chassídico, ensinou que depois que a pessoa deixa este mundo, é ela própria que decreta seu próprio veredicto perante a Corte Celestial. Mostram a ela os atos de uma pessoa, sem revelar que se trata dela mesmo, e se lhe pergunta: Qual deve ser o veredicto?. Após a pessoa julgar o caso, é revelado a ela que se trata dela própria. Isso significa que as pessoas que estão acostumadas a julgar os outros favoravelmente acabarão julgando-se favoravelmente perante a Corte Celestial. Por outro lado, aqueles que são demasiadamente rigorosos com os outros, arriscam-se a se autocondenar. Quando alguém é rigoroso demais, esse rigor acaba se voltando contra si próprio. O que impede o ato de perdoar ou de pedir perdão? Orgulho, arrogância e medo. E esses sentimentos estão entrelaçados. Muitas pessoas não pedem perdão às outras por motivo de orgulho: Por que eu deveria pedir perdão a tal pessoa? Afinal, sou muito mais importante, mais experiente, mais inteligente, mais bem-sucedido do que ela (...). O outro motivo é o medo da resposta. Muitos temem não serem atendidos e que isso seja motivo de vergonha, ou seja, de orgulho ferido. Em Yom Kipur, pedimos perdão a D´us, mas, também, precisamos perdoar D’us. Conta-se a seguinte história sobre um grande mestre chassídico, o Rabi Elimelech de Lijensk (1717-1787). Na noite que antecede Yom Kipur, ele enviou um de seus alunos a certo botequim, para que este aprendesse o significado do perdão duplo. Ao chegar ao botequim, o aluno nota que o dono pede à sua esposa uma caderneta. Ela leva uma caderneta para o marido onde ele havia recordado, ao longo do ano, tudo que D’us fizera de errado com ele: todos os sofrimentos que ele tinha passado durante o ano. Após terminar de ler essa caderneta, ele pede à sua esposa uma outra caderneta onde ele havia escrito todos os pecados que ele fizera contra D’us, ao longo do ano. Após ler essa caderneta, o dono do botequim se dirige a D’us, diz: Le Chaim e toma uma dose de bebida. Aí, diz: D’us, você me perdoa por tudo que eu fiz de errado com o Senhor ao longo do ano e eu O perdoo por tudo de mal que o Senhor fez comigo ao longo do ano. Essa história pode fazer as pessoas sorrirem, mas é algo sério. Cada um de nós falha contra D’us ao longo da vida, mas todos nós temos, também, nossas chateações e ressentimentos em relação a Ele. Às vezes, brigamos com D’us, mesmo quando certas coisas acontecem em nossa vida que não têm nenhuma ligação com Ele. Por exemplo, brigamos com alguém na sinagoga, e deixamos de frequentá-la, ou algo não ocorre como esperávamos e deixamos de colocar Tefilin (caixinhas de couro). Em certos casos, porém, é justificado o sentimento de que D’us nos desapontou. Muitos de nós carregamos esse tipo de sentimento, principalmente, quando coisas difíceis acontecem ao longo do ano. Infelizmente, esse tipo de sentimento negativo acaba tomando conta de nosso coração. Yom Kipur é o período do ano em que devemos livrar-nos desse tipo de sentimento. Yom Kipur, e os dias que antecedem essa data, é a época do ano para abrir um espaço para D’us em nossa vida, mesmo se acharmos que Ele “não merece”: mesmo se acreditamos que Ele não foi tão bom conosco no ano que se passou. Muitas pessoas pensam, Fiz tantas coisas boas e como é possível que D’us permitiu que tal coisa ruim acontecesse comigo? Na realidade, nenhum de nós tem noção da Contabilidade Celestial e do que é, de fato, bom ou ruim para nós. De qualquer forma, vale ressaltar que mesmo esse tipo de ressentimento contra D’us é uma grande mostra de fé. Pois nós não nos zangamos com alguém em quem não acreditamos, tampouco nos chateamos com alguém de quem não esperamos nada de bom. As pessoas se chateiam com D’us porque acreditam Nele e esperam que Ele faça apenas o bem. Portanto, decepcionar-se com D’us é um sinal de grande fé, tanto na existência como na bondade infinita Dele. Mas apesar desses sentimentos serem um sinal de fé, precisamos removê-los do nosso coração, pois eles obstruem nosso caminho e nossa felicidade. Sentimentos de dor, raiva e ressentimento, mesmo que totalmente justificáveis, são um grande obstáculo para tudo de bom na vida. Sentir raiva é o mesmo que tomar um copo de veneno e desejar que outra pessoa morra. Quem se prejudica é quem sente raiva, não o objeto da raiva. Como então, lidar com a dor, principalmente quando ela é profunda? A forma de lidar com a dor é tentar enxergar as coisas de forma diferente. Yom Kipur é o dia de lembranças. Nesse dia, lembramo-nos de Amalek (o arqui inimigo histórico do Povo Judeu), do mal, do Holocausto, das perseguições, dos 10 mártires que foram assassinados por Roma. Em Yom Kipur, lembramo-nos de nossos entes queridos que não mais estão entre nós. Quando nos lembramos desses entes queridos, podemos lembrar a dor causada pela perda e pela ausência ou podemos nos lembrar dos momentos alegres com eles. Quando se recita o Hashkabah  ou Yizkorem Yom Kipur lembramos as almas que partiram deste mundo, devemos nos lembrar dos momentos preciosos que passamos com elas e do privilégio de as termos tido entre nós. O Midrash (é uma maneira de interpretar histórias bíblicas que vai além de simples destilação de ensinamento religioso, legal ou moral. Ele preenche muitas lacunas deixadas na narrativa bíblica sobre eventos e personalidades que são apenas insinuados) nos ensina o seguinte: Quando Moshé Rabenu ensinou ao Povo de Israel o verso da Torá, Lembre-se o que Amalek fez quando você saiu do Egito, o povo disse a ele: Moshé, nosso mestre. Um verso da Torá afirma, Lembre-se o que Amalek fez para ti. Outro verso diz: Lembre-se do dia do Shabat para santificá-lo. Como se cumprem ambos os versos? Um nos ordena lembrar e o outro, também. Moshé respondeu: Um copo de vinho não é o mesmo que um copo de vinagre, mas esse é um copo e aquele também é um copo. Existe a lembrança do Shabat e a lembrança de Amalek. Esse Midrash contém lições profundas. O vinagre é um derivado do vinho, mas este é doce e aquele é azedo. Ambos, o vinho e o vinagre, advêm da uva e ambos são bebidos em um copo. Na vida, temos a opção de beber um copo de vinho ou de vinagre. Tudo depende de como enxergamos as coisas, como lidamos com as lembranças. Isso é uma lição muito importante para esta e para as futuras gerações de judeus. Evidentemente, elas precisam aprender sobre a dor que nosso povo passou, as perseguições, o Holocausto. Mas também precisam aprender que o judaísmo é um copo de vinho e não de vinagre. Quando o pai traz o filho à sinagoga, deve ser não apenas em Yom Kipur, mas em Simchat Torá também, para que o filho aprenda que o judaísmo não se restringe a orações e jejuns, mas é também, um modo de vida baseado na alegria. De fato, um dos fundamentos da Torá é o mandamento de servir a D´us com alegria. Mas para poder viver com alegria, precisamos aprender a perdoar. Precisamos perdoar a D’us, as outras pessoas e a nós mesmos. Uma história verídica. Cabe relatar uma história verídica, que expressa as ideias transmitidas acima. Em certa ocasião, um judeu religioso, um rabino, estava viajando pela British Airways para Nova York. Ao lado dele, estava sentado um homem que, após o avião decolar, vira-se para ele e diz: Shalom, e revela, também, ser judeu. Ambos passam a conversar e descobrem que ambos estão a caminho de Israel. O rabino, que estava viajando para passar Rosh Hoshaná e Yom Kipur em Israel, começa a falar de religião, mas o judeu sentado ao lado dele diz: Não me fale de D’us. Tenho raiva Dele. Não posso perdoá-Lo pelo que Ele me fez. Este homem, que tinha 70 anos de idade, havia passado pelo Holocausto. Ele teve um filho, mas tinha sido separado dele durante a guerra e presumia que havia morrido. Disse ao rabino que nunca perdoaria D’us por lhe ter tirado seu filho. O rabino pergunta: Por que então você vai a Israel? E o homem responde. Não quero saber de D’us, mas o Povo Dele é ótimo. Não existe lugar no mundo como Israel. O rabino tenta convencer o homem a ir à sinagoga, em Israel, durante as Grandes Festas, diz que a sinagoga que frequenta em Israel é pequena, mas possui um ótimo chazan (cantor litúrgico treinado para recitar as orações e benção com a congregação). O homem se recusa. Dias mais tarde, o rabino está em Israel. É Yom Kipur. Após a leitura da Torá, ele sai da sinagoga, durante o curto intervalo em que é recitado o Yizkor. Ele vai a uma pracinha e nota que há alguém fumando: é o seu amigo da viagem. Ele se aproxima dele e tenta convidá-lo à sinagoga. Venha rezar um pouco, diz o rabino. Mas o homem se recusa. O rabino diz o seguinte: Pelo menos entre para recitar o Yizkor pelo seu filho. Sim, você brigou com D’us, mas por que seu filho deveria sofrer por isso? Todos serão lembrados no Yizkor, seu filho deveria ser um deles. O homem responde que por seu filho faria tudo, inclusive ir à sinagoga para o Yizkor. Era uma sinagoga pequena. E por ser pequena, havia o costume de que quem quisesse, podia ir ao chazan, dar o nome do falecido e o próprio chazan recitava o nome da pessoa cuja memória seria lembrada. Ao entrar na sinagoga, esse senhor se aproxima do chazan que lhe pergunta o nome do filho. Quando o chazan ouve o nome, ele olha para esse senhor, fica pálido e grita em iídiche: Pai! Durante muitos anos, esse senhor pensou que seu filho havia morrido no Holocausto. Na realidade, seu filho havia sobrevivido, imigrara para Israel e se tornara um judeu religioso. Ele manteve as tradições que aprendeu com o pai, a mesma pessoa que desde a guerra não queria mais se relacionar com D’us. Se o pai nunca tivesse entrado em uma sinagoga em Yom Kipur, se não tivesse dado essa brecha para D’us, ele passaria o restante da vida acreditando que seu filho havia morrido. No momento em que ele deu uma chance a D´us e entrou na sinagoga em Yom Kipur, mesmo que fosse apenas para recitar Yizkor pelo seu filho, ele reencontrou aquilo na vida de mais caro, que ele acreditava ter perdido. Essa história, além de verídica, serve também como metáfora. O pai da história é D’us e todos nós somos Seus filhos. Yom Kipur é o dia em que nos reencontramos; em que Ele e nós descobrimos que Ele não nos perdeu. Yom Kipur é o dia em que vamos à sinagoga para dizer a D’us que ainda estamos juntos e que assim continuaremos, eternamente. Mas como na história relatada acima, esse nível de ligação e conexão com D´us só é alcançado quando retiramos de nós sentimentos negativos contra Ele, contra outras pessoas e contra nós mesmos. Yom Kipur é o dia mais sagrado do ano. É o momento em que se revela a essência de nossa alma. Nesse dia, revela-se o nível de conexão essencial que existe entre nós e D’us. Nesse dia do Perdão não interessa o que fizemos, e sim, o que somos. Ao tomarmos consciência de quem somos, torna-se possível expressar a essência do nosso ser. Por que as pessoas que não vão à sinagoga o ano inteiro fazem questão de ir em Yom Kipur? Há judeus que praticamente não cumprem nenhuma mitzvá, mas jejuam em Yom Kipur. A única explicação é que em Yom Kipur, o dia mais importante do ano, revelamos quem, na verdade, somos. Nesse dia, é revelado que nossa conexão com D’us é atemporal e independente de nossas ações. Em Yom Kipur, nós nos sentimos conectados com D’us, com a comunidade judaica e também com as almas dos falecidos. É na sinagoga que recitamos o Yizkor e nos lembramos dos falecidos, porque no Mundo da Verdade, as almas desejam ser lembradas em um lugar sagrado, na sinagoga. Yom Kipur é, portanto, um dia de amor: amor a D’us e amor às outras pessoas, as que se encontram conosco e as que estão no Mundo da Verdade. Sabe-se que quando um pai deseja fazer uma festa de aniversário, ele quer que todos os seus filhos estejam presentes, independentemente de onde vivam. Se todos os filhos não puderem comparecer, o pai prefere que não haja festa. Yom Kipur é o dia em que nosso Pai deseja que todos os Seus filhos venham à sinagoga. É por esse motivo que antes de se iniciarem as orações em Yom Kipur, o chazan recita uma frase, Anu Matirim, afirmando que todos, mesmo aqueles que cometeram grandes pecados e renunciaram ao judaísmo, podem rezar juntos na sinagoga naquele dia. Pois nesse momento, o Pai convoca todos os Seus filhos. Ele não quer apenas alguns deles, os que se comportaram bem. Ele quer todos eles. Em Yom Kipur, recita-se o Avinu Malkenu, Nosso Pai, nosso Rei. O Baal Shem Tov transmitiu um ensinamento a respeito dessa prece, que nos ajuda a ter uma percepção bastante diferente a respeito do Yom Kipur. De fato, é um dia em que somos julgados. Por que, então, é um dia de tanta alegria, felicidade e união? Porque o Juiz é o nosso Pai. Diz-se que nunca se sabe o que pode sair da cabeça de um juiz, mas se o Juiz é o próprio Pai, podemos ficar tranquilos. D’us é nosso Rei, que nos julga, mas antes de ser Rei, Ele é Pai. Por esse motivo, falamos Avinu Malkenu, não Malkenu Avinu. E um pai é sempre misericordioso e bondoso com seus filhos. Yom Kipur é o Dia da Expiação, o Dia do Perdão. Pedimos perdão a D’us e perdoamos aos outros, mas só podemos perdoar a D’us quando sabemos que Ele é nosso Pai, pois quando é nosso Pai quem fala, ouvimos apenas bênçãos. www.morasha.com.br. Abraço. Davi.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

ADOLF HITLER E O OCULTISMO NAZISTA

 

Gnosticismo. www.gnosisonline.org.br. Por Ali Onaissi. ADOLF HITLER E O OCULTISMO NAZISTA. O “misticismo nazi” é um termo usado para descrever uma subcorrente do nazismo quase religiosa, caracterizando-se pela combinação do nazismo com o ocultismo, o esoterismo, a cripto-história e o paranormal. Em alguns casos atribui uma importância religiosa à pessoa de Adolf Hitler (1889-1945) e à sua doutrina. Para o venerável mestre Samael Aun Weor (1917-1977), o líder alemão conheceu profundamente os mistérios do ocultismo. Hitler conheceu os mistérios tântricos e os praticou com sua esposa-sacerdotisa, porém, como não trabalhou sobre si, eliminando seu ego, seus defeitos e valores mentais negativos, levou o mundo todo ao caos da Segunda Guerra Mundial. Hitler, para os gnósticos, teria sido um grande líder para seu povo e talvez para o mundo se tivesse, além de defender o povo germânico de seus inimigos, levantado a bandeira da paz, em vez da guerra. O orgulho (orgulho ferido, complexo de superioridade e megalomania), a cobiça (desejo doentio de conquista) e a violência foram seus principais defeitos psicológicos. Para falar sobre esse personagem, que foi um iniciado em escolas de ocultismo europeias, é necessário conhecermos os fatores que nos levaram aos aspectos econômicos e sociais da atual Nova Ordem Mundial. Que relação tiveram Hitler e o Nacional Socialismo (nazismo) com o esoterismo? Hitler conheceu realmente grandes Iluminados, por ele chamados de “Super-Homens”? Ele teve contato com mestres da Venerável Loja Branca ou da terrível Loja Negra? Vamos analisar, neste texto do GnosisOnline, todo o movimento esotérico que rodeou Adolf Hitler e suas consequências atuais. O que diz Samael sobre Adolf Hitler. O VM Samael comenta algumas vezes sobre Adolf Hitler. Na primeira vez, Samael comenta que ele conheceu pessoalmente a Hitler, em suas viagens jinas pela Europa. Na segunda o mestre fala que depois de morrer, Hitler foi para os Mundos Infernos da Lua Negra Lilith. E na terceira fala que Hitler não morreu em seu bunker em Berlim, como a imprensa teima em defender. Quem na verdade morreu ali foi seu sósia. Hitler, para o mestre Samael, fugiu da Alemanha em um submarino e estabeleceu-se em algum lugar secreto na Argentina. Também podemos encontrar algumas afirmações do VM Samael em sua obra magistral O Quinto Evangelho, sobre Hitler: “Desta forma, podemos afirmar que a Força Hipnótica é geral, podemos ver, por exemplo, milhões de soldados que estão hipnotizados, não só eles, mas todo mundo. É certo que existem, mesmo no exército, pessoas que têm a Consciência Desperta. No caso da Segunda Guerra Mundial, Hitler estava adormecido, se estivesse desperto não faria o que fez, mas sonhava que estava desperto, pensou em até criar uma raça superior, que tinha chegado a hora do Super-Homem. Estava envenenado pelas teorias de Nietzsche, lembremos aquela frase do Führer quando disse com euforia que tinha conhecido o Super-Homem, que era terrivelmente cruel e que ele tinha sentido medo (...). Realmente, o que Hitler viu não era o Super-Homem, e sim um Mago Negro, que veio lá da Ásia, do Tibete, do Clã de Dag-Dugpa, com uma Força Hipnótica extraordinária. Esse Mago Negro visitou Berlim e chamaram-no de “O Homem das Luvas Verdes”, e ele dizia que tinha as chaves de Agartha, onde viviam os Deuses Guardiães do Mundo. É claro que com uma linguagem tão altissonante, as multidões não poderiam fazer outra coisa que se assombrar, e o Führer não teve nenhum inconveniente em render culto àquele Mago Negro Dugpa, criando uma Instituição de tipo esotérica em Berlim, porém era uma Instituição de Magia Negra. Ele acreditava que era um Profeta, não da palavra, mas da espada, chamado a revolucionar o mundo. Mas os esoteristas sabem muito bem que Hitler é o Retorno ou Reincorporarão daquele terrível Átila, dos tempos antigos, aquele a quem chamavam de “Castigo de Deus”. Quanto a Benito Mussolini (1883-1945) em suas vidas passadas, foi um membro ilustre da Fraternidade Tenebrosa. Todos eram Magos Negros, são pessoas que agora vivem nos Mundos Infernais, esta é a crua realidade dos fatos (…). Continuando, o verdadeiro Homem não existe, os poucos Homens que temos na face da Terra, como Saint-Germain (1712-1784), Gagliostro (1743-1795), Raimundo Lúlio (1232-1316), Nicolas Flamel (1330-1418), fazem um Círculo Esotérico à parte. O que existe, então? O “bípede tricerebrado”, equivocadamente chamado de “homem” incluo também as nossas companheiras, as mulheres, realmente ainda que doa a vocês, tenho de ser um pouco cruel, vocês não alcançaram o Estado de humanos, são “humanoides intelectuais”, ou, não se ofendam por favor, “mamíferos racionais”. Friedrich Nietzsche (1844-1900) cometeu um erro gravíssimo ao falar do Super-Homem. Ele dizia em sua obra Zaratustra que havia chegado a hora do Super-Homem, e que este estava para o homem, assim como o animal para o homem. Que equívoco Nietzsche cometeu, falando do Super-Homem, quando nem sequer o Homem nasceu. Hitler seguiu Nietzsche ao pé da letra, a mística da Alemanha de então era a de Nietzsche. Naquela época, qualquer policial, soldado, se sentia um Super-Homem, e tal mística serviu como fundamento para a Segunda Guerra Mundial (1º de setembro de 1939 – 2 de setembro de 1945). Nestes instantes devemos ser analíticos e refletir bastante, pois se acreditarmos que somos Homens, estão equivocados; para ser homens, é necessário possuir um Corpo Astral, um Corpo Mental e um Corpo Causal, além do Corpo Físico. Quando examinamos o humanoide, vamos perceber que possui um Assento Vital, um Lingam Sharira, que serve de base à mecânica da célula viva, mas não possui os Corpos Existenciais Superiores do Ser.” Na obra Revolução da Dialética, Samael comenta sobre as verdadeiras e ocultas causas que originaram a Segunda Guerra Mundial: “A suástica em movimento gera a eletricidade sexual transcendental. Hitler entendeu sobre essas coisas e por isso tomou a Suástica como símbolo de seu Partido. O Homem das Luvas Verdes pertenceu ao clã dos Dag-Dugpas. Hitler deixou-se enganar por esse homem e foi ensinado a cristalizar tudo negativamente. Quando Franz Von Lizst (1851-1919) capitulou em Lhasa – Tibete, os monges dag-dugpas se lançaram às ruas, celebrando a capitulação de Berlim – Alemanha. A Segunda Guerra Mundial foi um duelo entre os ensinamentos de George Ivanovic Gurdjieff (1866-1949) e os dos dag-dugpas. Este duelo foi importado do Tibet e foi uma verdadeira luta entre os magos brancos e os negros do Tibete.” Eis aí os ensinamentos transcendentais de Samael Aun Weor (1917-1977) sobre Hitler (…). Afinal, quem eram os magos brancos e os magos negros do Tibete aos quais Samael se refere? São os mais distintos membros das duas escolas mais poderosas das Lojas Branca e Negra: A Sagrada Ordem do Tibete, regida pelo meritíssimo senhor Bhagavan Aclaiva, e o Clã Dag-Dugpa, que teve como um de seus membros mais destacados o homem que se chamou, quando encarnado, Mao Tsé-tung (1893-1976) (não sendo à toa que Samael, comentando sobre Mao, dizia que MAO é o contrário de AOM). Hitler e os Judeus, segundo Samael. Alguém pergunta ao VM Samael Aun Weor por que Hitler odiava os judeus, e o Mestre se limita a responder o seguinte: “Numa certa ocasião, achando-me no Mundo Astral, invoquei Karl Marx (1818-1883) e ele apareceu e eu lhe perguntei: ‘Tonto, não te dás conta que você escreveu uma farsa? Não te dás conta disso?’. Percebi uma coisa curiosa, esse homem está desperto e consciente e ele é seguido por Wladimir Lenin (1870-1924), que parece um sonâmbulo, está inconsciente e o segue como uma sombra, mas Karl Marx está desperto e consciente no Mal e para o Mal! Entretanto, eu não vou me pronunciar contra o povo judeu, porque isso seria um absurdo! Existe uma multidão de anciães, mulheres e crianças que jamais na vida souberam alguma coisa sobre os Protocolos de Sião. Atacar todos os judeus é um delito, os culpados são os governos e o Sanedrim (Sinédrio), com os seus 300 membros, que possuem um projeto, há mais de 3 mil anos para dominar o mundo”. Pergunta: ‘Eles têm dominado o mundo?’ Samael Aun Weor: “Até agora o projeto está dando resultado. Hitler sabia, mas ele preferiu atacar as mulheres, os velhos e as crianças nas câmaras de gás, essas criaturas nada sabiam dos planos do Sanedrim, os membros estavam rindo de Hitler nos Estados Unidos, na França, Inglaterra e Rússia. Eles, o Sanedrim, foram os que acabaram com Hitler (…)”. Analisemos, a partir de agora, outros aspectos sobre os diversos aspectos que permitiram que o nazismo tivesse êxito nos campos militar e político, sempre auxiliado pelo ocultismo. Ordens Ocultistas. Hitler, aficionado por tudo o que se relacionasse com o autoconhecimento, com o esoterismo e magia, foi membro de algumas ordens ocultistas germânicas. Vejamos a história de algumas delas para compreender um pouco mais como funcionava a psique desse personagem: 1. Sociedade Ahnenerbe. A Sociedade de estudos para a antiga história do espírito (Deutsche Ahnenerbe), mais conhecida como a Herança dos Ancestrais, foi criada no dia 1º de Julho de 1935. Em seu começo funcionou como um instituto de investigações avançadas das SS para logo tornar-se independente. Seus mentores foram Henrich Himmler (1900-1945), Herman Wirth (1885-1981) e Walter Darre (1895-1953). Havia 43 departamentos na Ahnenerbe, dos quais um era insólito, aquele que se dedicava às atividades ocultistas. Os interesses dessa verdadeira confraria, altamente seleta, versavam sobre: a busca do Santo Graal, escavações de vestígios atlantes, exploração e contato com as culturas místicas do Tibete, práticas de yoga, estudos de antigos cultos pagãos, viagens ao interior da Terra para comprovar se esta é realmente oca etc. O grande líder dessa seção, depois de Himmler, era Friedrich Hielscher (1902-1990), um homem enigmático e do qual há poucos dados. Hielscher incentivou a famosa expedição ao Tibete (1938-1939). A missão foi comandada pelo antropólogo Ernst Schaefer, acompanhado por cinco sábios alemães e 20 membros da SS. Juntamente com a Ahnenerbe, coexistiram outras organizações que também tiveram uma vinculação esotérica. Uma delas foi a Thule, de onde surgiriam dois importantes desprendimentos: a Ordem do Sol Negro e a Loja Sociedade Vril. 2. Ordem do Sol Negro. Foi um corpo especial batizado como SS Schwarze Sonne, estabelecido para pôr em prática os ensinamentos do monge tibetano conhecido como o Homem das Luvas Verdes, o qual trouxe técnicas tenebrosas para atrair a energia do Sol Negro de nosso Sistema Solar. As teorias geológicas e astronômicas que os cientistas nazis manejavam asseguravam que a Terra, como o resto dos corpos cósmicos, é na realidade um satélite de dois sóis, e não um somente, um branco e luminoso que nos dá vida, e outro, de matéria astral, que nos desequilibra. Essa Ordem do Sol Negro teve um objetivo: atrair energias cósmicas negativas do Sol Negro e pôr em marcha projetos secretos de dominação mundial. 3. Sociedade Vril. A Loja Luminosa ou Sociedade Vril foi fundada pelo professor de geopolítica e esoterista berlinense Karl Haushoffer (1869-1946). Diz-se que a fonte de inspiração para a sua criação, baseou-se no livro intitulado Vril – A Raça Futura, do escritor inglês e discípulo de Eliphas Levi (1810-1875), Edward Bulwer-Lytton (1803-1873), onde se descreveria uma sociedade subterrânea que utilizava uma misteriosa energia tântrica, o Vril. Entre os objetivos dessa loja estava: Investigar as origens da raça ariana e saber como essas capacidades mágicas que dormem no sangue podem ser reativados para convertê-las em veículos sobre-humanos. Documentos nazis capturados após a queda do Terceiro Reich indicam que Hitler e seus partidários lançaram várias expedições em busca de uma entrada rumo ao mundo interior, à Terra Oca. Geógrafos e cientistas alemães receberam a ordem de encontrar túneis que conduzissem os Vril-ya (como se denominou a esse povo subterrâneo oculto). Foram pesquisadas minas alemãs, suíças e italianas para encontrar possíveis poços, e inclusive Hitler ordenou a um coronel de inclinações intelectuais que investigasse a vida do lorde Bulwer-Lytton con a esperança de conhecer onde e quando o autor havia visitado o mundo dos Vril-ya. (Lytton é autor do livro VRIL, O PODER DA RAÇA FUTURA – clique aqui.). Os nazis acreditavam que através da energia Vril eles poderiam “ter acesso a profundos conhecimentos no campo da tecnologia atômica, muitos dos quais ainda não foram descobertos, e cujo manejo errôneo teria provocado o abrupto desaparecimento de civilizações antigas das que apenas há algum registro, como é o caso de antigos textos hindus em que aludem a Vimanas voadores e armas com raios atômicos”. 4. Thule-Gesellschaft A Sociedade do Thule foi uma sociedade esotérica alemã fundada em 1918 pelo ocultista e nobre alemão Rudolf von Sebottendorff (1875-1945). A ela pertenceram importantes personalidades do Terceiro Reich, como o próprio Adolf Hitler e seu braço direito Rudolf Hess (1894-1987). Aparentemente, o Partido Nacional-socialista (e, portanto, o próprio Terceiro Reich) teve sua origem nessa sociedade, sendo o DAP (Deutsche Arbeiter-Partei, depois transformado em NSDAP) seu braço político. Como escudo da Sociedade Thule escolheu-se a suástica colocada atrás de uma reluzente espada disposta verticalmente. O nome Thule foi escolhido por causa do legendário Reino de Thule dos nórdicos e a Tula dos astecas, a ilha encantada do norte do mundo, onde se encontrariam os regentes da raça ariana e da evolução espiritual da humanidade. Em 1919, o membro da Thule Karl Haushofer (1869-1946) fundou uma segunda ordem, que se chamou Brüder des Lichtes (Irmãos da Luz), depois denominada Vril-Gesellschaft. A esta nova sociedade uniram-se os membros de outras ordens, tais como a Die Herren von Schwarzem Stein (Os Senhores da Pedra Negra), que era a refundação de uma Ordem Templária. Entre os membros da Sociedad Thule encontravam-se, ademais dos pagãos Heinrich Himmler e Alfred Rosenberg (1893-1946), também sacerdotes (como o confessor de Hitler, Bernhard Stempfle(1882-1934), monges cistercienses (Guido von Lizst (1848-1919) e membros da Ordem do Temple Refundada (os chamados Herren von Schwarzem Stein), além de nacionalistas, patriotas, antimarxistas e anti-sionistas. O autor alemão Jan Udo Holey (1967 - ) afirmava em seu livro Sociedades Secretas e seu Poder no Século 20 que os homens mais destacados dessa ordem, e que influenciaram os destinos da Alemanha e mesmo da própria humanidade na época foram: Freiherr Rudolf von Sebottendorff; Guido von Lizst e Jörg Lanz von Liebenfels (1874-1954), mestres da Ordem; Adolf Hitler, Führer, chanceler do Reich e Führer da Alemanha; Rudolf Hess; Hermann Göring (1893-1946), marechal do Reich; Heinrich Himmler, Reichsführer SS; Alfred Rosenberg, ministro do Reich; Hans Frank; Julius Streicher; Karl Haushofer; Gottfried Feder; Dietrich Eckart; Bernhard Stempfle; Franz Gürtner; Rudolf Steiner (1861-1925); Theo Morell; W. O. Schumann; Trebisch-Lincoln e a Condessa Westrap. A Morte de Hitler. O suicídio de Adolf Hitler e sua mulher, Eva Braun (1912-1945), é considerado por todos como uma verdade incontestável. Mas será mesmo que ele e sua família se mataram em seu bunker, em Berlim? Por que será que isso foi contestado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial por inúmeras autoridades? Para muitos, a farsa armada em torno do suicídio de Hitler está ultrapassada, pois vários pesquisadores coincidem na falta de provas de sua morte na Alemanha. Não há cadáver, nem autópsia, nem perícia jornalística. Para o jornalista argentino Abel Basti, autor de um interessante livro (Hitler em la Argentina), Hitler desembarcou em Caleta de los Loros, entre as cidades de Viedma e San Antonio Oeste. Protegido pela colônia alemã e mesmo pelo serviço secreto argentino, Hitler e Eva Braun teriam vivido sossegados neste país da América do Sul, até sua morte por velhice. A versão de Basti consiste em que o casal Hitler-Eva no dia 29 de abril de 1945, em um avião JU-52, após passar sem prejuízo a defesa aérea soviética, aterrissou na Espanha e daí em um submarino chegou à Patagônia. Josef Stalin (1878-1953), dias depois da invasão soviética de Berlim, comentou com seus principais generais: “Ele não está morto. Ele escapou para a Argentina ou Espanha”. Como o Terceiro Reich entrou em colapso na primavera de 1945, a primeira coisa que o Exército soviético fez ao entrar em Berlim foi chegar o mais rápido possível ao bunker onde estaria escondido Hitler para capturá-lo antes das demais tropas aliadas. Depois, os russos fizeram uma série de afirmações contraditórias sobre a morte do líder alemão. No dia 17 de julho do mesmo ano, em Potsdam, Stalin comentou, durante um café da tarde, ao presidente americano Harry Truman de que eles não haviam achado o corpo de Hitler, e o que havia sido encontrado foi o sósia dele, morto com um tiro na cabeça, segurando uma foto de Eva Braun. Mas que o verdadeiro Hitler não se encontrava mais no local. Stalin também confidenciou que divulgaria as fotos desse sósia de Hitler como se fosse o próprio, até que o verdadeiro fosse encontrado. Os vencedores da Segunda Guerra Mundial nunca o encontraram. No dia 19 de abril de 1945, o New York Times escreveu: “Rumores estão circulando sobre o dublê de Hitler. Pode ter sido ele o que foi encontrado no bunker, ele foi treinado para ‘ser’ o próprio Hitler e iria se transformar num mártir no lugar de Hitler, enquanto este se tornaria o verdadeiro mártir”. Um relatório da KGB, o serviço secreto soviético, afirmava o seguinte: “No bunker com Hitler estava seu doppleganger (sósia), Gustav Weber. Estavam sempre juntos para o caso de Hitler precisar dele”. Se Hitler não morreu, pois o cadáver achado foi o de seu sósia, seu dublê, então por que isso não foi relatado pelos vencedores? Por que os soldados soviéticos simplesmente cremaram o cadáver do suposto Führer, em vez de apresentá-lo como objeto de exposição? Para onde teria ido Hitler? Talvez seja por isso que C. J. Heimlich, coronel do serviço de informações da presidência norte-americana afirmou que “nenhum ser humano pode afirmar conclusivamente que Adolf Hitler morreu”. À época, um dos agentes do FBI afirmou, depois de alguns anos de investigações: “Ele realmente escapou para a Argentina e se diz que ele ainda viveu mais 11 anos. Depois desse tempo, ninguém mais soube de seu paradeiro”. Realmente, informações de diversas fontes sobre o verdadeiro paradeiro de Adolf Hitler vêm coincidir com as afirmações do VM Samael Aun Weor (1917-1977) sobre a vida e morte desse líder do povo germânico. Samael disse que Hitler realmente morreu de velho em um país qualquer da América do Sul, país esse que seria nada menos que a ARGENTINAwww.gnosisonline.org.br. Abraço. Davi

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

O CONHECIMENTO ESPIRITUAL

 

Bhagavad Gita - JNANA YOGA - O CONHECIMENTO ESPIRITUAL. Capítulo Quatro. O homem pode libertar-se da ilusão do "eu pessoal", e alcançar a união com a Essência Divina, pelo conhecimento interno de si próprio, isto é, pela iluminação interior. Esta força aumenta com a prática quando se cumpre o dever com abnegação.

 

1. Continuou a falar KRISHNA: Já na mais remota antiguidade dei esta doutrina da união com o Eu Divino a Vivasvat (1). Ele a ensinou a Manu (2), e este a transmitiu a Ikshvaku, o fundador da dinastia solar.

(1) Vivasvat é o Sol Espiritual ou a Mente Divina, no princípio do mundo. (2) Manu se deriva da raiz sânscrito mau, pensar. Aqui se refere ao Filho do Sol e Pai da Raça atual.

 

2. De Ikshvaku passou esta doutrina a outros, e era conhecida pelos Rishis (3); no decorrer dos tempos, entretanto, caiu em esquecimento o sentido espiritual, conservando-se apenas a letra. Tal é a sorte da Verdade entre os homens.

(3) Rishis são os Reis Sábios ou Patriarcas.

 

3. A ti, agora, que és meu amigo dedicadíssimo, quero de novo explicar esta doutrina, que é o mais profundo segredo e a mais velha verdade.

 

4. Disse Arjuna: Como devo compreender-te, ó Senhor, quando dizes que ensinaste a Vivasvat? Ele viveu no princípio do Tempo e tu nasceste há poucos decênios (1),

(1) Compare-se o Evangelho segundo São João 8,57-58 "Disseram-lhe os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, vos digo que, antes que Abraão fosse feito, eu sou.

 

5. Respondeu KRISHNA, o Verbo Divino: Muitos foram já os meus nascimentos, e muitos também formam os teus, ó Arjuna. Eu sou consciente deles todos, mas tu não o és.

 

6. Escuta este mistério: Eu Sou superior a nascimento: sou inato e eterno, sou o Senhor de todas as criaturas, pois tudo emana de Mim; mas também nasço, gerado por meu próprio Poder.

 

7. Sempre que o mundo declina em virtude e justiça; sempre que imperam o vício e a injustiça, venho Eu, o Senhor, e apareço no meu mundo em forma visível, nascendo e vivendo como homem entre os homens.

 

8. A minha influência e doutrina destroem o mal e a injustiça, e restabelecem a virtude e a justiça. Muitas vezes, já apareci assim, e muitas vezes aparecerei ainda.

 

9. Quem me reconhece em minha encarnação, quem me conhece em minha Essência, não precisa reencarnar-se mais, ao deixar o seu corpo mortal, e vem morar comigo em meu reino de Bem-aventurança.

 

10. Muitos já vieram assim a Mim, tendo-se libertado do medo, ódio, ira e paixão. Quem a Mim se dirige com firmeza e em Mim fixa a sua mente, é purificado pela chama sagrada do Amor e da Sabedoria e, livre da atração dos objetos terrenos, torna-se semelhante a Mim, e entra em minha Vida Espiritual.

 

11. Eu acolho prazenteiro todos os que me procuram e honram, qualquer que seja o caminho que sigam, porque todos os caminhos, todas as formas religiosas, embora de denominações diferentes, a Mim os conduzem.

 

12. Até aqueles que adoram os Devas (1), e lhes pedem recompensa por suas ações, encontram o que procuram, pois no mundo dos homens toda ação produz o seu fruto (1).

(1) Devas: o mesmo que Anjos.

 

13. Mas Eu Sou o Criador da humanidade inteira, em todas as suas fases e formas. De Mim procedem as quatro castas (2), com as suas qualidades e atividades distintivas. Sabe que Eu Sou o Criador delas, se bem que, em Mim mesmo, sou imutável e sem qualidades.

(2) As quatro castas que representam as quatro classes de atividade humana, são: os Brâmanes (sábios), os Kshattriyas (guerreiros), os vaisyas (comerciantes) e os Sudras (operários).

 

14. Em minha Essência, sou livre dos efeitos das ações e não tenho desejo nenhum de obter recompensas ou gozar os frutos das minhas obras; pois essas coisas são produzidas por meu Poder e não têm influência sobre Mim. Em verdade, digo-te que quem é capaz de achar a solução desse enigma e me percebe como Eu Sou (3) em minha Essência, fica livre dos efeitos das ações.

(3) Compare-se com Êxodo 3,14 "E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.

 

15. Os sábios antigos que conheceram esta verdade, praticavam ações sem esperar recompensa, e assim alcançaram a Liberdade. Segue também tu o seu exemplo.

 

16. Poderás dizer que, às vezes, até os sábios não podem definir o que é a ação e o que é a inação. Eu te explicarei, e te ensinarei em que consiste a ação que te libertará do mal e te tornará livre.

 

17. É preciso distinguir estas três coisas: ação (isto é, reta ação), inação (ou abstenção) e má ação. É difícil discernir-se o caminho da ação.

 

18. Quem se adiantou de tal maneira, que é capaz de ver ação na inação, e inação na ação, pertence aos sábios de sua raça, e permanece em harmonia enquanto pratica ações.

 

19. As suas obras são livres dos vínculos de esperanças egoístas, e sua atividade é purificada das espumas dos desejos, pela chama da sabedoria. Tal homem merece o nome de Sábio.

 

20. Tendo renunciado aos frutos das suas ações, está sempre contente e confia na força divina do seu interior, e assim está em inação, ainda que trabalhe, porque não age para a sua pessoa, mas deixa agir por si a força Divina.

 

21. Não espera lucro, não receia perda; de nada depende, e conserva os seus sentidos sob o domínio da razão. Assim é senhor do seu sentir e pensar, um rei poderosos no reino interior da alma.

 

22. Está contente sempre com tudo o que o dia lhe oferece; não se deixa alterar por ventura nem por desventura; é livre da inveja; conserva o ânimo igual e o coração afável, tanto no sucesso como no insucesso; faz sempre o melhor que pode, porém, sem se apegar à obra. Assim, vive puro e imaculado entre os impuros e pecadores.

 

23. As obras do homem que matou em si todo o apego e mantém sua mente firme na sabedoria, são como inexistentes para ele; tudo ele faz no espírito divino, conforme a vontade de Deus, e assim, cada uma de suas ações é um sacrifício no altar do Amor Divino.

 

24. Deus é Amor; Deus mesmo é o sacrificador e o sacrifício; Ele é o fogo e o alimento do fogo. Deus em Deus oferece sacrifício a Deus, e assim vem a Deus quem, oferecendo sacrifício, nele pensa.

 

Há muitos devotos que invocam os deuses inferiores; outros adoram o Princípio Divino só no fogo do Amor.

 

26. Outros há que oferecem à Divindade sacrifícios de abnegação, renunciando ao que agrada ao ouvido, à vista e aos outros sentidos; outros dirigem a Deus preces e hinos pios e elevam ao Altíssimo os corações ardentes.

 

27. Muitos depõem no altar do coração os prazeres da vida, alimentando o fogo místico de renúncia, pelo qual se lhes comunica a Luz do conhecimento.

 

28. Outros renunciam à riqueza e fazem votos de penitência e obediência, ou dedicam-se ao estudo e à procura da verdade, meditando no silêncio.

 

29. Outros praticam a respiração sagrada, e pondo em harmonia o hálito interior e o exterior, dominam a aspiração e a expiração pelo poder da vontade.

 

30. Outros praticam abstinência e jejuns e esforçam-se por sacrificar a vida material, totalmente, à vida espiritual. Todos estes oferecem sacrifícios, ainda que de diferentes modos; e todos obtêm méritos pelo espírito sacrificial das suas observâncias.

 

31. Há muita virtude e mérito na moderação e no domínio de si mesmo; e esta é a causa por que os sacrificadores se aproximam de Mim. Sim, aqueles que se alimentam espiritualmente com a parte espiritual do sacrifício que a Deus oferecem, entram em união com Deus. Mas quem nenhum sacrifício oferece, não acha mérito neste mundo nem no outro.

 

32. Assim vês que há muitas formas de sacrifício e adoração, ó Arjuna. Se compreenderes isto, chegarás a ser livre de erros.

 

33. Melhor, porém, do que o sacrifício de objetos e coisas, é o sacrifício oferecido pelo saber. O saber ou conhecimento perfeito em si mesmo é o coroamento de todas as ações.

 

34. Ao saber perfeito, ao conhecimento da Verdade chagarás, adorando, servindo e investigando. Os sábios que possuem a sabedoria interior estão prontos a ajudar aqueles que procuram a Verdade.

 

35. Quando tiveres adquirido a Sabedoria, sereis livres de confusão, dúvidas, má compreensão e erros; pois verás que tudo o que existe no grande Todo forma uma só vida, e, por conseguinte, é contido em Mim e em ti mesmo.

 

36. Ainda que tivesses sido o maior pecador dentre os homens, a nave do conhecimento da Verdade te conduzirá sem perigo pelo mar dos pecados.

 

37. Como a chama reduz a lenha a cinzas e o vento dispersa estas, assim a Verdade converte em cinzas o resultado das más ações que cometeste em ignorância e erro.

 

38. Não há, no mundo, outro agente de purificação igual à chama da Verdade Espiritual. Quem a conhece, quem a ela se dedica, será purificado das manchas da personalidade, e achará o seu Eu Real.

 

39. O conhecimento da Verdade é dado àquele que vive na força da fé, e domina o eu pessoal e as impressões dos sentidos. Quem atingiu este conhecimento e está Sabedoria, entra na Paz Suprema, no Nirvana.

 

40. Mas o ignorante e o descrente não podem achar nem o começo do caminho que à Paz conduz. Sem fé não é possível felicidade e paz, nem neste mundo, nem em outros.

 

41. Livre dos vínculos das ações é o homem que, mediante o Conhecimento Espiritual, cortou os nós que o ligavam aos frutos das ações, e cujas dúvidas e ilusões todas ficaram destruídas pela Luz do Saber.

 

 

42. Levanta-te, pois, em teu poder, ó príncipe, empunha a espada refulgente do conhecimento espiritual e corta todos os vínculos das dúvidas e ilusões que prendem o teu coração e a tua mente. Eleva a Mim a tua alma e executa a Ação que te é determinada. Livro Bhagavad Gita - A Mensagem do Mestre. Abraço. Davi.