sábado, 19 de novembro de 2022

III ASTRODINAMISMO E ASTROSOFIA

 

Astrologia. Texto de Emma Costet de Mascheville (1903-1980). III. ASTRODINAMISMO E ASTROSOFIA. Outra teoria é a de que, para ajustar a Astrologia à precessão dos equinócios, é preciso mudar os signos. ÁRIES não é mais ÁRIES e hoje é PEIXES. Isso, no entender, é impossível, pois seria o mesmo que declarar que a cabeça do homem agora está nos pés (A menção da cabeça e pés refere-se à analogia entre os signos do Zodíaco e os órgãos e funções do corpo humano). ÁRIES correspondendo a cabeça, TOURO ao pescoço e ombros. GÊMEOS aos braços e pulmões. CÂNCER ao estômago, útero e seios. LEÃO ao coração, VIRGEM ao intestino, LIBRA aos rins, ESCORPIÃO aos órgãos genitais. SAGITÁRIO às coxas e ao fígado. CAPRICÓRNIO ao esqueleto e ao joelho. AQUÁRIO ao sistema circulatório e à panturrilha. PEIXES aos pés. Mas esta explicação pertence a outro trabalho, em que estudaremos as transformações que se dão a cada 2.600 anos (um mês cósmico), em especial o mês cósmico que agora está começando, chamado “Era de AQUÁRIO”. A cronologia das Eras Astrológicas é medida pelo fenômeno da precessão dos equinócios, que consiste no deslocamento do ponto vernal – intercessão entre a órbita aparente do Sol, ou eclíptica, e o Equador celeste – para trás, na ordem inversa dos signos. Formam-se assim dois Zodíacos: um Zodíaco dos signos, que começa sempre no ponto vernal, e o Zodíaco das constelações, que começa na primeira estrela da constelação de ÁRIES.  O signo que estiver onde está o ponto vernal – ou seja, no começo da constelação de ÁRIES – marca a Era Astrológica daquele. Agora o ponto vernal está mais ou menos no sexto grau da constelação de PEIXES, e por isto é que se diz que estamos no fim da Era de PEIXES. A lei básica e imutável Universal está no fato de que a luz manifesta-se nos doze campos vibratórios, originados pelas três cores ou princípios básicos, presentes no Sol, na Terra e no homem. Pela compreensão das diferentes combinações entre os campos vibratórios esclarecem-se todas essas mudanças. Que as hipóteses acima descritas procuram explicar. Além disso se mostra que tudo é originado pela luz, e a fonte uma de vida. LUZ E SOMBRA. O Zodíaco é um encadeamento, uma engrenagem de energias, manifestação da vida Universal. Não podemos negar que a vida existe embora não a enxerguemos; negar o Zodíaco matemático seria negar a existência da vida Universal. Há no ser humano uma revolta contra a ideia de que as forças maiores atuam sobre ele, condicionando sua vida em determinado sentido, e com razão, pois no período em que o homem ainda não compreendia a unidade existente entre o Criador, Criação e criatura, ele tinha de explicar suas alegrias e sofrimentos culpando um destes três aspectos. Mas chegamos agora a uma era de consciência cósmica e sabemos que o átomo é um sistema solar em miniatura; e o homem, um Universo dentro do Universo. Certa vez, ao escrever as virtudes de cada signo, dispondo-as no círculo do Zodíaco em lugar dos símbolos e hieróglifos, compreendi que as virtudes de um dependem das virtudes do seu oposto. Desde então tenho uma nova forma de compreender e explicar os signos zodiacais, segundo a bipolaridade de LUZ e SOMBRA. Quando dizemos que o Sol está no signo de ÁRIES, é porque a Terra está transitando no que chamaram de LIBRA ou BALANÇA. ÁRIES, primeiro signo, significa a força criadora que parte do início da energia. É simbolizado no CARNEIRO, porque esta força parte do nosso cérebro, assim como o CARNEIRO usa a cabeça para derrubar os obstáculos. A Terra, projetando sua sombra, interrompe a vibração que foi iluminada pelo Sol, assim como o ser humano, ao nascer no Universo visível, divide as energias numa dualidade de LUZ e SOMBRA. ÁRIES  significa energia, ação, o “eu sou”, a independência do homem. BALANÇA significa harmonia, o medir, o “tu es”, a cooperação da humanidade. Se uma criança nasce com o Sol em ÁRIES, terá a sombra na BALANÇA, e pelo fato de uma vibração ser iluminada sem ter a outra em equilíbrio, surge o que chamamos “defeito. Ou seja: A de ÁRIES sem a harmonia da BALANÇA provoca a violência e a impaciência. O agir sem medir as consequências causa as lutas e os fracassos. A independência sem o sentido de coletividade causa o egoísmo. Da mesma forma, o medir, sem agir, é vacilar. Considerar os outros, sem impor os próprios direitos, torna o indivíduo um fraco. Os defeitos e as lutas, por consequência, não vêm dos signos, mas da ignorância das energias que estão na sombra. LUZ e SOMBRA não quer dizer “bem e mal”, mas somente ação e repouso. A chave da sabedoria na vida é, pois, conscientizar-se das forças que estão na SOMBRA, passivas no subconsciente. Peço aos alunos que meditem sobre a sabedoria com que os antigos chamaram o primeiro eixo zodiacal de ÁRIES – LIBRA (BALANÇA): A verdade da minha cabeça depende do Direito da tua cabeça. A cabeça – as cabeças. O homem – a humanidade. A GOTA D’ÁGUA. Já repeti milhares de vezes a explicação da “gota d’água” para pessoas que queriam saber algo por meio da Astrologia. Faço sempre o mesmo desenho para cada um, pois nele está a síntese de tudo o que precisamos saber da nossa vida. Mesmo sem termos outros conhecimentos de Astrologia, ele nos permite ajudar aos outros e a nós mesmo. Seria bom se as mães tivessem conhecimento disso, para conscientizarem-se de sua vida e da de seus filhos; e os casais também, pois poderiam conhecer melhor um ao outro, e amando-se, aprenderiam desde o início a compreender-se mutuamente. Cada educador teria muito menos problemas se conhecesse a essência da vida no ser humano que pretende educar. Imaginem o Universo como um círculo em nosso redor. Um oceano que divide o Universo em duas partes, visíveis e invisíveis. Além de uma gota d’água que chega à superfície, saltando para fora do oceano, espelhando-se nela todo o Universo visível. A criança, ao nascer, é como a gota d’água. Na sua primeira respiração imprimem-se nela todas as vibrações e fluidos eletromagnéticos da metade do Universo. Assim como a luz imprime-se numa chapa fotográfica, no instante em que ela se abre para a luz, e esta parte impressa e fixada é o nosso consciente. Entretanto, a Terra e o oceano não dividem nada, eles são em relação ao Universo somente uma gotinha: visível e invisível estão nela inseparáveis numa mesma forma. Manifesta-se então a parte invisível Universal como o nosso subconsciente. A partir desta compreensão a frase da Bíblia em Gênesis 1,26 “E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança (...)” – toma outro sentido para nós, e não imaginamos mais Deus como um ser parecido ao homem. Como o átomo é um sistema solar em miniatura, o homem é o Universo, a criação, e por consequência o Criador em miniatura, porém dividido em dois: visível e invisível, LUZ e SOMBRA, ativo e passivo, consciente e subconsciente. A base fundamental dessa divisão é a linha do horizonte, num eixo que divide o todo em duas partes. Este eixo básico, dividido em dois raios, penetra no consciente no sentido ascendente, e o outro se recolhe no subconsciente no sentido oposto, descendente. Consciente – Nascimento diurno – Sol brilhando. Subconsciente – Nascimento Noturno – Sol escondido. Compreende-se, então, que não se pode fazer horóscopo sem o conhecimento da hora de nascimento e da posição geográfica, pois estes elementos é que vão determinar a natureza desse eixo fundamental. Duas crianças, nascidas no mesmo instante, mas em lugares diferentes, já não têm os mesmos horóscopos, porque o horizonte e o céu são diferentes, como diferentes serão as suas lutas, seu crescimento e seu amadurecimento. O CRESCER DA VIDA. Comparem o Universo a uma usina de eletricidade. Ela fornece para a sua casa luz e força? Geralmente me respondem: Sim! Mas eu respondo: não! A usina somente fornece os dois fios das duas correntes. A luz e a força dependem da minha instalação! Nesta resposta está toda a sabedoria da interpretação astrológica. Não é o Universo ou a fonte de vida a origem dos meus curto circuitos e tempestades, como na Antiguidade pensaram. Não há erros, culpas, desgraças nem doenças ocasionadas pelas forças externas, somente pela minha ignorância de como instalar a luz. É a vida, com suas tempestades e curto circuitos, que me faz crescer e aprender a chegar: Da fúria ao amor. Da ignorância à sabedoria. Da agitação ao equilíbrio. Da sombra à luz, irradiando o que me foi dado em forma de energia bipolar, emanando luz. Perguntaram a Charles De Gaulle (1890-1970) se o homem iria realmente à Lua. Sua resposta foi: “Não há dúvida de que o homem irá ao espaço externo, mas muito mais difícil é a sua viagem ao espaço interno, que sem dúvida ele também fará”. O homem, na entrada de uma era da consciência cósmica, à medida que se levanta e penetra no cosmo, está ao mesmo tempo entrando no caminho do “Conhece-te a ti mesmo”. A Astrologia, nesta nova forma de explicar o funcionamento dinâmico da bipolaridade em nós, facilita a eliminação de nossa ignorância a respeito de nós mesmo. O primeiro é o que recebe a energia em forma de duas correntes completamente afastadas uma da outra. Ele anda na escuridão e à medida que os dois polos aproximam-se cada vez mais encontrará choques, mas no fim da vida ele conseguirá transformar-se. Se tinha ÁRIES ativo e BALANÇA passivo, provavelmente foi violento e impaciente, mas no fim da vida irá tornar-se uma pessoa bondosa. Se ativo foi a BALANÇA, ele irá tornar-se, no fim da vida, uma pessoa enérgica, porque reconhecerá que errou muitas vezes por não ter imposto sua personalidade e sua energia. Um não nasceu violento, e o outro não nasceu fraco. Eles nasceram com as energias divididas, e tiveram de encontrar o equilíbrio e a paz através das lições da vida. Chamamos este estado de inconsciente. Sendo consciente e subconsciente completamente divididos, esse homem só encontra a compreensão da sua vida na última respiração. Como um sonho que passa na fração de segundos em que alguém bate a nossa porta, no último momento de vida ele chega ao porquê de tudo e encontra sua iluminação. Nisso se baseiam o confessionário e absolvição. Ao reconhecermos uma culpa ou um erro, a lição da vida foi dada, e a culpa é eliminada. Na psicanálise, saber o porquê da dor faz com que ela desapareça, e traz o equilíbrio. O segundo é aquele que recebeu as duas correntes tão próximas, que está sempre em curto circuito. Quando seu consciente quer algo, seu subconsciente solicita o contrário. Mas este poderá aprender mais rápido, pois terá a todo momento lições de vida. A este nós chamamos inquieto. Ao terceiro, chamamos desperto, porque, ao ligar-se a luz, a instalação já estava pronta. Sua luta é para saber manter e respeitar as leis da eletricidade. Por último, o iluminado. Como exemplo podemos mencionar o nascimento de Jesus. À meia noite o Sol iluminou o subconsciente e a estrela – cometa ou conjunção de planetas – o consciente, dando-lhe a consciência da energia cósmica. Nele não havia sombra. Ele era a encarnação da força criadora sem divisão. Os magos – astrônomos e astrólogos – foram ao local do nascimento de Jesus como hoje a astronomia dirige-se para a pesquisa e a observação dos fenômenos em busca da compreensão da luz uma. O crescer da vida e sua conscientização, não somente na vida humana, mas em todas as formas de vida do indivíduo e da coletividade, passa por sete etapas ou situações: I. CONSCIÊNCIA. II. AUTO REALIZAÇÃO. III. AMADURECIMENTO. IV. BUSCA. V. INCONSCIENTE. VI. INQUIETO. VII. DESPERTADO. VIII. ILUMINADO. Ao nascer, a criança penetra no Universo visível recebendo como base os polos ativos e passivos em equilíbrio. A prova é que, ao entrar no primeiro banho, ela se agarra, tendo consciência do perigo da vida. Mais tarde ela perde essa noção. Se queremos dar a uma criança um alimento que não corresponde a sua idade, ela o rejeita. Mais tarde, será capaz de engolir o pior veneno sem se dar conta. Se chamamos uma criança mostrando um doce numa mão e na outra uma agulha de injeção, ou se fingimos amabilidades quando na verdade não a amamos, ela não virá ao nosso encontro. Ela ainda é iluminada pela vida e tem noção do iluminado, sentindo o que passa no nosso íntimo, porque o consciente e o subconsciente ainda não se dividiram, os polos ativos e passivos ainda estão em harmonia. A medida que desperta para a vida, tomando conta do seu corpo, da sua casa com a instalação feita, ela começa a desenvolver seus cinco sentidos que captam o visível, e desliga os que captam o invisível. O DESPERTO. Tenho feito milhares de estudos e hoje vejo os horóscopos dos bisnetos das bisavós que estudei no passado. O que mais me entusiasma e comove é este maravilhoso relógio Universal que nos faz compreender as leis da hereditariedade. Hoje posso afirmar algo que caberá a vocês confirmar e levar mais adiante: se hoje a Lua está num signo, os genes que correspondem a este biótipo são os mais fortes, fecundando as famílias em que existem esses genes. Se há concepção, desenvolve-se no corpo materno o corpo físico da criança com os caracteres hereditários daquele biótipo fecundado pela Lua. Nove meses depois ela nasce, na hora em que o signo corresponde a esta herança genética levanta-se no horizonte. Ao nascer, essa forma física penetra no visível e na consciência humana. Á medida que a criança desenvolve o uso dos cinco sentidos, as suas qualidades sobem ao consciente – ascendente, ativo – e os sentidos que captam o invisível recolhem-se ao subconsciente – descendente, passivo. No princípio da vida estes ainda estão equilibrados. Dessa forma o eixo fundamental irá transformar-se em dois raios, ativos e passivo. E desta divisão desenvolve-se o estado inquieto. O INQUIETO. Este estado nasce dos repetidos choques entre as duas energias, e às vezes se notam mais na criança as energias do signo oposto ao seu Ascendente, porque ela luta para não perder o equilíbrio. Mas a lei da vida é esta: a criança nascida com ÁRIES no Ascendente nunca chegará a ser um líder capaz de impor a sua personalidade, sua independência e suas energias criadoras, se sempre tiver de perguntar o que querem os outros ou como deve agir. Sua energia de ÁRIIES manifesta-se então em um comportamento impaciente, voluntarioso ou egoísta. Os defeitos, ou o que chamamos erros, não são originados pelos signos, mas unicamente pelo crescer da vida e pelo desligamento aparente dos signos opostos. Quando os dois opostos desligarem-se completamente, passaremos, do estado INQUIETO, ao estado inconsciente. O INCONSCIENTE. Todos nós passamos por este estado das trevas. Então não sabemos de todas as energias cósmicas que estão em nós, e assim surgem as lutas, os sofrimentos e os erros. Mas não há erro, pecado ou desgraça. Há somente as aulas da vida que nos despertam para a busca da luz, que é o estado inquieto da vida, para chegarmos ao AMADURECIMENTO e ao DESPERTAR das energias latentes, alcançando a AUTORREALIZAÇÃO e a CONSCIÊNCIA de nós mesmo. Com cada curto circuito temos um relâmpago, um vislumbre dessa luz, e aos poucos chegamos a compreender este mecanismo das energias ocultas em nós. Posso aprender a servir-me de uma instalação elétrica através das lições dadas pelos choques, e chegar a consertar meu ferro elétrico sem precisar do eletricista. Mas pelo conhecimento da eletricidade poderei instalar a luz com muito mais rapidez e sem tanta dor. Este é o valor da Astrologia: ENSINAR-NOS a fazer uso das energias cósmicas bipolares em nós e em todo o Universo. MOSTRA-NOS que não adianta previsão, nem aviso, nem profecia, se cada ser não se conscientizar de si mesmo. AFIRMA-NOS que o homem, para alcançar o espaço externo, precisa em primeiro lugar conhecer o espaço interno. Tomem o exemplo da planta: o ser humano é uma semente cósmica, sua primeira respiração é a sua semeadura. Esta semente tem de dar um fruto, mas o erro é querer saber  do fruto antes de saber que espécie de semente ela é. Para dar este fruto, a semente tem de ser lançada à Terra fria. Tem de bipartir-se para poder liberar a energia e a força nela existente. Depois germina e aparentemente apodrece para realizar a assimilação, e em seguida crescer, florescer, amadurecer, e enfim dar o fruto. Mas sem passar pelo estado nº 1, aparentemente apodrecendo e estragando, sem passar pelo estado nº 3, com toda a sua amargura e acidez, nunca chegará à doçura do nº4. Então há dois estudos a fazer: 1. A VIDA no homem. 2. O HOMEM na vida. Na psicologia, começamos geralmente pelo nº 2, pela observação do homem na vida, segundo a sua manifestação e assimilação. Na Astrologia, começamos o estudo pelo nº 1, a vida no homem, a semente da energia cósmica nele e o fruto que poderá dar. Compreendemos então que todos os eventos bipartidos, azedos e amargos fazem parte desse crescimento, e que pelo conhecimento podemos eliminar e amenizar a dor do crescer. O homem é o mecanismo que faz um instante cósmico não se desvanecer, eternizando-se, girando, irradiando nova luz. E então, compreendemos plenamente o Apóstolo Paulo, quando afirma na Carta aos Colossenses 1,16 “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na Terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele”. Livro Luz e Sombra – Elementos Básicos de Astrologia. Abraço. Davi.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

OS ANALECTOS - LIVRO II

 

Confucionismo. www.//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO II. 1. O Mestre disse: “O governo pela virtude pode ser comparado à estrela Polar, que comanda a homenagem da multidão de estrelas sem sair do lugar”. 2. O Mestre disse: “As Odes são trezentas, em número. Podem ser resumidas a uma frase: Não se desvie do caminho.” [29] 3. O Mestre disse: “Guie-o por meio de editos, mantenha-o na linha com punições, e o povo se manterá longe de problemas, mas não será capaz de sentir vergonha. Guie-o pela virtude, mantenha-o na linha com os ritos, e o povo, além de ser capaz de sentir vergonha, reformará a si mesmo”. 4. O Mestre disse: “Aos quinze anos, dediquei-me de coração a aprender; aos trinta, tomei uma posição; aos quarenta, livrei-me das dúvidas; aos cinquenta, entendi o Decreto do Céu; aos sessenta meus ouvidos foram sintonizados [30]; aos setenta, segui o meu coração, sem passar dos limites”. 5. Meng Yi Tzu perguntou sobre piedade filial. O Mestre respondeu: “Nunca deixe de obedecer”. Fan Ch’ih estava conduzindo. O Mestre contou-lhe sobre a audiência: “Meng sun me perguntou sobre piedade filial. Eu respondi: ‘Nunca deixe de obedecer’. Fan Ch’ih perguntou: “O que isso significa?”. O Mestre disse: “Quando seus pais estão vivos, obedeça aos ritos ao servi-los; quando eles morrerem, obedeça aos ritos ao enterrá-los; obedeça aos ritos ao sacrificar-se por eles”. 6. Meng Wu Po perguntou sobre piedade filial. O Mestre disse: “Não dê ao seu pai e à sua mãe nenhuma outra causa de preocupação além da doença”. 7. Tzu-yu perguntou sobre piedade filial. O Mestre disse: “Hoje em dia, ser filial não quer dizer mais do que ser capaz de prover seus pais com comida. Até mesmo cães e cavalos são, de algum modo, alimentados. Se um homem não mostra reverência, qual é a diferença?”. 8. Tzu-hsia perguntou sobre piedade filial. O Mestre disse: “O que é difícil é a atitude das pessoas. Quanto aos jovens tomarem para si o fardo quando há trabalho a ser feito ou deixarem os velhos aproveitarem o vinho e a comida quando há, isso dificilmente merece ser chamado de filial”. 9. O Mestre perguntou: “Posso falar com Hui o dia inteiro sem que ele discorde de mim sobre qualquer coisa. Poderia parecer que ele é estúpido. Entretanto, quando examino melhor o que ele faz privadamente, depois que saiu da minha presença, descubro que, de fato, joga alguma luz sobre o que eu disse. Hui não é estúpido, afinal das contas”. 10. O Mestre disse: “Veja os meios que um homem emprega, observe o caminho que ele toma e examine a circunstância em que ele se sente confortável. [31] Como poderia o verdadeiro caráter de um homem esconder-se? Como poderia o verdadeiro caráter de um homem esconder-se?” 11. O Mestre disse: “Merece ser um professor o homem que descobre o novo ao refrescar na sua mente aquilo que ele já conhece”. 12. O Mestre disse: “O cavalheiro não é um pote”. [32] 13. Tzu-kung perguntou sobre como é o verdadeiro cavalheiro. O Mestre disse: “Ele coloca suas palavras em ação e só então permite que as palavras sigam a ação”. 14. O Mestre disse: “O cavalheiro associa-se com pessoas, mas não entra em clubes; o pequeno homem entra em clubes, mas não se associa com ninguém”. 15. O Mestre disse: “Se um homem aprende com os outros mas não pensa, ele ficará confuso. Se, por outro lado, um homem pensa mas não aprende com os outros, ele estará em perigo”. 16. O Mestre disse: “Atacar uma questão pelo lado errado nada mais pode senão causar danos”. 17. O Mestre disse: Yu, vou lhe contar o que há para saber. Dizer que você sabe quando você sabe, e dizer que você não sabe quando não sabe: isso é conhecimento”. 18. Tzu-chang estudava com o objetivo de seguir uma carreira oficial. O Mestre disse: “Use seus ouvidos amplamente, mas deixe de fora o que é duvidoso; repita o resto com cuidado e você cometerá poucos erros. Use seus olhos amplamente e deixe de fora o que é perigoso; coloque o resto em prática com cautela e você terá poucos arrependimentos. Quando ao falar você cometer poucos enganos e ao agir tiver poucos arrependimentos, uma carreira oficial decorrerá com certeza. 19. O duque Ai perguntou: “O que devo fazer para que o povo me admire?”. Confúcio respondeu: “Promova os homens corretos e coloque-os acima dos desonestos [33] , e o povo o admirará. Promova os homens desonestos e coloque os acima dos homens corretos, e o povo não o admirará”. 20. Chi K’ang perguntou: “Como se pode inculcar no povo a virtude da reverência, de dar o melhor de si e com entusiasmo?”. O Mestre disse: “Governe-o com dignidade e o povo será reverente; trate-o com bondade e o povo dará o melhor de si; promova os homens bons e eduque os mais atrasados, e o povo ficará tomado de entusiasmo”. 21. Alguém disse para Confúcio: “Por que o senhor não faz parte do governo?”. O Mestre disse: “O Livro da História diz: ‘Oh, um homem pode exercer influência no governo simplesmente sendo um bom filho e amistoso com seus irmãos’. [34] Ao agir dessa forma um homem estará, de fato, fazendo parte do governo. Como ousam perguntar sobre ele fazer ativamente ‘parte do governo’?”. 22. O Mestre disse: “Não entendo como pode ser aceitável um homem que é desleal com suas palavras. Se falta um prego na canga de uma grande carruagem ou nos arreios de uma pequena carruagem, como pode se esperar que o carro vá em frente?”. 23. Tzu-chang perguntou: “Pode-se prever como será o futuro, daqui a dez gerações?”. O Mestre disse: “Os Yin basearam-se nos ritos de Hsia. Pode-se saber o que foi acrescentado e o que foi omitido. Os Chou basearam-se nos os ritos de Yin. Pode-se saber o que foi acrescentado e o que foi omitido. Se houver sucessores aos Chou, pode-se saber como serão, até mesmo daqui a cem gerações”. 24. O Mestre disse: “Oferecer sacrifício ao espírito de um ancestral que não é nosso é bajulação. Não fazer o que é certo demonstra falta de coragem”. www.https//rt.br. Abraço. Davi

terça-feira, 15 de novembro de 2022

ARROGÂNCIA SEUS SINAIS MALÉFICOS E SUA CURA

 

Islamismo. www.arresala.org.br. Aula ministrada por Nasser Khazraji. ARROGÂNCIA SEUS SINAIS MALEFICOS E SUA CURA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Louvado seja Deus, o senhor do universo. Que a paz e a benção de Deus estejam com o Profeta Mohammad (S.A.A.S.), seus purificados Ahlul Bait (A.S.), sobre todos os profetas e mensageiros, e sobre os virtuosos. Como dissemos nas aulas passadas, a arrogância é um dos piores males e desvios de conduta que o ser humano pode ter. Este mal que certamente leva a demais males tem seus efeitos e aparências visíveis, e são como um alerta para que tenhamos cuidado em nossas condutas, e nos distanciemos o máximo da arrogância. Seguem alguns sinais da arrogância: 1) Condutas cotidianas. A forma de andar e se sentar, o tom da voz, o jeito de olhar, entre outros. Os arrogantes tentam se diferenciar em suas condutas cotidianas. Eles tentam se destacar dos demais e ter superioridade em relação aos outros. O Alcorão Sagrado chamou a nossa atenção em alguns versículos sobre os sinais de arrogância, e disse: “E não vires o rosto às gentes, nem andes insolentemente pala terra, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum” (31:18). Estas condutas são repudiadas no Islam. 2) Falar muito de si e evita a fala dos outros. O arrogante costuma falar muito de si mesmo e evita que os outros falem. Na verdade, parece que sempre é ele que deve falar. Ele tem pouco senso de respeito para escutar os outros e acha que todos devem ouvi-lo e manter-se ao seu dispor. Isso é um grande problema, pois com base nisso os arrogantes começam a criar um clima de ditadura social, e por onde eles passam só eles têm o direito de falar ou de opinar. Isso pode acontecer muito entre o superior e seus subordinados; um chefe, um diretor, um pai de família ou até mesmo um homem da lei, se se sentir superior aos demais ele será afetado por isso. Ao mesmo tempo, a pessoa que fala muito de si se auto valoriza excessivamente. Na verdade, não há nenhum problema em se auto valorizar, mas se isso for excessivo pode causar um dano moral e espiritual, fazendo que a pessoa viva a ilusão de que é a melhor entre todas as demais. Este também é um mal que tem várias consequências. O arrogante acha que ele é superior aos outros, e, portanto, ele não inicia a saudação, e isso é algo repudiado no Islam. 3) Não se misturar com as classes mais baixas. Um dos sinais dos arrogantes é quando a pessoa evita se misturar com as classes mais baixas da sociedade. Seja a classe baixa em sua riqueza ou intelecto. Ao mesmo tempo, ela evita falar, aceitar o convite ou até mesmo saudar estas pessoas, desconsiderando-as e fazendo de conta que elas nem existem. Este sentimento de superioridade leva a um outro mal que o Islam tanto condenou que é a falta de atenção com as necessidades e pedidos dos próximos. O arrogante costuma não ajudar e nem atender o pedido de socorro das pessoas, e isso é um ato que a doutrina islâmica repudiou. Este defeito é tão severo que pode levar a outros defeitos, entre eles evitar atender ou ajudar os necessitados. Os arrogantes se consideram superiores e isso acaba evitando que atendam e ajudem os próximos. 4) Inteligência, conquistas e motivos de orgulho. Muitas vezes o homem por ser motivo de orgulho de seus pais, seus parentes, seus amigos ou próximos acaba se sentindo superior aos demais, e por isso se sente arrogante e superior aos outros. As vezes ele tem uma habilidade ou inteligência especifica e isso causa-lhe arrogância. Ao mesmo tempo, um profissional que tem conquistas ou currículos bem sucedidos pode sentir-se arrogante e superior aos outros, algo totalmente repudiado e condenado no Islam. 5) Evitar aconselhar os outros. E por fim, mas não o último, um dos sinais do arrogante é não aconselhar os outros, seja quando alguém o procura ou mesmo se ninguém o procura. Ele evita aconselhar ou orientar os outros. Estes são alguns dos sinais da arrogância e dos arrogantes, e o motivo de abordarmos este assunto é tentar evitarmos cair nesta tentação e neste mal, que causa tantos danos a nosso espírito e a nossa sociedade. Os malefícios da arrogância. A arrogância também possui diversas consequências maléficas ao homem entre elas: a) A privação do paraíso. O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) dizia: “Não ingressará no paraíso aquele que seu coração possuir uma ponta de arrogância”. b) A humilhação no dia do juízo final.O Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) dizia: “No dia do juízo final os arrogantes serão julgados em forma de moléculas, sendo pisoteados pelas demais pessoas. Isso porque eles humilhavam as pessoas”. c) Amaldiçoa o seu praticante. O Imam Al-Baquir (A.S.) dizia: “Jamais pratiquem a arrogância, pois ela atrai a maldição sobre seu praticante”.d) Solidão. O Imam Al-Hassan (A.S.) dizia: “O arrogante não possui amigos”. A cura. A arrogância é um problema de saúde. Da mesma forma que toda enfermidade possui um remédio e cura especifica, a arrogância que é um problema espiritual também possui uma cura e remédio específicos. Seguem algumas receitas para a cura deste problema: 1) A recordação de Deus. É muito válido ao homem que faça a recordação de Deus constantemente. Esta recordação o faz recordar da grandeza e da perfeição de Deus, e da realidade do homem perante Deus. O ser humano é um ser fraco, vulnerável, pobre e incompleto, e ao recordar disso todos os dias e a todo instante a pessoa pode dominar e diminuir sua arrogância. O ser humano é de terra e voltará para terra, então por que arrogância?! O Imam Ali (A.S.) dizia: “O caso do ser humano é muito estranho, pois ele começa imundo e o seu fim é fedor. E ele vive entre estas duas coisas, sendo que seu corpo é um recipiente de fezes. Mas mesmo assim, ele é arrogante”. 2) A passagem de todo bem ou beleza material. Saber que a beleza e a riqueza são todos elementos temporários e passageiros nesta vida e um dia irão acabar. Esta é a verdade, e aceitar isso ajuda a diminuir o seu ego e arrogância. 3) Acatar a verdade. Aceitar e admitir a verdade e o certo, pois isso por si só ajuda na diminuição da arrogância do homem. O Imam Ali (A.S.) dizia: “Aceitem a verdade, pois isso os afasta da arrogância”. 4) Humildade social. Um dos sinais dos arrogantes é quando eles não aceitam sentar ou estar em um local exceto se for a sua altura. Numa reunião, num encontro, num evento social por exemplo, a pessoa faz questão de sentar em local de destaque ou que fique visível, e isso infelizmente é algo que leva a ruína. Treinar a si mesmo a aceitar as coisas, sentar em qualquer lugar, isto é um bom sinal. 5) Se misturar com os mais humildes. Aceitar o convite de pessoas mais humildes e de classe mais baixa, sentar e comer com os mais pobres, tudo isso e muito mais são treinamentos que levam a pessoa a reprimir sua arrogância. Aula ministrada por Nasser Khazraji. Em 30/11/2019. www.arresala.org.br. Abraço. Davi

domingo, 13 de novembro de 2022

CRISTO E KRISHNA - A SEMELHANÇA ENTRE SEUS ENSINAMENTOS

 

Hare Krishna. www.pt.krishna.comCRISTO E KRISHNA – A SEMELHANÇA ENTRE SEUS ENSINAMENTOS. São muitas as semelhanças entre o Cristianismo em sua essência e a consciência de Krishna (Deus). A razão é bastante óbvia — eles são ambos caminhos para o mesmo objetivo — a consciência de Deus. É impraticável pensar que Deus se restringiria somente a um certo grupo de pessoas baseado na sua origem ou em divisões sectárias. Deus é universal, Ele não pode ser limitado por rituais ou convicções pessoais. Ele se manifesta de modos e formas mais receptivos às pessoas, baseado em: tempo, lugar e circunstância. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (1896-1977), o Acharya-Fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), foi perguntado uma vez por um grupo de ministros Cristãos em Melbourne pela posição dele com respeito a Jesus Cristo, Prabhupada respondeu: "Ele é nosso Guru, Ele está orando a Deus, assim ele é nosso mestre espiritual". Descrevendo Jesus Cristo como representante de Deus, Shrila Prabhupada disse: "Nós adoramos o Senhor Jesus Cristo e oferecemos nossas reverências a ele". Em consciência de Krishna o Senhor Jesus é considerado como o filho perfeito de Deus porque ele executa perfeitamente a vontade de seu Pai. Ele desceu como uma encarnação autorizada (shaktyavesha avatara), para ensinar através das palavras e através do exemplo o caminho para retornar ao lar, de volta ao Supremo. Ele exemplificou tolerância, compaixão e pregou rendição total a Deus. Essa também é a essência de todos os ensinamentos Védicos, assim não é surpreendente que há muitas semelhanças na sua filosofia básica. Com essa perspectiva, é interessante comparar alguns dos pontos chaves definidos, entre o Cristianismo e a consciência de Krishna ou bhakti-yoga. RENDIÇÃO A DEUS. Ambas as religiões enfatizam rendição da mente, corpo e alma a Deus como os únicos meios de liberação. Quando o Senhor Jesus Cristo era interrogado pelos Fariseus sobre qual era o maior de todos os mandamentos, Ele respondeu claramente: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o primeiro e o maior dos mandamentos" (Matheus 22,37–38). Semelhantemente todo o conteúdo do Bhagavad-gita é resumido no verso: "Abandona todas as variedades de religião e simplesmente rende-te a Mim. Eu te liberarei de todas as reações pecaminosas. Não temas" (18,66). SERVIÇO DEVOCIONAL. O apóstolo Paulo disse: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Romanos 12,1). No Bhagavad-gita Sri Krishna diz: "Pense em mim e converte-te em Meu devoto. Adora-Me e oferece-Me tuas homenagens. Assim, virás a Mim impreterivelmente. Eu te prometo isso porque és meu amigo muito querido" (18,65). CANTANDO O SANTO NOME.  Deus e o Seu nome não são diferentes. Na Bíblia é dito "Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a Glória de Deus Pai" (Filipenses 2,10–11) e "Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10,13). A principal oração ensinada por Jesus Cristo começa assim: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome" (Matheus 6:9). Podemos ver também: "No princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus" (João 1,1), "E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Atos 2,21) e "Eu lhes fiz conhecer o Teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e Eu neles esteja" (João 17,26). O Srimad Bhagavatam diz: "Os seres vivos, emaranhados nas complicadas redes de nascimento e morte, podem libertar-se de imediato, cantando, mesmo inconscientemente, o santo nome de Krishna, que é temido pelo medo personificado" (Canto 1, 1-14). VEGETARIANISMO. Jesus Cristo disse: "Não matarás, mas qualquer que matar será réu de juízo" (Matheus 5,21). O verbo matar é aplicado a matança de pessoas e animais, não vegetais. Quando é só dirigido a pessoas, temos o verbo "assassinar". Portanto é claro que Jesus Cristo se referia aqui a matança de animais também. As escrituras Védicas deixam muito claro que a matança de animais é algo extremamente pecaminoso, que impede o nosso avanço espiritual. Sri Krishna diz: "Se uma pessoa Me oferecer com amor e devoção uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu aceitarei." (Gita 9,26). Shri Krishna diz também: "Os devotos do Senhor se liberam de toda a classe de pecados porque comem alimentos que são primeiro oferecidos em sacrifício (oferecidos ao Senhor). Os demais, que preparam os alimentos para gozo pessoal dos sentidos, em verdade só comem pecado." (Gita 3,13). Na Bíblia encontramos várias outras referências ao vegetarianismo: "Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça" (Romanos 14,21). "E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento" (Gênesis 1,29). Passaram muitos anos e a humanidade decaiu, então foram escravizados, empreenderam guerras, comeram animais e cometeram vários outros atos violentos. Mas os profetas nos falam que um reino pacífico virá o qual será não violento e vegetariano. Onde, "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leãozinho e o animal cevado andarão juntos e um menino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi" (Isaías 11,6–7). Jesus é o Príncipe da Paz que introduz solenemente esta nova era de não-violência. Quando os cristãos rezam, "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu" é uma oração dada a nós por Jesus, que nos obriga a mudar nossas vidas, fazer escolhas que são misericordiosas e amorosas quanto possível. Não haverá nenhuma fazenda de exploração animal nem matadouros no céu. Deus criou cada animal com a capacidade de sentir dor e sofrimento físico ou mental. Mas, nas fazendas de exploração, animais tem seus chifres arrancados, seus bicos queimados e são castrados sem anestesia. Visando a maximização de lucros eles são confinados em cubículos apertados e são alterados geneticamente, de forma que a maioria sofre deficiências físicas e deformações ósseas porque suas pernas não podem sustentar os corpos cientificamente aumentados. Finalmente eles são transportados em caminhões sem comida e água, muitas vezes através de temperaturas extremas com destino a uma morte amedrontadora e infernal. Jesus Cristo diz: "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoados aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois é o reino, o poder e a glória para sempre, Amém." (Matheus 6,9–13). REAÇÕES KÁRMICAS. O apóstolo Paulo disse: "Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6,7). Moisés escrever: "Não te curvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam" (Êxodo 20,5) — "Mas se não fizerdes assim, estareis pecando contra o Senhor; e estais certos de que o vosso pecado vos há de atingir" (Números 23,32) — "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, e ao pó tornarás" (Gênesis 3,19). O Bhagavad-gita está baseado na reencarnação e reação kármica, e declara que enquanto o corpo é provisório, a alma nunca morre (Gita, 2,12) e todo o mundo está sofrendo ou desfrutando os resultados das reações kármicas passadas e presentes. SUCESSÃO DISCIPULAR. O apóstolo João disse: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1,1) — "Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo" (João 8,28) — "Disse-lhes, pois, Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto Ele faz o Filho faz igualmente" (João 5,19). Semelhantemente, todas as escrituras Védicas declaram que a "sabda" ou "palavra de Deus", ouvida de um Guru ou mestre espiritual autêntico é o único modo para fazer avanços espirituais. No Bhagavad-gita, Sri Krishna ordena: "Tenta aprender a verdade aproximando-te de um mestre espiritual. Faze-lhe perguntas com submissão e presta-lhe serviço. As almas auto realizadas te podem transmitir conhecimento porque viram a verdade" (4:34). O Mukunda Upanishad (1,2-12) declara que um estudante sincero tem que chegar a um guru ideal para receber conhecimento transcendental e esclarecimento. MORADA ETERNA. No livro do Apocalipse é dito: "E ali não haverá mais noite e não necessitarão de luz de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos" (Apocalipse 22,5). Semelhantemente Sri Krishna diz: "Essa Minha morada suprema não é iluminada pelo sol ou pela lua, nem pelo fogo ou pela eletricidade. Aqueles que alcançam jamais retornam a este mundo material" (Bhagavad-gita, 15,6). Assim ambas as escrituras falam sobre a morada eterna, indestrutível morada do Senhor e iluminada pelo Seu esplendor. ENCARNAÇÕES DO SENHOR. O nome de Cristo revela alguma coisa sobre Seu caráter. A palavra Cristo ou "Christos" e a tradução grega do Hebraico "Messias" que quer dizer "o consagrado ou ungido". Nas escrituras Védicas alguém que foi consagrado deste modo ou foi autorizado é chamado um avatara (alquém que desce), mais especificamente um "shaktyavesa avatara" — um que foi autorizado diretamente por Deus para descer para uma missão particular. No Brahma Samhita (Verso 46), é dito "A luz de uma vela que é passada a outras velas, embora queimando separadamente delas, é a mesma em sua qualidade. Eu adoro o Senhor Govinda que se exibe igualmente da mesma maneira nas Suas várias manifestações". MISSÃO. O nome Jesus é derivado do nome Hebraico Joshua ou Jahveh, significando salvação ou libertação. Jesus é chamado assim porque ele salva ou livra os Seus fiéis do pecado. "Ela dará a luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Matheus 1,21). Semelhantemente, Sri Krishna declara: "Sempre e onde haja um declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e um aumento predominante da irreligião — neste momento Eu próprio desço". (B. Gita 4,7–8). Quando Krishna diz que Ele próprio desce as escrituras explicam que isso significa 1) Ele vem pessoalmente, como fez a 5.000 anos na Sua forma original de Krishna ou a 500 anos atrás como o Senhor Caitanya Mahaprabhu ou 2) Ele manda um representante Seu, como o Senhor Jesus Cristo, Muhammad, ou Srila Prabhupada . DUALIDADE DE DEUS E ENTIDADE VIVA. Jesus disse: "Ouvistes que eu vos disse: Vou, e voltarei a vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu" (João 4,28). No Bhagavad-gita está escrito: "As entidades vivas neste mundo condicionado são minhas eternas partes fragmentárias. Por força da vida condicionada, elas empreendem árdua luta com os seis sentidos, entre os quais se incluem a mente" (Gita 15,7). Assim em ambas as filosofias há uma distinção clara feita entre Deus e a entidade viva. IGUALDADE DE TODAS AS ENTIDADES VIVAS. No Gênesis está escrito: "Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era Bom" (Gênesis 1,15). Sri Krishna diz: "Ó filho de Kunti, deve-se compreender que é com o nascimento nesta natureza material que todas as entidades vivas, em todas as espécies de vida, tornam-se possíveis, e que Eu sou o pai que dá a semente" (Gita 14,4). Deus é o Pai de todas as entidades vivas, não só os seres humanos. Portanto não temos o direito de matar ou maltratar outras entidades vivas desnecessariamente. PERDÃO. Ambas as filosofias ordenam que aqueles que estão aguentando os resultados das suas atividades, boas ou ruins, mas se rendem imediatamente a Deus são perdoados de todos os pecados. Esta rendição deve ser genuína, pelo coração, não só pela língua. O significado de perdão é que uma vez perdoado, a atividade ofensiva é parada. Por exemplo o senhor Jesus perdoou uma adúltera com a proibição "E disse-lhes Jesus: Nem eu te conheço; Vai e não peques mais" (João 8,11). Vemos também: "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã" (Isaías 1,18). Sri Krishna diz: "Mesmo que alguém cometa ações das mais abomináveis se tiver ocupado em serviço devocional deve ser considerado santo porque está devidamente situado em sua determinação. Ele logo se torna virtuoso e alcança paz duradoura. Ó filho de Kunti, declare ousadamente que Meu devoto jamais perece" (Gita 9,30–31). CONCLUSÃO. Assim nós vemos que há muitas semelhanças nas duas filosofias. Religião significa as leis de Deus. Pode haver diferença em práticas — na realidade haverá diferenças em práticas baseado em tempo, lugar e circunstâncias. Sri Krishna diz que de acordo com o modo da sua natureza a pessoa evolui um tipo particular de fé (Gita 17,3). O sábio que entende isso, procura os caminhos da consciência de Deus, conforme as Suas instruções originais, sem qualquer interpretação incentivada. Mas a essência de todas as religiões tem que ser a mesma — cultivar a constante consciência de Krishna, ou de Deus, e assim desenvolver amor puro por Ele. A vantagem das escrituras védicas, é que nelas nós encontramos descrições detalhadas e científicas desse processo, sem limitações geográficas, culturais ou temporais, que todos podem aplicar em suas vidas, independentemente de sua idade, raça, cor, sexo, nacionalidade, religião, etc. www.pt.krishna.com. Abraço. Davi

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

MESTRE E DISCÍPULO

 

Budismo. www.maisbelashistoriasbudistas.com.br. Nitiren Daishonin (1222-1282). Texto de Greg Martin. MESTRE E DISCÍPULO. Gostaria de referir-me sobre a relação de Mestre e Discípulo. Tenho vários motivos para escolher este assunto. Em primeiro lugar, porque ouvimos falar muito a respeito disso nesses últimos dias. Na realidade, e na opinião de alguns, ouvimos falar muito sobre o assunto. De fato, passaram-se trinta anos quando comecei a praticar, e já se falava sobre esse assunto, hoje ouço falar muito mais de que naquele tempo e, para ser honesto, este assunto de Mestre Discípulo me incomodou durante muito tempo. Não sei exatamente porque me incomodava, mas posso lhes dizer que me alegrou quando deixamos de chamá-lo "Mestre Discípulo" e passamos a chamá-lo "Mentor Discípulo", me deu um certo alívio. Mas continuava a me preocupar. Somente a ideia do Mentor, a simples imagem dessa pessoa, era muito difícil de aceitar. Mas paralelamente, ao estudar, algo que desfruto fazendo, quando lia o Gosho, quando lia o Sutra de Lótus ou a orientação do presidente Ikeda, ficava evidente que não podia descartar esta parte do ensinamento. Não podia ignorá-la: era importante. Realmente, o Sutra de Lótus na sua totalidade gira em torno da relação, diálogo e interação entre o Budha Sakyamuni e seus discípulos. O Gosho de Nitiren Daishonin é constituído de cartas escritas de um mestre aos seus alunos e pelo diálogo que ele criava nos seus escritos. Defrontava-me, então, com um verdadeiro dilema: por um lado, tinha aqui algo que não podia realmente compreender e que me sentia incomodado. Por outro lado, era consciente da extrema importância de entender este ponto para poder compreender o budismo. Portanto, gostaria de referir-me a alguns aspectos de minha atual (já que ela continua crescendo e desenvolvendo-se) perspectiva sobre a relação Mentor Discípulo. E antes de mais nada desejaria ler um fragmento de uma orientação do presidente Ikeda extraída de Fé em ação: "O sangue vital do Budismo existe somente dentro da fé correta e manifesta-se na Lei. Uma correta fé, veículo da corrente vital do Budismo, só se transmite através da relação Mentor Discípulo. Nitiren Daishonin escreveu no Gosho Advertências sobre os atos contra a Lei: “Se alguém esquecer o mestre original que trouxe a água da sabedoria desde o grande oceano do Sutra de Lótus, para seguir a outro certamente se afundará no interminável sofrimento da vida e da morte. E minha análise sobre o assunto tem me levado à conclusão de que Mestre Discípulo é, de fato, um modelo de fé religiosa válido para o próximo milênio. E não somente para nós, constitui um modelo de postura religiosa orientadora para todas as filosofias. Até agora, o modelo aceito de fé religiosa em quase todas as tradições tem sido aquele de relação entre "ser superior e ser inferior". Com grande frequência o mestre se eleva ao nível de um deus, deixa de ser um ser humano para situar-se num posto elevado. O mesmo encontramos dentro do ser humano em sua postura da fé: olhar para cima procurando alguma entidade maior ou poderosa. Não só "esta pessoa" encontra-se sobre nós, ela é melhor do que nós, mais poderosa do que nós, mais sábia do que nós, mas também supõe que estejamos "aqui embaixo". Esta relação "mais alto e mais baixo" conduz ao modelo básico de fé religiosa: o de adoração. Acaba-se adorando a este ser, esta entidade ou qualquer que seja o nome que queiram lhe dar. Será este o modelo correto de fé religiosa válido para nossos dias, para esta época? Minha conclusão é "Não". No exato momento em que o fundador de uma religião, por mais grandioso que tenha sido, é colocado num pedestal (...) o que acontece conosco? Somos situados embaixo. Isto nada mais é do que o resultado de uma tendência humana profundamente enraizada que é a falta de fé em nós mesmos, e a dificuldade de acreditar nas nossas próprias possibilidades. É algo difícil, certo? Recitamos o Nam myo horengue kyo, fazemos o Gongyo de manhã e à noite, aprendemos que nós somos o Budha (...), mas é difícil acreditar. É difícil de vivê-lo colocando em prática. Para os seres humanos é difícil aceitar nossa grandiosidade. Existe uma citação atribuída a Nelson Mandela (1918-2013) que afirma que não é da nossa fraqueza que temos medo, e sim de nossa luz, de nossa grandeza. Tememos que possamos chegar a ser, de fato, muito mais do que acreditamos ser. Temos a tendência de considerar outros como melhores, mais benevolentes, mais sábios, etc, e os colocamos num pedestal. Depositamos neles nossa confiança, esta é a história das religiões humanas. Em algumas tradições religiosas, se o fiel simplesmente pensasse em estar "lá em cima", esta arrogância já constituía uma heresia. Houve uma época na era Cristã em que torturavam e queimavam vivas às pessoas que afirmavam isso. Na A Sabedoria do Sutra de Lótus, o presidente Ikeda trata sobre esse ponto. Em referência ao Budha Sakyamuni (563 AC 480), Sensei cita a Jawaharlal Nehru (1889-1964), discípulo de Gandhi e primeiro governante da Índia após sua independência da Inglaterra em 1947, que afirmou uma vez que: no momento em que Sakyamuni foi elevado ao status de ser sobre humano pelos seus discípulos, sem dúvida cheios de boas intenções, e deixou de ser um ser humano para converter-se num deus, numa divindade, alguém melhor do que vocês e eu, foi nesse instante que desapareceu o humanismo do budismo. As pessoas começaram a venerar e buscar os poderes do Budha e, nesse processo, implicitamente aceitaram que eles mesmos careciam de poder. Viram como funciona? No mesmo instante em que começamos a buscar "fora", já estamos auto negando-nos. E quanto mais o fazemos, mais difícil é acreditar naquilo que poderíamos ser. A maioria das religiões concluem que "nós não somos isso", "nós não podemos fazer" e que a única esperança que podemos ter é que, ao morrer, acabaremos indo para um lugar melhor. Ralph Waldo Emerson (1803-1882) afirmou que nos Evangelhos sempre lemos a respeito da grandiosidade do homem (...), mas na igreja somente escutamos sobre a grandiosidade de Jesus. É aqui onde está o problema: devemos implorar a Jesus que nos devolva o poder, que nos permita que Deus entre em nossas vidas (...). Esta é uma visão muito pessimista da condição humana! Num sábado à noite, há dois anos atrás, estava na minha casa quando recebi um chamado de um membro da Califórnia, ela trabalhava como produtora de um programa de televisão do Reverendo Lawson, um ministro batista de Los Angeles. Um convidado agendado não poderia ir ao programa, então me convidou no lugar dele para o programa do Domingo, que seria transmitido por um canal cristão. "Mas antes de responder a ela, ela advertiu-me" devo lembrá-lo que amanhã é domingo de Páscoa e o Reverendo certamente perguntará: O que pensam vocês os budistas a respeito da ressurreição de Cristo? Respondi a esta senhora: "A verdade é que não pensamos frequentemente sobre este assunto!". Ela disse: "Mas, Greg, esta seria uma grande oportunidade para estabelecer um vínculo, porque você se lembra que o Rev. Lawson, que foi um dos discípulos do famoso libertário Martin Luther King (1929-1968), e já ouvirá falar a respeito da SGI". Então eu disse: "Não tenho a mínima ideia do que possa falar com ele". E ela me respondeu: "Bom, acredito que você pensará em alguma coisa" (conhecia-me muito bem!). Acabei aceitando. Então comecei a orar sobre o assunto e a pensar. E o que eu faço se me fizer esta pergunta? O que vou responder?. Eu acabava de terminar um novo fragmento de "A sabedoria do Sutra de Lótus" que aborda o modelo de fé religiosa de Mestre Discípulo e segundo o qual poderíamos considerar Jesus, sua vida e sua ressurreição como um mestre, um guia, um modelo para nossa própria vida e não como alguém especial a quem não nos parecemos. Então disse a mim mesmo: "Teremos que ir corajosamente onde nenhum budista jamais foi e vejamos no que acontecerá!". Iniciou-se o programa e começamos a conversar, tal como havíamos previsto, olhou-me e me perguntou: "O que os budistas pensam a respeito da crucificação e da ressurreição de Cristo?". Respondi baseando-me no conceito de "Mentor Discípulo" como modelo de fé religiosa para o século XXI. (Nesse momento, o programa estava sendo assistido em 15 milhões de lares nos Estados Unidos, tinha certeza de que haviam vários cristãos me vendo e avisando: "Olha o que vai responder!. De todos os modos, fui em frente: "Bem, meu Mestre ensina que o modelo correto de fé religiosa deveria ser o de Mentor Discípulo e não o de Deus Seres humanos. Portanto, se estudamos a vida e a morte de Jesus como ser humano e modelo de vida para nos ensinar sobre nossas próprias vidas, então podemos ter algumas conclusões. Antes de mais nada, ele foi ressuscitado. Isso significa que a vida não termina com a morte, e sim que há algo além: voltaremos a renascer. E, também, ele ressuscitou em melhores circunstâncias, não é mesmo? Sentou-se à direita de Deus, se meu conhecimento sobre cristianismo não estiver errado: uma esplêndida circunstância para renascer. O que o fez merecedor de tal magnífico renascimento? Como ganhou isso?" E logo acrescentei: "Para compreendê-lo, deveríamos analisar sua vida". "Algumas conclusões são: primeiro, o simples fato de que alguém viva por muitos anos não determina em que condições renascerá. A duração da própria vida não constitui o ponto, porque Jesus não viveu muitos anos. Segundo, quanto sofrimento nós podemos evitar, ou quão fácil e cheia de conforto seja sua vida, também não constitui o ponto, porque Jesus, pelo contrário, viveu e morreu com sofrimento e dificuldades. Em compensação, deveríamos analisar a história de sua vida e tentar perceber a verdadeira mensagem que ela transmite, encontra-se em como ele tratou aos outros, especialmente àqueles que as pessoas ignoravam, discriminavam ou marginalizavam: aos doentes, aos que sofriam, aos pobres, aqueles das camadas mais baixas da sociedade. E a maneira com que ele tratou seus semelhantes é que define a dimensão deste homem. É devido a isso que renasceu numa circunstância melhor". Portanto nós, como budistas, poderíamos considerar Jesus como um grande mestre e encontraríamos sabedoria neste ponto. Podemos extrair o sábio ensinamento de que a maneira como vivemos esta vida determinará a próxima, qualquer que esta seja. E, que o ponto chave é a maneira como atravessamos esta vida, deveríamos seguir seu comportamento, ser nós mesmos Jesus, em vez de venerar seu poder. Por isso, poderíamos considerar Jesus um mestre. O Reverendo Lawson olhou-me firmemente e eu pensei: "Ah aqui vai ter encrenca". Mas disse: "Isto é absolutamente correto! Como lhe ocorreu isso?" Tinha tido a mesma conversa com Dean Carter no fim de semana passado e ele tinha me confessado: "Sim, isto é absolutamente correto. O triste é que a maioria dos cristãos não o sabem". Do ponto de vista do modelo Mentor Discípulo, o Mentor nunca deixa de ser um ser humano, e devido ao Mentor continuar sendo um ser humano, é que faz o modelo transforma-se em algo que podemos alcançar. Não somente temos a possibilidade, mas encontra-se imbuído da imagem de que nós estamos fazendo o mesmo que ele.Assim como o presidente Ikeda diz no "A sabedoria do Sutra de Lótus": a relação de Mentor Discípulo nos desafia como discípulos a ter uma visão fundamentalmente diferente de nós mesmos. Podemos deixar de nos ver como inadequados, incapazes, ou não possuidores das mesmas qualidades que ele. Como discípulos, como estudantes, se optarmos pelo modelo Mentor Discípulo, ao reconhecer que o Mestre põe uma meta muito alta, ele acaba por nos mostrar a incrível capacidade do ser humano. O propósito da vida do Mestre (Sakyamuni, T'ienTai, Nitiren Daishonin, o presidente Ikeda ou quem for) não é dizer: "Olhem como sou grande!". E sim expressar: "Considerem-me como um exemplo de o quão grandes vocês podem chegar a ser!". Isto constitui uma visão completamente diferente do assunto: é um desafio, é difícil de acreditar. Quando admiramos um grande Mentor e aquilo que têm conseguido com o seu incentivo, sua coragem, sua benevolência e sua sabedoria, a primeira coisa que pensamos é dizer: "Ele deve ser diferente de nós" porque sentimos uma lamentável consciência de nossas fraquezas, limitações, maldades, pensamentos negativos e tudo mais, é impossível imaginar, que dentro de nossa vida humana, existam exatamente as mesmas qualidades. Aí reside o ponto: a possessão mútua dos Dez Estados, ela nos ensina que o Budha se manifesta como um mortal comum mesmo que cheio de fraquezas, preguiça e todo tipo de tendências negativas, e que também possui todas as qualidades de um Budha. Sakyamuni no Sutra de Lótus tentava nos ensinar à sua maneira não somente o quanto era grande sua vida, mas o mais importante era que o quanto grande é a vida de cada ser humano individual, já que eternamente possuímos a natureza de Budha e podemos manifestá-la na nossa vida cotidiana. Infelizmente, poucos anos após sua morte, seus discípulos perderam esta visão e começaram a acreditar que Sakyamuni era alguém especial, diferente, alguém que vocês e eu jamais poderíamos alcançar. Foi então, evidentemente, que o Budha histórico foi promovido a algo superior e nós fomos rebaixados, esta é a lacuna que existe entre ele e nós. E quem apareceu convenientemente entre ele e nós? Os sacerdotes: eles mesmos criaram seus próprios empregos. Se eles nos tivessem elevado ao mesmo nível do fundador, não teria existido o negócio. Portanto, se nos basearmos nas suas fracas naturezas, não está entre os principais interesses dos sacerdotes lembrar-nos que nós leigos também possuímos esse poder. Assim foi que os sacerdotes transformaram-se em emissários, em enviados. Eles dizem: "Não se preocupe, irei à cima da montanha e regressarei trazendo-lhe a mensagem do Budha, confie em mim. Lhe contarei o que ele me disse, mas você (...) não, você não pode ir, nãonão não". No instante em que isto aconteceu, o humanismo do Budismo se perdeu. Centralizou-se nos sacerdotes e intermediários, enquanto que para as pessoas comuns, você e eu, que vivemos vidas comuns, o budismo transformou-se em algo impraticável em nossa vida diária, e assim nos tornamos dependentes dos "intermediários", que diziam, interpretavam, ajudavam a entender e nos "concediam" a sabedoria. Pedíamos ajuda a eles, e eles oravam por nós, por algum motivo sua oração era mais poderosa que a nossa. Eles estavam mais próximos de Deus porque encontravam-se sempre em cima da montanha. O mesmo aconteceu com Jesus. O Jesus humano converteu-se assim no "Senhor Jesus Cristo". Um exemplo muito interessante desse modelo de fé religiosa é estabelecido no feudalismo. Do mesmo modo, há um Senhor Jesus Cristo, um Senhor Sakyamuni e nós não somos mais do que os camponeses "vassalos da fé", não é assim? E eternamente permaneceremos como vassalos ou meeiros da fé, por assim dizer. E sempre estaremos endividados com o armazém da companhia e o mesmo acontecerá com os nossos filhos, que herdarão nossa dívida. O Budha possui três virtudes: a de pai, mestre e soberano. Graças ao fato de Nitiren Daishonin inscrever o Gohonzon, este também possui essas três virtudes. Mas isto gera três relações: a de Pai Filho, a de Mestre Estudante a de Amo Subordinado. Então, se o budismo tem a função de pai, então seus discípulos são os filhos do Budha. Frequentemente ouvimos que "todos somos filhos do Budha". Na verdade, se o budismo influenciou o cristianismo, assim como dizem que fez, então isto equivale ao "Filho de Deus". Todos somos filhos e filhas de Deus sob este aspecto. Mas o modelo de Pai Filho é o mais adequado para a fé budista? Apesar de constituir um aspecto importante, para que o Gohonzon funcione como um pai que nos abraça com amor e benevolência, que cumpra as funções que todo pai deve cumprir (...) então deve existir um filho. Portanto, um aspecto da fé consiste em aproximar-se do Gohonzon e à prática, e confiantes como crianças. Não quero dizer que permaneçamos sendo infantis, mas que a pureza e a sinceridade da confiança no Budha constituem um importante aspecto da fé e assim entendemos porque as dúvidas interferem na fé. Se o bebê duvidar do leite materno e falar: "Espera um minuto, quero uma análise disso antes de bebê-lo", então se defrontaria com um verdadeiro problema! Claro que não se trata de fé cega e de confiança cega. Não deveríamos ser incondicionais, mas possuir confiança. Quantas vezes nossos antecessores nos pedem que "confiemos no Gohonzon?". Para ser capaz de confiar, é necessário impedir e ultrapassar as próprias dúvidas, sem escondê-las. Casualmente numa destas noites me perguntava como seria ter uma fé livre de dúvidas. Escutamos muito frequentemente que "Se realmente tivéssemos fé, se verdadeiramente fôssemos sérios, nunca deveríamos duvidar". Então, assim que temos dúvida, nós sentimos envergonhados por isso, ou escondemos, ou queremos suprimir, não podemos contar a ninguém porque estaríamos evidenciando algo que anda mal em nós mesmos. E isto é incorreto. Todos duvidamos. De fato, o Budha usou a dúvida no Sutra de Lótus para despertar o espírito de procura dos seus discípulos e ajudá-los a atravessar o lugar no qual se encontravam crentes de que já tinham atingido um novo estágio na fé. A dúvida constitui o primeiro passo para aprofundar nossa fé, portanto, não deveríamos nos envergonhar de nossas dúvidas, pelo contrário deveríamos ser honestos, assumi-las, enfrentá-las, explorá-las, porque uma fé mais profunda nos aguarda no final desse processo. Quanto mais profundas são nossas dúvidas, mais profunda é a fé que conquistamos uma vez que as vencemos. Portanto, deveríamos nos esforçar para ter uma fé "libertadora de dúvidas". Não livre de dúvidas e sim "libertadora de dúvidas", porque ao aplicar a força de nossa fé e prática para resolver nossas dúvidas nasce uma fé mais profunda. Esse é o verdadeiro aspecto de uma "criança". Mas a relação Pai Filho possui suas implicações. Uma criança depende do seu pai, não é igual ao pai. E, por isso, não constitui o modelo adequado de fé religiosa para nós, já que não desejamos ser dependentes de nosso mentor, sempre obrigados a lhe pedir nosso alimento, sempre escutando o que temos que fazer e necessitando da sabedoria necessária para decidir por nós mesmos. Ser dependente do Mentor também não é o modelo correto de fé. Por outro lado, existe a relação Soberano Súdito. Este é o modelo feudal do senhor e seus vassalos. A função do senhor feudal é proteger. No sistema feudal, os senhores tinham as armas e os soldados e assim protegiam as aldeias. Os vassalos faziam suas tarefas, cultivavam os campos e serviam ao seu senhor feudal. Este, em troca, os protegia. Portanto, a função de proteção surge quando participamos na nossa fé como bons soldados, como bons cidadãos da comunidade budista. Em nossos dias de democracia, predomina o pensamento de que a união dos budistas é o verdadeiro soberano, e não um indivíduo em particular. Na medida em que servimos a um grande objetivo, participando na grande tarefa do Kossen-rufu e concretizando o desejo do Budha como bons cidadãos da comunidade, estaremos protegidos. Mas a relação Soberano Súdito também tem implicações que não são apropriadas para um modelo de fé religiosa. O sujeito, o vassalo, nunca chegará a ser um senhor do sistema feudal: existe uma diferenciação entre classe alta, classe baixa, poderoso e fraco: definitivamente não é uma relação igualitária. Por isso, é importante servir à comunidade isso é correto e não o descartamos, mas também não constitui o modelo principal. O principal modelo de fé religiosa é o de Mestre Estudante porque constitui uma relação humana dentro da qual o estudante pode aspirar não somente se igualar ao seu mestre como também até ultrapassá-lo podendo ir mais longe do que ele. De fato, o desejo do mestre é que o estudante não só alcance ser igual a ele, partindo do que o mestre o ensinou, mas que o leve ainda a um nível mais alto. Este é o modelo correto de fé religiosa. Nós não escolhemos nossos pais, não escolhemos nosso soberano, ainda que desde o ponto de vista cármico o façamos, mas nós escolhemos nosso mestre. É uma escolha voluntária que fazemos e, devido ao fato de ser voluntária, constitui uma das relações mais importantes que podemos vir a ter na nossa vida. Existe um termo japonês chamado "judoshu" que significa "espírito de procura ao longo de uma vida". Não é nada fácil manter o espírito de procura ao longo da vida, é mais fácil quando somos jovens. Mas à medida que envelhecemos, torna-se mais difícil continuar buscando esse espírito, permanecer no caminho sem fim do crescimento pessoal e nunca chegar a um ponto no qual estamos satisfeitos e dizer: "eu consegui". De fato, minha própria experiência me ensina que quando penso que "Consegui" é onde corro mais perigo, isto porque é evidente que não o consegui, pelo contrário estou continuamente "conseguindo". Estou buscando constantemente e este é um aspecto importante de nossa fé. Existe um termo chamado "juji soku ganjin" que significa: abraçamos o Gohonzon com estas três orientações espirituais que acabamos de ver: como crianças, buscamos e confiamos no Gohonzon. Como estudantes, buscamos e confiamos no Gohonzon, buscamos nosso mentor Nitiren Daishonin ou o presidente Ikeda, que encarna o mentor porque é um excelente exemplo do que deve ser um discípulo. O presidente Ikeda está nos mostrando "Assim é como devemos caminhar nesta vida como discípulos de Nitiren Daishonin. Observem-me, eu lhes ensinarei. Lhes explicarei, lhes direi como serem excelentes discípulos". E "excelente discípulo" significa para Sensei "compartilhar o mesmo coração de Nitiren Daishonin". Os discípulos de Sakyamuni Budha, sem dúvida que por causa da sua sincera devoção, o elevaram a um plano especial, como alguém que se encontrava acima do ser humano comum e, nesse momento, a humanidade do budismo perdeu-se de vista. Nitiren Daishonin compreendeu perfeitamente este ponto. No Gosho "Sobre atingir o estado de Budha", Nitiren Daishonin afirma "Jamais pense que os 80.000 ensinos de Sakyamuni, assim como todos os Budhas e Bodhisattvas do universo, existem fora de sua vida". Está enfatizando esse exato ponto. O Budha Sakyamuni não está fora de nós, e sim que ele, o estado deBudha, encontra-se dentro de nós, e repete esta mensagem sempre em todos os seus Goshos. Nitiren Daishonin escreveu o Gosho "A abertura dos olhos" para abrir os olhos das pessoas para o seu próprio estado de Budha. Então, quem é o pai, mestre e soberano de todos os seres vivos? É Nitiren Daishonin. Mas essa não foi a única razão pela qual ele escreveu este tratado, e também o fez para abrir nossos olhos para as nossas próprias possibilidades. Mas, pouco após à sua morte e no fim de poucas gerações, Nitiren Daishonin, um ser humano incrível, benevolente, sábio, etc., mas ser humano em última instância, foi endeusado e nós começamos a nos auto degradar e a ideia do Budha Verdadeiro ou do tesouro do Budha deixou nos excluídos a vocês e a mim. Aquele ser humano converteu-se em algo "especial" e seus discípulos tinham esquecido sua mensagem. O 26º Sumo Prelado, Nitikan Shonin, lembrou isto e retornou ao ponto primordial. Ele disse: "O estado de vida de Nitiren está dentro de vocês, dentro das vidas de todas as pessoas que recitam o Nam myoho renguekyo ao Gohonzon: vocês são Nitiren Daishonin". Mas, logo, esta mensagem voltou a ficar de lado. E então não foi um monge quem a reencontrou, e sim Tsunessaburo Makiguti (1871-1944), e depois a transmitiu para Jossei Todda (1900-1958). E Todda pela sua vez a transmitiu ao presidente Ikeda e ele está hoje tentando transmiti-la a todos nós. A chave é: nunca, mas nunca, jamais permitam a ninguém que se coloque acima de vocês mesmos. A relação Mentor Discípulo constitui um vínculo humano. É verdade que os grandes mentores são pessoas incríveis que elevam os padrões até uma altura que às vezes é difícil de alcançar. Mas o propósito e significado de suas vidas e ensinos não é a respeito deles mesmos, e sim de nós. Trata-se de nos imaginarmos fazendo o mesmo que eles, encontrando dentro de nós suas maravilhosas qualidades. O Mentor nos diz: "Observem-me, lhes mostrarei o que podem chegar a fazer (...) o que podem chegar a ser". Mas, de novo, nos custa acreditar. Muitas vezes tenho ouvido os membros referirem-se ao presidente Ikeda com frases do tipo : "O presidente Ikeda pode fazer isso, mas eu não poderia". Falamos dele como se fosse alguém especial. Sim, é verdade que ele é grande, e eu também sinto-me assim com respeito a ele, mas no mesmo instante em que pensei que ele tem algo que eu não tenho (...) ele realiza e eu ainda estou na possibilidade. E tenho o mesmo potencial dentro de mim ao ponto que posso aprender com ele através de seu exemplo, das suas orientações e das suas ações que me mostram o que posso fazer e como posso desafiar meus próprios limites para chegar a ser um dos milhares de milhões de presidentes Ikeda e Shin iti Yamamoto que vivemos neste planeta. Devo me tornar num deles, não simplesmente buscar seu poder. Neste sentido, a relação Mentor Discípulo é realmente um modelo de fé religiosa. Representa uma orientação diferente e desafia o discípulo a pensar por si mesmo de uma perspectiva completamente diferente, e possuir um paradigma próprio a respeito de si mesmo. Um dia desses li um livro interessante: "Por que o cristianismo deve mudar ou morrer", escrito por um bispo episcopal, um tanto radical, de nome Spong. Ele enumera uma série de pontos importantes: primeiro, Deus deve deixar de ser visualizado ou idealizado sob o que ele chama de "imagens elevadas". Enquanto os cristãos continuarem considerando que Deus está "lá em cima" e "lá fora", a igreja estará condenada a morrer porque fica claro que não há nenhum lugar "lá em cima". E onde mais poderia estar? E responde numa linguagem muito interessante: "Devemos começar a pensar em Deus do ponto de vista de imagens de profundidade, e acrescenta "Devemos pensar em Deus como uma força que emerge da terra". Segundo, devemos deixar de considerar a Jesus como Deus e, ao contrário, começar a vê-lo como um mestre. Na medida em que os cristãos não o façam, a igreja seguirá o caminho para a sua própria morte. Os velhos modelos não funcionam mais. As pessoas já têm evoluído além do modelo feudal". Terceiro, "devemos deixar de pensar na igreja como numa instituição ou uma entidade formal e começar a vê-la como um conjunto de seres humanos". Interessante, não é mesmo? Quando terminei o livro, disse a mim mesmo: "Nós vemos o cristianismo converter-se em budismo porque é exatamente isso o que estamos presenciando. E é precisamente esta a razão pela qual, quando os budistas acabam descobrindo uma linguagem comum, poderemos comunicar-nos com tantos e tantos cristãos. Spongtambém escreve: "Existem milhões que chamamos cristãos no exílio que possuem uma crença básica, mas não conseguem ligarem-se com os ensinamentos que descem do púlpito nos nossos dias". Quando encontrarmos a linguagem precisa que necessitamos usar, quando começarmos a nos ligar à eles, emergindo da terra, e Jesus como mestre e tudo isso, então haverá muitas pessoas que se sentirão como no seu próprio lar conosco. Outro livro, "Soka Gakkai na América", é um estudo de nossa organização realizado por Phillip Hammond (1962-  ) da Universidade de Califórnia em Santa Bárbara. Ele fez um levantamento de nossos membros e conseguiu uma análise muito boa de nossa organização. Há muito para aprendermos e faz uma observação muito interessante: Existem investigações demográficas que mostram a identificação de três linhas básicas de pensamento na América do Norte atualmente. A primeira é representada pelo que se nomeou como "Habitantes Primordiais", que são os fundamentalistas. Essas pessoas tendem a viver à margem das mudanças do mundo. Cerca de 30% dos norte-americanos são "Habitantes Primordiais". Estas pessoas gostariam que retornassem os valores de antigamente, são os que acreditam que o passado é melhor do que o presente e que a questão é regredir àquele tipo de vida. São tradicionalistas, do ponto de vista religioso são fundamentalistas. O segundo grupo constituem os "Modernistas". Cerca de 40% dos norte-americanos são "Modernistas". Essas pessoas acreditam no progresso e na ciência e, vivem atrás do dinheiro e do êxito, e todas essas coisas, acreditam que obtendo-as serão felizes. O restante 30% dos norte-americanos são os denominados "Trans modernistas". Esse grupo acredita na ciência, no progresso e tudo mais, mas sabem que não conseguirão o que o grupo anterior acredita que conseguirá e, por isso, vão além: dão grande importância à espiritualidade. Esse grupo se aproxima de nossas crenças quase que exatamente. Acredita-se que existam aproximadamente 44 milhões de norte-americanos que se poderiam chamar de "pró budistas". Já são budistas, mas ainda não o sabem. Hammond também ressalta que a maioria de nós, quando encontramos o budismo, não experimentamos uma mudança radical de pensamento. Pelo contrário, quando temos encontrado este Budismo, nos sentimos em casa desde o começo. Sentimos: "Isto é o que eu vinha acreditando!". Hammond diz que, surpreendentemente, não existe um processo de conversão definido, mas há um processo de descobrimento e a sensação de que "finalmente encontrei um grupo, um local, um ensinamento de acordo com aquilo que venho acreditando esse tempo todo". Ele acredita que existam 44 milhões de pessoas esperando somente descobrir que nós existimos. É um pensamento muito estimulante se o analisarmos profundamente. Por último, creio que a relação Mentor Discípulo trata principalmente a respeito do desenvolvimento espiritual, moral e de caráter do discípulo. Constitui um desafio para todos nós. É um modelo que nos exige pensemos de maneira diferente, para irmos além de nossos limites. Já rejeitamos o conceito tradicional de ser humano, e também deixamos de implorar a algum poder externo para que nos ajude porque sentimos que não somos capazes em conseguir outro conhecimento. Então, agora o desafio que enfrentamos está em aceitar e olhar no nosso interior e descobrir a grandeza que existe nas profundezas e nos corações de cada um dos seres humanos, as imensas qualidades de coragem, autoconfiança, esperança, sabedoria e perseverança que todos possuímos em idêntica medida, mas que teimamos em negar. Vivíamos na descrença pois nunca tínhamos encontrado um método pelo qual pudéssemos abrir a chave de nosso depósito de grandeza para deixá-lo fluir livremente. Pelo contrário, a religião, a filosofia, a educação, vêm nos ensinando que somos limitados. Que é arrogância pensar o contrário, que tais aspirações estão além de nossas possibilidades humanas. Então acabamos depositando nossa confiança e nossa fé naqueles que acreditamos serem melhores do que nós. É preciso que isto mude. O estado de Budha reside no despertar para o nosso verdadeiro eu. NitirenDaishonin nos transmitiu a prática do auto despertar. Inscreveu sua vida noGohonzon, mas não para que venerássemos sua vida e seu poder, e sim para que, quando defrontamos o Gohonzon, possamos perceber que a chave está ali. E a chave é "Nammyoho rengue kyo Nitiren". Devotem-se com suas mentes, suas vozes, com seus corpos à Lei Mística de causa e efeito e manifestarão a vida de Nitiren Daishonin no seu interior.A Lei e o Budha dentro de nossas vidas são um só. O Gohonzon é uma mensagem às gerações futuras pois Nitiren compreendeu a natureza humana: sabia que a chave se perderia assim que ele desaparecesse. Imagino o que ele se perguntou: "Como posso enviar uma mensagem ao futuro de maneira tal que, ainda que percam a chave, qualquer um possa redescobri-la para revelar o grande significado, o grande poder do Budismo e da prática budista?" Então a colocou diante de nós. Sim, à nossa frente está a chave. Mas se recitarmos daimoku frente ao Gohonzon pensando que o poder está fora de nós, achando que o Gohonzon irá sair por aí para fazer as coisas por nós, então não compreendemos a chave. Com certeza, o clero da Nitiren Shoshu tem mal interpretado a chave. Eles acreditam (e é o que ensinam) que o Dai-Gohonzon constitui a raiz, que o Sumo Prelado é o tronco e que o sacerdote é o galho. Que nosso Gohonzon é a folha e que o poder de nossos Gohonzon provêm dele . Acreditam que Nam myoho renguekyo significa "Eu o tenho" em vez de "Nós o temos". Acham que "Nammyoho rengue kyo Nitiren" significa "Eu sou o Budha Verdadeiro" em vez de "Todos nós somos os BudhasVerdadeiros e Originais". (Diga-se de passagem, as "folhas" de nossos Gohonzon caíram da árvore (segundo disse o reverendo Nagasaki em New York). Obviamente, isto é incorreto. Se vocês leem o Gosho fica claro que não é este o caso. Mas é compreensível porque, nas profundezas dos seres humanos sempre existe esta absurda descrença em nós mesmos, esta falta de vontade e este impulso de confiar em alguém para que dirija nosso leme. "Estou rodeado de todas estas pessoas (os bonzos) que parece que sabem o que fazem, por isso depositarei minha confiança neles". E este é um grande erro. O verdadeiro benefício da problemática do clero reside em que finalmente podemos aprender o verdadeiro modelo de fé religiosa, porque nós, antes desta ruptura, também depositamos nossa fé neles. Se bem que a confiança constitui um aspecto importante da fé, devemos usá-la para confiar nos nossos antecessores, para confiar nas outras pessoas mas, sem perder de vista que, em última instância, nós somos os únicos responsáveis de nossa própria vida. A vida é uma viagem. Existem passageiros e existem motoristas. Mas necessita-se de motoristas. Existem muitas, muitíssimas pessoas que são simples passageiros de suas próprias vidas, deixando sempre que outro as conduza. Quantas vezes a gente diz: "Você está me deixando bravo (...). Chega!"? Quem fala isto é alguém que está atrás do motorista. Esse é um passageiro. O que estamos dizendo é: "Você tem poder sobre às minhas emoções. Não tenho controle. Você conduz minha ira, e enquanto continuar fazendo o que está fazendo, eu continuarei a me sentir irado. Chega!". E assim a vida transforma-se num passageiro que obedece ao motorista. Nós nos vemos obrigados a manipular o comportamento dos outros, a dar-lhes instruções, a pedir-lhes que façam o que necessitamos para que nossas emoções não fujam do controle. É um conceito totalmente absurdo. Não há dúvida de que, com esta maneira de pensar, entregamos o volante de nossa vida a outros, e agora nos sentimos frustrados e furiosos porque não dirigem bem. Recuperemos a direção. Comecemos a conduzir e dirigir nossas próprias vidas. Possuímos o poder mais importante do universo que é o poder que se encontra dentro de nossas vidas, podemos escolher nosso estado de vida. Quando alguém fizer algo que não gostemos, não é necessário que fiquemos bravos. Sempre nos comportamos assim porque acreditávamos que era a única opção, mas temos dez opções. Se alguém faz algo que não gostamos, podemos ir para o Inferno. Podemos comer algo. Vejamos (...) animalidade (...) poderíamos maltratar ou algo parecido, poderíamos ficar irados, essa também é uma escolha. Podemos nos retirar, nos retirar ao nosso quarto, pôr os fone de ouvido e escutar música. Ou entrar em êxtase e dizer: "Oh, adoro quando você faz isso". Ou poderíamos até ser um pouco mais provocadores: "Bom, realmente estou aprendendo graças ao que você faz". E ainda mais, "estou sentindo um despertar", ou poderíamos sentir benevolência "Realmente gostaria de poder te ajudar" (...) ou poderíamos alcançar o estado de Budha. Todas estas opções estão ao nosso alcance. Mas enquanto acreditarmos que não temos opção, estaremos presos nos seis estados mais baixos e continuaremos sendo somente passageiros de nossas próprias vidas. O Nam myoho rengue kyo trata a respeito do instante, de escolher a cada instante, de escolher a cada pequeno e único instante de nossas vidas, de retomar o controle e o poder sobre nossas opções. Nós não determinamos o comportamento dos outros, nem sequer podemos controlá-los. E isto é algo bom porque francamente não acredito que faríamos um bom trabalho controlando a vida de outra pessoa. Recuperemos o controle de nossas vidas. Desejemos ardentemente ao maior. Isto está no nosso interior, não há nada que nos falte. Tudo o que necessitamos para ser absolutamente felizes já se achava em nós desde o primeiro dia das nossas vidas. O que acontece é que não acreditamos nisso. Não confiamos. Nos custa aceitá-lo. Parece que não possuímos, parece que nos falta algo. Pelo motivo de que nós estivemos passando por coisas ruins ao longo dos anos, sentimos que algo anda mal com nós mesmos. Mas não há absolutamente nada de mal em nós. Se existe algo errado é a nossa maneira de pensar, contudo não há nada de errado "conosco". E esta distinção marca a diferença: podemos facilmente mudar nossa maneira de pensar. Mudar a nós mesmos por completo seria muito mais difícil, mas não é necessário, porque não há nada de errado conosco. Os budistas vieram em diferentes medidas, formas e estilos, com muitas variações de caráter e todos vivemos imersos na ilusão. Concluindo, minha esperança é que, de alguma forma, este conceito de Mentor-Discípulo esteja agora um pouco mais claro, ou ao menos um pouco mais fácil de compreender. Creio firmemente que, em última instância, seguimos a Lei. Mas a Lei não nos fala, então precisamos de mestres. Também podemos aprender uns com outros, mas no fim, só resta mesmo eu, meu carma e o Gohonzon. Ninguém mais. Somente eu mesmo posso ultrapassar minhas próprias dificuldades. Somente eu mesmo posso ultrapassar minhas ilusões. Só eu mesmo posso abrir e revelar minha grandeza interior. A prática budista é o método, e é sensacional ter um treinador que nos diga como alcançá-lo. Que nos incentive quando estamos desanimados, sem esperança, quando nos esquecemos, quando não acreditamos que somos Budas. É maravilhoso quando lemos algo que nos incentiva, que nos lembra: "Sim, você é um Buda". É esse o papel de um bom mestre. O Budha é o treinador, mas somos nós os que devemos jogar a partida e ninguém pode jogar por nós. Então, a partir de agora, se ainda vocês não têm conseguido experimentar a relação Mentor Discípulo nas suas vidas, pelo menos, desejo que possam terminar este dia sentindo: "Bom, acho que pelo menos vale a pena tentar". Pode ser que tenha que lutar corpo a corpo com minhas dúvidas e incertezas, talvez tenha que tentar compreender aquilo que me faz sentir incomodado. Não devo disfarçar este assunto, não devo achar que desaparecerá sozinho nem devo encará-lo de maneira superficial ou simplesmente seguir o hábito como os outros". Acredito que a relação Mentor Discípulo é a chave para ter acesso aos nossos tesouros, para nos enxergar de uma perspectiva diferente, para despertar de nosso sonho e descobrir o Budha Verdadeiro, o estado original de Budha que existe dentro de todas as pessoas. Muito obrigado e tenha um grande dia! www.maisbelashistoriasbudista.com.br. Abraço. Davi.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

OS ANALECTOS - LIVRO I

 

Confucionismo. www.https//rt.br. OS ANALECTOS – LIVRO I. 1. O Mestre disse: “Não é um prazer, uma vez que se aprendeu algo, colocá-lo em prática nas horas certas? Não é uma alegria ter amigos que vêm de longe? Não é cavalheiresco não se ofender quando os outros falham em apreciar suas habilidades”? 2. Yu Tzu [22] disse: “É raro um homem que é bom como filho e obediente como jovem ter a inclinação de transgredir contra seus superiores; não se sabe de alguém que, não tendo tal tendência, tenha iniciado uma rebelião. O cavalheiro dedica seus esforços às raízes, pois, uma vez que as raízes estão estabelecidas, o Caminho daí brotará. Ser um filho bom e um jovem obediente é, talvez, a raiz do caráter de um homem”. 3. O Mestre disse: “É raro, de fato, que um homem com palavras ardilosas e um rosto bajulador seja benevolente”. 4. Tseng Tzu disse: “Todos os dias, examino a mim mesmo sob três aspectos. Naquilo que fiz pelo bem-estar do outro, falhei em fazer o meu melhor? Ao tratar com meus amigos, falhei em ser fiel às minhas palavras? Ensinei aos outros algo que eu próprio não tenha experimentado?”. 5. O Mestre disse: “Ao governar um reino com mil carruagens, trate dos negócios com reverência e seja coerente com aquilo que fala; evite gastos excessivos e ame os seus semelhantes; empregue o trabalho do povo apenas nas épocas certas”. 6. O Mestre disse: “Um rapaz deveria ser um bom filho em casa e um jovem obediente fora de casa, parcimonioso com a fala, mas coerente com o que diz, e deveria amar todo o povo, mas cultivar a amizade dos seus semelhantes. [23] Se lhe sobrar alguma energia dessas ações, que ele a dedique a tornar-se um homem culto”. 7. Tzu-hsia disse: “Eu diria que recebeu instrução aquele que aprecia homens de excelência enquanto outros homens apreciam belas mulheres; que se dedica ao máximo servir os seus pais e oferece a sua pessoa a serviço do seu senhor: e que, nas relações com seus amigos, é coerente àquilo que diz, mesmo que afirme que nunca recebeu educação”. 8. O Mestre disse: “Um homem a quem falta seriedade não inspira admiração. Um cavalheiro que estuda não costuma ser inflexível. “Estabeleça [24] como princípio fazer o melhor pelos outros e ser coerente com o que diz. Não aceite como amigo ninguém que não seja tão bom quanto você. “Quando cometer um erro, não tenha medo de corrigi-lo.” 9. Tseng Tzu disse: “Conduza os funerais dos seus pais com esmero e não deixe que sacrifícios aos seus remotos ancestrais sejam esquecidos, e a virtude do povo penderá para a perfeição”. 10. Tzu-ch’in perguntou a Tzu-kung: “Quando o Mestre chega em um reino, ele invariavelmente fica sabendo sobre o governo do lugar. Ele busca tais informações? Ou elas lhe são fornecidas?”. Tzu-kung disse: “O Mestre conquista-as sendo cordial, bom, respeitador, moderado e deferente. O modo com que o Mestre busca informação é, talvez, diferente do modo com que outros homens as buscam”. 11. O Mestre disse: “Observe o que um homem, enquanto seu pai está vivo, planeja fazer e então observe o que ele faz quando seu pai falece. Se, durante três anos, ele não se desviar do caminho do pai, ele pode ser chamado de um bom filho”. [25] 12. Yu Tzu disse: “Das coisas proporcionadas pelos ritos, a harmonia é a mais valiosa. Dos Caminhos dos antigos reis, este é o mais belo e é seguido igualmente em questões grandes ou pequenas, embora nem sempre funcione: buscar sempre a harmonia sem regulá-la pelos ritos, simplesmente pela harmonia, na verdade não funcionará”. 13. Yu Tzu disse: “Ser coerente com as próprias palavras é ter moral, no sentido de que isso faz com que as palavras dessa pessoa possam ser repetidas. [26]. Ser respeitoso, significa ser observador dos ritos, no sentido de que isso possibilita que se fique longe da desgraça e do insulto. Se, ao promover as boas relações com parentes da sua esposa, um homem consegue não perder a boa vontade de seus próprios parentes, então ele merece ser considerado o chefe do clã”. [27] 14. O Mestre disse: “O cavalheiro não almeja nem uma barriga cheia nem uma casa confortável. Ele é rápido na ação, mas, cauteloso com o que diz. [28] Ele se dirige a homens virtuosos para receber orientação. Tal homem pode ser descrito como alguém ávido por aprender”. 15. Tzu-kung disse: “‘Pobre sem ser servil, rico sem ser arrogante’. O que o senhor pensa desse provérbio”? O Mestre disse: “É bom, mas melhor ainda é: ‘Pobre, mas alegre no Caminho; rico, porém observador dos ritos’”. Tzu-kung disse: “As Odes dizem cortado como osso, polido como chifre Esculpido como jade, moído como pedra. O que o senhor disse não é um caso semelhante”? 16. O Mestre disse: “Ssu, apenas com um homem como você pode outro homem discutir as Odes. Diga algo a este homem, e ele poderá ver sua relevância em relação ao que não foi dito”. Não é quando os outros falham em apreciar as suas habilidades que você deveria ficar incomodado, mas, antes, quando você falha em apreciar as habilidades dos outros. www.https//rt.br. Abraço. Davi

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

CONCLUIR AS TAREFAS DA MELHOR FORMA

 

Islamismo. www.arresala.org.br. Aula ministrada por Nasser Khazraji. CONCLUIR AS TAREFAS DA MELHOR FORMA. Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Deus disse no Alcorão Sagrado: “Em verdade, os fiéis que praticam o bem – certamente que não frustraremos a recompensa daqueles que praticam a melhor das ações (Os benfeitores)”. (18:30). O Alcorão Sagrado está cheio de termos como Ahsan (melhor), Aqwam (mais forte), Afdhal (mais adequado). Numa passagem Deus comunicou ao Seu Mensageiro a forma que ele deveria realizar o seu diálogo com os incrédulos e ateus: “… E dialogue com eles usando os melhores termos e a maneira benevolente…” (16:125). Deus ordena Seu Mensageiro a dialogar com os incrédulos e os ateus usando os melhores meios e formas, por meio das melhores palavras e termos. Já passou pela nossa mente o por que o Alcorão Sagrado ter ordenado o Mensageiro a seguir este caminho? Ou seja, concluir com certeza há um motivo do porque Deus o Altíssimo ter ordenado Seu Profeta a seguir este caminho. O que entendemos por meio desta indicação usando o termo “Melhor” nas passagens alcorânicas e tradições proféticas é simples e direto. Deus, Exaltado seja, é o defensor da perfeição até mesmo quando praticamos ou falamos algo, isso deve ser feito da “melhor” maneira ou forma. Como também a doutrina do Islam é defensora da boa “conclusão ” e finalização das tarefas. Ou seja, quando alguém recebe uma missão ou decide falar ou fazer algo, que seja feito da melhor forma, e é isso que entendemos nas interpretações dos versículos do Alcorão Sagrado e das tradições do Profeta Mohammad (S.A.A.S.). E quem mais além de Deus poderia ser o melhor e mais completo e perfeito dos criadores, pois Ele disse no Alcorão Sagrado: “Nós (Deus) criamos o homem na mais perfeita proporção” (95:4). Numa outra passagem Deus disse: “Deus revelou a mais bela Mensagem…” (39:23) Este é um princípio, valor e missão para todos nós, sendo que Deus é o maior tradutor deste princípio. Nossa religião e doutrina é defensora desta ideologia, e por isso temos que seguir esta filosofia em nossas vidas. Grande parte dos nossos problemas diários e sociais são por não seguirmos estes dois princípios de “fazer o melhor” e “concluir” nossas tarefas. Por exemplo: o mecânico que é contratado para realizar um reparo no carro ou um encanador que é chamado para solucionar um vazamento de água na residência, por não seguir este princípio, e não fazer o seu melhor para resolver o problema, ou simplesmente concluir sua tarefa de qualquer jeito, causará problemas a si e aos demais. Este é um grande problema irmãos, que se não for observado pode chegar a ser pecado, pois o profissional que é contratado para realizar um serviço e não o faz da sua melhor forma ou não o conclui da melhor maneira estará recebendo por um serviço incompleto, algo que é contrário a realidade e é como enganar as pessoas. Na verdade, hoje em dia, problemas, muitos deles, são causados por não seguirmos este princípio em nossas vidas. Um médico, um mecânico, um engenheiro ou qualquer outro profissional quando não segue este princípio além de estar praticando um ato ilícito podem causar um risco a vida das pessoas. Imaginem um médico por exemplo, que não cumpre a sua missão de operar um paciente da melhor maneira, isso pode ter consequências graves e o paciente pode morrer por esta falha. Ou um engenheiro que não calcula os números exatos para erguer uma ponte ou um edifício e isso com certeza coloca em risco as vidas das pessoas. Uma das características dos fiéis é a de serem aqueles que cumprem seus deveres, missões e tarefas da melhor forma. Se o fiel quiser falar algo ele escolhe a melhor palavra para ser dita ou se quiser fazer algo ele o faz da melhor e mais completa maneira. Até mesmo a mortalha. Então, Deus é o mais perfeito e tudo que Ele fez foi da melhor forma, Ele disse as melhores palavras, escolheu as melhores pessoas para serem seus representantes sobre a Terra, ou seja, os profetas e mensageiros de Deus são as melhores entre as Suas criaturas. Seguindo este raciocínio o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse numa de suas passagens: “Deus é clemente com quem pratica algo e o conclui da melhor forma”. Numa história narrada por historiadores na época do Profeta Mohammad (S.A.A.S.) é afirmado que ele disse sobre o ato de enrolar um morto na mortalha (Kafan): “Se alguém entre vocês for vestir um falecido com o kafan (Mortalha), então que faça da melhor forma”. Ou seja, até mesmo o ato de vestir um falecido com a mortalha deve ser feito da melhor forma de acordo com a orientação do Profeta Mohammad (S.A.A.S.). Numa outra passagem dizem que no velório de Ibrahim, filho do Profeta Mohammad (S.A.A.S.), antes dele ser enterrado o Profeta (S.A.A.S.) observou uma imperfeição em seu túmulo e pediu para um de seus companheiros descerem para corrigir aquela imperfeição e depois enterrar Ibrahim. Depois do enterro os companheiros chegaram ao Profeta Mohammad (S.A.A.S.) e perguntaram para ele qual era a importância daquele ato, pois o túmulo não representaria uma grande importância para ser feito de uma forma perfeita, e perguntaram se isso causaria um dano para o falecido. Então, ele (S.A.A.S.) disse: “Não incomoda o falecido, mas um túmulo perfeito alegra os olhares dos vivos”. Em seguida ele (S.A.A.S.) disse: “Deus ama quando alguém entre vocês pratica algo e conclua da mais perfeita forma”. Saibam irmãos que o valor das coisas é quando concluímos os atos e missões, e esse é nosso dever e obrigação como muçulmanos, sejam eles atos e missões pequenos ou grandes, seja um ato de lavar um copo ou construir um hospital. A consequência da conclusão dos atos da melhor forma: 1) Benção: Quando o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) recebeu a missão de propagar a mensagem do Islam ele a cumpriu da melhor e mais completa maneira, e por ter cumprido sua missão da melhor forma teve o grande sucesso que conquistou ao longo dos 23 anos de propagação do Islam. Sua mensagem hoje enche o mundo, a doutrina Islâmica hoje é a religião que mais cresce no mundo e trouxe grandes conquistas científicas para o mundo. 2) Amor de Deus: O Profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse sobre aquele que finaliza as suas tarefas e trabalhos da melhor forma: “Deus ama quando alguém entre vocês pratica algo e conclua da mais perfeita forma”. 3) Riqueza: Dizer a verdade e cumprir a confiança dos demais em realizar as tarefas atrai a riqueza. A tradição afirma “Dizer a verdade atrai a riqueza”. 4) Progresso: Ao praticar as missões e tarefas da melhor forma a sociedade atinge o progresso e evolui em seus desafios, e sempre desejará avançar com o progresso em diferentes áreas científicas, tecnológicas, econômicas, políticas, educacionais e etc… 5) Tranquilidade: A pessoa que cumpre seu dever e missão da melhor forma fica com a consciência tranquila. Infelizmente esta realidade está muito longe em nossas sociedades, e em muitos campos isso é uma grande infelicidade para uma nação. Mas é bom sabermos qual é o motivo disso para que possamos evitar e se prevenir. Aqui vão alguns dos motivos do porque as pessoas não cumprem suas tarefas e missões da melhor maneira: 1) Preguiça: Um dos principais motivos é a preguiça, sendo que este elemento é uma das piores pragas da nossa época, e na verdade sempre foi em todas as épocas. O Imam Al-Baqer (A.S.) disse: “Se distanciem da preguiça e do tédio, pois ambos te privarão do bem desta e da outra vida…”. Não espere que o preguiçoso cumpra sua missão. O Imam Al-Baqer (A.S.) afirma: “… O preguiçoso não cumpre seus deveres perante Deus exaltado seja”. Até mesmo a devoção, a oração e as obrigações religiosas acabam sendo deixadas de lado por este detalhe, a preguiça. 2) Pressa: As pessoas têm pressa de receber os frutos sem cumprir o determinado ciclo do fruto. Como sabemos não devemos colher os frutos sem que antes estejam maduros, e isso pode prejudicar o resultado dos atos. Por isso temos que evitar a pressa, pois causa danos nos resultados, e o Mensageiro de Deus (S.A.A.S.) disse: “A pressa é de Satã”. Portanto, temos que sempre ter paciência e cautela. Aqui podemos citar a história de Moisés com o servo de Deus Khoder. Deus cita no Alcorão Sagrado: “E Moisés lhe disse: Posso seguir-te, para que me ensines a verdade que te foi revelada? (66) Respondeu-lhe: Tu não serias capaz de ser paciente para estares comigo. (67) Como poderias ser paciente em relação ao que não compreendes? (68) Moisés disse: Se Deus quiser, achar-me-á paciente e não desobedecerei às tuas ordens. (69) Respondeu-lhe: Então segue-me e não me perguntes nada, até que eu te faça menção disso. (70)” (18). O que aprendemos com esta história é que temos que ter paciência para entender e compreender as questões, e isso é um dos elementos muito importantes para a evolução de nossas vidas. 3) Se especializar e conhecer: A pessoa tem que focar em sua especialidade. Em uma coisa e não em muitas coisas. Isso exige mais atenção, pois com a falta disso ela vai falhar em sua missão e obrigação. Com base nisso o Profeta Mohammad (S.A.A.S.) disse: “A vossa preocupação não pode ser a quantidade de trabalho e sim cumpri-lo e concluí-lo da melhor forma”. A pessoa não deve ficar procurando fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo, pois isso pode levá-la a falhar. O Príncipe dos Fiéis (A.S.) disse: “Quando as tarefas se duplicam então se duplica a preguiça e o tédio, e isso leva a pobreza”. 4) Humildade: Infelizmente algumas pessoas não gostam de revelar que não sabem fazer algo. Quando formos procurados para fazermos algo e não sabermos fazer aquilo ao invés de dar falsas esperanças para as pessoas, prometendo fazer aquilo que não podemos, temos que ser fortes e dizer que não sabemos. Infelizmente algumas pessoas não tem esta humildade, assumem compromissos e tarefas sem saber como cumprir e com isso são levadas ao fracasso. 5) A pessoa certa no lugar certo: A presença da pessoa certa na posição e cargo correto é fundamental para evitar a falha na conclusão das tarefas, e isso é responsabilidade de todos, desde o pai de família até os governantes de um estado quando nomeiam alguém para cumprir uma missão. Esta pessoa deve ser a melhor para cumprir aquele dever, isso para não causar danos na sociedade e a si mesma. As graves consequências de não concluir os atos: Pode levar a ilegitimidade no recebimento do valor dos serviços, e portanto considerar aquele faturamento ilícito (Haram). Pode levar ao fracasso e falhas na conclusão dos deveres, até mesmo religiosos, e isto leva a invalibilidade do ato. Então, queridos irmãos, todos devem começar uma tarefa, missão ou dever com a responsabilidade de cumprir melhor e mais perfeita maneira, e vamos a partir de hoje fazer disso o nosso lema de vida, pois este lema com certeza trará o sucesso em nossa vida profissional e pessoal, inshallah. Aula ministrada por: Nasser Khazraji Data: 15/06/2019. www.arresala.org.br. Abraço. Davi