sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O DHARMAPADA

Budismo. Livro O Evangelho do Buda. Vida e Doutrina de Sidarta Gautama. Por Yogi Kharishnanda. O DHARMAPADA. O Dharmapada é o caminho religioso que os discípulos do Senhor Buda seguem. O que somos hoje e o que seremos  amanhã depende dos nossos pensamentos. Se procedemos mal, sofremos as consequências se procedemos bem, nós mesmos nos purificamos. Nem o puro nem o impuro podem purificar o seu próximo. Cada qual deve purificar-se por si mesmo. Os Tathágatas não são nada mais do que pregadores. O homem reflexivo entra no caminho e se emancipa da escravidão de Mara. Quem para quando é preciso andar e entrega-se à preguiça, ou cujos pensamentos são débeis, não encontrará o caminho da iluminação. Aquele que se observa cuidadosamente encontrará a Verdade. Certamente o domínio de si mesmo é difícil, porém, quem se domina saberá dominar os demais. Quem vence a si mesmo é um vencedor mais glorioso do que aquele que sozinho vence mil vezes mil homens no campo de batalha. Os enfatuados dizem: Eu fiz isto. Os outros devem se submeter a mim. Neste negócio, hei de desempenhar o papel mais importante. Os enfatuados não pensam no cumprimento do dever. Pensam unicamente em si mesmos. Querem que tudo sirva de pedestal à vaidade deles. As más ações  que nos prejudicam são fáceis de executar. Difíceis são as boas que nos favorecem. Faça o homem com entusiasmo o que lhe cumpre fazer. Muito logo o seu corpo jazerá na terra com um simples tronco. Mas com ele não perecerão as consequências de seus pensamentos. Os bons engendrarão boas ações e os maus ações más. A diligência é vida. A preguiça é morte. O diligente está sempre vivo. O preguiçoso, mesmo que viva, está morto. Os que imaginam que o erro é a Verdade e que a verdade é o erro não alcançarão o conhecimento da Verdade. Porque estão andando num caminho equivocado. Os que discernem a Verdade do erro e reconhecem a Verdade, alcançarão a meta da libertação. Assim como a chuva peneira na casa mal coberta, do mesmo modo a paixão invade aquele que não tem a razão coberta pelo discernimento. E assim com a água da chuva não invade a casa bem fechada, a paixão não invade aquele que está resguardado pela reflexão. Os regados levam a água para onde desejam. Os arqueiros disparam a flexa a sua vontade. Os carpinteiros enquadram um pedaço de madeira. Porém, o sábio se modela a si mesmo. Fica indiferente ante o elogio e o insulto. Quando ouve e compreende a lei, mantem-se sereno como um lago de água profunda e tranquila. Quem pensa, fala e age com maldosa intenção, a dor o segue como a roda ao boi que puxa o carro. Não precedem mal, pois nesse caso receberão um doloroso sofrimento. Mais vale agir bem, porque ninguém se arrepende de uma boa ação. Quem peca não se alegra com a recordação do pecado. Porque a alegria então sentida se transforma em dor. Quem age bem, regozija-se na sua obra, porque a felicidade é o fruto do bem. Que ninguém se suponha incapaz de proceder mal, dizendo: Jamais me atingirá. Assim como a água pouco a pouco enche o vaso. Do mesmo modo o imprudente se deixará invadir lentamente pelo mal. Que ninguém trate levianamente o bem, dizendo: Nunca o atingirei. Pois assim como a água pouco a pouco enche o vaso, do mesmo modo o sábio aos poucos se encherá da bondade. Como a montanha de granito resiste à violência de um ciclone. Também resistirá às tentações da Mara aquele que refreia os sentidos e desdenha os prazeres. O louco que reconhece a sua loucura tem algo de prudente. Porém, o louco que se presume sábio está realmente louco. O pecado é como uma flor bela e perfumada. É agradável a vista e ao olfato, todavia produz um fruto por demais repugnante e amargo. A virtude é como a flor cercada de espinhos, sem matizes nem aroma, contudo o fruto é delicioso aos sentidos do espírito. Muito mal pode causar o ódio ao ódio e um amigo a outro amigo. Contudo, maior mal pode causar a si mesmo o homem mal dirigido. Muito bem pode fazer um homem bem dirigido. A hera - plantas trepadeiras e rasteiras - pode sufocar a árvore que a sustém. Assim também o perverso se degrada até o ponto em que o seu inimigo o deseja ver. O insensato que se afeiçoa aos prazeres a si mesmo se prejudica como se fosse o seu maior inimigo. Os ciclones arrasam os campos. A vaidade, o ódio, a avareza e a luxúria são as más ervas no campo da humanidade. A afeição ao prazer produz desgosto. O temor do sofrimento engendra o medo. Quem não se afeiçoa ao prazer nem teme a dor não conhece o desgosto nem o medo. Quem sede a vaidade e se apega ansiosamente a prazer. Invejará mais tarde aquele que adquiriu a virtude por meio da meditação. Cada qual vê as faltas e os vícios do seu próximo, porém não repara nos seus. Assemelha-se ao trapaceiro jogador de dados. Quem intromete nos defeitos alheios e deles se escandaliza aviva o fogo de suas próprias paixões. O homem prudente lamentasse de seus defeitos, não reparando nos defeitos alheios. Ao contrário, observa sempre o aspecto harmonioso do seu próximo. O virtuoso brilha de longe como a manhã nevada. O perverso é invisível como a flecha disparada à noite. Quem busca e consegue o prazer à custa de terceiros ficará escravo das cadeias do egoísmo e não se livrará do ódio. Vença o ódio com o amor, a avareza com a liberalidade, o erro com a verdade, o mal com o bem. Não se extingue o ódio com o ódio, só o amor pode desvanecê-lo. Digam sempre a verdade, não cedam a ira e deem se lhes pedirem. Desse modo vocês alcançarão a divindade. Limpe o prudente as impurezas da sua personalidade como o joalheiro limpa as impurezas da prata. Uma apoia a outra, devagar e com cuidado. Não tratem ninguém com violência, e sim, com justiça e segundo a lei. Todos amarão ao virtuoso, inteligente, verdadeiro, justo e cumpridor de seu dever. Assim como a abelha sorve o néctar sem alterar os matizes e nem o perfume da flor. Assim vive o sábio entre as pessoas do mundo. Se o viandante não encontrar em seu caminho quem lhe seja igual ou superior, seja sozinho, e não em companhia de algum insensato. Longa é a noite de insônia. Uma légua é ainda mais longa para quem está cansado. Também é longa e penosa a vida para o insensato que desconhece a verdadeira religião. Um único dia de vida para quem conhece e prática a verdadeira religião vale mais do que cem anos vividos sem conhecê-la. Alguns forjam um dharma arbitrário, maquinam especulações complexas e supõem que só suas teorias podem dar resultados proveitosos. No entanto, a Verdade é uma só, pois no Universo não existem verdades diferentes. Se refletirmos no valor de várias teorias, aceitaremos a que nos livra do pecado. Contudo, seremos capazes de praticá-la? Eis aqui a dificuldade. O melhor caminho é o óctuplo.  Não há outro que conduza a purificação da mente. Tudo o mais são ilusões enganosas de Mara, o tentador. Quem segue o caminho óctuplo extingue o sofrimento. O Tathágata disse: Preguei a entrada no caminho quando compreendi que a espinha cravada na carne era indispensável. Não por disciplina nem por votos, e sim por profundo conhecimento, mereci a felicidade da libertação que o homem mundano não pode conhecer. Não descansem, oh discípulos, até que a sede do desejo se extinga. A extinção dos desejos passionais é a melhor religião. O dom da religião supera os demais dons. A doçura da religião é a maior doçura. As delícias da religião superam todas as delícias. Extinguindo a dede do desejo e aniquilando o sofrimento. Assim como o lírio nasce fragrante entre as ruinas, do mesmo modo a disciplina do Buda brilha por sua sabedoria entre as pessoas que se atropelam cegamente. Vivamos felizes e sem ódio e sem ódio entre os que nos odeiem. Vivamos sãos entre os enfermos. Generosos entre os avaros. Abnegados entre os cobiçosos. Brilha o Sol durante o dia. A luz da Lua durante a noite. Cintila a armadura do guerreiro. Resplandece a mente do pensador em meditação. Contudo, o fulgor de Buda, o Santo, o Iluminado a todos supera. Abraço. Davi

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