quinta-feira, 30 de maio de 2024

AVISOS ÚTEIS PARA A VIDA ESPIRITUAL. Parte I

 

Cristianismo. Livro Imitação de Cristo. Por Tomás de Kempis (1380-1471). INTRODUÇÃO. Por Paulo Matos Peixoto. Imitação de Cristo, depois da Bíblia, de imediata inspiração divina, é a maior, mais difundido, mais benéfico, mais admirável, mais amado, mais popular, mais balsâmico de todos os livros que, em todos os tempos, vieram a luz neste mundo. É também – ainda excluindo-se a Bíblia – o mais velho dos livros de leitura permanente. Tem cinco séculos de vida e de ação nas consciências, nos corações e nas almas. Durante estes mais de quinhentos anos, seus textos simples, mas profundos, consolam, aconselham, nutrem o espírito e lapidam os sentimentos da humanidade. O tempo não lhe amorteceu a pertinência, nem saturou a expectativa dos homens pelo próprio aperfeiçoamento espiritual. Nenhum outro livro, místico ou profano, pode reunir textos que, a par da singeleza, fossem animados por linguagem tão direta e tão penetrante, tão capaz de arrebatar, de conter e de salvar. Nenhum outro escrito humano foi, nestes séculos, tão fértil em persuadir pela branda doçura, pela suave compulsão do bem e do amor, nem alcançou tantas almas e comoveu tanta gente. Mais admirável ainda neste livrinho simples é que lhe procuram consolo, o estímulo e o rumo, ao mesmo tempo os espíritos iluminados da fé e aqueles que ainda estão submersos na escuridão da descrença e do pecado. Abrem suas páginas, na ânsia da mesma procura, os mansos e os violentos, os que já encontraram Deus, os que o aguardam e os que ainda não creem. Todos sentem, sob a luz de seu espírito de amor e de força, estímulos para a vida e aquela ressonância que encaminha para Deus. O autor de Imitação de Cristo foi de espírito de intensa força interior e de um profundo e privilegiado compreendedor de almas. Sua psicologia é universal e transcende espaços, tempos, culturas e peculiaridades étnicas. Capaz de penetrar nos corações de todos os homens. O inigualável psicólogo ofertou ao mundo normas de vida nobre que se destinavam aos seus coevos e aos seus pósteros. O livro foi escrito por um monge, e para monges e monjas, na densa atmosfera de um convento, em plena civilização medieval, envolta em seus obscurantismos e animada pelo primado da força e do poder, como essência dos sistemas. E nisso há outro mistério. Como se o autor se libertasse das paredes de pedra e das barreiras de uma civilização precária e discriminadora, projetou-se para os tempos futuros. Considerou a alma humana em sua perenidade, sujeita, sempre às mesmas angústias, tristezas, alegrias, paixões e incertezas. Atingiu todas as gerações, com sua palavra permanente atual, que prega o Evangelho eterno, a união com Deus, a convivência com o próximo. A Imitação de Cristo, não tem pátria, nem ambiente, nem época. Tornou-se, universal que é, um patrimônio da humanidade. E isso bem se vê no fato de estar a obra difundida em todas as línguas, para todas as gerações de todos os povos, em contínuas edições. O autor, segundo é hoje crença geral, foi o frei Tomas de Kempis, nascido no ano de 1380, na Alemanha, no pequenino povoado de Kempen, nas proximidades de Colônia. Tomas foi monge agostiniano e viveu no mosteiro de Santa Ana. Tendo recebidos as ordens eclesiásticas em 1412 e permanecido a vida inteira, até os 91 anos, quando morreu, na importante função de mestre de noviços. Dessa vivência de condutor de almas nasceu-lhe a insigne obra que iria ser a peregrina do amor, do consolo e da piedade para a humanidade de todas as épocas. Tomas morreu em 1471, em Zwolle, distrito de Utrecht, deixando ainda outras obras catequéticas. Não importa que algumas das assertivas escritas no livro possam ser reformuladas, tendo-se em vista a época, o ambiente e o estágio de civilização em que foi escrito. A verdade é que conseguiu traduzir para o entendimento e para a sensibilidade humana as coisas divinas, êxito que nenhuma outra obra atingiu. Fala em linguagem humana as coisas divinas, e há séculos que alimenta o espírito dos homens e revela o caminha da vida ideal que é a suprema aspiração de todos. E essa tarefa sem dúvida não prevista pelo insigne autor, vai ser levada avante pelo perpassar de vários séculos. Ao oferecer a nossos amigos este livro inestimável, formulamos o mais firme desejo de que ele seja a luz que espante as sombras do caminho. Levando a alma de cada um a centelha de amor que explode em suas páginas.

Cristianismo. Livro Imitação de Cristo. Por Tomas de Kempis. AVISOS ÚTEIS PARA A VIDA ESPIRITUAL. 1. A imitação de Cristo, e o desprezo de todas as vaidades do mundo. “Quem me segue não anda em trevas”, diz o Senhor em João 8,12. São palavras de Cristo que nos exortam a imitar sua vida e costumes, se verdadeiramente quisermos ser iluminados e livres de toda a cegueira de coração. Seja, pois, nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo. A doutrina e Cristo excede todas as doutrinas dos santos e quem tiver o seu espírito há de encontrar o maná escondido. Acontece, porém, que muitos, apesar de ouvirem amiúde o Evangelho, pouco fervor experimenta, porque não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser, pois, compreender e saborear toda a plenitude das palavras de Cristo deve esforçar-se em conformar com Ele toda a própria vida. Que te aproveita discorrer profundamente sobre a Trindade, se não es humilde e assim desagradas a mesma Trindade? Na verdade, não são palavras sublimes que fazem o homem santo e justo. É a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir compunção a saber-lhe a definição. Se soubesse de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem o amor e a graça de Deus? “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” Eclesiastes 1,2. Exceto a amar a Deus e só a Ele servir. A suprema sabedoria consiste em entender o reino dos céus pelo desprezo do mundo. A vaidade é, pois, amontoar riquezas perecíveis e nelas pôr a sua confiança. Vaidade, é também ambicionar honras e desejar posições de destaque. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás severamente castigado. Vaidade, desejar longa vida e não cuidar que seja boa. Vaidade, preocupar-se só com a vida presente e não prever o que há de vir depois. Vaidade é amar o que tão depressa passa e não demandar pressuposto a felicidade que sempre dura. Lembra-te com frequência do provérbio: “Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir” Eclesiastes 1.8. Procura , pois, desviar teu coração das coisas visíveis e transportá-lo às invisíveis. Porque os que seguem a própria sensualidade mancham a consciência e perdem a graça de Deus.

2. O humilde juízo de si mesmo. Todo Homem. Todo homem tem o desejo natural de saber. Mas que vale a ciência sem o temor de Deus? Por certo, melhor é o camponês humilde que serve a Deus, que o filósofo soberbo que, descuidando a sua alma, observa o curso dos astros. Quem os conhece bem, despreza-se e não se compraz nos louvores humanos. Se eu soubesse quanto há no mundo e não tivesse caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minha obra? Modera-te no demasiado desejo de saber, porque nele encontrarás muita dissipação e desengano. Gostam os doutos de se mostrar e ser proclamados sábios. Muita coisa há, cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E muito louco é quem se ocupa de coisas que não interessam à salvação. Muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra santa conforta o coração e uma consciência para inspirar grande confiança em Deus. Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. Não te envaideças, pois, de qualquer arte ou ciência, antes, teme pelos conhecimentos que adquiristes. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. “Não te ensoberbeças” Romanos 11,20. Antes, confessa a tua ignorância. Por que queres antepor aos demais, quando há tantos mais doutos do que tu e mais versados na lei? Se queres proveitosamente saber e aprender alguma coisa, estima ser ignorado e tido em nenhuma conta. Não há melhor e mais útil estudo que conhecer-se perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros é prova de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vires alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem. Todos somos fracos, mas não tenhas a ninguém por mais fraco do que tu. Abraço. Davi.

 

terça-feira, 28 de maio de 2024

QUEM SOU EU? O QUE EU VIM FAZER AQUI?

 

Espiritualidade. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. PREFÁCIO. “Depois de passar dos 40 anos e vencer um câncer que me colocou à beira do abismo, estou a pergunta: quem sou eu? E para quê? Qual é o significado dessa minha existência? Senti que eu estava sendo chamado para olhar de modo mais atento para essas e outras questões, então pedi para o meu ser mais profundo que me abrisse as portas do conhecimento. Até então eu já tinha entendido, com os chacoalhes da vida, que apesar de pouco (ou nada) sabermos sobre os mistérios da existência, o único jeito de vibrarmos num outro luar é através da experiência do amor. Só o amor é capaz de transformar tudo, curar, elevar nossa consciência. Então uma voz interna já me dizia que talvez esse fosse o sentido de tudo, a razão de estarmos aqui encarnados: aprendermos (ou reaprendermos) a amar. O que eu não sabia era: por que é tão difícil abrir o coração para amar de verdade, desinteressadamente? E eu não sabia sequer que tinha essa dificuldade. Então, numa perfeita sincronia, o meu caminho cruzou com o do Prem Baba, que desde então tem me ajudado muito a entender o sentido que busco, a caminhar rumo à consciência do propósito da minha alma, a me abrir para ouvir o comando do meu coração. Porém, para alcançar esse aprendizado, precisarei continuar passando pelo processo de purificação, olhar para minha sombra (ou maldade), para minhas dores, meus condicionamentos, abrir os porões para poder limpá-los, iluminá-los. E tudo isso requer muita coragem! Este livro é sobre o Propósito e seu estudo abrange tanta coisa, tem tantas vertentes! Aqui Prem Baba põe luz sobre o tema com a clareza própria de um líder espiritual, sugere caminhos, práticas e exercícios que podem facilitar os processos e entendimentos. Sabemos que estamos alinhados com nosso Propósito quando encontramos um motivo real para acordarmos e vivermos o dia com alegria! E esse motivo, em última análise, é vivermos o amor! Prem tem me ensinado bastante sobre isso e talvez faça parte do meu Propósito dividir meu caminha com vocês Namastê! (saudação hindu que diz: o Deus que está em mim felicita o Deus que está em você). Reynaldo Gianecchini (1972-  ), ator e modelo brasileiro. Texto de Sri Prem Baba (1951- ). Introdução. QUEM SOU EU? O QUE EU VIM FAZER AQUI? Talvez o maior infortúnio do ser humano tenha sido, em algum momento da sua jornada, ter acreditado ser o centro da criação. Nossa inteligência nos proporcionou muitas conquistas. Conseguimos um certo domínio sobre a matéria e com isso passamos a agir como se a natureza existisse somente para nos servir. O ego, enquanto símbolo da individualidade, tomou conta da nossa experiência na Terra. Essa visão limitada nos conduziu ao esquecimento de quem somos e do que viemos fazer aqui. E hoje sofremos de uma profunda doença chamada egoísmo, que nos leva a manifestar um grau insustentável de desrespeito à natureza e aos outros seres humanos, além de uma profunda ignorância em relação ao significado da vida. No decorrer dos séculos, temos usado nossa inteligência para reafirmar essa visão autocentrada e para provar que somos superiores a tudo e a todos. O ego, que é apenas um veículo para a experiência da alma neste plano, tornou-se o imperador máximo, e o individualismo tomou proporções brutais. Perdemos a conexão com nossa identidade espiritual e com a própria razão de estarmos aqui. Deixamos de nos questionar sobre o sentido da vida, e isso aprofundou o esquecimento da nossa essência e dos valores intrínsecos a ela. A teoria que considera o Universo como o produto de um acidente cósmico (o Big Bang) sustenta a visão materialista de que não existe um propósito para a vida. Se somos produto de um acidente, estamos aqui por acaso. E se estamos aqui por acaso, não há um propósito para a nossa existência. Essa ideia, porém, decorre da nossa incapacidade de explicar, através dos métodos científicos, o que está por trás do mistério da criação. E isso é o que nos leva a negar o espírito e a acreditar que não existe nada além do corpo e da matéria. Mas esse materialismo é o que tem impedido a nossa evolução, não somente espiritual, mas também material! Porque, dessa maneira, estamos nos tornando cada vez mais cegos e ignorantes em relação ao nosso próprio poder. A ideia de que somos apenas um corpo combinada à crença de que somos superiores a tudo é o que sustenta a indiferença diante da destruição do nosso planeta e o ceticismo em relação à espiritualidade. Desconsiderando até mesmo as descobertas não tão recentes da Física, continuamos cultivando uma visão estritamente materialista da vida. Enquanto indivíduos e sociedade, seguimos negando a existência de um espírito único que dá vida e interconecta todos os seres vivos e a natureza. Tudo isso, porém, faz parte dos desafios da experiência humana na Terra, pois nós estamos aqui justamente para realizar a lembrança de quem somos e do que viemos fazer. O esquecimento, apesar de ser um instrumento de aprendizado nesse jogo da vida, quando levado ao extremo, se torna um grande obstáculo para a expansão da consciência. A maioria não tem a mínima ideia do que veio fazer aqui e nem chega a se perguntar. Estamos nos aproximando de um ponto crítico, no qual uma virada se faz necessária. É como se estivéssemos mais perto do final de um grande projeto e estivéssemos sendo pressionados a cumprir nossa missão. Alguns dizem que o prazo final já passou e que não tem mais jeito. Outros acreditam que ainda temos chances de realizar nossa meta. Eu acredito que, para sermos bem-sucedidos, precisaremos passar por grandes transformações. Em primeiro lugar, precisamos nos abrir para a verdade de que somos seres espirituais vivendo uma experiência na Terra e que nós todos temos uma missão comum, porque, sem essa consciência, estamos fadados à extinção. Quem sou eu? O que eu vim fazer aqui? É parte de nossa missão chegar à resposta para essa pergunta. Estamos constantemente sendo levados a questionar e a encontrar soluções para questões como essas. O tempo todo somos convidados a perceber e compreender o Mistério. A natureza tem enviado mensagens bem claras de que chegou a hora de despertar do sonho do esquecimento e de acordar para a realidade. Tornou-se inaceitável que, com tanta informação disponível sobre a insustentabilidade do nosso estilo de vida, continuemos agindo sem a mínima consciência ecológica. Tornou-se inconcebível que ainda sejamos tão céticos e fechados para a percepção da realidade maior, que transcende a matéria, pois é esse fechamento que nos impede de ter acesso ao propósito da vida. Eu, como um mestre espiritual, mas principalmente como um ser humano consciente, tenho a obrigação de dizer a verdade, por mais dolorosa que ela possa ser: nós, seres humanos, estamos caminhando para um grande fracasso. Até este ponto da nossa passagem aqui na Terra, não fomos capazes de encontrar essa tão desejada felicidade. E isso ocorre pelo fato de estarmos buscando no lugar errado – fora de nós. A felicidade não está no futuro, nos bens materiais ou na opinião que os outros têm sobre nós. Ela está aqui e agora, dentro de nós. Precisamos ter coragem e humildade para abrir mão do orgulho e assumir nossos erros. Precisamos nos curar do egoísmo. E somente o autoconhecimento pode trazer essa cura. E foi justamente com o intento de oferecer instrumentos que possibilitam e facilitam o processo de autoconhecimento, mas principalmente com o intuito de dar movimento a uma energia capaz de impulsionar uma verdadeira transformação, que eu decidi escrever este livro. Todos e cada um de nós viemos para este plano com uma missão, um propósito a ser realizado. E apesar de, na superfície, não sermos iguais e termos diferentes qualidades, estamos unidos por um propósito único que, em última instância, é a expansão da consciência. E a consciência se expande através do amor. Por isso costumo dizer que o nosso trabalho enquanto seres humanos é despertar o amor, em todos e em todos os lugares. Podemos comparar o processo de expansão da consciência ao desenvolvimento de uma árvore. A raiz representa nossas memórias, nossas heranças, nossos ancestrais, ou seja, nossa história na Terra. Ao mesmo tempo em que nos mantém aterrados, a raiz não nos deixa cair. Ela é o que dá sustentação ao tronco da árvore, que, por sua vez, representa nossos valores e virtudes consolidados. Quanto mais forte o tronco, mais alto podemos chegar. Os galhos representam os desdobramentos das nossas virtudes em dons e talentos: as folhas representam o impulso de vida e a nossa eterna capacidade de renovação. E quando conseguimos nos tornar canais do amor, através dos nossos dons e talentos, brotam flores e frutos que representam justamente o que viemos realizar, o que viemos oferecer ou entregar ao mundo. As flores e os frutos representam a manifestação ou a realização do nosso propósito de vida. Agora eu quero convidar você a embarcar comigo numa jornada rumo à expansão da consciência. Trata-se de uma aventura cheia de incertezas e desafios que nos leva da semente ao fruto, da Terra ao céu, do esquecimento à lembrança, do estado de adormecimento ao estado de consciência desperta. Uma jornada que revela os infinitos desdobramentos do amor – esse poder que nos habita, nos move e  nos liberta. O amor é a semente, a seiva e o sabor do fruto. Ele é a beleza e a fragrância da flor. O início, o meio e o fim. Despertar o amor é o motivo de estarmos aqui. Que a transmissão contida neste livro possa servir de inspiração e guia para o seu caminhar. Livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos. Abraço. Davi.

domingo, 26 de maio de 2024

OS CINCO GRANDES VOTOS

 

Jainismo. O Livro das Religiões. OS CINCO GRANDES VOTOS – O Ascetismo Conduz á Libertação Espiritual. Em contexto. Principal figura: Mahavira. Quando e onde: A partir do século VI a.C. na Índia. Antes: A partir de 1000 a.C. O conceito de samsara, o ciclo de morte e renascimento, é desenvolvido por ascetas errantes da tradição indiana shramana. Depois: Século VI a.C. A iluminação de Buda mostra-lhe forma de escapar do samsara. A partir do século II a.C. No Budismo mahayana, os bodhisattva – humanos iluminados que permanecem na Terra para ajudar os outros – são reverenciados. Século XX. O Jainismo é reconhecido como uma religião própria na Índia, separada do Hinduísmo. O Jainismo é a mais ascética e todas as religiões indianas, propondo a abnegação para se alcançar a libertação – moksha – e não precisa voltar para este mundo de sofrimento. O Jainismo conforme o conhecemos foi fundado por Mahavira, contemporâneo de Buda, no século VI a.C., mas diz-se que ele sempre existiu e sempre existirá. Dentro da fé, Mahavira é visto simplesmente como o mais recente dos 24 professores iluminados da era atual. Os jainas acreditam que cada era dura milhões de anos, repetindo-se num ciclo infinito de eras. Os professores são chamados de jinas ou tirthankaras, “fazedores de vau do oceano do renascimento”. A vida consiste em um ciclo infinito de reencarnações. Para atingir a iluminação e escapar desse ciclo, precisamos nos livrar do peso do carma. Para isso, devemos seguir o exemplo dos grandes mestres que atingiram a libertação, como Mahavira. O caminho é definido nos cinco votos: não violência, honestidade, castidade, retidão e desapego. Se seguirmos esse caminho, também conseguiremos atingir a iluminação. Responsabilidade pessoal. O Jainismo não reconhece nenhuma divindade, colocando total responsabilidade nas ações e na conduta do indivíduo. Para seguir uma vida  de abnegação, monges e monjas jainistas fazem os chamados Cinco Grandes Votos – não violência, ahimsa, falar a verdade, satya, celibato, brahmacharya, não pegar o que não é claramente oferecido, asteya e desapego de pessoas, lugares e coisas, aparigraha. O mais importante desses votos é o ahimsa, a prática da não violência, que se estende a todos os animais. Incluindo os menores organismos encontrados na água ou no ar. Os outros quatro grandes votos preparam o monge ou a monja para seguir a vida de um mendicante errante, dedicado a pregação, jejum, devoção e estudo. O ascetismo é um fator essencial no jainismo. Conta-se na religião que o próprio Mahavira andava nu, por ter estado tão compenetrado o início de suas perambulações que não percebeu quando seu roupão ficou preso num espinheiro. Mas no século IV d.C., muito tempo depois da morte de Mahavira, houve uma dissidência entre os shvetambaras – vestes brancas – e os digambaras – vestes celestiais – quanto à extensão da prática ascética. Os monges shvetambaras acreditavam que o desapego e a pureza são qualidades mentais, não influenciadas pelo uso de roupas. Os monges diganbaras, por sua vez, andam nus, acreditando que o ato de usar roupas indica ainda um certo apego a sentimentos sexuais e falsas ideias de modéstia. Alguns monges digambaras não carregam nem a cumbuca de caridades, recebendo comida nas mãos em conchas. Os digambaras também acreditam que a libertação do ciclo de renascimento não é possível para as mulheres enquanto elas não reencarnarem como homens. Imagem dos Jinas ou tirthankaras, os seres iluminados reverenciados no jainismo, são usadas como objetos devocionais, e são o foco nas meditações enquanto preces e mantras são recitados. Akaranga Sutra: “Graças à sabedoria, Mahavira não pecou, não induziu os outros ao pecado nem consentiu com os pecados dos outros”. O símbolo adotado pelo jainismo é uma disposição complexa de elementos dentro de um contorno que representa o universo.  Preocupações mundanas na parte de baixo levam a morada dos seres celestiais. As três joias: fé correta, conhecimento justo e boa conduta. A palma da mão, um lembrete para parar e pensar antes de agir. A roda, o símbolo do ciclo de morte e renascimento. A alma livre em sua morada superior. Os quatro estágios pelo qual a alma precisa passar: celestial, humano, animal e infernal. A palavra ahimsa – não violência – o princípio fundamental do Jainismo. Vivendo no mundo. Os jainas laicos não fazem os Cinco Grandes Votos, mas fazem votos similares, em menor quantidade: abdicar da violência, não mentir, não roubar, assumir a castidade e evitar o apego a coisas materiais. Todos os jainas são vegetarianos, e devem abrir mão de trabalhos que envolvam a destruição da vida. Alguns deles utilizam apenas flores que já caíram da planta nos cultos, argumentando que arrancar uma flor viva é um ato de violência. Os jainas laicos podem casar, mas devem manter os mais elevados padrões de comportamento. Nesse caso, como em todas as áreas, os jainas seguem o caminho das Três Joias: fé correta, conhecimento justo e boa conduta. Alguns dizem que existe uma quarta joia: a penitência certa. A expiação dos pecados é importante no jainismo. No festival anual Samvatsati, depois de oito dias de jejum e abstinência durante a temporada das monções. Os jainas confessam os pecados do ano que passou a familiares e amigos, e fazem votos de não carregar rancores no próximo ano. A meditação também é importante, e os rituais diários jainistas incluem sessões de 48 minutos, cujo objetivo é ser um com o universo, perdoar e ser perdoado por todas as transgressões. 48 minutos a trigésima parte de um dia, corresponde a  um mahurta, uma unidade de tempo padrão na Índia, geralmente utilizada em rituais. Outras virtudes jainistas são servir os outros, dedicar-se ao estudo religioso, desligar-se da paixão, demonstrar afabilidade e ser humilde. O indivíduo passa a ter um mérito especial se doar comida para monges e monjas. Todas essas práticas combinam-se com o ascetismo, exigido até de pessoas não religiosas para reduzir o carma. Consequente de ações passadas que, segundo os jainas, se acumulam na alma como uma espécie de substância física. Todo carma, tanto bom quando ruim, deve ser removido para se alcançar a libertação. A ideia é progredir gradualmente pelo caminho da iluminação espiritual, adquirindo mérito aos poucos, uma vida após a outra. Um dos escritos sagrados do jainismo, o Tattvartha Sutra, apresenta uma sequência de catorze estágios pelos quais a alma deve passar para atingir a libertação. O primeiro estágio chama-se mithyadrishti, no qual a alma se encontra em estado de letargia espiritual. O último, chamado ayoga-kevali, é povoado por almas conhecidas como siddhas, que já alcançaram a libertação espiritual. Esse estágio final está além do alcance dos jainas laicos. Formas de devoção. Os jainas realizam seus cultos num templo ou num local sagrado em casa. Os templos jainistas são vistos como réplicas dos auditórios celestiais, onde os tirthankaras livres dão continuidade aos ensinos. Diz-se que a adoração e a contemplação das imagens desses tirthankaras produzem transformação espiritual interior. A forma mais simples de adoração, também presente no hinduísmo, é chamada de darshan. Envolvendo contato visual com a imagem de um tirthankara enquanto se recita um mantra sagrado. A principal reza do jainismo é o navkar ou namaskar. Ao dizer este mantra, namo namahar, o indivíduo honra as almas que se libertaram e recebe inspiração delas em sua busca pessoal de iluminação. Apenas jainas monásticos que tenham abraçado por completo uma vida de austeridade e desapego podem esperar subir os catorze degraus rumo à iluminação espiritual. Oração jainista: “Peço perdão a todos os seres vivos. Que eles me perdoem. Que eu possa ter um bom relacionamento com todos os seres”. Mahavira. O reformista religioso Mahavira nasceu em 599 a.C. no nordeste da Índia como o príncipe Vardhamana. Filho do rei Siddhartha e da rainha Trishala, que, segundo a lenda, teve muitos sonhos auspiciosos durante a gravidez. De acordo com a tradição jainista, Mahavira foi colocado no útero da rainha por Indra, o rei dos deuses védicos. Conta-se que Mahavira era tão dedicado a não violência que não chutou o útero da mãe, para não lhe causar dor. Aos trinta anos, o príncipe Vardhamana deixou o palácio para viver como asceta, renunciando ao conforto material e devotando-se inteiramente a meditação. Doze anos depois, ele atingiu a iluminação e tornou-se um grande mestre, sendo chamado de Mahavira. Após fundar uma expressiva comunidade de monges e monjas jainistas, segundo a tradição, mais de 50 mil no total, deu forma ao jainismo atual. Mahavira morreu aos 72 anos, na cidade de Pava, em Bihar, Índia, atingindo a libertação, moksa, do ciclo de morte e renascimento. Abraço. Davi.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

JESUS NO ALCORÃO. Parte II

 

Islamismo. Livro Jesus um Profeta do Islam. Por Muhammad Ata Ur Rahim. Capítulo IX. JESUS NO ALCORÃO. Parte II. A sua infância e adolescência não são mencionadas. A reação dos homens que se tornaram seus discípulos é também descrita na seguinte passagem: “Ó crentes, sede os auxiliadores de Deus, como disse Jesus, filho de Maria, aos discípulos: Quem são os meus auxiliadores, na causa de Deus? Responderam: Nós somos os auxiliadores de Deus! Acreditou, então, uma parte dos israelitas, e outra desacreditou; então, socorremos os crentes contra seus inimigos, e eles saíram vitoriosos”. (61:14) E de novo, mais pormenorizadamente: “E de que, quando inspirei os discípulos, (dizendo-lhes): Crede em Mim e no Meu Mensageiro! disseram: Cremos! Testemunha que somos muçulmanos. E de quando os discípulos disseram: Ó Jesus, filho de Maria, poderá o teu Senhor fazer-nos descer do céu uma mesa servida? Disseste: Temei a Deus, se sois crentes! Tornaram a dizer: Desejamos desfrutar dela, para que os nossos corações sosseguem e para que saibamos que nos tens dito a verdade, e para que sejamos testemunhas disso. Jesus, filho de Maria, disse: Ó Deus, Senhor nosso, envia-nos do céu uma mesa servida! Que seja um banquete para o primeiro e o último de nós, constituindo-se num sinal Teu; agracia-nos, porque Tu és o melhor dos agraciadores. E disse Deus: Fá-la-ei descer; porém, quem de vós, depois disso, continuar descrendo, saiba que o castigarei tão severamente como jamais castiguei ninguém da humanidade”. (5:111-115) Quando a doutrina de Jesus começou a se espalhar, alguns aceitaram o ensinamento e outros não: “E quando é dado como exemplo o filho de Maria, eis que o teu povo o escarnece! E dizem: Porventura, nossas divindades não são melhores do que ele? Porém, tal não aventaram senão com o intuito de disputa. Esses são os litigiosos! Ele (Jesus) não é mais do que um servo que agraciamos, e do qual fizemos um exemplo para os israelitas”. (43:57-59) “Então, após eles, enviamos outros mensageiros Nossos e, após estes, enviamos Jesus, filho de Maria, a quem concedemos o Evangelho; e infundimos nos corações daqueles que o seguiam compaixão e clemência. No entanto, (agora) seguem a vida monástica, que inventaram, mas que não lhes prescrevemos; (Nós lhes prescrevemos) apenas comprazerem a Deus; porém, não o observaram devidamente. E recompensamos os crentes, dentre eles; porém, a maioria é depravada”. (57:27) A mensagem que ele trouxe era simples: “E quando Jesus lhes apresentou as evidências, disse: Trago-vos a sabedoria, para elucidar-vos sobre algo que é objeto das vossas divergências. Temei, pois, a Deus, e obedecei-me! Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois! Eis aqui a senda reta!” (43:63-64) Os seus milagres são de novo mencionados: “Então, Deus dirá: Ó Jesus, filho de Maria, recorda-te de Minhas Mercês para contigo e para com tua mãe; de quando te fortaleci com o Espírito da Santidade; de quando falavas aos homens, tanto na infância, como na maturidade; de quando te ensinei o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho; de quando, com o Meu beneplácito, plasmaste de barro algo semelhante a um pássaro e, alentando-o, eis que se transformou, com o Meu beneplácito, em um pássaro vivente; de quando, com o Meu beneplácito, curaste o cego de nascença e o leproso; de quando, com o Meu beneplácito, ressuscitaste os mortos; de quando contive os israelitas, pois quando lhes apresentaste as evidências, os incrédulos, dentre eles, disseram: Isto não é mais do que pura magia!” (5:110) As circunstâncias do nascimento de Jesus deram origem à falsa concepção de que ele era o "filho de Deus": “Dizem: Deus teve um filho! Glorificado seja Deus; Ele é Opulento; Seu é tudo quanto há nos céus e na terra! Que autoridade tendes, referente a isso? Direis acerca de Deus o que ignorais?” (10:68) “E quando Deus disse: Ó Jesus, por certo que porei termo à tua estada na terra; ascender-te-ei até Mim e salvar-te-ei dos incrédulos, fazendo prevalecer sobre eles os teus prosélitos, até ao Dia da Ressurreição. Então, a Mim será o vosso retorno e julgarei as questões pelas quais divergis. Quanto aos incrédulos, castigá-los-ei severamente, neste mundo e no Outro, e jamais terão protetores. Quanto aos crentes, que praticam o bem, Deus os recompensará; sabei que Deus não aprecia os injustos. Estes são os versículos que te ditamos, acompanhados de prudente Mensagem. O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó; então lhe disse: Seja! e foi.” (3:55-59) “Dizem (os cristãos): Deus gerou um filho! Glorificado seja! Pois a Deus pertence tudo quanto existe nos céus e na terra, e tudo está consagrado a Ele. É o Originador dos céus e da terra e, quando decreta algo, basta-Lhe dizer: Seja! e é.” (2:116-117). “E dizem: O Clemente teve um filho! Glorificado seja! Qual! São apenas servos veneráveis (esses a quem chamam de filhos), Que jamais se antecipam a Ele no falar, e que agem sob o Seu comando. Ele conhece tanto o que houve antes deles como o que haverá depois deles, e não poderão interceder em favor de ninguém, salvo de quem a Ele aprouver; ficam temerosos e reverentes perante a Sua glória. E quem quer que seja, entre eles, que disser: Em verdade eu sou Deus, junto a Ele! condená-lo-emos ao inferno. Assim castigamos os injustos. (21:26-29) “Afirmam: O Clemente teve um filho! Sem dúvida que hão proferido uma heresia. Por isso, pouco faltou para que os céus se fundissem, a terra se fendesse e as montanhas, desmoronassem. Isso, por terem atribuído um filho ao Clemente, Quando é inadmissível que o Clemente houvesse tido um filho. Sabei que tudo quanto existe nos céus e na terra comparecerá, como servo, ante o Clemente”. (19:88-93) O Alcorão nega a Divindade de Jesus: “São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra? Só a Deus pertence o Reino dos céus e da terra, e tudo quanto há entre ambos. Ele cria o que Lhe apraz, porque é Onipotente.” (5:17) “E recorda-te de que quando Deus disse: Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu que disseste aos homens: Tomai a mim e a minha mãe por duas divindades, em vez de Deus? Respondeu: Glorificado sejas! É inconcebível que eu tenha dito o que por direito não me corresponde. Se o tivesse dito, tê-lo-ias sabido, porque Tu conheces a natureza da minha mente, ao passo que ignoro o que encerra a Tua. Somente Tu és Conhecedor do desconhecido. Não lhes disse, senão o que me ordenaste: Adorai a Deus, meu Senhor e vosso! E enquanto permaneci entre eles, fui testemunha contra eles; e quando quiseste encerrar os meus dias na terra, foste Tu o seu Único observador, porque és Testemunha de tudo”. (5:116-117) “Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam! Tomaram por senhores seus rabinos e seus monges em vez de Deus, assim como fizeram com o Messias, filho de Maria, quando não lhes foi ordenado adorar senão a um só Deus. Não há mais divindade além d'Ele! Glorificado seja pelos parceiros que Lhe atribuem! Desejam em vão extinguir a Luz de Deus com as suas bocas; porém, Deus nada permitirá, e aperfeiçoará a Sua Luz, ainda que isso desgoste os incrédulos. (9:30-32) O Alcorão rejeita o conceito de Trindade: “Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Deus e o Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois, em Deus e em Seus mensageiros e não digais: Trindade! Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Deus é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e Deus é mais do que suficiente Guardião. O Messias não nega ser um servo de Deus, assim como tampouco o fizeram os anjos próximos (de Deus). Mas (quanto) àqueles que desdenharam adoração a Ele e se ensoberbeceram, Ele os congregará a todos ante Si. Quanto aos crentes que praticarem o bem, Deus lhes retribuirá com recompensas e os acrescentará da Sua graça; quanto àqueles que desdenharem a adoração a Ele e se ensoberbecerem, Ele os castigará dolorosamente e não acharão, além de Deus, protetor, nem defensor algum” (4:171-173) O Alcorão rejeita a crucificação de Jesus, mas refere a sua Ascensão: “E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Deus, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, mas o confundiram com outro. E aqueles que discordam quanto a isso estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, mas apenas conjecturas para seguir; porém, o fato é que não o mataram. Outrossim, Deus fê-lo ascender até Ele, porque é Poderoso, Prudentíssimo”. (4:157-138) Finalmente: “São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria, ainda quando o mesmo Messias disse: Ó israelitas, adorai a Deus, Que é meu Senhor e vosso. A quem atribuir parceiros a Deus, ser-lhe-á vedada a entrada no Paraíso e sua morada será o fogo infernal! Os injustos jamais terão socorredores. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade! porquanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles. Por que não se voltam para Deus e imploram o Seu perdão, uma vez que Ele é Indulgente, Misericordiosíssimo? O Messias, filho de Maria, não é mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiros que o precederam; e sua mãe era sinceríssima. Ambos se sustentavam de alimentos terrenos, como todos. Observa como lhes elucidamos os versículos e observa como se desviam”. (5:72-75 “De tais mensageiros preferimos uns mais que a outros. Entre eles, se encontram aqueles a quem Deus falou, e aqueles que elevou em dignidade. E concedemos a Jesus, filho de Maria, as evidências, e o fortalecemos com o Espírito da Santidade. Se Deus quisesse, a geração subsequente (a eles) não teria combatido entre si, depois de lhes terem chegado as evidências. Mas discordaram entre eles; uns acreditaram e outros negaram. Se Deus quisesse, não se teriam digladiado; porém, Deus faz o que quer”. (2:253) Mas “Constatarás que os piores inimigos dos crentes, entre os humanos, são os idólatras. Constatarás que aqueles que estão mais próximos do afeto dos crentes são os que dizem: Somos cristãos! porque possuem sacerdotes e não se ensoberbecem em coisa alguma.” (5:82). Abraço. Davi.

 

terça-feira, 21 de maio de 2024

LITERATURA E DOUTRINA RELIGIOSA

 

Religião Afro-brasileira. Umbanda. Livro Código de Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). LITERATURA E DOUTRINA RELIGIOSA. Capítulo V. Todas as religiões têm escolas de evangelização e doutrinação de crianças. Nestas escolas busca-se passar conceitos religiosos e doutrinários para a vida civil dos fiéis, que os encontrarão novamente em suas leituras diárias. Sendo que estes conceitos saem dos templos e passam a fazer parte do dia a dia das pessoas. Mas e a Umbanda, já tem isto para assumir seu espaço na sociedade brasileira? É claro que não, principalmente porque lhe falta uma literatura só sua., que espelhe seus conceitos filosóficos modeladores do caráter dos seus praticantes. Também lhe falta um código doutrinário no qual se fundamente toda sua religiosidade. Por isso, estamos lutando por uma literatura tipicamente umbandista, em que os seus conteúdos sejam fixados e passados a sociedade de forma compreensível. Mas os obstáculos são vários e alguns são de tal monta que os vemos como intransponíveis. Um desses obstáculos é a falta de uma consciência umbandista. Ela é, talvez, o maior impedimento a ser superado pelos dirigentes do culto caso queiram retirar a Umbanda do gueto religioso em que ela ainda se encontra. Alçando-a à condição de modeladora da sociedade brasileira e sustentáculo de uma consciência religiosa pontificada pelos princípios que norteiam a espiritualidade que se manifesta nos templos de Umbanda: o universalismo. Sim, porque o universalismo é a tônica dos trabalhos realizados nos templos de Umbanda, onde não se admite racismo de espécie alguma. E não se pergunta qual é a religião das pessoas que regularmente vão tomar passes e consultar os guias espirituais. Só que esta realidade interna da nossa religião não é passada para a sociedade e por isto o espaço natural ocupado pela Umbanda na vida dos seus fiéis e simpatizantes não é refletido na sociedade. Que marginaliza os menos aptos na transmissão de suas doutrinas, sejam elas de que natureza forem. Nós sabemos que o número de médiuns e o número de pessoas que afluem aos templos de Umbanda nos dias de culto é elevado. Mas se podemos estima-lo em um quinto da população, no entanto, quando observamos o espaço que a Umbanda ocupa na mídia, uma sensação de impotência nos assoma, pois ele é nulo ... Isso quando não é negativo, porque é patrocinado por pessoas movidas por interesses escusos ou por adversários religiosos mercantilistas. Então, perguntamo-nos: “Por que uma religião com tantos praticantes e com tantos frequentadores de seus cultos está relegada ao ostracismo na mídia? Será que é por causa do nosso comodismo, do nosso desinteresse em mostrar nosso trabalho em prol das pessoas que nos procuram. Ou será pela falta de uma consciência religiosa e de uma conscientização acerca do papel fundamental que temos na vida das pessoas que frequentam nossos templos? Às vezes, assistindo a reuniões nas quais deveriam ser discutidos os rumos de nossa religião, deparamos com a autopromoção e a exposição de egos que desejam ser acariciados, bajulados e paparicados. E ainda não ouvimos uma só voz que chame para si a missão de despertar a consciência umbandista ao seu verdadeiro lugar dentro da sociedade brasileira. Já é hora de despertarmos e olharmos para horizontes mais amplo se quisermos dar â Umbanda, enquanto religião de massas, uma respeitabilidade que ela só alcançará se levarmos à sociedade sua grandeza como religião espiritualizadora e modeladora de um caráter universal, que é a tônica que a tem sustentado neste seu primeiro século de existência. Nossa religião é a única que lida com os mistérios divinos de forma aberta, e, no entanto, a sociedade a vê como sinônimo de magia barata ou mesmo de magia negra. E são tão poucas as vezes que a levantam para refutar este conceito errôneo que até são inaudíveis. Rechaçá-las nas reuniões fechadas não adianta, porque estamos falando para nós mesmos. Então, o caminho é conquistarmos nosso espaço e levarmos nossa mensagem universalista à sociedade. Só assim alteraremos alguns conceitos preestabelecidos contra a religião de Umbanda e desfaremos alguns mitos que denigrem as práticas dela. Um desses mitos refere-se aos trabalhos com a esquerda, que deve ser abordada não a partir do que é o senso comum, e sim a partir da verdade acerca dos espíritos que atuam em suas linhas. Nós sabemos que associam a esquerda ao demônio cristão com o único intuito de denegrir a Umbanda. Mas quem levantou sua voz para desfazer o mal-estar que o termo Exu desperta nas pessoas que não conhecem este mistério da Lei Maior? Foram poucos, não? Pouquíssimos – respondemos nós. Afinal, não são poucos os próprios umbandistas que desconhecem este mistério e o temem juntamente porque pessoas aptas a desmistificá-los são raras. A maioria só o mistifica ainda mais, pois vê nele um recurso para se impor dentro do seu meio. Quando, por intermédio do poder manifestado pelo seu guardião cósmico, sente-se possuidora de uma força superior à de seus semelhantes. Outros usam do poder de suas entidades para obterem reconhecimento pessoa etc. Mas a grande maioria silenciosa atende aos objetivos da Umbanda e não vê nas suas esquerdas senão um recurso da Lei Maior colocado a disposição dos frequentadores dos templos de Umbanda. Porém, não podemos esquecer que é pelo elo mais fraco de uma corrente que se avalia sua capacidade de resistência. E justamente a esquerda é o elo mais fraco da Umbanda, pois seus detratores recorrem ao desconhecido Exu para associar o culto de Umbanda com práticas de magia negra. Nós temos assistido a encenações dantescas pela televisão, nas quais charlatões mistificam um dos mistérios da Umbanda, que é Exu. Usando estas mistificações e exatamente contra nossa religião, com o único intuito de denegrir nossos trabalhos espirituais e nossa religiosidade. Por que esses charlatões obtêm tanto sucesso e se acham no direito de denegrir nossa religião? Porque falta unidade entre os umbandistas. Justamente porque lhes falta uma consciência religiosa coletiva e direcionada para um só objetivo. Esse objetivo só será alcançado quando surgir uma língua comum a todos os dirigentes de Umbanda. O que só ocorrerá se uma literatura tipicamente umbandista conquistar seu espaço tanto entre os umbandistas quanto na sociedade. Saibam que uma literatura tem o dom de disseminar o conhecimento de uma forma útil e esclarecedora. No caso de Umbanda, esta literatura deve atender a diretrizes impostas pelos mentores da religião. Visando a caracterizá-la como a genuína literatura umbandista, e apoiar-se no universo magístico da Umbanda. Seus personagens devem guardar relação com as personagens que se manifestam nos trabalhos práticos realizados dentro dos templos de Umbanda. Com isso, desmistificando o mistério “Exu” e dando a ele uma nova interpretação, já dentro de um universo habitado por espíritos humanos. Veremos que este universo não é o mesmo que os adversários da Umbanda reservaram para Exu. Devemos fazer o que for possível para descaracterizá-lo como o campo de ação da Umbanda. Se digo que devemos fazer o possível é porque é justamente na própria Umbanda que temos encontrado a maior dificuldade em disseminar uma literatura de Umbanda consequente com o intuito de criar uma consciência coletiva de Umbanda. Fundamentada num universo pelo qual transitam nossos Orixás e nossos guias de direita e de esquerda. O umbandista ainda não descobriu a força  que uma literatura traz em si mesma e desconhece o poder que as letras têm como modeladoras de consciências e disseminadoras dos conhecimentos que os mentores espirituais gostariam de ser divulgados na forma mais fácil de assimilados: em livros. Sim, porque em livros fala a muitos ao mesmo tempo e leva toda uma mensagem, facilitando o trabalho dos dirigentes responsáveis pela doutrinação de médiuns. Os nossos irmãos espíritas têm recorrido, e com sucesso, à literatura espírita Kardecista. Durante seus cursos de doutrinação, recomendam as leituras e o estudo das mensagens que trazem. Esperamos que o mesmo aconteça na Umbanda, abrindo ao público o universo mágico e religioso que se manifesta nos templos espalhados por todo o Brasil. Só assim, daqui a algumas décadas, a Umbanda, falará uma só língua, tendo uma linguagem literária só sua a distinguirá entre tantas outra já estabelecidas na consciência literária da sociedade civil brasileira. Só o tempo fará surgir uma consciência religiosa coletiva dentro da Umbanda, que será sua voz forte e audível na consciência da sociedade civil, avessa as vozes das consciências religiosas. Pedimos compreensão e que reflitam um pouco a respeito do que aqui está sendo comentado. E talvez percebam por que todas as outras religiões primeiro apossam-se dos meios de comunicação, para só depois começarem a disseminar, coletivamente, suas mensagens e suas pregações doutrinárias. Talvez descubram que, se um doutrinador pode ensinar aos seus filhos de Santo uma literatura de Umbanda, pode ensinar a toda uma sociedade. Porque fala a todos em geral, sempre por meio da mente de quem apreender suas mensagens. Perguntem-se por que poderosos grupos econômicos, sustentados por associações religiosas, estão tão interessados em abocanhar os meios de comunicação. Assim, talvez descubram o porquê de a Umbanda não ter acesso à mídia e de não ter uma voz só sua a falar de seu universalismo para a sociedade brasileira. Deixando o campo para que nossos adversários religiosos nos sufoquem, denegrindo nossa religião. Reverter este quadro depende de os senhores dirigentes dos templos de Umbanda conscientizarem-se de que uma literatura umbandista é mais um recurso à disposição deles para melhor desenvolverem suas doutrinações religiosas. Afinal, não são poucos os dirigentes que se julgam anto-suficientes nos conhecimentos de Umbanda e não só não recomendam a leitura aos seus filhos. Como muitos nem admitem que se leia algum livro, porque acham que esse procedimento irá atrapalhar o médium em seu desenvolvimento mediúnico. Mas estão enganados ao pensar assim e não percebem que uma religião precisa do auxílio de uma literatura para perpetuar-se no tempo, no coração e na mente de seus adeptos. Estes dirigentes, por serem portadores de dons naturais, acham que só isso sustentará a Umbanda enquanto religião. Mas se esquecem que de que dons são intransferíveis, enquanto os conhecimentos de uma religião são a certeza de sua continuidade. Afinal, não são poucos os casos de pais e mães no Santo que manifestavam dons maravilhosos e atraíam multidões aos seus templos, onde atendiam centenas de pessoas em uma só sessão de trabalhos. Mas quando eles desencarnaram também cessaram os trabalhos, e tudo desapareceu. Sabem por que isso aconteceu e continuará a acontecer ? Porque estas pessoas só se preocupavam com os fenômenos que seus dons produziam e perderam uma ótima oportunidade de criar toda uma religiosidade de Umbanda na mente e no coração das pessoas que as procuravam quando precisavam do auxílio dos dons que elas manifestavam ... E achavam que religião é isso: frequentar um templo só quando se está com problemas. Até quando esta mentalidade predominará dentro da Umbanda? Até quando os dirigentes de Umbanda só se preocuparão em curar os doentes? Quando será que entenderão que os fenômenos de cura são comuns a todas as religiões, pois os mistérios espirituais não pertencem a esta ou àquela religião em especial, e sacerdotes portadores de dons surgem em todas elas? Até quando a Umbanda só valorizará os fenômenos mediúnicos e relegará ao segundo plano sua missão evangelizadora e formadora de uma moral. Um caráter e uma consciência religiosa que espelhe os valores espirituais que a tem sustentado e que a eternizarão no tempo como uma religião de fato? Muitos dirigentes dizem que não precisam dos livros porque conhecem muito mais do que quem os escreve. Mas eles se esquecem e que o que aprenderam desaparecerá assim que eles desencarnarem. Todavia um livro, este permanecerá e será objeto de estudo para as gerações futuras. Os livros canônicos das outras religiões são a prova do que estamos defendendo aqui. São os modeladores da consciência religiosa de seus adeptos e fiéis, assim como ajudam seus sacerdotes a falar uma mesma língua ao longo dos tempos, porque todos pregam a mesma coisa o tempo todo. A Umbanda possui uma escola teórica, que defenda uma doutrina só sua? Não respondemos nós. E isso acontece porque muitos dirigentes decoraram as lendas a respeito dos Orixás e julgam que isso é suficiente para a religião de Umbanda. Mas não é, irmãos! As práticas de Umbanda pertencem à espiritualidade porque, sem o concurso dos guias espirituais, elas não se realizam, e os fenômenos não acontecem. Já os conhecimentos religiosos de uma doutrina umbandista, se são teóricos, no entanto sustentarão, na fé aos Orixás, todas as pessoas que se identificam tanto com as práticas e com a religião de Umbanda. Só que esse lado teórico que dará sustentação à religião de Umbandista está relegado a segundo plano ou não atrai dirigentes de Umbanda. Esses só se preocupam em cumprir sua missão e esquecem-se de que uma religião de verdade não se descuida de seu caráter doutrinário, porque só assim se perpetuará no coração e na mente das pessoas. Observem isto: as pessoas só vãs aos médicos ou aos hospitais quando estão doentes. Mas, assim que se curam, esquecem-se dos médicos que o atenderam e esperam não ter de voltar, nunca mais aos hospitais. E isso costuma acontecer com as pessoas que frequentam os templos de Umbanda, sabem? Mas isso só acontece porque à Umbanda ainda falta uma consciência religiosa que olhe a pessoa que procura seus templos como um ser humano que precisa de um amparo maior. Que só será conseguido se despertar nele a mesma fé em Deus e o amor aos Orixás que sustenta o médium que o atende com amor, respeito e dedicação. Saibam que os médiuns não são os curadores de fato, são só de direita e nada mais. Quem cura os doentes são os espíritos ou os Orixás que se manifestam durante os trabalhos e que gostariam de ver aquelas pessoas, curadas por eles, retornando aos templos e professando uma religiosidade equilibrada e continuada. Muitos dirigentes de Umbanda até dizem às pessoas que os procuram: “Você não tem mais nada. Logo, não tem por que voltar. Só volte quando sentir necessidade” Isto eu mesmo já ouvi, irmãos. Portanto, não estou falando por falar, e sim porque sei que assim ocorre. A esses dirigentes falta a consciência religiosa que só formação teórica, e de nível superior, irá proporcionar, tornando-os, realmente, sacerdotes de sua religião. Essa consciência os estimulará a transformar os templos que dirigem em um ponto de encontro, confluência e apoio religioso às pessoas que os procuraram quando estavam doentes. Que gostariam de continuar a frequentá-los porque confiam nos guias que ali se manifestam e na forma como ali a religiosidade é professada. Mas não é isso que nós vemos acontecer, pois assim, que pessoas são curadas, passam a ser vistas como “dispensáveis” pelos médiuns, que dizem: “Fulano já não possui mais nada, mas insiste em vir consultar meus guias”! Isso é consciência religiosa ou religiosidade, senhores? Não – respondemos nós. Sim, porque nas outras religiões, quando alguém se achega, logo recebe uma gama de sugestões para que fique em seus templos, já que possuem seus valores religiosos. Que logo são passados ao novo fiel, o qual por sua vez logo os manifestará no seu dia a dia. Mas na Umbanda isso não acontece porque grande parte dos seus dirigentes não é manifestadora de religiosidade. São apenas curadores. Não se preocupam com nada mais além de dar o socorro imediato a quem os procura, esquecendo-se de que também devem dar um amparo a longo prazo. Que é a doutrinação e o desperta de uma consciência religiosa em quem gosta de frequentar seu templo de Umbanda. Esta é a diretriz que deve ser imprimida a uma literatura tipicamente umbandista, na qual toda uma religiosidade, consciente, perpetuar-se-á no tempo e dará sustentação a fé que os guias espirituais despertam nas pessoas desesperançadas que os procuram pra serem orientadas. Tendo a esperança de um dia vermos as pessoas procurando instruir-se por meio de genuínos livros doutrinários de Umbanda, depois de serem atendidas por médiuns conscientes da beleza espiritual da religião que abraçaram com fé, amor e confiança. Peço a todos que não se sintam ofendidos se algumas das minhas colocações são críticas. Desculpem-me se sou direto e vou logo tocando nas deficiências de nossa maravilhosa religião. Todavia em mim está consciência religiosa já despertou e tenho tentado despertá-la em outros. Ainda que muitos dirigentes, por serem mais velhos, julguem-se os donos da Umbanda e não aceitem a renovação dos conceitos religiosos comuns a todos os umbandistas. Afinal, se maturidade é sinônimo de sabedoria, idade nem sempre é sinônimo de sapiência. Digo isso porque tenho visto nos jovens umbandistas uma vontade muito grande de aprender, enquanto nos velhos umbandistas tenho visto um certo cansaço, de tantas perguntas que já responderam. Logo, recomendo aos mais velhos e maduros, já cansados de ensinar individualmente, que indiquem aos jovens curiosos a leitura de livros umbandistas. Visto que os conhecimentos práticos, estes só mesmo os verdadeiros dirigentes espirituais dos templos de Umbanda estão aptos a transmitir. Contudo uma boa prática não dispensa uma boa teoria, que só os livros podem fornecer. Sendo que são escritos justamente com objetivos de fornecer a base teórica dos trabalhos práticos realizados nos templos de Umbanda. Abraço. Davi.

sábado, 18 de maio de 2024

JESUS NO ALCORÃO. Parte I

 

Islamismo. Livro Jesus um Profeta do Islam. Por Muhammad Ata Ur Rahim. Capítulo IX . JESUS NO ALCORÃO. Parte I. O Alcorão, o último dos Livros Divinos, revelado pelo Criador ao último dos mensageiros, é uma fonte de conhecimento acerca de Jesus que os estudiosos do Cristianismo geralmente desconhecem. Ora o Alcorão, não só nos leva a compreender melhor quem foi Jesus, mas também, através dessa compreensão, faz com que aumente o nosso respeito e amor com ele. Assim, a última Revelação, aquela que nos chegou cerca de seis séculos após o nascimento de Jesus, refere o que é importante que saibamos acerca de sua vida e de seus ensinamentos, atribui-lhe o papel de Profeta na perspectiva alargada que vai além da própria profecia, tal como foi entendida pelos Unitaristas. Com efeito, o Alcorão fornece uma visão como nenhuma outra fonte pode fornecer. O Alcorão não descreve a vida de Jesus com grande pormenor, nem da mesma maneira como fala de acontecimentos mais específicos. Os milagres e os poderes que foram dados a Jesus são referidos, mas na sua maioria em termos gerais. Da mesma forma, o Livro que lhe foi dado por Deus, o "Ingil", (Evangelhos), é mencionado diversas vezes, mas o seu conteúdo exato não é indicado. No entanto, o Alcorão é muito específico no que diz respeito às intenções de Jesus, à maneira como apareceu na terra, quem foi e quem não foi, e como acabou a sua missão. Aliás, antes de olharmos a vida de Jesus, seria proveitoso examinar qual era a sua missão na terra e como se encaixa na matriz do que veio antes dele e no que viria depois: é dito uma e outra vez que Jesus pertencia à longa linhagem de Profetas que tinham sido enviados aos povos dessa terra; que ele era um Mensageiro cuja doutrina e ensinamentos constituíam uma reafirmação, um aprofundamento dos mandamentos que os Profetas anteriores tinham trazido e uma preparação para a mensagem que o Profeta a seguir traria. A primeira referência a Jesus aparece logo no princípio do Alcorão: “Concedemos o Livro a Moisés, depois dele enviamos muitos mensageiros e concedemos a Jesus, filho de Maria, as evidências e o fortalecemos com o Espírito da Santidade”. (2:87) A passagem que se segue nos remete à linha de mensageiros da qual Jesus fazia parte. Depois de mencionar Abraão, continua: “Agraciamo-lo com Isaac e Jacó, que iluminamos, como havíamos iluminado anteriormente Noé e sua descendência, Davi e Salomão, Jó e José, Moisés e Aarão. Assim, recompensamos os benfeitores. E Zacarias, Yáhia (João), Jesus e Elias, pois todos eles se contavam entre os virtuosos. E Ismael, Eliseu, Jonas e Lot, cada um dos quais preferimos sobre os seus contemporâneos.” (6:84-86) “E enviamos alguns mensageiros, que te mencionamos e outros, que não te mencionamos”. (4:164) De fato, Mohammad, a paz de Deus esteja com ele, disse que Jesus era um de cento e vinte e quatro mil Profetas, entre os quais não existem razões para conflitos ou discórdias. Deus diz ao Seu Mensageiro, numa passagem do Alcorão: "Dize: Cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos, e no que, do Senhor, foi concedido a Moisés, a Jesus e aos profetas; não fazemos distinção alguma entre eles, porque somos, para Ele, muçulmanos”. (3:84) Os Profetas estão todos bem cientes de que foram enviados por Deus, obedecendo ao mesmo objetivo e à mesma mensagem: “Recorda-te de quando instituímos o pacto com os profetas: contigo, com Noé, com Abraão, com Moisés, com Jesus, filho de Maria e obtivemos deles um solene compromisso”. (33:7) “Ó mensageiros, desfrutai de todas as dádivas e praticai o bem, porque sou Sabedor de tudo quanto fazeis! E sabei que esta vossa comunidade é única e que Eu sou o vosso Senhor. Temei-Me, pois!” (23:51-52) “Prescreveu-vos a mesma religião que havia instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual havíamos recomendado a Abraão, a Moisés e a Jesus, (dizendo-lhes): Observai a religião e não discrepeis acerca disso”. (42:13) Assim, a imagem que se dá não é a de algum homem notável que apareceu na Terra como acontecimento isolado, num mundo que seria caótico sem esse aparecimento, mas a de um Mensageiro que, como todos os outros mensageiros, foi enviado para aquele tempo e para aquela época, como elo de uma cadeia de revelação no universo: “E depois deles (profetas), enviamos Jesus, filho de Maria, corroborando a Tora que o precedeu; e lhe concedemos o Evangelho, que encerra orientação e luz, corroborante do que foi revelado na Tora e exortação para os tementes”. (5:46) E mais ainda, tal como Jesus estava bem ciente, um tempo que possuía limites; um tempo que era limitado pelo tempo anterior e posterior ao seu: “E de quando Jesus, filho de Maria, disse: Ó israelitas, em verdade, sou o mensageiro de Deus, enviado a vós, corroborante de tudo quanto a Tora antecipou no tocante às predições, e alvissareiro de um Mensageiro que virá depois de mim, cujo nome será Ahmad!”. (61:6) A concepção e o nascimento de Jesus estão registrados com grande pormenor no Alcorão. Será esclarecedor começar com o nascimento e a educação da sua mãe, pois, ajuda-nos a ver como ela foi preparada por Deus para ser a mãe de Jesus e como foi escolhida por Ele: “Recorda-te de quando a mulher de Imran, disse: Ó Senhor meu, é certo que consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o Oniouvinte, o Sapientíssimo. E quando concebeu, disse: Ó Senhor meu, concebi uma menina – mas Deus bem sabia o que ela tinha concebido – e um macho não é o mesmo que uma fêmea. Eis que a chamo Maria; ponho-a, bem como à sua descendência, sob a Tua proteção, contra o maldito Satanás. Seu Senhor a aceitou benevolentemente e a educou esmeradamente, confiando-a a Zacarias. Cada vez que Zacarias a visitava, no oratório, encontrava-a provida de alimentos, e lhe perguntava: Ó Maria, de onde te vem isso? Ela respondia: De Deus!, porque Deus agracia imensuravelmente a quem Lhe apraz. Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência, porque és Aquele Que atende os rogos! Os anjos o chamaram, enquanto rezava no oratório, dizendo-lhe: Deus te anuncia o nascimento de João, que corroborará o Verbo de Deus, será nobre, casto e um dos profetas virtuosos. Disse: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se a velhice me alcançou e minha mulher é estéril? Disse-lhe (o anjo): Assim será. Deus faz o que Lhe apraz. Disse: Ó Senhor meu, dá-me um sinal. Asseverou-lhe (o anjo): Teu sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por sinais. Recorda-te muito do teu Senhor e glorifica-O à noite e durante as horas da manhã”. (3:35-41) João foi o Profeta imediatamente anterior a Jesus; o seu nascimento miraculoso é novamente mencionado na Surata Mariam: “Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo, Zacarias. Ao invocar, intimamente, seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu, mas nunca fui desventurado em minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu! Em verdade, temo pelo que farão os meus parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril. Agracia-me, de Tua parte, com um sucessor! Que represente a mim e à família de Jacó; e faze dele, ó meu Senhor, uma pessoa que Te satisfaça! Ó Zacarias, anunciamos-te o nascimento de uma criança, cujo nome será Yahia (João). Nunca denominamos, assim, ninguém, antes dele. Disse (Zacarias): Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, uma vez que minha mulher é estéril e eu cheguei à senilidade? Respondeu-lhe: Assim será! Disse teu Senhor: Isso Me é fácil, visto que te criei antes mesmo de nada seres. Suplicou: Ó Senhor meu, aponta-me um sinal! Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não poderás falar com ninguém durante três noites. Saiu do templo e, dirigindo-se ao seu povo, indicou-lhes, por sinais, que glorificassem Deus, de manhã e à tarde. (Foi dito): Ó Yahia, observa fervorosamente o Livro! E o agraciamos, na infância, com a sabedoria, assim como o agraciamos com a piedade (por todas as criaturas) e com a pureza, e foi devoto, e gentil para com seus pais, e jamais foi arrogante ou rebelde. A paz esteve com ele desde o dia em que nasceu, no dia em que morreu, e estará com ele no dia em que for ressuscitado”. (19:2-15) A história do nascimento de Jesus é contada em duas partes diferentes do Alcorão: “Recorda-te de quando os anjos disseram: Ó Maria, Allah te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade! Ó Maria, consagra-te ao Senhor. Prostra-te e ajoelha-te com os que se ajoelham! Estes são alguns relatos do desconhecido, que te revelamos (ó Mensageiro). Tu não estavas presente com eles (os judeus) quando, com setas, tiravam a sorte para decidir quem se encarregaria de Maria; tampouco estavas presente quando estavam a discutir entre si. E quando os anjos disseram: Ó Maria, Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os próximos de Deus. Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos. Perguntou: Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou? Disse-lhe o anjo: Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, basta dizer: Seja! e é. Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E será um mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): Apresento-vos um sinal do vosso Senhor: eis que plasmarei de barro a figura de um pássaro, ao qual alentarei, e a figura se transformará em pássaro, com o beneplácito de Deus; curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, pela vontade de Deus, e vos revelarei o que consumis e o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois crentes. (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos estava vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois e obedecei-me. Sabei que Deus é meu Senhor e o vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta. E quando Jesus lhes sentiu a incredulidade, disse: Quem serão os meus colaboradores na causa de Deus? Os discípulos disseram: Nós seremos os colaboradores, porque cremos em Deus; e testemunhamos que somos muçulmanos.153 Ó Senhor nosso, cremos no que tens revelado e seguimos o Mensageiro; inscreve-nos, pois, entre os testemunhadores. (3:42-53). A história é ainda contada na Surata "Mariam" (Maria): “E menciona a Maria, no Livro, a qual se separou de sua família, indo a um local ao leste. E colocou uma cortina para ocultar-se dela (da família), e lhe enviamos o Nosso Espírito, que lhe apareceu personificado, como um homem perfeito. Disse-lhe ela: Guardo-me de ti no Clemente, se é que temes a Deus. Explicou-lhe: Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho imaculado. Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta? Disse-lhe: Assim será, porque teu Senhor disse: Isso Me é fácil! E faremos disso um sinal para os homens, e será uma prova de Nossa misericórdia. E foi uma ordem decretada. E quando concebeu, retirou-se, com o seu rebento, para um lugar afastado. As dores do parto a constrangeram a refugiar-se junto a uma tamareira. Disse: Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida! Porém, chamou a uma voz, junto a ela: Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr um riacho a teus pés! E sacode o tronco da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras maduras e frescas. Come, pois, bebe e consola-te; e se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma. Regressou ao seu povo levando-o (o filho) nos braços. E lhe disseram: Ó Maria, eis que trouxeste algo extraordinário! Ó irmã de Aarão, teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma (mulher) sem castidade! Então ela lhes indicou que interrogassem o menino. Disseram: Como falaremos a uma criança que ainda está no berço? Ele lhes disse: Sou o servo de Deus, o Qual me concedeu o Livro e me designou como profeta. Fez-me abençoado, onde quer que eu esteja, e me recomendou a oração e (a paga do) zakat enquanto eu viver. E me fez gentil para com a minha mãe, não permitindo que eu seja arrogante ou rebelde. A paz está comigo, desde o dia em que nasci; estará comigo no dia em que eu morrer, bem como no dia em que eu for ressuscitado. Este é Jesus, filho de Maria; é a pura verdade, da qual duvidam. É inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! Quando decide uma coisa, basta-lhe dizer: Seja!, e é. E Deus é o meu Senhor e o vosso. Adorai-o, pois! Esta é a senda reta”. (19:16-36) O local onde Jesus nasceu é mencionado noutra passagem do Alcorão: “E fizemos do filho de Maria e de sua mãe sinais, e os refugiamos em uma segura colina, provida de mananciais”. (23:50). Abraço. Davi.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

ENCONTRANDO O CAMINHO DO MEIO. Parte II

 

Budismo. O Livro das Religiões. ENCONTRANDO O CAMINHO DO MEIO. Parte II. As três marcas da existência. Buda dizia que todas as coisas na vida acontecem como resultado de determinadas causas e condições. Quando essas causas ou condições deixam de existir, os elementos que dependem delas também desaparecem. Nada, portanto, é permanente ou independente. O termo em sânscrito para essa interdependência é pratitya samutpada, que num sentido literal significa “coisas que avançam juntas”. A expressão costuma ser traduzida como “originação dependente”, para transmitir a ideia de que nada se origina do acaso – tudo está atrelado a causas anteriores. Em outras palavras, vivemos num mundo onde tudo está interconectado e nada é a fonte de sua própria existência. Essa observação simples e profunda conduz ao que ficou conhecido como as três marcas universais da existência. A primeira marca chama-se anicca: tudo é impermanente e está sujeito à mudança. Poderíamos desejar que não fosse assim, mas é. Buda comentou que a busca pela permanência e o desejo de que as coisas tenham uma essência fixa levam as pessoas a um estado geral de insatisfação na vida (dukkha), o que constitui a segunda marca. A palavra dukkha normalmente é traduzida como “sofrimento”, porém significa mais do que sofrimento físico ou inevitabilidade da morte. Refere-se a frustração existencial. A vida nem sempre nos dar o que queremos e, ao mesmo tempo, apresenta situações e pessoas que não queremos. Nada na vida nos dá satisfação completa. Tudo tem suas limitações. A terceira marca da existência é anata: como tudo está em constante transformação, nada possui uma essência fixa. De um modo geral, vemos as coisas (as árvores, por exemplo) como elementos isolados e as definimos assim. No entanto, como tudo depende de algo para existir (as árvores precisam de terra, água e o sol, por exemplo), nada pode ser definido permanentemente em termos de percepção ou linguagem. A ideia de interconexão, assim como o conceito das três marcas da existência, não constitui uma suposição sobre o mundo. Ao contrário, refere-se a como as coisas são. Demonstrando que as tentativas de negar essa realidade representam a causa de nossa frustração diária. O ensinamento subsequente de Buda baseou-se no conceito de interconexão. Relacionando dukkha – insatisfação – com o processo de mudança. Os monges budistas devem comer com moderação e dependem de doações para se alimentar – um exemplo prático de interdependência. Buda mostrou que existem contextos nos quais essa insatisfação pode ser minimizada. Essa observação deu origem às “Quatro Nobres Verdades” ou o “Caminho Óctuplo”. O caminho do meio na vida diária. A ideia do caminho do meio está presente no budismo de maneira bastante prática. Por exemplo, algumas ramificações do budismo preconizam a vida monástica. Todavia os votos feitos não são vitalícios, e muitos monges ou monjas voltam para casa – família após meses ou anos de retiro. Da mesma forma, para não causar um sofrimento desnecessário, os budistas procuram ser vegetarianos, sendo que, se por algum motivo for difícil seguir uma dieta vegetariana ou houver alguma questão de saúde que requeira o consumo de carne, eles tem essa permissão. Os monges, cuja alimentação depende de doações, devem comer o que recebem. Nada disso está relacionado à acomodação, mas ao reconhecimento de que tudo depende de condições prévias. O conceito do caminho do meio também possui profundas implicações em nossa compreensão geral da religião, da ética e da filosofia. Buda disse: “A existência disto depende daquilo. Quando isto surge, aquilo toma forma. Quando isto não existe, aquilo não vem a existir. Com o fim disto, aquilo acaba”. Em termos práticos, a ideia é que a realidade da vida, com suas constantes transformações, envelhecimento e morte. Não pode ser evitada para sempre, mesmo com segurança material ou abnegação. Uma vez compreendido isso, nossa visão de valores e de ética muda, modificando também nossa forma de encarar a vida. Assim como uma flor vive e morre, as três marcas universais da existência de Buda sustentam que tudo é impermanente e está sujeito à mudança – anicca. A consequência dessa ideia é o conceito de anata, como tudo está em constante transformação, nada possui uma essência fixa. Uma filosofia flexível. Em termos de religião, a negação budista da essência imutável e eterna dos Upanishads hindus foi revolucionária. Sugere que a vida não pode ser compreendida – e o sofrimento não pode ser evitado – por crenças religiosas convencionais. O budismo – visto como religião em vez de como uma filosofia ética – não nega a existência de deuses ou alguma forma de alma eterna. Entretanto os considera uma distração desnecessária. Quando lhe perguntavam se o mundo é eterno ou se uma pessoa iluminada vive após a morte – questões centrais para a religião – Buda se recusava a responder. Em termos de filosofia, o budismo sustenta que o conhecimento parte da análise da experiência, não de uma especulação abstrata. Por conta disso, o budismo sempre foi um sistema não dogmático, flexível e aberto a novas ideias culturais, sem deixar de preservar seu princípio básico. A interconexão de todas as coisas, manifestada no equilíbrio entre continuidade e mudança, é a base da filosofia budista. Os conceitos do budismo também tiveram importância psicológica. Como o ser não é simples e eterno, entretanto um elemento complexo e sujeito a mudanças, ele pode ser explorado como uma entidade instável. Além disso, o convite de Buda para as pessoas seguirem o caminho do meio estende-se a toda a humanidade. Fazendo do budismo – apesar da indiferença em relação a ideia de um deus ou de deuses – uma proposta atraente numa sociedade presa a convenções e rituais. Abraço. Davi.

 

 

terça-feira, 14 de maio de 2024

A GRANDE INVASÃO DOS ALIENÍGENAS

 

Cristianismo. Livro O Terceiro Milênio – e as Profecias do Apocalipse. Por Alejandro Bullón (1947 - ). Capítulo 19. A GRANDE INVASÃO DOS ALIENÍGENAS. É meia-noite e grande parte da humanidade dorme tranquila. Nas boates, alguns procuram satisfazer o vazio do coração. Há gente na rua, nas esquinas e nos bares. Na calada da noite, outros planejam seus delitos. As prisões estão abarrotadas não somente de marginais – delinquentes, mas também de gente inocente que está ali pelo simples delito de querer adorar o Deus da Bíblia e obedecer aos seus mandamentos. Eles são acusados de ter “mente estreita” e não querer fazer concessões a fim de unir-se ao grande movimento religioso no qual cada um adora a Deus do jeito que achar melhor. De repente, a terra é sacudida de um lado para outro. Ouve-se o som de trombetas e o Sol começa a brilhar. Todo mundo levanta os olhos para os céus e “eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da Terra se lamentarão sobre ele “ Apocalipse 1,7”. É a grande invasão dos alienígenas! Mas não são os Ets que a imaginação humana criou. É Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores que volta para cumprir sua promessa. Quando esteve pela primeira vez na Terra, Cristo andou pelas ruas de Jerusalém calçando um par de sandálias surradas e vestindo uma velha túnica. Foi humilhado, preso, caçoado e finalmente morto na cruz do Calvário, pregado como um marginal. Agora, retorna vitorioso e triunfante. E na hora de sua aparição, junto com os justos de todos os tempos, também ressuscitam os maiores inimigos que ele teve em toda a história. Aí estão presentes “os que o traspassaram”. Aquele soldado que cravou uma coroa de espinhos em sua fronte e o fez sangrar. Aquele que furou seu lado com uma lança. Aqueles que dele escarneceram – zombaram e os maiores perseguidores de sua Igreja. Todos eles ressuscitam somente para ver o triunfo final de Jesus sobre o rebelde Lúcifer e seus seguidores. São Paulo, escrevendo sua carta aos Filipenses, declarou em certa ocasião: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho. Nos céus, na terra e debaixo de terra, e todo língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai” Filipenses 2,9-11”. Reconhecendo a justiça divina. Por que você acha que é necessário que até os inimigos de Jesus se ajoelhem e reconheçam o nome de Jesus? Não é suficiente que os justos o façam? É preciso humilhar dessa maneira os inimigos? A resposta talvez possa ser dada com outra pergunta: Por que Deus permitiu que o mal trouxesse dor e miséria à humanidade durante todos estes séculos? Por que Deus não destruiu Satanás e seus anjos logo que eles foram derrotados no Céu? Lembra-se das acusações de Lúcifer contra Deus? Lembra-se das dúvidas que infelizmente Lúcifer tinha semeado no coração dos anjos e das outras criaturas do Universo! Se Deus tivesse destruído Satanás no início, os outros seres teriam obedecido talvez por medo, carregando sempre a dúvida no coração. Portanto, era necessário tempo. E isso iria significar sofrimento, dor, tristeza e morte de seres humanos inocentes. Mas o tempo terminou. A dor não continuará atingindo os filhos de Deus. É preciso acabar com a história do pecado. O Universo inteiro já teve séculos para observar as consequências terríveis do pecado. Agora o veredito está dado. Não resta dúvida com relação à misericórdia e paciência divinas. É hora de todo joelho, nos Céus e na Terra, confessar que Jesus Cristo é o Senhor. Ele tinha razão. Lúcifer não passava de um impostor. Numa corte não existe melhor evidência a seu favor do que seu inimigo reconhecer que você estava certo. Por isso, até os que “O traspassaram” ressuscitarão para ver o retorno glorioso de Jesus. O grande evento final. A volta de Cristo a este planeta será um evento de implicações físicas tão grandes para a Terra, que João a descreve assim: “O céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes, e disseram aos montes e rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro” Apocalipse 6,14-16. Esse não é um filme de ficção científica. É um quadro real descrito no livro do Apocalipse. Hoje você pode achar que não é possível que esse evento aconteça. Parece tão irreal, que muitas pessoas céticas duvidam e caçoam da bendita esperança dos cristãos. No entanto, até essa atitude de incredulidade estava profetizada na Bíblia: Veja: “Tendo em conta, antes de tudo, que nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: “Onde está a promessa de sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada. Pelo contrário, ele é longânimo, para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados” II Pedro 3,3-10. A volta de Cristo é uma realidade. Queira você ou não. Aceite ou não. Esteja preparado ou não. Ele virá. E virá como o ladrão em meio da noite, quando ninguém suspeita de nada. Quando todo mundo acha que as coisas estão normais. De repente, o mundo todo acordará para o grande evento da história. Quando! Podemos hoje saber quanto falta para a volta de Cristo? Poderia hoje alguém se atrever a fixar uma data? Quando Jesus esteve na Terra, foi claro ao afirmar: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o filho, senão o Pai (...) Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” Mateus 24,36-42. Se ninguém sabe o dia e a hora da vinda de Cristo, como pode a humanidade estar preparada! Jesus mesmo nos dá a resposta: “Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas essas coisas, sabei que está próximo, às portas” Mateus 24,32-33. “Todas estas coisas”. Que coisas? Jesus apresenta muitos sinais que acontecerão antes de sua vinda, no capítulo 24 de Mateus. 1.”Virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos”. 2.”Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras, vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim”. 3.”Se levantará nação contra nação, reino contra reino e haverá fomes e terremotos em vários lugares”. 4.”Sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados por todas as nações, por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros”. 5.”Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” 6.”Por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. 7.”O Sol se escurecerá, a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento”. “E logo depois destas coisas” – disse Jesus – “Sabei que está próximo, as portas”. A pergunta é: precisa você se esforçar muito para ver todos estes sinais acontecendo em nossos dias! O apóstolo Paulo complementa dizendo> “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” II Timóteo 3,1-5. A descrição que Paulo faz de nossos dias mais parece um retrato do que uma profecia. Deus revelou tudo isso aos seres humanos para que você e eu hoje, não fossemos surpreendidos pelo glorioso dia da volta de Cristo. Ao abrir-se o sexto selo do Apocalipse, menciona-se o mesmo sinal apresentado no item sete, acima. João o apresenta deste modo: “Vi quando o cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O Sol se tornou negro como saco de crina, a Lua toda, como sangue, as estrelas caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos” Apocalipse 6,12-13. Aqui são citados quatro sinais físicos que antecedem a volta de Jesus: 1.Acontece um grande terremoto. 2.S Sol se escurece. 3.Alua se torna como sangue. 4.As estrelas caem. Cumprindo-se isso algumas vezes na história de nosso planeta? Vejamos. 1.O terremoto em Lisboa – Portugal. A história registra muitos terremotos, mas as enciclopédias são unânimes em reconhecer o terremoto de Lisboa como um dos maiores de todos os tempos. Aconteceu no dia 1º de novembro de 1755 e teve implicações sociais, teológicas e filosóficas sem precedentes. Até pessoas famosas como Kant (1724-1804), Rousseau (1712-1778) e Voltaire (1694-1778), foram influenciadas em sua maneira de pensar pelo terremoto de Lisboa, naquilo que se chamou “o final do otimismo”. As pessoas passaram a dizer assustadas: “Se Deus não se interessa por nós, é bom que comecemos a preocupar-nos por nós mesmos”. O dia escuro de 19 de maio de 1780. Estava apenas findando o inverno n Nova Inglaterra, norte dos Estados Unidos, quando o fenômeno aconteceu. Havia quatro anos que tinha sido declarado a independência americana e não se haviam completado ainda 25 anos desde a tragédia do terremoto de Lisboa. Quando, na manhã do dia 19 de maio, o Sol se ocultou as dez horas. As sombras da noite envolveram a região da Nova Inglaterra. O dia tornou-se uma noite escura, de modo que até as galinhas correram de volta a seus poleiros e as aves seus ninhos. Naquela mesma noite, a Lua apareceu vermelha como sangue, cumprindo-se, assim, a descrição anunciada pela profecia. Mas por que naquele tempo? Por que não antes, nem depois? Lembre-se do que Jesus disse: “Logo em seguida a tribulação daqueles dias, o Sol se escurecerá, e a Lua não dará a sua claridade” Mateus 24,29. A perseguição de pessoas que estudavam a Bíblia, contra a vontade da Igreja, cessou na Europa na metade do século XVIII (1701-1800). O último “herege” martirizado na França, morreu em 1762. Era um pastor da Igreja Reformada. A profecia dizia: “Logo em seguida a tribulação daqueles dias ...”. Você percebe o cumprimento profético? A chuva de estrelas de 13 de novembro de 1833. Esse foi um evento extraordinário que a história registrou. Milhares de estrelas cadentes riscaram o céu, numa impressionante chuva,  como estava anunciado nas Escrituras. Muitos sentiram-se aterrorizados e prostraram-se, rogando pela misericórdia divina. Outros. Conhecedores da Bíblia, regozijaram-se. Esse acontecimento teve lugar na costa oriental dos Estados Unidos, e foi importante para a Astronomia porque foi a partir dali que se deu início ao estudo das chuvas de estrelas. Denison Omstead (1791-1859), professor de ciências e matemática da Universidade de Yale, preparou um relatório acurado para o número de janeiro de 1834 do The American Journal of Science and the Arts. A hora undécima. Como você pode constatar, os sinais da volta de Cristo estão todos cumpridos, e o conselho bíblico é: “Quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, as portas”. A volta de Jesus é um acontecimento iminente. Está chegando o momento final do acerto de contas. O convite foi feito. Jesus esperou por séculos o retorno de seus filhos ao Lar, e está chegando o grande momento de levá-lo para casa. O Apocalipse esse acontecimento da seguinte maneira: “Olhei, e eis uma nuvem branca, e sentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada” Apocalipse 14,14. Esse será um acontecimento visível. “Todo olho o verá”, dia a Bíblia. Será “como o relâmpago que sai do Oriente e desaparece no Ocidente”. Ninguém deixará de vê-lo. Não aparecerá na Europa, nem nos Estados Unidos, nem na América do Sul. Não se mostrará para uns pouco, num quarto, em forma de espírito. Nem começará fazendo curas milagrosas em algum canto do planeta. A segunda vinda de Cristo não será nenhum acontecimento secreto, nem silencioso. Ele virá. E enquanto muitos gritarão desesperados porque sentem medo de sua presença, outros levantarão as mãos aos céus e dirão: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará, este é o Senhor, a quem aguardávamos, na sua salvação exultaremos e nos alegraremos”. Entre estes últimos poderá estar você, se hoje entregar o coração a Jesus, abrir a Bíblia e pedir que Ele mostre o plano que tem para sua vida. Amigo querido, já é muito tarde na noite deste mundo. Há muita maldade e desamor lá fora. Faz frio. O gelo da indiferença humana torna nosso planeta mais sombrio ainda. Está na hora de voltar para a casa do Pai. Ele curará suas feridas. Nunca mais você estará só. Não haverá mais traição, nem rejeição. A exploração do ser humano terminará. Nunca mais você terá que correr como louco durante trinta dias para receber, no fim do mês, um salário que dura uma semana. Seus sonhos não serão mais destruídos pelo mal. Você e eu viveremos eternamente com Jesus. Esse dia está chegando. As profecias o indicam claramente. Não há tempo a perder! Abraço. Davi

domingo, 12 de maio de 2024

ENCONTRANDO O CAMINHO DO MEIO. Parte I

 

Budismo. O Livro das Religiões. ENCONTRANDO O CAMINHO DO MEIO. Parte I. Em contexto. Principal figura Sidhartha Gautama. Quando e onde. Século VI a.C. no norte da Índia. Antes. A partir de 1700 a.C. muitos deuses são cultuados na religião védica do norte da Índia. Século VI a.C. Na China, o taoísmo e o confucionismo apresentam filosofias em que se cultivam o desenvolvimento espiritual pessoal. Século VI a.C. Mahavira rejeita o destino de príncipe indiano e torna-se um ascético extremo. Seus ensinamentos formam os textos sagrados do jainismo. Depois. Século I d.C. Surgem os primeiros textos com os ensinamentos de Sidhartha Gautama. Logo depois, o budismo se espalha pela China. Sidhartha Gautama. Nascido em 563 a.C. na família real do clã Shakya, no norte da Índia, Sidhartha Gautama estava destinado a ocupar um lugar importante na sociedade. Criado com regalias e bem-educado, casou-se aos dezesseis anos e teve um filho. Aos 29 anos, porém, insatisfeito com a vida que levava, saiu de casa e passou anos como ascético religioso. Após uma experiência de “iluminação”, conforme descreveu, tornou-se um mestre errante e logo atraiu muitos seguidores, sobretudo nas cidades da planície indo-gangética. Sidhartha estabeleceu comunidades de monges e monjas, conquistando um número cada vez maior de seguidores. Envolveu-se também em discussões com governantes e mestres de outras religiões. Quando morreu, aos oitenta anos, o budismo já havia se tornado um movimento religioso importante. Obra-chave. 29 a.C. O Dhammapada, um resumo dos primeiros ensinamentos de Buda, faz parte do Cânone Pali. Sidhartha atingiu a iluminação após meditar sob a árvore Bodhi. Uma muda da árvore original foi plantada em Bodhy Gaya, Índia, em 228 d.C. Hoje um local de peregrinação para os budistas. A iluminação do Buda. O século VI a.C., foi uma época de muitas mudanças sociais e políticas no norte da Índia. Tribos locais foram destruídas pelos novos impérios, cidades expandiram-se, afastando a população da simplicidade da vida agrícola, e o comércio ganhou força. Ao mesmo tempo, os indivíduos começaram a fazer perguntas essenciais sobre a vida e os fundamentos da religião. Por um lado, havia a religião védica estabelecida, com base no sacrifício e autoridade dos textos védicos. Aos quais pouca gente além dos brâmanes – classe sacerdotal da sociedade indiana – tinha acesso. Era uma religião formal e conformista, que exigia obediência à tradição e mantinha as diferenças de classes. Por outro lado, muitos mestres errantes desafiavam a religião formal. Alguns se retiraram da sociedade em busca do ascetismo – renúncia aos confortos materiais – optando pela simplicidade e privação com formas do desenvolvimento espiritual. Esses mestres rejeitavam tanto o conforto físico quanto as normas sociais, e passaram a viver fora do sistema de classes. Outros mestres errantes seguiram a filosofia materialista lokayata e rejeitaram os ensinamentos espirituais convencionais em prol de uma vida de prazeres, afirmando que não há nada além do mundo físico. Sidharta busca respostas. Nascido numa família rica, Sidhartha Gautama concluiu, ao chegar à idade adulta, que sua vida de conforto era incompatível com a crescente conscientização das dificuldades da existência e a certeza da morte. Além disso, o conforto material não oferecia nenhuma proteção contra essa dura realidade. Desse modo, Sidhartha embarcou numa busca religiosa para encontrar a origem do sofrimento e uma forma de superá-lo. Por sete ano, praticou o ascetismo, privando-se de tudo, ficando apenas com o mínimo necessário para o sustento. Contudo chegou à conclusão de que isso não o ajudou a encontrar o conhecimento que procurava. Decidiu, portanto, abandonar a vida ascética, embora continuasse determinado a descobrir a causa do sofrimento. Conta-se que Sidhartha chegou a um estado de “iluminação” – consciência da verdadeira natureza da realidade – após uma noite inteira de meditação, e isso lhe trouxe a resposta para as questões de sofrimento, envelhecimento e morte. A partir desse momento, seus seguidores passaram a chamá-lo de Buda, um título honorário que significa “aquele que está totalmente desperto” ou “o iluminado”. O caminho do meio. O ensinamento de Buda é conhecido como “o caminho do meio”. Num nível mais óbvio, o conceito sugere um meio-termo entre os dois tipos de existência que ele rejeitou: uma vida de luxo, procurando obter proteção do sofrimento material. E uma vida de extrema austeridade, privando-se de quase tudo na busca pelo crescimento espiritual. A abordagem ou “caminho” encontrado envolvia uma dose moderada de disciplina em busca de uma vida ética, sem cair na tentação dos prazeres físicos ou auto mortificação. O caminho do meio proposto por Buda, também se refere a dois outros extremos: o eternalismo – crença de que a alma tem um propósito e vive para sempre – e o niilismo, extremo ceticismo, em que se nega o valor e o sentido de tudo. Precisamos encontrar o caminho do meio. Por mais conforto material que tenhamos na vida, não estamos imunes à dor e ao sofrimento. A total negação do conforto material e uma vida de ascetismo também não nos protegem do sofrimento. Cada pessoa precisa encontrar equilíbrio e disciplina, de acordo com as circunstâncias individuais. Eternalismo e niilismo. A religião védica, principalmente conforme apresentada nos textos conhecidos como Upanishads, afirmava que a verdadeira essência de todo ser humano é o atman, a alma eterna que reencarna diversas vezes. O atman liga-se ao corpo físico apenas temporariamente, sendo independente dele. Um ponto crucial da religião védica é a identificação desse atman com o brahman, a realidade divina fundamental por trás de tudo. As coisas comuns do mundo como árvores, animais e pedras são uma ilusão, conhecida como maya. A verdadeira realidade está além do mundo físico. Quando Buda rejeitou a perenidade do ser, ele estava rejeitando um elemento central do pensamento e da religião hindu. Buda também rejeitou o outro extremo – o niilismo, segundo o qual nada tem importância ou valor. O niilismo pode se manifestar de duas maneiras (ambas existentes na época de Buda). Uma é o caminho do ascetismo: purificar o corpo por meio da mais extrema austeridade e rejeitar qualquer tipo de valor mundano. Esse foi o caminho que Buda escolheu, julgando-o insatisfatório. A outra forma de manifestação do niilismo foi o caminho adotado na Índia pelos seguidores da escola heterodoxa de filosofia lokayata – a entrega total ao materialismo. Se tudo é apenas uma disposição temporária de elementos físicos, não existe uma alma eterna que se influencie por boas ou más ações durante a vida. Além disso, se não existe vida além da morte, a melhor conduta a se tomar é buscar o máximo de prazer possível nesta vida. Porém ao rejeitar esses dois extremos, Buda não optou simplesmente por um “caminho do meio” no sentido de termo comum. Sua visão baseava-se no conceito de interconexão, fundamental para conhecer a essência do ensinamento budista. Abraço. Davi.

 

sexta-feira, 10 de maio de 2024

UMBANDA E A SOCIEDADE

 

Religião Afro-brasileira. Umbanda. Livro Código de Umbanda. Por Rubens Saraceni (1951-2015). Capítulo IV. UMBANDA E A SOCIEDADE. A tímida Umbanda, nascida às escondidas, hoje se mostra como uma religião de fato, e a cada dia sua existência vem se destacando no cenário religioso brasileiro e adquirindo uma respeitabilidade ímpar. Pois ela é, de fato, a religião brasileira por excelência. Não fica nada a dever às outras religiões que aqui se fixaram. A Umbanda ainda está na sua primeira idade e já mostra um vigor, uma exuberância, digna do povo brasileiro, também jovem, exuberante e cordial. A Umbanda é, talvez, a única religião que pode ser chamada de social, sendo que tem se dedicado desde seu nascimento às pessoas e suas necessidades básicas e imediatas. Os sacerdotes de Umbanda são oriundos de todas as classes sociais e trazem como formação pessoal suas lides diárias com os vários problemas que assolam a sociedade brasileira e espezinham a vida dos seus cidadãos. A tímida Umbanda do começo do século XX (1901-2000) dedicava-se a consolar, esclarecer e confortar o coração e a mente das pessoas que procuravam nos médiuns um primeiro socorro espiritual. Esta sua faceta social e socorrista impõe-se como uma de sus características fundamentais. O tempo provou como foram sábios os espíritos semeadores da religião de Umbanda, assim até hoje a Umbanda é sinônimo de socorro imediato e pronto socorro espiritual. Não são as pessoas que acorrem aos centros de Umbanda quando se sentem desenganadas com a medicina, desiludidas com outras religiões e desencantadas com o amparo que a própria sociedade lhes deveria proporcionar. É nos centros, acolhidos por sacerdotes despidos de toda pompa e de todos os tiques religiosos, sendo simples, mas portadoras de dons espirituais, que os aflitos consulentes recebem palavras de conforto espiritual. Também consolo fraternal e esclarecimentos que lhes devolverão a fé em Deus e a confiança em si mesmos, auxiliando-os em suas caminhadas terrenas. Grande tem sido o trabalho realizado pelos sacerdotes de Umbanda, porque sendo eles partícipes desse povo que luta, sofre e evolui a duras penas, são conhecedores das mazelas da vida daqueles que os procuram. Divino tem sido o trabalho dos dirigentes umbandistas que, discretamente, têm sustentado em torno de suas federações os muitos centros que nascem naturalmente por todo o Brasil. E desprovidos de recursos materiais, mas movidos pela fé e pela boa vontade. Tem imposto uma ordem às manifestações espirituais que acontecem em todos os cantos e a todo instante. Mantendo uma convivência pacífica com outras religiões desde o nascimento da Umbanda, quando ela se realizava nos fundos dos barracões. A Umbanda nasceu humilde, entre os humildes, e tem falado a todos os brasileiros por intermédio da humildade. A Umbanda não constrói templos gigantescos ou luxuosos, uma vez que, pompa e luxo não fazem parte de seus fundamentos. A umbanda não se preocupa senão com a espiritualização das pessoas e em cuidar daqueles que são portadores de dons naturais, mas que nas outras religiões são agregados ou excluídos. Grande tem sido o trabalho da Umbanda no campo social, dado que acolhe pessoas desesperadas, confundidas e desacreditadas de suas próprias potencialidades e. Pouco a pouco, vai desenvolvendo a esperança, esclarecendo-as da transitoriedade de suas situações e devolvendo-lhes a fé em Deus. E a esperança de um futuro de paz, harmonia e fraternidade. Se em alguns aspectos a sociedade brasileira ainda não reconheceu o imenso e ordenador trabalho realizado pela Umbanda, isso de deve aos próprios sacerdotes de Umbanda. Eles creditam suas realizações neste campo à espiritualidade, aos Orixás e a Deus. Tal vez por estarem conscientes da transitoriedade da vida na carne, os sacerdotes de Umbanda não procuram o reconhecimento da sociedade para o imenso trabalho que realizam em favor desta mesma sociedade, da qual também são membros. Todavia, com certeza, dispensam as luzes dos holofotes porque preferem ser iluminados pela luz do amor divino, amor este que os move diuturnamente e os leva aos encontros das vontades divinas. Esses são o amor fraterno, a concórdia entre todos os seres e a espiritualização da sociedade brasileira, berço natal da Umbanda. A única religião que reuniu em si três outras religiões: a europeia, a indígena e a africana, mostrando a todos que divisões religiosas só existem na mente dos racistas ou dos preconceituosos. Sendo que aos olhos de Deus todos somos seus Filhos diletos e amados. A Umbanda, enquanto religião nascente, ainda não está livre da presença dos aproveitadores da boa-fé das pessoas, porém até desses o tempo se encarregará de afastá-los e devolvê-los às suas origens pré Umbanda. A nós, os responsáveis no plano material pela guarda da simplicidade da Umbanda e pela sua mensagem fraterna, social e espiritual, compete contê-la em seu curso natural. É só uma questão de tempo para que a sociedade reconheça o imenso trabalho que ela realiza em benefício do povo brasileiro. Sem exigir nada em troca, todavia não foi para pedir, exigir ou dominar que ela foi criada. Deus a criou para doar, doar e doar! A Umbanda doa consolo, conforto, esclarecimento, fé e amor. E nós, os umbandistas, só queremos doar nossos dons naturais em favor de nossos semelhantes. Que Deus os abençoe em nome da Umbanda, em razão de que é só uma questão de tempo para todos reconhecerem nela uma benção de Deus e uma dádiva dos sagrados Orixás. Saravá, meus irmãos em Oxalá ! Abraços. Davi.